Filosofia & Filosofices

Pensador

“Não acrediteis numa coisa, apenas por ouvir dizer. Não acrediteis na fé das tradições, só porque foram transmitidas por longas ge rações. Não acrediteis numa coisa só porque é dita e repetida por muita gente. Não acrediteis numa coisa só pelo testemunho de um sábio antigo. Não acrediteis numa coisa só porque as probabilidades a favorecem ou porque um longo hábito vos leva a tê-la por verdadeira. Não acrediteis no que imaginastes, pensando que um ser superior a revelou. Não acredite em coisa alguma apenas pela autoridade dos mais velhos ou dos vossos instrutores. Mas, aquilo que vós mesmos experimentastes, provastes e reconhecestes verdadeiro, aquilo que corresponde ao vosso bem e ao bem dos outros, isso deveis aceitar, e por isso moldar a vossa conduta.” 

Siddharta Gautama (Buda)


Está certo Buda. De minha parte, tenho de concordar com o brilhante pensamento acima. Mas concordo porque concordo e não por ter sido dito por Buda. Concordo porque, como ele diz, experimentei, provei e reconheci como verdadeiro. E vou até mais além, dizendo: "Duvide! Duvide de tudo, até de você mesmo, pois aquilo em que acredita hoje pode não ser o mesmo em que acreditava ontem e ainda não ser o que acreditará amanhã".  Pronto! Cometi minha primeira "filosofice". E vou talvez cometer mais uma, dirigindo-me aos que aqui estão chegando:

Se você não gosta de questionar e prefere aceitar o senso comum; se acha que tudo já foi dito antes; se acha que protestos são perda de tempo e que não vale a pena se preocupar com a devastação da natureza e com os problemas futuros da humanidade porque, quando chegar a hora certa, alguém resolverá por nós; se não se rebela contra governos ditatoriais ou corruptos; se acha que tem de acatar tudo o que os seus mestres ou superiores dizem; se costuma aceitar dogmas religiosos e imposições das igrejas sem discutir e se crê que se deva entregar as soluções nas mãos de "Deus" porque "Ele" tudo resolve; se acha que ter uma religião e segui-la é o bastante; se não tem espírito libertário; se não tem senso crítico, não aceita rever seus conceitos e não gosta de reflexões nem de pensar muito… Então, provavelmente, achará que está no lugar errado e não vai gostar muito de navegar por aqui.

Se concorda, acertou o lugar. Seja bem-vindo, junte-se a nós e acompanhe nossas "filosofias e filosofices".

A partir de hoje, esperamos que esse espaço virtual se torne a nossa casa ou, o nosso botequim filosófico virtual, onde poderemos nos encontrar para discutir assuntos do nosso interesse comum e nos mantermos sempre atualizados em relação a eles. 

E para terminar, aqui vai mais uma reflexão (ou "filosofice", se preferirem"), para aqueles que porventura interpretaram o termo "pensador" como sendo ironia fina:

Segundo Descartes (de quem não sou lá muito admirador) todo homem vivo é um ser social pensante ("Penso, logo existo"; "o homem é um ser social"). Então, enquanto vivos, somos seres pensantes. Mas não se pode dizer que todos os seres pensantes sejam "pensadores" e muito menos ainda, "livres-pensadores". Pensantes são todos os seres humanos; pensadores, os que se ocupam do ofício de pensar criticamente e exercitam corriqueiramente essa prática; livres-pensadores, estes sim, são em sua maioria, filósofos, pensadores constantemente em busca da verdade, seja ela qual for, mas livres de preconceitos e dogmas de qualquer espécie.  Por isso, dificilmente um religioso ou um fanático defensor de uma ideologia política poderia se dizer filósofo, porque preso a dogmas e regras que tem de seguir. Desconfiem, pois, do que dizem alguns filósofos, porque muitos são apenas "pensadores", mas não realmente filósofos. Creio que  o verdadeiro filósofo é um ser libertário, questionador, obstinado e metódico, que tenta encontrar ou se aproximar o mais possível da verdade, mesmo quando as conclusões a que chega contrariam suas antigas convicções. 

Descartes, Blaise Pascal, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Padre Antônio Vieira, Leibniz, Jacques Maritain, Leonardo Boff, para citar só alguns, seriam realmente filósofos ou apenas pensadores? Aí está uma boa discussão. Aceitem, com humildade e respeito, todo o ensinamento quer lhes é ministrado. Mas tenham o cuidado de checar tudo depois, já que não há a certeza nem garantias de que toda a informação passada seja verdadeira. Quanto do que aprendemos nos bancos escolares da nossa juventude, verificamos depois que não correspondiam à verdade?

Descartes (considerado "o pai da filosofia moderna"), Pascal e Leibniz foram grandes matemáticos e também pensadores; Tomás de Aquino, Antonio Vieira e Santo Agostinho, eram teólogos e pensadores; Jacques Maritain (a despeito de ter estudado filosofia na Sorbonne) era um neotomista; e, finalmente, Leonardo Boff, um teólogo.e professor universitário. No entanto, todos são conhecidos como "filósofos" e assim é oficialmente ensinado. O que acontece se alguém resolver discordar disso?

Voltando agora aos que se dedicam ao estudo metódico da filosofia, por autodidatismo ou em universidades, mas sem terem formação filosófica: por estarem constantemente em busca da verdade, não importando se vão encontrá-la ou não, e por praticarem isso regularmente, ainda que alguns pautados por suas respectivas religiões, culturas, limitações intelectuais ou ideologias políticas, não resta dúvida de que são, sim, "pensadores"; pensadores que um dia, pela prática e busca incessante, poderão vir a ser verdadeiros filósofos. Mas alguns, ainda que levem uma vida inteira, jamais chegarão a sê-lo, permanecendo para sempre na condição de "pensadores", dentro de suas respectivas profissões (menos mal do que se fossem apenas seres pensantes, condição comum a todos). 

Reflitam sobre o texto e comentem! Não tenham receio de, eventualmente, cometerem filosofices. Este espaço é nosso e nele toda divagação do pensamento é permitida, inclusive quando contrária ao que nos é ensinado pelos nossos mestres. Ora, se o grande Descartes pôde fazer e escrever suas "meditações" (que viagem na maionese!…), cometendo várias filosofices, nós também, com muito mais razão,  podemos fazer as nossas. Afinal, só estudamos filosofia, mas não somos filósofos e talvez nem venhamos a ser, mesmo após a conclusão desse curso, porque concluir um curso de filosofia não transforma ninguém em "filósofo".

E "teje dito"!

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1 Comentários para esta entrada

  • Lilian Sokorowa disse:

    Parece que vocês tiveram uma boa ideia. Parabéns! Vim aqui porque já conheço o autor pq sou assinante em um dos seus sites e fiquei curiosa em conhecer este. Pelo que entendi, qualquer pessoa pode entrar e comentar, sem precisar ter vínculos coma faculdade. É isso?

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