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    Por que, em pleno século XXI, falar contra as religiões ainda acarreta reações violentas por parte dos fanáticos religiosos? Se isto, no passado, quando a religião católica tinha um poder maior e impunha seus dogmas a ferro e fogo já era condenável, que dizer hoje? Vejam o que pensa um escritor e pesquisador muçulmano, especialista em estudos do Oriente Médio, analisando racional e imparcialmente, as reações dos muçulmanos a um vídeo americano que criticava Maomé e o islamismo. Seu depoimento, publicado no site BBC Brasil, encontra-se transcrito abaixo, na íntegra:

    Eu sou muçulmano e ocidental, mas não considero que os dois elementos se oponham.

    Chegamos a um estágio em que não existe mais o controle da Igreja Católica sobre o que pode ou não ser dito ou escrito em público. No passado, os "hereges", aqueles que não aceitavam a doutrina do catolicismo, eram mortos ao lutar pela liberdade religiosa, de pensamento e de expressão. Considero tais liberdades sacrossantas.

    Foi a coragem desses protestantes que permitiu a criação de sociedades seculares e plurais no Ocidente, possibilitando, pela primeira vez na história, que um grande contingente de judeus e muçulmanos morassem juntos e praticassem cada qual sua religião.

    A barbaridade dos pogroms, da caça às bruxas e dos hereges sendo queimados vivos em praça pública felizmente acabou.

    Os meus colegas muçulmanos precisam entender tal pano de fundo. Não podemos sufocar as diversas liberdades existentes sob a alegação de proteger a nossa religião. É claro que eu me sinto pessoalmente atacado quando o profeta Maomé é insultado.

    Inclusive, porque a literatura ocidental, de Shakeaspeare a Thomas Paine, está cheia de referências negativas aos muçulmanos, chamando-os de "mouros", "turcos" e "seguidores de Maomé".

    Paralelamente, os escritos clássicos árabes e persas estão repletos de antissemitismo e negação à divindade de Cristo como filho de Deus.

    Ainda assim, é importante que nós, do Ocidente, tenhamos conseguido acomodar em um mesmo (ou mais) países todas as fés – e inclusive aqueles que não professam nenhuma fé.

    Essa evolução não pode ser revertida. A autocensura é uma tentativa de reverter os ganhos realizados pelos intelectuais de outrora, nossos antepassados.

    Tão quanto os muçulmanos são livres no Ocidente, os cristãos e seguidores de outras fés precisam ter a mesma liberdade no Oriente.

    Nós, muçulmanos, matamos algum dos maiores iluministas por causa de acusações clericais de heresia, motivadas pela ausência da liberdade de pensamento.

    Da execução de al-Hallaj em Bagdá, no Iraque, ao apedrejamento de Ibn Arabi em Damasco, na Síria, passando pelo banimento de Bulleh Shahm em Punjab, a história está cheia de exemplos.

    Esses muçulmanos são mártires por terem lutado pela liberdade de pensamento.

    Como um muçulmano ocidental, eu quero defender essas liberdades e assegurá-las para as futuras gerações.

    Ed Husein é pesquisador sênior de estudos do Oriente Médio do centro de estudos Council on Foreign Relations e autor do livro "The Islamist"

    Fonte: Site BBC Brasil

    Não estaria na hora de criminalizar, em todos os países do mundo,  as reações com agressões físicas, praticadas pelos fanáticos religiosos? Não estaria na hora de declarar-se legítimo o direito de qualquer pessoa manifestar suas opiniões?

     

    Conquanto a maioria de nós, filósofos de botequim, tenhamos visões antiteístas, há um assunto que sempre nos intrigou e que temos debatido por diversas vezes em nossas “conversas de botequim”, sem chegar a nenhuma conclusão definitiva: Como deve ser encarado o espiritismo? Ciência, pseudociência, filosofia, doutrina ou religião? No site Irreligiosos, um dos 14 integrantes da nossa rede, uma matéria semelhante, tratando da existência dos fenômenos espíritas, tem gerado acaloradas discussões e os comentários já passam dos 50, mas sem nada concluir.

    Aqui, temos entre nós alguns simpatizantes do espiritismo não religioso, que o vêem ora como doutrina filosófica, outros que o vêem como pseudociência, e apenas um que já o vê como ciência em formação (???). O ponto em comum é que todos assumem as suas posições referindo-se aos fenômenos ditos espíritas, mas não ao espiritismo como religião, porque ninguém consegue enxergar nada que justifique esse tratamento.

    Mas uma notícia e um vídeo recentes causou alvoroço em todos nós: o fato de que a medicina começa a reconhecer os transtornos causados pelos estados de transe e possessão por espíritos como reais e classificados no CID 10(F44.3). Apenas para não deixar dúvidas, o termo CID significa Código Internacional de Doenças e é seguido obrigatoriamente pela medicina, em todo o mundo. Ora, quer dizer então que estados de transe e mediunidade são doenças? Não, mas os transtornos causados às pessoas que se encontram nesses estados são provocados pelo nível de funcionamento da glândula pineal e podem ser tratados, tendo como causas os próprios fenômenos ditos como “de natureza espírita”, agora de existência reconhecida.

    A coisa funciona mais ou menos assim: um médico, antes de tratar uma doença, precisa diagnosticá-la; para diagnosticá-la, precisa analisar os sintomas, sinais externos e relatos dos pacientes (queixas), corroborados ou não pelos exames de laboratórios que solicita. Combinando esses 4 elementos, o médico classifica-os num CID e prescreve o tratamento a seguir. Nos casos em que se constata que o paciente foi acometido por estados de transe e possessão por espíritos, se a sintomatologia for a que é comum nesses casos, o médico as enquadra diretamente no CID 10(F44.3) e prescreve o tratamento recomendado. Ora, se a coisa já está codificada é porque a medicina já reconhece a existência dos fenômenos que antes, erroneamemente, eram catalogados como demência, transtorno bipolar, epilepsia ou esquisofrenia. Um dos nossos colegas é médico, e foi assim que ele explicou.

    Este é o ponto a discutir. Será que vão continuar a dizer que essas coisas não existem ou que são apenas transtornos mentais? Assim que discutirmos esse assunto (o último debate foi muito desgastante, produzindo poucos resultados), volto aqui para relatar. O motivo é que ainda não conseguimos reunir a "tchurma" inteira e, para ser sincero, eles estão fugindo dessa discussão.

    Veja o vídeo e as explicações do neurocientista que o produziu:

    Aqui, o vídeo produzido pelo médico e neurocientista, Dr. Sergio Felipe de Oliveira (também pesquisador em Física Quântica e Diretor do Instituto Pineal Mind), onde ele expõe o resultado das suas pesquisas:

    ——————————INÍCIO DE TRANSCRIÇÃO——————————-

    Os estados de transe ou fenômenos mediúnicos

     

    Estudamos dentro deste tema - Fenomenologia Orgânica e Psíquica da Mediunidade – os estados de transe ou fenômenos mediúnicos.

    Cremos que as hipóteses levantadas aqui e as pesquisas já efetuadas ressaltam a importância do tema no contexto da saúde e o colocam dentro de uma área mais ampla da medicina, a da neuroanatomia funcional e transpessoal.

    Sentimo-nos à vontade para abordá-lo, porque o Código Internacional de Doenças (CID) no. 10 (F44.3) já reconhece os estados de transe e possessão por espíritos; do mesmo modo que o Tratado de Psiquiatria de Kaplan e Sadock, da Universidade de Nova York, no capítulo sobre Teorias da Personalidade faz menção ao assunto; e Carl Gustav Jung, em sua primeira obra, analisa o caso de uma médium, uma moça, "possuída" por um espírito, no estudo que fez dos fenômenos ocultos. Aliás, esse termo – possessão por espíritos – é usado pela Associação Americana de Psiquiatria, no DSM4 – Casos Clínicos.

    Os fenômenos mediúnicos são muito ricos, tanto podem aparecer na forma de sintomas orgânicos e psíquicos, quanto de fenômenos ocultos ou paranormais. Para enfocá-los, vamos partir do pensamento contemporâneo da Ciência.

    A primeira questão é que a matéria, como nós a percebemos, como a sentimos, é constituída de átomos, compostos, por sua vez, por prótons, nêutrons e a eletrosfera ou a nuvem de elétrons. Então, toda a matéria tem, por assim dizer, na sua superfície, uma quantidade de elétrons, que são partículas de carga negativa.

    Quando aproximamos dois corpos materiais, na verdade, estamos juntando camadas de elétrons, isto é o mesmo que aproximar imãs da mesma polaridade, o que provoca uma repulsão, porque a atração, como sabemos, só é possível se houver pólos contrários. No caso da matéria, a sua camada superficial é formada por elétrons, o que implica em repulsão e é esta que dá a impressão tátil. O que nós sentimos, ao pegar um objeto, é a repulsão dos elétrons.
    Se fosse possível tocar a matéria, conforme se imagina no senso-comum, então, essa camada de elétrons entraria em outra, de modo a produzir uma verdadeira fusão atômica. E isso daria uma grande explosão. Assim, um aperto de mão, um abraço, seria uma explosão que poderia, talvez, destruir o mundo.

    Com isso se conclui que a matéria é intangível. Outro fato interessante também é o seguinte: Para que um objeto possa ser visto, há a necessidade de que ele esteja iluminado, desse modo, o que enxergamos não é o objeto, mas a luz refletida nele. Então a matéria é invisível, e também intangível.
    Coisa curiosa, porque normalmente o materialista acredita na matéria com consistência concreta, mas, na realidade, ela não o é.

    Outro aspecto importante: é possível tocar-se uma pessoa abraçá-la, beijá-la, e não se sentir nada. Ao mesmo tempo, há a possibilidade de existir uma pessoa distante, que pode ser evocada, por uma lembrança, um cheiro, um objeto qualquer, e a gente se emocionar. De uma forma poética, podemos dizer que o que toca é o espírito, a alma, a matéria não, ela apenas intermedeia a relação entre as pessoas e entre as pessoas e os objetos.

    Outra questão também: o átomo. A maior parte dele é vazia. Quer dizer, a essência da matéria é constituída de vácuo. E este significa ausência absoluta de matéria. Ocorre o seguinte, Einstein, através de cálculos matemáticos já havia presumido que, no vácuo do átomo, teríamos uma energia denominada por ele de energia flutuante quântica do vácuo. Posteriormente, Paul Dirac, ganhador do Prêmio Nobel de Física, trabalhou essa questão do vácuo atômico, afirmando que existe um mar de partículas, subjacente a ele. Como entender esse mar de partículas? Elas vibrariam numa velocidade infinita, tornando-se, então, invisíveis, como acontece com as pás de um ventilador ou as hélices de um avião, que oscilam muito rápido, e por isso não se consegue enxergá-las. Assim, as partículas com vibração muito rápida tornam-se invisíveis aos sensores da nossa ciência, que não tem tecnologia para detectá-las.

    Temos, então, um mar invisível. O que acontece?

    Quando uma partícula se choca com outra, vinda desse universo subjacente ao vácuo, ela perde um tanto da sua velocidade, que fica semelhante à da luz e aparece no vácuo. Isto, no entanto, é momentâneo, porque novamente ela decai para o mar de partículas. É como se fosse uma pedra que se atira para cima,vai até um certo ponto e, depois, volta.

    Na verdade, a energia flutuante quântica do vácuo é representada por partículas de matéria ou de antimatéria de velocidade, presumivelmente, superior à da luz, que poderiam,eventualmente, aparecer no vácuo atômico, aos nossos sensores, voltando, depois, a cair no mar de partículas. Dessa forma, o vazio, a ausência de matéria não existiria.

    Na verdade, o termo matéria precisa ser amplificado, porque ela não é somente esse tipo que nós conseguimos apalpar, mas é também o que entra na constituição desses universos paralelos ou planos espirituais, que seriam dotados de outros dos seus padrões, que vibram em outra freqüência, em outra dimensão. Assim, em tese, nas diversas dimensões, ela não deixaria de ter consistência para os habitantes de cada uma delas.

    Desse modo, o plano espiritual não seria constituído por figuras virtuais ou fantasmas etéreos, mas por entidades de consistência física sólida, com grande expressão de cores, formas, sons, compostos por outros padrões de matéria desconhecidos ainda da nossa Ciência contemporânea, mas, já presumidos pelos estudos da física teórica ou da física matemática.

    Os estudos recentes de tomografias por emissão de pósitron e ressonâncias funcionais, vêm mostrando que o ato de pensar consome oxigênio e glicose, e diversos padrões do pensamento, como os da memória ou imaginação, por exemplo, vão provocar um aumento da microcirculação cerebral, em áreas específicas do cérebro que estão ligados a esses padrões.

    Então a medicina vem demonstrando que o pensamento é uma energia. Por que? Porque se o ato de pensar gasta oxigênio e glicose, realiza trabalho. Entendendo-se por trabalho, o produto da força pelo deslocamento da matéria; podemos concluir que o pensamento é uma força que consome oxigênio e glicose, e, como tal, desloca matéria, realiza trabalho, então, é energia. É uma energia que causa impacto sobre a matéria. Resta um grande questionamento: o cérebro secreta o pensamento ou este é produzido por um outro sistema e o nosso corpo seria um transdutor desse pensamento? Afinal, o cérebro é o produtor ou veiculador do pensamento?

    Para buscar respostas, precisamos entrar um pouco na matemática de Gödel, esse eminente matemático que trabalhou com Einstein.Vamos pensar também num computador: ele pode ser o mais elaborado do mundo, ultra- rápido, quase dotado de consciência própria, quase, porque ele depende de um programador que vem de fora. Se não há um programador ele não pode funcionar, não tem como gerenciar a sua própria existência. Imaginemos que esse computador seja o nosso cérebro, o mais perfeito já construído. Sem um programador, esse computador não seria capaz de ter autoconsciência.

    A consciência, portanto, teria de vir de fora, de um programador que não pertencesse à sua estrutura. Assim, segundo o Teorema de Gödel, um sistema não é capaz de autoconsciência, esta tem de vir de fora.

    O nosso cérebro sendo um computador, a consciência, certamente, não vem dele, está num programador que está fora dele, isto é, em um metasistema, distinto dele. Para nós, esse metasistema é o espírito, alma ou psiquismo. Assim, o cérebro seria um arquivador, uma CPU, um computador que viria de um programador que é o espírito.

    Essa idéia é revolucionária na área da neurociência. Na verdade, a nossa consciência não vem do corpo, mas este seria um transdutor dela, porque a sua origem viria de um metasistema ou Espírito.

     Mediunidade

     Mediunidade é uma função de sensopercepção. E como toda função de sensopercepção precisa de um órgão sensorial que capte a mensagem; uma área cortical do cérebro que a interprete e elementos do psiquismo que façam o julgamento.

    O órgão do sentido capta, projeta para a área cortical do cérebro e o psiquismo, espírito ou alma, faz o juízo crítico daquela situação. Para explicarmos essa questão, tomemos um pouco da anatomia do cérebro. Vamos procurar mostrar como é a glândula pineal na sua forma, em algumas fotografias, através de uma lupa. A forma varia conforme o cérebro. Parece que não há uma pessoa com uma pineal igual a outra. São vários encéfalos que foram estudados em autópsia.

    Na radiografia e na tomografia, o que temos é um ponto branco, bem no centro do encéfalo: a pineal. René Descartes dizia que a pineal é o ponto onde o espírito se liga ao cérebro. Será que a afirmação dele era verdadeira? Estamos tentando encontrar uma fundamentação biofísica para essa hipótese.

    Se o espírito liga-se ao cérebro pela pineal, como não existem duas pessoas iguais, reflexamente também não vão existir duas pineais iguais. De fato é o que a gente observa. As pineais, de um e outro encéfalo são bem diferentes.

    E por que esta  pineal aparece aqui, nestas tomografias, como um ponto branco? 
    pineal1Porque está incrustada de cristais de apatita, pelo processo de biomineralização. Há pessoas, no entanto, que não apresentam essa característica, não há uma incrustação de cristais de apatita em quantidade suficiente para provocar uma imagem radiopaca. Portanto há pineais que apresentam cristais de apatita em grande quantidade, e outras que não, e não depende da idade. Temos crianças que apresentam grande quantidade de cristais de apatita e pessoas adultas que não os apresentam em quantidade que possa ser vista na tomografia ou ao raio-x.

    Pesquisamos a microscopia da pineal para tentarmos entender quais os elementos que existiriam dentro dela, que poderiam ser responsáveis pelo processo de regulação da captação magnética, de ondas que, em tese, viriam do mundo espiritual ou de recursos da telepatia.

    Será que existem estruturas na glândula pineal que poderiam responder por esse fenômeno de captação? Nós a fotografamos internamente; observamos aspectos da pineal cortada ao meio e utilizamos o microscópio eletrônico de varredura do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo.

    Hoje, sabe-se que não, que na verdade o processo de calcificação, melhor dizendo, de biomineralização, está implicado com uma grande função da glândula, a sua capacidade metabólica. Esses cristais, não são, portanto, estruturas mortas.

    Inclusive, fizemos uma fotografia, também ao microscópio eletrônico, demonstrando a existência nesses cristais, de microcirculação sanguínea. Isso quer dizer que eles são metabolicamente ativos, estruturas vivas. A calcificação não representa a morte da glândula, pelo contrário, há um metabolismo intenso nessas estruturas que são  diamagnéticas.

    Fizemos um estudo analisando a estrutura interna desses cristais, a substância da qual são feitos – a apatita – utilizando, para isso, a difração de raio-x. Constatamos não só que são cristais, pelos picos que formam a partir da difração, mas também que têm propriedades diamagnéticas, repelem fracamente o campo magnético.

    Numa linguagem simples, podemos dizer que é como se a onda batesse num cristal e fosse ricochetad a para outro, desse para outro, e assim sucessivamente. Desse modo, o campo magnético é seqüestrado pela glândula.

    Quanto mais cristais a pessoa apresenta na glândula, maior é a capacidade de captar esse campo magnético, e isso caracterizaria o fenômeno mediúnico propriamente dito, o que vem da dimensão espiritual, dos universos paralelos, fenômeno de incorporação, e assim também o de telepatia, que seria a comunicação que vem da nossa dimensão, das pessoas que estão encarnadas. Ela captaria determinados planos do mundo espiritual que estariam em sintonia ou ressonância com o tipo de onda que a pessoa produz ou elege para seu próprio clima mental.

    Dessa forma, a pineal funcionaria como uma caixa de ressonância das ondas mentais, seria capaz de intermediar o fenômeno mediúnico. Em nossa hipótese de trabalho, portanto, a glândula pineal é o órgão sensorial da mediunidade. Tal como um telefone celular, capta as ondas do espectro eletromagnético que vêm da dimensão espiritual. O lobo frontal é o substrato cortical do juízo crítico da mensagem, auxiliado pelas demais áreas encefálicas.

     Cristais de apatita

     Temos entendido que, quando há cristais de apatita há uma captura do campo magnético, próprio dos fenômenos de estados de transe como é a psicofonia, a  psicografia, ou os transes de possessão.

    Se a pessoa não apresenta esses cristais de apatita, em quantidade suficiente para se tornarem radiopacos na tomografia, tenho entendido que são pessoas cujo contato com a espiritualidade se dá por desdobramento, ou a chamada mediunidade anímica. Quer dizer, a pessoa se desloca do corpo e esse deslocamento provoca um contato com a espiritualidade, mais direto, de espírito a espírito.

    Já num fenômeno mediúnico propriamente dito, como é próprio dos que têm bastante cristal de apatita, a comunicação se dá por seqüestro do campo magnético e é como se a entidade comunicante se aproveitasse do aparelho mediúnico da pessoa para traduzir a sua comunicação, para expressar-se.

    Qual a importância de se discriminar entre esses dois padrões de fenômenos?

    É porque, clinicamente, os sintomas de um caso e de outro são diferentes. Vou detalhar o que observamos, porque pode ser que isso seja objeto de pesquisa por parte daqueles que queiram dar continuidade a essas idéias, na busca da verdade.

    Temos observado que a pessoa que possui desdobramento, apresenta algumas características curiosas, como por exemplo, distúrbios do sono, estados de sonambulismo ou variantes, tais como, terror noturno, contraturas musculares e agitação, durante o sono, como o bruxismo. Fenômenos durante o sono são comuns nas pessoas que têm desdobramento. Estas também costumam referir-se, muitas vezes, à ansiedade e,às vezes, até à fobia.

    A pessoa entra em desdobramento e não tem consciência do que está acontecendo; capta elementos do mundo espiritual e também subconscientes, em quantidade, de modo que não compreende o que está acontecendo. Então há uma afetação, uma sobrecarga de sensopercepção, isso levaria a um estado de hiperestesia ou de ansiedade, e, por estar lidando com sensações desconhecidas, à fobia.

    Inclusive uma fobia inexplicável que a pessoa acaba projetando para alguma coisa mais concreta que ela possa explicar: medo de elevador, medo de inseto, medo de avião… na verdade ela está dando uma justificativa mais concreta, mais visível para ela de um universo de fenômenos que estão ocorrendo por uma hipercaptação, porque o estado de desdobramento provoca um alargamento da sensopercepção.

    Esse tipo de estado é próprio dos iogues. Eles entram em desdobramento, têm uma percepção mais alargada do ambiente, só que isso é de forma consciente e disciplinada, e também aumentam a capacidade de entrar dentro de si.

    Imaginemos uma pessoa, que tem esse desdobramento, mas não sabe o que está acontecendo, ela tem um alargamento da sensopercepção, mas não sabe o que vai buscar.

    Não há uma objetividade, o campo fica aberto para a captação de elementos do universo, do espaço espiritual, e também do seu subconsciente, mas não tem objetivo, fica, então à mercê do que vier, do que for captado. Desse modo, a pessoa fica com uma sobrecarga de estímulos e é levada à ansiedade, fica aterrorizada por um medo de não se sabe o que, e fica com uma autocrítica muito intensa porque mergulha dentro de si sem objetividade, absorvendo coisas de dentro de si que muitas vezes não interessam mais, já são elementos do passado ou coisas assim.

    Isso provoca na pessoa um desgaste imenso, e ela costuma ter quedas de energia. Ela oscila, então, entre a ansiedade e a depressão, a fobia e a depressão; há queda de energia e se você for pesquisar elementos no psiquismo da pessoa, você não encontra consistência no psicodiagnóstico que justifique a dimensão do sintomas. Jung chamava isso de acausalidade, a pessoa apresenta um volume de sintomas desproporcional àquilo que você observa no seu psiquismo.

    A pessoa que tem desdobramento (EFC – experiências fora do corpo – ou OBE – out of body experiencies), precisa ter objetivos de vida  muito claros para que a sua sensopercepção seja dirigida para a conquista deles, de forma que o gasto de energia seja compensado pela atividade construtiva, inclusive no mergulho dentro de si mesma. Dessa forma, a pessoa não fica perdendo tempo com indagações internas que não tem sentido, apenas a desgastam.

    Tenho observado também, que essas pessoas que têm desdobramento, apresentam fenômenos orgânicos colinérgicos, ou seja, incremento da atividade do aparelho digestivo e diminuição da pressão arterial.

    Curiosamente, os médiuns de ectoplasmia, que produzem energia de cura ou materialização, são de desdobramento também. Parece que o desdobramento, talvez por ter um incremento de atividade sensorial, provoca na pessoa uma grande profusão de produção de ectoplasma. Então o médium de desdobramento é bom médium de materialização e cura.

    Este tipo de mediunidade, portanto, nem sempre se manifesta de forma fenomênica. Muitas vezes, a pessoa tem muitos sintomas psicológicos, tais como depressão, fobia, ansiedade, ou orgânicos, como digestivos e outros, que exigem da pessoa o desenvolvimento mediúnico, ou seja, o conhecimento de seus padrões sensoriais para que possa dominar e usufruir isso de forma construtiva.

    Resultados parciais de nossas pesquisas tem demostrado que a pessoa que apresenta os cristais de apatita em grande quantidade, normalmente, são médiuns, têm alterações do estado de transe, apresentam fenômenos orgânicos e psíquicos um pouco mais diferenciados. Há uma ativação adrenérgica, a pessoa, sente taquicardia (aceleração cardíaca), uma diminuição do funcionamento do aparelho digestivo, aumento do fluxo renal e também do fluxo sanguíneo da cabeça e diminuição da circulação periférica.

    Assim, a interferência espiritual no aparelho mediúnico provoca fenômenos adrenérgicos e a pessoa, muitas vezes, pode ter uma perda de controle de determinados comportamentos. Quais deles?

    Comportamentos psicobiológicos ou orgânicos: a fome, a sexualidade, o sono, a agressividade. Neste último, distinguimos a autoagressividade, que é a depressão e a fobia, e a heteroagressividade que é a irritabilidade e a violência.São comportamentos que estão situados no hipotálamo.

    A pessoa capta pela pineal a onda do espectro magnético, próprio da comunicação mediúnica e muitas vezes não tem consciência disso; pode ser um fenômeno inconsciente.E essa captação, vai amplificar os fenômenos que ocorrem nesta outra área do cérebro que é o hipotálamo: a fome, a sexualidade, a agressividade e o sono.

    A pessoa que recebe uma influência espiritual, pode, portanto, ter uma alteração e uma perda de controle cíclica desses comportamentos, ou da fome, como as bulimias, a obesidade, as anorexias ou do sono, com os diversos padrões de transtorno do sono, ou da sexualidade e aí nós diríamos, a dificuldade de formar vínculos, ou a agressividade, a auto-agressividade, a depressão, fobias, que são formas autoagressivas ou heteroagressividade, a irritabilidade.

    A pessoa perde o controle desses comportamentos. Ela afirma que não consegue controlar suas tendências no que diz respeito a um ou mais desses comportamentos , por exemplo, a irritabilidade, ela é desproporcional ao estímulo. Assim, tem fome, sem precisar de se alimentar, grandes dificuldades de formação de vínculos nos relacionamentos referentes à sexualidade e o sono, a pessoa não consegue ter um sono reparador, repousante, tem dificuldades nesse sentido.

    Além disso, há o aumento, o incremento do sistema nervoso autônomo adrenérgico que predispõe a pessoa a doenças. Se há um aumento do fluxo renal, predispõe à formação de pedras no rim porque há um aumento do fluxo sem a correspondente ingesta hídrica. Então há uma tendência de formar pedras, diminui o peristaltismo no aparelho digestivo que também favoreceria a formação de pedras na vesícula.

    O aumento do fluxo sanguíneo da cabeça favorece os diversos distúrbios, as cefaléias, as enxaquecas. Há também um aumento da freqüência cardíaca que pode levar a arritmias cardíacas, aumento da pressão arterial sistólica (hipertensão), então esses estímulos do impacto mediúnico, uma vez sem controle e de forma destrutiva, podem levar a padrões de alterações orgânicas.

    A interferência espiritual, por se dar num órgão cerebral, vai ter impactos sobre o organismo, e, se há uma alteração do psiquismo, vai se dar nos comportamentos psicobiológicos.

    Não há sentido, portanto, em perguntar se é um problema espiritual ou orgânico? Na verdade, toda influência espiritual atinge o organismo, produzindo alterações no sistema nervoso autônomo, como acabamos de relatar.

    Assim sendo, há uma conjugação de elementos. A pessoa pode ter a mediunidade, até ostensiva, mas não ter clarividência, nem clariaudiência, não ter nenhum desses fenômenos paranormais, pois tudo isso pode estar vertido para um outro sintoma. Pode haver alterações psiquiátricas, autonômicas, orgânicas, hormonais, porque se mexee com o hipotálamo, uma estrutura responsável pela regulação hormonal.

    A fenomenologia mediúnica é rica de clínica, vamos dizer assim, e nem sempre se manifesta na forma de fenômenos paranormais. É muito provável que você até tenha se localizado num desses sintomas.

    Vale a pena estudar essa questão.

    Eu diria que esses achados da observação clínica, devem ser encarados muito mais como um campo de pesquisa a ser desvendado do que como alguma coisa já francamente estabelecida (GRIFO DA ADMINISTRAÇÃO DESTE BLOG). São hipóteses calcadas em cima de elementos concretos da observação clínica, mas a merecer uma investigação mais aprofundada sobre o assunto.

    Compilação: Estudos fenomenologia orgânica e psiquica da mediunidade – Dr. Sérgio Felipe de Oliveira

     Fonte: Site Fontevida ( http://www.fontevida.com.br/mediunidade_94.html )

     

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    EspiritismoO texto abaixo não é de minha autoria, mas resolvi publicá-lo aqui por refletir a maioria das posições que defendo, no que diz respeito à relação espiritismo x ciência x pseudociência x lógica x religião. O texto, que reputo ainda como de "autoria desconhecida" (gostaria imensamente de conhecer o autor do original para dar-lhe os parabéns e os créditos) , figura entre os melhores que já pesquisei, tanto em livro, como na internet.

    Localizei-o no site Ateus.Net, onde também figura como "transcrição". É claro que, apesar do excelente embasamento e da qualidade, não esgota o assunto, que é muito vasto e controverso. Mas já nos permite divisar uma linha de pesquisa, um ponto de partida, um norte, para quem realmente se interessar em ir fundo nessas questões ainda não resolvidas, nem pela Ciência, nem pela Religião, nem pela Filosofia.

    Mina opinião é a de que erra a ciência em não admitir os fenômenos espíritas; erra a religião ao tentar trazê-los para o seu campo e atribuí-los a ocorrências de "natureza divina"; e erra menos, mas também erra, a filosofia, por não ter podido chegar a um consenso, por falta de um maior número de pesquisadores sérios e interessados. Com isso, a humanidade continua a conviver com esses fenômenos, que ninguém explica convincente e irrefutavelmente, havendo apenas raras hipóteses e teorias, mas nenhuma conclusão. No meu modesto entender, estão pecando por vaidade, omissão, falta de interesse e negligência intelectual.

    Entendo que a forma clássica de a Ciência avaliar e testar não pode se aplicar aos fenômenos espíritas, às coisas imateriais. Em nosso século isto precisa ser urgentemente revisto e não podemos nos conformar com toda e qualquer negação científica só porque a ciência não pode provar ou "testar em laboratório". Isto é ultrapassado. Que se diga que a existência ou inexistência de Deus não pode ser provada é até admissível; que se diga que aplicando os princípios da ciência, da lógica, da racionalidade, do positivismo lógico e da filosofia, tudo aponta em favor da inexistência de Deus, também é admissível. Mas com relação aos fenômenos espíritas isto não é verdade, porque pode-se empregar o método da investigação, que igualmente pode ser considerado válido. Manifestações espirituais podem sim, ser testadas e investigadas. Não vemos a radiação, não vemos as ondas sonoras, não vemos as partículas em suspensão no ar e, no entanto, sua existência pode ser medida e atestada. Por que não a aura, o ectoplasma, as manifestações cerebrais e a mente? Por que não a reencarnação, as EQM, as RVP e as EFP? Tudo pode ser investigado e refutado ou comprovado. Por que não se chega a um consenso? Este é o ponto a discutir.

    Do que pesquisei até aqui, não tenho uma posição definitiva, mas tenho uma posição provisória, que submeto à apreciação de quem quiser contestar, considerando, como já comprovado, que a Ciência nem sempre acerta, embora haja mais acertos do que erros. Tanto isso é verdade, que se contradiz e revê suas posições, tornando verdade relativa (a verdade absoluta existe?) hoje o que não o era ontem ou vice-versa. Segue o meu ponto-de-vista provisório e relativo, de um mero pesquisador independente, sem qualquer titulação ou autoridade neste assunto. As contestações ou confirmações serão consideradas bem-vindas:

    "O espiritismo não deve ser entendido como religião, podendo ser considerado, quando muito, como uma doutrina ou filosofia de vida. Por outro lado, só pode ser encarado como pseudociência, a mesma que serve de base à doutrina, porque não é verificável – por pura inércia acadêmica – pelos chamados "métodos científicos" tradicionais e ainda lhe faltam a maioria dos elementos necessários e disciplinadores para ser considerado como "ciência". Os fenômenos espíritas seriam então fenômenos naturais, de natureza biológica e/ou físico-químicas, que a Ciência ainda não soube explicar de forma inquestionável, encontrando–se, por isso mesmo, dividida e recusando-se a admitir uma posição oficial (se não sei, e não posso comprovar cientificamente, não atesto e nem afirmo. E enquanto não atesto, não é ciência)."

    Resumidamente, certo ou errado, e de forma simples, é o que penso. E digo mais: a Ciência está a dever essas explicações para a humanidade, já que, por convenção universalmente aceita, de nada valem todos os estudos feitos, por melhores que sejam, sem o aval cientifico. E com todo o respeito a Allan Kardec, a quem a humanidade muito deve, mesmo ele, a despeirto de sua contribuição, cometeu falhas ao misturar o que definia como "ciência espírita", com a religião. Ora, se tudo aquilo que não sabemos  tiver de ser considerado como de "origem divina" e que, portanto, não precisa ser explicado, a que isto nos levará? Meia explicação apenas sugere, mas não conclui.

    Dito isto, vamos ao texto, para que nossos leitores tirem suas próprias conclusões (ou não):

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    Espiritismo, Ciência e Lógica

    Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará (A Gênese).

    O tempo passou. O século XX foi pródigo em destruir paradigmas, a começar pela Física clássica. Da constatação de que ela não explicava satisfatoriamente certos fenômenos surgiram dois novos campos: a Relatividade de Einstein e a menos famosa ao grande público, mas igualmente revolucionária, Mecânica Quântica. Os elétrons, prótons e nêutrons não podem ser imaginados como pequenas coisas independentes do mundo restante. O mundo quântico nada tem a ver com essas coisas, que podem ser apalpadas. Apenas permite aos cientistas relacionar diferentes observações dos átomos entre si ou em matérias ainda menores, como procedimento para harmonizar suas observações. O átomo se converteu num simples código para um modelo matemático, não em parte da realidade. A Mecânica Quântica é aceita até hoje devido ao seu pleno êxito, não por ser intuitiva e bela. Muito pelo contrário: os paradoxos que seu sistema geraria no mundo macroscópico desafiam o senso comum e intrigaram até seus criadores. Sua modelagem probabilística acabou com o sonho de ser prever qualquer evento, desde que fossem dadas as condições iniciais. O acaso entrou definitivamente na Ciência, pelo menos no microcosmo. Muita gente não gosta disso. O próprio Einstein não gostava disso exclamou: “Deus não joga dados”. Mas parece que Ele joga, sim.

    Até a Matemática que se achava acima das crises de paradigmas das demais disciplinas também teve seu choque. Os matemáticos se empenhavam na busca de um conjunto finito de axiomas do qual se pudesse deduzir toda a Matemática. O banho de água fria veio quando o Gödel demonstrou que qualquer sistema lógico é incompleto. Sempre haverá sentenças em que não se poderá decidir se são verdadeiras ou falsas e a inclusão de mais axiomas apenas retarda o surgimento dessa questão. Em suma, há verdades que nunca serão atingidas. Longe de ser desesperador, isso é bom. É sinal de que a Matemática nunca se esgotará. Podemos criar álgebras e geometrias tão malucas quanto queiram nossa imaginação; só uma coisa é exigida: coerência. A Lógica libertou-se totalmente das amarras ao mundo real.

    O olhar que as ciência lançam sobre o homem também mudou. Não somos mais o produto acabado da evolução, não estamos à testa de uma fila indiana das espécies. Somos apenas um ramo de uma árvore ramificada, que é constantemente podada pela tesoura da extinção. Não somos os mais evoluídos; pois evolução não significa progresso, mas adaptação. Uma ervinha é mais autossuficiente que nós e toda nossa inteligência não é garantia de vida eterna.

    As causas primárias e finais voltaram. A busca por uma “teoria final” que unifique em um só campo a Relatividade e a Mecânica Quântica prossegue. Dela se espera poder se descobrir o que levou o Universo a ser do que jeito que é e qual o seu destino.

    E o Espiritismo nessas mudanças? O fosso entre as metodologias da “ciência espírita” e as demais “ciências” do mundo material foi progressivamente aumentando:

    Ciência
    Espiritismo

    Comum novas gerações de cientistas refutarem trabalhos anteriores. Aversão a critérios de “autoridade”.
    Medo de se distanciar da ortodoxia kardequiana. Culto à autoridade contido no espírito da Verdade ou Kardec. Há exceções, óbvio.

    Obras de grandes mestres (Principia Mathematica, Origem das Espécies, etc.) ainda lidas como referência, fontes de valor histórico e como uma forma de adentrar no raciocínio do autor. Os estudantes, porém, usam bibliografia recente, expandida e corrigida.
    Livros de Kardec ainda utilizados sem alterações, mesmo no que há de errado. Notas de rodapé corrigem alguns erros

    A lógica é usada como ferramenta apenas. O raciocínio precisa estar corroborado evidências.
    A lógica é utilizada como meio de prova ou refutação de hipóteses, não havendo verificação de se a natureza pensa igualmente.

    O bom senso e a experiência usual nem sempre são seguidos (Relatividade e Mecânica Quântica que o digam. Idem para a “ação à distância” de Newton). Opta-se por soluções pragmáticas, ainda que esdrúxulas.
    O senso comum, ao lado da lógica, é superestimado.

    Há grande discussão em torno da filosofia da ciência quanto à questão da melhor metodologia para o estabelecimento de novos conhecimentos (refutabilidade, crise de paradigmas, etc.).
    O conhecimento espírita ainda é majoritariamente indutivo, baseado em moldes científicos do século XIX (positivismo).

    Teorias inverificáveis, mas belas, são postas de lado.
    Persiste a presença de hipóteses “ad hoc” inverificáveis para sustentar pontos nebulosos da doutrina. (ex: vida “invisível” em outros planetas)

    Apropriações entre ramos da ciência (malthusianismo no darwinismo, biologia na sociologia – darwinismo social, eugenia) hoje são vistas com reservas.
    Apropriações correntes são feitas sem garantia de que são válidas (ação e reação, noções de mecânica quântica, etc.)

    Ciências que não têm acesso direto ao seu objeto de estudo (astronomia, história, etc.) lançam mão da análise indireta dos efeitos que chegam até nós. (espectro de luz, documentos históricos).
    Pede um lugar “especial” entre as ciências por não ter acesso direto ao seu objeto de estudo (espíritos).

    Orações, Meditação e estados alterados de consciência são passíveis de estudo, mas isso não significa que seja verdade aquilo que seus praticantes dizem.
    Verdades podem ser extraídas de “estados alterados de consciência”, vulga mediunidade. Contudo, nenhuma proposta rigorosa para a separação do joio e do trigo foi apresentada.

    Não faz afirmações morais. Descobertas podem, inclusive, entrar em choque com a moral vigente.
    Produz cartilhas de certo e errado. Eufemismos são usados para se alegar que “não é bem assim…”

    Bem, vamos por partes. Há espíritas importantes no movimento (ex.: Carlos Imbassahy) que já atentaram para o risco de considerar Kardec infalível, um verdadeiro receio em se distanciar da obra original. Ocorrem controvérsias mesmo em questões mais simples, como nomenclaturas inapropriadas: “fluidos”, “vibrações” e “magnetismo” são palavras cujo sentido se modificou tanto a ponto de o uso que é dado a elas na codificação se encontrar totalmente defasado. Há quem proponha mudanças por conta própria, outros preferem se apegar a uma espécie de tradição ou de consagração pelo uso. É defendido que parte da “atualização” está sendo feita por meio de livros complementares, até como uma forma de não descaracterizar o espiritismo. Muito questionável devido ao fato de a primeira leitura recomendada continuar a ser o Pentateuco kardecista, e não as supostas correções e complementações. “A Origem das Espécies”, de Darwin, ainda é uma obra de referência para estudantes de biologia, nem que seja para analisar o raciocínio do autor a partir da base que tinha. Entretanto, a apresentação ao darwinismo em seu estado original é apenas introdutória e logo são apresentados ao que há de mais atualizado no campo de pesquisa. Stephen Jay Gould desenvolveu interpretações diferentes dos neodarwinistas de como se dava o processo evolutivo. Era um grande fã de Darwin! Seus ensaios são permeados por citações de seu mestre, mas Gould corria caminhos alternativos quando a interpretação convencional não era suficiente para ele. Nem por isso foi menos biólogo ou evolucionista de araque. Nem foi taxado de “gouldista”. A possibilidade de pensamentos dissidentes em um campo científico é algo que falta ao espiritismo. Tudo bem que certas correntes trazem divergências bem destoantes, como os ramatistas; mas não é isso que está em jogo: é o medo de discordar do “mestre lionês” que faz dele uma espécie de Aristóteles moderno do espiritismo.

    Kardec depositava fichas demais na lógica. Ela é importante sem dúvida e tê-la é um requisito mínimo. Mas quem a estuda não demora a descobrir que ela não tem tanto poder assim como dizem. Não pode ser usada para atestar a falsidade ou verdade de um fato natural. A validade de uma proposição depende do sistema de axiomas que se tem como ponto de partida. Assim, o que é falso num sistema pode ser verdadeiro em outro. E você não sabe, a priori, quais são os axiomas que a Natureza “adota” em determinado campo, sem falar nas proposições indecidíveis que todo sistema axiomático fatalmente carrega (Teorema de Gödel). Nas palavras do filósofo da ciência, Karl Popper:

    Contudo, há não muito tempo sustentava-se que a Lógica era uma Ciência que manipula os processos mentais e suas Leis — as leis do nosso pensamento. Sob esse prisma, não se podia encontrar outra justificação para a Lógica, a não ser na alegação de que não nos é dado pensar de outra maneira. Uma inferência lógica parecia justificar-se pelo fato de ser sentida como uma necessidade de pensamento, um sentimento de que somos compelidos a pensar ao longo de certas linhas. No campo da Lógica, talvez se possa dizer que essa espécie de psicologismo é, hoje, coisa do passado. Ninguém sonharia em justificar a validade de uma inferência lógica, ou defendê-la contra possíveis dúvidas, escrevendo ao lado, na margem, a seguinte sentença: “protocolo: revendo essa cadeia de inferências, no dia de hoje, experimentei forte sensação de convicção”. (A Lógica da Pesquisa Científica)

    A lógica é uma ferramenta, apenas. Com ela pode-se dizer se um raciocínio foi bem encadeado e se um sistema é consistente ou não, isto é, se não se contradiz. Mesmo que passem por este teste, ainda não está garantido que a Natureza não se comporte através de outro arranjo. Os gregos antigos fizeram inúmeras especulações acerca de como o universo funcionava. A maioria, palpites errados.

    Bom senso é, de certa forma, uma redundância, pois ter senso já é muito bom. Situado em algum lugar entre um raciocínio linear e a intuição, também esconde suas armadilhas. O senso comum de um povo pode diferir de outro, assim como o juízo feito em determinada época se revelar equivocado na seguinte. Esta subjetividade, aliada às sutilezas da Natureza, faz do “bom senso encarnado” um contrassenso metodológico. Um exemplo:

    A diversidade das raças corrobora, igualmente, esta opinião. O clima e os costumes produzem, é certo, modificações no caráter físico; sabe-se, porém, até onde pode ir a influência dessas causas. Entretanto, o exame fisiológico demonstra haver, entre certas raças, diferenças constitucionais mais profundas do que as que o clima é capaz de determinar. O cruzamento das raças dá origem aos tipos intermediários. Ele tende a apagar os caracteres extremos, mas não os cria; apenas produz variedades. Ora, para que tenha havido cruzamento de raças, preciso era que houvesse raças distintas. Como, porém, se explicará a existência delas, atribuindo-se-lhes uma origem comum e, sobretudo, tão pouco afastada? Como se há de admitir que, em poucos séculos, alguns descendentes de Noé se tenham transformado ao ponto de produzirem a raça etíope, por exemplo? Tão pouco admissível é semelhante metamorfose, quanto à hipótese de uma origem comum para o lobo e o cordeiro, para o elefante e o pulgão, para o pássaro e o peixe. Ainda uma vez: nada pode prevalecer contra a evidência dos fatos. (LE, cap. III, item 59)

    Há um acerto na questão de que a cronologia é realmente curta demais para permitir variabilidades sensíveis entre as espécies. Porém, o encadeamento lógico desanda quando generaliza para todo caso e qualquer intervalo de tempo. Kardec usou o senso que tinha, mas a verdade subjacente à origem e diversidade das espécies precisa das noções de evolução e mutações, que não são intuitivas.

    Especulações à parte, o espiritismo ainda possui problemas quanto à maneira de agregar o “conhecimento” que colhe. Ainda está impregnado pelo modismo intelectual do século XIX: o positivismo. Antes que se realce as características materialistas deste sistema filosófico que pretendia reformar a sociedade e terminou por querer criar a “religião da humanidade”, deve-se lembrar que também era uma teoria da ciência, e foi essa a parte que inspirou a metodologia kardecista. Em linhas gerais, pode-se dizer que o positivismo e suas escolas derivadas (empirismo lógico, Círculo de Viena, etc.) baseavam seus critérios na verificabilidade de uma teoria. Um enunciado seria científico se pudesse ser sucessivamente confirmado empiricamente. A não-ocorrência do enunciado estabeleceria sua falsidade. De fato, a noção de “Consenso Universal dos Espíritos” nada mais é que essa busca de contínua verificação. Quanto mais médiuns ao redor do mundo dessem a mesma resposta a uma pergunta, maiores as chances de esta ser verdadeira. Mas daí vêm alguns problemas — “quantas comunicações seriam necessárias para se dizer que ‘é suficiente’?”, “o que fazer com as respostas destoantes?”, “rejeitá-las, simplesmente?”, “se pode haver influências do médium na comunicação, não se deveria espalhar os questionários por diversos locais distantes do globo — não apenas no universo europeu — para garantir que não houve influência cultural?”.

    Uma maneira simples de questionar a verificabilidade seria indagar se, pelo fato de todos os cisnes de um zoológico serem brancos, todos os membros da espécie também o são. Poder-se-ia sair numa busca frenética atrás de todos os cisnes do mundo, e cada novo animal branco reforçaria a hipótese, tornando-a mais “verdadeira”, mais “provável”. Simples engano, pois bastaria um único exemplar de cor diferente para derrubar a teoria. Infelizmente, o suposto caçador de cisnes brancos se desiludiria ao percorrer a Austrália, onde cisnes negros foram encontrados pela primeira vez…

    Esta forma indutiva de fazer ciência recebeu dura crítica do filósofo da ciência Karl Popper que, divergindo dos neopositivistas dos quais fazia parte, propôs a falseabilidade (ou refutabilidade empírica) como novo critério para a demarcação da cientificidade de um enunciado. O que distingue uma ciência da pseudociência é a capacidade de a primeira ser refutada com base na experiência. Uma teoria é válida quando resiste à refutação, podendo, então, ser confirmada. Esta mudança de postura foi imensa e a atividade científica passou a buscar não a confirmação de suas próprias teorias, mas justamente o contrário: derrubá-las. Afinal, quem merece mais crédito: um cidadão que testou mil vezes os postulados da mecânica clássica ou um que lhes determinou um limite de validade? Lembra de Einstein?

    Nessa parte, os continuadores de Kardec deixam a desejar. Há um receio, ou talvez temor, em se arrumar uma maneira de pôr à prova o que está escrito no Pentateuco. Enfoca-se mais a parte filosófica-doutrinária, que se mantém quase sem arranhões justamente por não ser passível de refutação, e se subestima os erros e equívocos que se revelam por serem minoria dentro do corpo doutrinário. Mas são estes “acessórios falhos” que englobam aquilo a que nós, seres materiais, podemos ter acesso e verificar por conta própria. São eles que lançam dúvidas sobre as partes referentes ao “lado de lá”. Por isso, penso que o pior lugar para se discutir o espiritismo é dentro de um centro espírita; o mesmo vale para debates dentro de igrejas, partidos políticos e times de futebol. Nesses locais sempre se busca um consenso, nem que seja à força. Embates que gerem novas ideias aparecem mais quando antagonistas se chocam. É irônico dizer isto, mas os detratores do espiritismo, desde os cristãos radicais até os materialistas (e muitos me incluiriam neste bojo, também), lhe prestam um grande favor. São eles que, por vias tortas, desempenham um papel que deveria ser dos próprios espíritas. “Ciência também erra”, diriam os críticos. Concordo, os cientistas erram e uns vão atrás dos erros dos outros, pois sabem que neles está a mola propulsora para o progresso. Uma atitude perante o erro melhor que uma postura defensiva.

    Há críticas, porém, à aplicação da refutabilidade a ferro e fogo. Popper mesmo admitiu a possibilidade de se utilizar hipóteses auxiliares específicas para se contornar uma dificuldade prática (ad hocs). Um exemplo tradicional ocorreu na astronomia do século XIX: as observações da órbita do planeta Urano não batiam com o previsto pela teoria da gravidade de Newton. Cogitou-se que a presença de um outro planeta ainda não descoberto estaria interferindo em sua órbita e até se previu sua possível posição. Assim, Netuno foi descoberto e a confiança na Gravitação Universal restaurada. Baseado nesta e outras avaliações históricas, Thomas Kuhn postulou que boa parte do tempo é gasta pelos pesquisadores na avaliação das previsões de teorias e na reconciliação dos dados discrepantes. Somente quando a quantidade de remendos chegasse a um nível crítico, ocorreria a crise de paradigmas, na qual pressupostos antigos são postos em cheque e novos são criados. Voltando às órbitas planetárias, pela mesma época da descoberta de Netuno, tentou-se justificar as irregularidades na órbita de Mercúrio pela presença de um planeta entre ele e o Sol, que foi chamado Vulcano. Ninguém conseguiu encontrá-lo e o incômodo só foi resolvido com a introdução da Relatividade Geral de Einstein, uma nova teoria de gravitação que deu uma explicação satisfatória para este e outros fenômenos.

    O problema da obra de Kuhn é que não há uma definição precisa para “paradigma” (o cerne de seu trabalho) e ele mesmo admitiu que perdeu controle do uso do termo. Mesmo questionando Popper, de forma alguma defende o retorno ao indutivismo lógico dos neopositivistas. E, afinal, seria possível reconciliar o espiritismo com o que diz a ciência por meio de hipóteses auxiliares?

    Bem, vale lembrar que há critérios no uso de ad hocs. Eles também têm de ser passíveis de corroboração. Um caso emblemático ocorreu com Galileu, quando verificou em sua luneta que a superfície da Lua era irregular e cheia de crateras e montanhas. Isto contrariava as ideias de Aristóteles, ainda vigentes na época, segundo as quais a Lua seria perfeitamente esférica e lisa. Os neo-aristotelistas partiram em defesa do antigo mestre e disseram que o espaço entre as montanhas estava preenchido por uma substância invisível, que não podia ser detectável aqui da Terra. Com isso garantiam que qualquer chance de refutação seria impossível. Galileu, muito inteligentemente, endossou a presença de tal misteriosa substância, porém com uma diferença: ela se acumularia no topo das montanhas, tornando a superfície do satélite ainda mais irregular. Os seguidores de Aristóteles que provassem que estava errado! Ele mostrou que suposições ad hoc são capazes de provar quaisquer hipóteses, até as opostas. Este tipo de argumento pode ter até senso, mas pouco valor se não houver nenhuma maneira de testá-lo. Do contrário, haveria um verdadeiro jogo de desonestidade intelectual: se der cara eu ganho, coroa você perde.

    Aí reside o erro de boa parte das defesas argumentativas do espiritismo: no abuso de ad hocs fracos. Podem até dar uma aparente capa de racionalidade, mas estão próximos demais de um comportamento pseudocientífico ou, no mínimo, de má-ciência. Um dos mais problemáticos consiste na justificativa dada para explicar a ausência, até o presente momento, de vida inteligente em outros planetas deste sistema solar, mesmo após a investigação de sondas espaciais: os habitantes desses mundos seriam feitos de uma matéria “sutil” e invisível aos nossos instrumentos. Não sei se há alguém brincando de esconde-esconde com os robozinhos que pousaram em Marte, se estes aterrissaram em cima de desertos, ou a civilização marciana se encontra no subsolo. Enquanto nossos vizinhos não mostrarem a cara, essa afirmação continuará digna de estar sobre o mesmo pedestal de outras pérolas do tipo: “a Terra tem apenas 6.000 anos, mas foi feita para parecer que tem 4,5 bilhões” ou “objetos inanimados possuem sentimentos, embora não sejam capazes de expressá-los”.

    Outras afirmações especiais são um pouco mais sutis, dentro do cerne da metodologia. Informações disparatadas são desculpadas não como fruto de uma comunicação espiritual, mas do “psiquismo” do médium que colocaria ideias próprias como sendo de “outrem”. Kardec, supostamente, não soube separar uma coisa de outras. Tal alegação apenas resolve os problemas das comunicações presentes e futuras, mas nada pode dizer quanto às que foram feitas no século XIX. Como se sabe onde houve contaminação da mente do médium ou não? Parodiando Galileu, digo que as afirmações até agora não-refutadas foram feitas por cérebros encarnados, ao passo os erros pertencem apenas ao mundo espiritual. Provem que estou errado!

    A separação do joio do trigo nas comunicações, por sinal, ainda depende de uma metodologia precária, que remonta a Kardec. Pode ser que se estude os efeitos de “estados alterados de consciência” do cérebro com o mesmo aparato tecnológico usado para se verificar os efeitos da oração ou meditação. Agora, o que se extrairá disso só o futuro dirá. Dizer que alguém está tendo acesso a uma verdade superior só de olhar uma tomografia pode ser ambicioso demais no momento. Os critérios adotados são indiretos e foram assim catalogados por Herculano Pires em quatro pontos principais:

    1. Escolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos, tanto do ponto de vista moral quanto da pureza das faculdades e da assistência espiritual;
    2. Análise rigorosa das comunicações, do ponto de vista lógico, bem como do seu confronto com as verdades científicas demonstradas, pondo-se de lado tudo aquilo que não possa ser justificado;
    3. Controle dos Espíritos comunicantes, através da coerência de suas comunicações e do teor de sua linguagem;
    4. Consenso universal, ou seja, concordância de várias comunicações, dadas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em vários lugares, sobre o mesmo assunto.

    Acontece que:

    1. Há um elevado grau de subjetividade aqui. Não há técnicas confiáveis para avaliar tais atributos em encarnados, que dirá da “assistência espiritual”.
    2. Já foram ditas as deficiências da lógica em garantir se algo é verdadeiro ou não. Quanto a limitar o crédito apenas às mensagens que corroborem o conhecimento vigente, está se perdendo uma bela oportunidade de se colocar comunicações sob teste. Se um conjunto de relatos em meados do século XIX que fizesse menção aos paradoxos quânticos e relativísticos ou rejeitasse as teorias de superioridade racial fosse rejeitado segundo esse critério, uma oportunidade teria ido embora. Preferiu-se ficar à sombra do que já era conhecido como uma forma de provar uma mensagem, quando o mais interessante seria um conteúdo ainda desconhecido para justamente pô-la à prova algum dia. Uma crítica muito frequente é a falta de descobertas científicas através de mediunidade. Nenhuma cura de doença, dedução de um teorema difícil, sítio arqueológico relatado ou mesmo uma literatura digna de prêmio Nobel. Para isso existe mais um ad hoc: Os espíritos não trazem nenhum conhecimento pronto porque isso tira o nosso mérito em progredir pelo próprio esforço. Espere aí, não tire o corpo fora. Ninguém falou em seres astrais superprotetores transformando a humanidade encarnada em um bando de indolentes. Pede-se apenas que algumas joias sejam oferecidas para que se tornem “evidências extraordinárias para alegações extraordinárias”. E é bom que se diga que, ao relatar civilizações extraterrenas, expor teorias da Lua, defender abiogênese e afirmar que a medicina espiritual curaria doenças letais da época, se trouxe, sim, informações que deveríamos descobrir por nós mesmos; portanto, essa desculpa é muito furada.
    3. Se falar bonito fosse sinal de idoneidade, então os 171 da vida seriam os melhores mentores da humanidade. Esse critério é por demais ingênuo. Farsantes deste (e quem sabe do outro) mundo usam palavreado florido e conceitos científicos pouco conhecidos do grande público como uma forma de dar pretensa autoridade. Magnetismo e mecânica quântica, então… isso me faz pensar se algum desse sábios espirituais seria ao menos capaz de resolver uma equação diferencial que se preze.
    4. O “consenso universal”, além do problema de ser indutivista, se mostra cada vez mais regional. Diferenças já apareciam no século XIX (espiritismo inglês, roustaignismo e até em diferenças entre a primeira e segunda edição do LE). Isso aumentou no século XX com novos grupos Nova Era e espiritualistas (não-kardecistas) com suas doutrinas e interpretações próprias. Uma resposta dada a isso foi que estes relatos divergentes não são dados por espíritos que fizeram parte da original “Falange do Espírito da Verdade” (relativa), que auxiliou Kardec. Entretanto, é difícil definir — se é que isso não seria arbitrário — quem pertence a esta casta de “autorizados” ou não. As obras de Edgar Armond e Pietro Ubaldi, por exemplo, são controversas ainda, existindo quem os considere como continuadores e complementares à codificação, e aqueles que toleram estes autores apenas como fundadores de outras vertentes espiritualistas. Só para citar, em um exemplar da revista Visão Espírita (ano 2, número 20, pág. 20, Editora Seda) se encontra um anúncio dos livros de Ubaldi. Como diz o velho ditado: “filho feio não tem pai”.

    Alguém pode estar pensando que toda a preleção feita acima se refere apenas às ciências experimentais, não tendo nenhuma relação com outros campos. De que maneira poderia um astrônomo analisar astros tão distantes, um paleontólogo tratar como ratinho de laboratório um animal morto a milhões de anos e um historiador voltar no tempo para assistir a uma importante batalha. Elas não estão sujeitas aos testes popperrianos de refutação.

    Nada mais falso! Campos de estudo que se valem de análises indiretas podem (e devem), sim, ter suas teorias postas em xeque. Um astrônomo pode cogitar sobre os elementos que compõem uma estrela e verificar se está certo analisando o espectro de luz emitido por ela. A teoria da evolução pode ser refutada se se descobrir um ser vivo cuja origem não pode ser explicada ou se se encontrar um fóssil de humano moderno ao lado do de um dinossauro; tudo que se imaginava acerca de um evento histórico pode sofrer uma reviravolta com a revelação de um novo documento apresentando nova versão dos fatos. Ciências não-experimentais baseiam-se no controle criterioso de seus dados, na dúvida sistemática, na aplicação de dedução, eliminação de preconceitos baseados na autoridade ou no bom senso, na busca de contraprovas que possam ser previstas a partir das hipóteses formuladas. Em suma, tudo que já foi exposto acima e o espiritismo deixa a desejar. O fato de espíritos (se existirem) não serem acessíveis diretamente não dá ao espiritismo o direito de ter um tratamento especial.

    Uma questão ainda pendente é a da “ciência com consequências morais”. Mesmo que o espiritismo fosse ciência, seria muito arriscado fazer juízos morais baseados em noções científicas. Nas palavras de Stephen J. Gould:

    (…) a descoberta potencial pelos antropólogos de que o assassinato, o infanticídio, o genocídio e a xenofobia podem ter caracterizado muitas sociedades humanas, podem ter prosperado em muitas sociedades humanas e podem até ser benéficos para a adaptação a determinados contextos não oferece nenhum apoio à pressuposição moral de que devemos nos comportar dessa maneira. (Extraído de Pilares do Tempo, parte 2, Definição e defesa dos ministérios não interferentes).

    Certo que o espiritismo não chega a propor as coisas do exemplo de Gould, mas há as conclusões quanto ao transplante de órgãos citadas na parte “Restauração de Dogmas”. Foram afirmações de cunho moral muito duvidoso, tanto que nem são (creio eu com minha experiência humilde no meio) aceitas pela maioria dos espíritas. Ficam como amostras do tipo de equívoco que pode acontecer.

    Há um último comentário a ser feito que não se encontra na tabela do começo do tópico. Os espíritas se colocam fora do conjunto das demais religiões tradicionais por possuírem postulados, ao contrário das demais crenças cristãs que se baseiam em dogmas. Bem, até que ponto isso é verdade dependerá da maneira como se der nome aos bois.

    Dogmas e postulados partilham entre si a qualidade de serem aceitos sem demonstração. Não vale a regra de que dogmas seriam os mistérios da fé mais esdrúxulos, ao passo que postulados seguiriam mais a intuição. Ambos podem ser pontos de partida para raciocínios lógicos, ainda que de conclusões duvidosas.

    As definições são dogmas; somente as conclusões retiradas delas podem proporcionar-nos nova perspectiva. K.Menger, citado por Popper.

    Então qual a diferença? A principal distinção se dá através do uso de cada um. Campos de estudo continuam existindo mesmo após uma profunda revisão de seus princípios. Por isso a física conseguiu fazer a mudança de seus paradigmas no começo do século XX, a biologia continuou existindo após descrença do “princípio vital” como motor da vida e a geometria alargou seus horizontes para muito além de Euclides. Já uma doutrina, não. O catolicismo sofreria um baque sem a virgindade de Maria antes e após o parto; o protestantismo, não. Ambas rejeitariam com veemência a descoberta de um hipotético cadáver de Cristo, comprovando que não ressuscitou, nem ascendeu aos céus. Elas perderiam a razão de ser sem este dogma.

    Bem, você pode pensar que o espiritismo está livre desta porque a única maneira de refutá-lo é provar que a mente não sobrevive à morte do corpo, não é? Não, não é. Isso valeria para o espiritualismo no sentido mais amplo da palavra. O espiritismo tem uma quantidade maior de pressupostos, o que torna-o mais frágil. Uma prova da sobrevivência da mente ao fim do corpo apenas prova isto: a vida após a morte; não garante nada a respeito da existência de um deus ou regras de “ação e reação” (karma). Deuses podem muito bem continuar não existindo ou não dando a mínima para o que fazemos e até serem imperfeitos, que a vida após a morte não seria um contrassenso. O budismo theravada vive muito bem sem um deus. A reencarnação pode ser um fato, como muitos se esmeram em provar, mas tem mesmo de ser do jeito que Kardec diz? Poderia se dar por um processo aleatório, independente de um karma; mais de uma essência (ou alma) poderia se reunir em uma, ou então uma mesma essência se dividir em corpos distintos, possibilidade também aceita por vertentes budistas; novas almas poderiam ser geradas junto com o feto, sem nenhum karma passado. Deus, reencarnação, espíritos, karma: espíritas acham que esses conceitos formam um bloco monolítico e que a existência de um depende da dos outros, o que não é verdade. Há mais pressupostos que não foram ditos, mas apenas com esses eu pergunto: pode o espiritismo mudar ou até excluir algum deles sem ter que mudar de nome? Se a resposta for um estrondoso sim, quem sabe exista ainda um modo de mudar a atitude dos espíritas e dar-lhes mais rigor. Se a resposta possuir alguma espécie de “se”, então estamos diante de uma religião ou, com boa vontade, uma filosofia, nunca uma ciência. O espiritismo possui inspiração racionalista, mas isso não basta para fazer dele um campo de pesquisa.

    ((((((((((((((((((( FIM DO TEXTO TRANSCRITO ))))))))))))))))))))

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    Notas explicativas para entender o texto: 1 - A Gênese: Um dos 5 livros de Allan Kardec, considerado "o pai do espiritismo"; 2- Karl Popper (28/07/1902-17/09/1994): Filósofo austríaco, naturalizado britânico, defensor do método do racionalismo crítico, considerado como o filósofo da ciência, por ter tentado sistematizá-la. Afirmou que em Ciência toda verdade é provisória, só sendo válida até ser contestada pela "falseabilidade". Para K. Popper, científico e verdadeiro é somente aquilo que foi investigado, testado e não refutado, bastando uma única ocorrência contrária para não ser considerado válido. Devido ao rigor dos seus métodos, apenas uma minoria da comunidade científica os apoiam; 3 - Budismo: religião sem deuses (por alguns considerado seita espiritual); 4 - Mecânica Quântica : ramo da física quântica que estuda os átomos, moléculas, prótons, elétrons e partículas subatômicas, observando sua composição e comportamento no mundo invisível ao olho humano e no ambiente em que se encontram.

    Tal como fiz no Site do Escritor, reproduzo abaixo o post recentemente publicado em nosso site coirmão Irreligiosos, por considerar que o assunto, além de bastante controverso, é do interesse geral de todos que pretendem conhecer mais sobre os fenômenos espíritas.

    E como este é um site filosófico e também de conhecimentos gerais, quando controversos, creio que seja um espaço apropriado para essas discussões, já que o enfoque que damos à matéria (espiritismo como “ciência espírita” e não como “religião”) ainda não é bem aceito pela comunidade científica, embora uma boa parcela já o admita.

    Segue a matéria, na íntegra:

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    Indicação do Irreligiosos: Livro Minha Vida na Outra Vida, de Jenny Cockell

    Jenny Cockell e seus filhos da encarnação passadaDevido às muitas dúvidas surgidas na discussão colocada pelo colega Alfredo Bernacchi sobre a existência de espíritos, que culminou em discussões sobre reencarnação, RVP e TVP, resolvi indicar um livro recente, que li e recomendo, tratando sobre o assunto.

    Refiro-me ao livro da autora Jenny Cockell, baseado em fatos reais com ela ocorridos, onde presusupõe-se como verdadeira a sua reencarnação, eis que reencontrou seus próprios filhos da reencarnação passada e mediante exaustivos testes não se pôde negar (reconhecida que foi pelos próprios filhos) que ela havia sido a mãe deles numa encarnação anterior. Isso só foi possível 70 anos depois, porque a própria autora lembrava-se da sua existência anterior, em outro país, dos filhos, dos lugares, da casa e de muitos detalhes íntimos da família, só explicáveis se ela os tivesse vivido.

     

    DVD Minha Vida na Outra VidaO caso ficou tão famoso que gerou um filme e um livro autobiográfico com o mesmo nome (o livro agora já traduzido para o Português): MINHA VIDA NA OUTRA VIDA. Quem quiser adquiri-lo, ao modesto preço de R$ 24,90, poderá acessar o site da Livraria Saraiva ou o da Americanas (http://americanas.com.br/produto/6640890/livros/religiao/espiritism… ). Quanto ao DVD, este poderá ser facilmente baixado pela internet, nos vários sites de downloads existentes, desde que você tenha os cuidados e precauções devidos.

    Vejam bem: estou apenas indicando o livro como uma leitura investigativa e inquietante e não advogando a veracidade dos fatos nele contidos. O assunto é para ser analisado e debatido.

    Um detalhe para não gerar suposições: Jenny Cockell se declara irreligiosa e fica irritada quando alguém quer ligar suas experiências à religião.

    Segue, abaixo, a sinopse do livro, encontrada no site da americanas:

    Minha Vida na Outra Vida

    Livro Minha Vida na Outra VidaBaseado em fatos reais, "Minha Vida na Outra Vida" conta a história de Jenny, uma mulher do interior dos Estados Unidos, que vive nos dias de hoje e tem visões, sonhos e lembranças de sua última encarnação, como Mary, uma mulher irlandesa que faleceu na década de 1930. Ainda criança, Jenny Cockell, autora e personagem principal, já sonhava com lugares e pessoas de um outro tempo, e era preciso compreender os acontecimentos de sua vida no passado para seguir com sua vida atual em paz.
    Intrigada, Jenny sai em busca de seus filhos da vida passada. Tem início uma jornada emocionante. Ela via-se em outra época e lugar, como jovem mãe, em recordações domésticas de sua pequena casa de campo. Mãe de vários filhos, morreu de complicações de parto, 21 anos antes do novo nascimento, atualmente na personalidade de Jenny. As visões e sonhos levaram-na a pesquisar o próprio passado e a reencontrar os filhos da existência anterior, agora idosos.
    A história aborda conflitos familiares, vida e morte, mas especialmente lembranças de outras vidas e reencarnação. É uma lição de amor que traz a lógica da reencarnação de maneira clara e simples. E faz pensar.
    O livro fez tanto sucesso que foi filmado como longa metragem, homônimo e lançado em diversos países. Pela primeira vez na história, um filme retrata, com fidelidade, lógica e respeito, a reencarnação, tema de interesse de milhões de pessoas em todo o mundo. Jenny é interpretada pela renomada atriz Jane Seymour, de Em Algum Lugar do Passado, que também tratava do tema de vidas passadas. Só, que desta vez, não se trata de ficção, mas de realidade.

    Caso o assunto desperte interesse, poderei publicar ou indicar uma entrevista feita com a autora e acrescentar novas fotos alusivas ao fenômeno que, para variar, a Ciência também não explicou. E, como sabemos, quando a Ciência não consegue explicar e nem comprovar pela experimentação, testes de laboratórios, etc., ela nega ou se recusa a pronunciar-se sobre o assunto. Mesmo com esses senões, ainda fico do lado da Ciência, por achar a sua atitude mais prudente. É melhor dizer NÃO SEI, do que ficar inventando soluções que não podem ser provadas. Aliás, eu também ajo assim na minha vida particular e uso muito a expressão "não sei", porque se eu disser que sei, tenho de estar apto a justificar meus fundamentos, o que nem sempre é possível.

    Se quiserem prosseguir discutindo esse assunto aqui no Irreligiosos, vou abrir um fórum específico para discutir os fenômenos espirituais, já que o espiritismo os trata como religião e confunde tudo, não sendo, portanto, o nosso foco. Ou, se preferirem, ficamos mesmo no fórum do Alfredo Bernacchi, que está bem encaminhado. Mas se o assunto desviar muito, teremos de abrir um fórum específico.

    Para quem desejar "assistir" (não baixar) o filme inteiro, no Google Vídeos e dublado em Português, aqui vai o link: http://video.google.com/videoplay?docid=8024879465072943702# . Outra opção: o site da nossa leitora Rosana Madjarof, que deixou o link na caixa de "recados rápidos":http://www.saudadeeadeus.com.br/filme12.htm

    Abraços a todos. Manifestem-se! Tenho muitos casos semelhantes a esse, vídeos, depoimentos, etc.

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    .

    SócratesAs palavras do texto abaixo, atribuído ao filósofo grego Sócrates e bastante conhecido na literatura filosófica, foram proferidas séculos antes do suposto nascimento de Cristo e até superam alguns dos ensinamentos deste. Talvez pela enorme coerência e praticidade dos seus pensamentos, Sócrates seja considerado, pela comunidade acadêmica, como "o mais sábio dos homens". Reflitam sobre o texto:

    ————————————————————-

    O Crivo das Três Peneiras

    Augustus procurou Sócrates e disse-lhe:

    - Sócrates, preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de…
    Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

    - Espere um pouco, Augustus. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?
    - Peneiras? Que peneiras?
    - Sim. A primeira, Augustus, é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?
    - Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!
    - Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?
    - Não, Sócrates! Absolutamente, não!
    - Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?
    - Não, Sócrates… Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.

    E Sócrates, sorrindo, concluiu:

    - Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras porque:

    •Pessoas sábias falam sobre idéias;
    •Pessoas comuns falam sobre coisas;
    •Pessoas medíocres falam sobre pessoas.

    ————————————————————————

    Se as regras de Sócrates fossem aplicadas nos dias atuais, muito do que se diz hoje na mídia e, especialmente na internet, talvez nem fosse veiculado. Teríamos uma mídia e uma internet enxutas e confiáveis.

     

    Bertrand RussellBertrand Russell, um dos maiores, senão o maior filósofo do século XX (na concepção de muitos e inclusive na minha) e também um ícone do ateísmo e do agnosticismo, possui a mais extensa bibliografia entre todos os filósofos conhecidos, não sendo, até hoje, superado por nenhum deles,

    Discorrer sobre Bertrand Russell, sua biografia, seu pensamento, suas obras, exigiria um tratado e jamais poderia ser matéria para um simples “post” de blogs. Por isso, nem vamos tentar aqui fazer essa introdução, pois ela consumiria o espaço do post.

    Sobre ele, iremos, de tempo em tempo, pinçando uma coisa aqui, outra ali, e publicando como se fossem capítulos curtos de um livro longo, com quase uma centena deles.

    Assim, para ter-se uma pálida ideia inicial do pensamento deste filósofo e escritor (Prêmio Nobel de Literatura, 1950), publicamos abaixo o “Decálogo de Bertrand Russell”, um "código de conduta" liberal baseado em dez princípios, à maneira do decálogo cristão. "Não para substituir o antigo", diz Russell, "mas para complementá-lo". Diria até que estes "dez mandamentos de Russel" são melhores e mais eficientes do que os dez mandamentos bíblicos, porque mais coerentes e consentâneos com a realidade. Eis, abaixo, o que se convencionou chamar de:

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    O DECÁLOGO DE BERTRAND RUSSELL

    1. Não tenhas certeza absoluta de nada.
    2. Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
    3. Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.
    4. Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.
    5. Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
    6. Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.
    7. Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
    8. Encontres mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
    9. Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.
    10. Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

    Fontes: Wikipédia; Autobiografia de Bertrand Russell (Ed. Civilização Brasileira)

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    NA: Recomendo fortemente a leitura do livro "Autobiografia de Bertrand Russell" (3 volumes, tradução portuguesa de Álvaro Cabral, Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1972 – Do original "The Autobiography of Bertrand Russell – George Allen and Unwin Ltd., 1969). Este livro, por si só, vale por um romance, pois a vida de Bertrand Russell foi agitadíssima e repleta de episódios interessantes, em tudo o que ele fez como filósofo, matemático, ensaísta, conferencista, escritor, pacifista e ativista político. Sem dúvida, uma das mais brilhantes inteligências, não só no mundo da filosofia, mais em todas as áreas em que atuou. Se você começar a ler o livro, não conseguirá mais parar e, certamente, irá ler os 3 volumes.

    ENEM 2010 e SiSU: As Trapalhadas Continuam

     
     
    Como se não bastasse o MEC, blindado pelo governo e ajudado pela AGU, ter peitado todo o sistema judiciário brasileiro, derrubando liminares e fazendo valer o ENEM 2010, agora, durante a divulgação dos resultados e com a concomitante abertura das inscrições pelo SiSU, as trapalhadas continuam, causando transtornos aos candidatos, o que só vem demonstrar que o órgão ainda não estava preparado para realizar um certame de tal envergadura.
     
    As Trapalhadas:
     
    Querendo demonstrar eficiência para apagar o vexame quando da realização das provas do ENEM 2010 , o MEC tentou a todo custo cumpir os prazos dos editais. E de fato está cumprindo, mas de uma forma deficiente e atabalhoada que está irritando todos os que procuram o site do ENEM ou do SiSU, seja para saber das notas ou para se inscrever nos vestibulares das instituições que aderiram ao sistema.
     
    A primeira irritação vem na hora de procurar saber os resultados do ENEM. O site exige uma senha, que dada a distância entre a data de inscrição e a da divulgação dos resultados, a maioria dos candidatos já perdeu. Por outro lado, essa bendita senha não consta do cartão de inscrição enviado aos candidatos (deveria), aumentando assim o desespero, porque o prazo de inscrições no SiSU, de apenas 3 dias, está correndo e o candidato, sem nota, fica impossibilitado de se inscrever.
    Segundo notícias já divulgadas, somente entre 6ª feira e sábado, mais de 600.000 candidatos já haviam pedido "recuperação de senha", seguindo as orientações do site do MEC. As novas senhas que deveriam ser enviadas aos emails de imediato, somente chegaram 24 horas depois e algumas nem chegaram, devido ao "congestionamento do site". Ocorre que os candidatos não sabiam dos problemas e ao consultar seus emails, viam que a resposta não chegara e, portento, não podiam obter suas suas notas e tampouco fazer a inscrição no SiSU, pela falta da senha. Aí, é claro, com receio de terem feito algo errado, tentavam novamente, às vezes por até 4 vezes. E ainda assim, a bendita senha não vinha. Resultado? Mais congestionamento.
     
    Mais de 24 horas depois… Ufa! Enfim, a esperada senha chegou e os resultados foram consultados. Hora de enfrentar o SiSU. Outro problema: site congestionado, de novo, e o prazo correndo (encerra-se no dia 18). É de se esperar que entre segunda e terça-feira este congestionamento aumente e o tempo de espera para o acesso dobre ou até triplique, mesmo à noite. Quantos candidatos ainda estarão esperando a senha? E quantos poderão perder o prazo do SiSU por este descompasso? Tudo indica que os prazos de inscrição do SiSU terão de ser prorrogados ou haverá novas batalhas judiciais. Os candidatos também, até domingo, não conseguiam saber as notas de corte das universidades escolhidas (a promessa é para segunda-feira). Se surgirem os recursos será que o MEC vai peitar a Justiça de novo?
     
    É isso e mais não falo. Agora, só no botequim dos filósofos. Pensem nas conseqüências e torçam para as coisas se normalizarem. Façamos também votos que as experiências negativas deste ano sejam corrigidas no próximo ENEM.

    EM TEMPO: Após fechada esta matéria, chegam-nos novas informações dizendo que quando o candidato finalmente consegue acessar a página de inscrição do SiSU – não sem antes perder um ou dois preciosos quartos de hora nas tentativas -, ele é surpreendido entre uma e outra etapa, quando a internet cai e ele perde todas as informações já digitadas, tendo de recomeçar do zero. Recomeça, e acontece tudo de novo, mas em outra etapa, nunca permitindo que se chegue ao fim do processo. Pode? Sem comentários! (E o tempo passando, passando…)

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    E não é que os "filósofos de botequim" resolveram se debruçar para discutir mais um tema da atualidade? Desta vez trata-se do ENEM 2010, uma boa ideia que se transformou em fiasco e perdeu credibilidade, por conta da incompetência, do despreparo, do amadorismo, da falta de seriedade e da pressa dos organizadores.

    Entre um gole e outro, viram pontos positivos e negativos, mas a maioria concordou ter sido uma boa ideia que não soube ser implementada. Da teoria à prática, falhou, podendo, contudo, ser corrigida e reaproveitada corretamente no futuro. Vejam o que concluíram:

    ENEM 2010 e os Vestibulares: a Solução Possível

     
     
    Enganam-se os que pensam que as trapalhadas do ENEM 2010 resumiram-se apenas às trocas de cabeçalhos, aos erros de encadernação em um lote de provas da cor amarela e à suspeita do vazamento do tema da redação, no segundo dia de provas.

     
    Esses foram apenas os principais erros apontados os quais, por si só, já seriam motivos suficientes para cancelar-se o exame. E nem (sem trocadilhos) a justificativa de que o cancelamento iria atrasar os processos seletivos das universidades que optaram por adotar as notas do ENEM e, mais ainda, que isto causaria um prejuízo de 180 milhões ao Governo, se tivesse de refazer todo o exame, são motivos legítimos e suficientes para mantê-lo válido. Se o Governo não quer pagar pelos seus erros, a sua incompetência e o seu amadorismo, não é justo transferir essa responsabilidade para os estudantes.

     
    Sabe-se que o ocorrido até aqui poderá desencadear uma batalha jurídica, sem data para solução, porque é certo que o MPF irá recorrer da decisão do TRF que derrubou a liminar que cancelava o ENEM em todo o país. Paralelamente, as datas dos vestibulares se aproximam e as universidades precisam definir, já, os seus critérios de seleção e ter os resultados dos seus vestibulares até janeiro. Isso será possível? Certamente que não.

     
    As outras trapalhadas, sem destaque na mídia:

     
    O que a mídia não esclarece bem é que além dos problemas apontados existiram outros; e outros se sucederão como conseqüência da realização de um novo exame apenas para os que se sentirem prejudicados, como, por exemplo:
    • Falta de treinamento e total despreparo dos fiscais de prova, que não sabiam como orientar os candidatos e davam orientações diferentes em cada sala, em cada cidade;
    • Geração de dúvidas, intranqülidade e indução de candidatos ao erro, com perdas de tempo de até meia hora, que não foram compensadas no final, apesar da promessa de que seriam;
    • Erros de endereço nos cartões de inscrição, indicando salas diferentes das que constavam da real distribuição dos locais e salas;
    • Falhas na designação dos locais de prova (adotou-se a ordem alfabética de nome e não o código postal da residência dos candidatos), o que fez com que alguns, não obstante terem locais a menos e 300m de sua residência, fossem designados para fazer provas a mais de 30 km de distância, chegando atrasados ou ficando presos no trânsito;
    • Erros na impressão dos dados do candidato (datas de nascimento, por exemplo);
    • Questões de natureza subjetiva que admitiam mais de uma resposta, corretas, segundo professores de cursinhos;
    • Questões que não admitiam qualquer resposta, sem que houvesse a opção NRA (nenhuma das respostas anteriores);
    • Proibição do uso de relógio e de que os fiscais de prova desenhassem os gráficos informando o tempo decorrido e o tempo restante de prova, o que dificultou o controle e o planejamento do tempo. Qual a razão para não informar o tempo decorrido? Em que critério de segurança isso se baseou?
    • Excetuando a redação, ausência quase total de questões que avaliassem os conhecimentos de ortografia e gramática dos candidatos, possiblitando até que estudantes com pouquíssimos conhecimentos da língua escrita culta pudessem ser aprovados (detectamos apenas duas questões, assim mesmo, de natureza meramente interpretativa). Conclusão: não se precisa mais saber escrever, bastando saber ler e interpretar(???);
    • Número insignificante de questões de língua estrangeira (apenas 5), num total de 180, desestimulando os candidatos a dedicarem maior tempo ao estudo de línguas. Por que não, pelo menos 10 questões?

     
    Antes de emitirmos nossas opiniões, examinamos as provas, analisamos seus conteúdos, resolvemos questões, cronometramos tempo, visitamos mais de 50 sites que comentaram o assunto, ouvimos opiniões de professores e declarações de alunos e comparamos várias correções de provas, verificando que até entre professores de cursos especializados não havia consenso sobre as exatas respostas de determinadas questões.

     
    Ora, se isso não é motivo suficiente para cancelar-se o exame o que mais será? E sobre os candidatos que entrarem com recurso, a Justiça não terá de se pronunciar? Será que darão ganho de causa ao Governo, só porque este não pode ter um prejuízo de 180 mlhões de reais e porque irá atrasar o processo seletivo das universidades? E se isso ocorrer, como ficará a credibilidade do Poder Judiciário que, aliás, já anda em baixa?

     
    Este é o quadro caótico que se apresenta, quando se colocam amadores, completamente despreparados, para gerir questões de tão grande relevância. Mas o desfecho final do caso, na hipótese de ser favorável ao Governo, pode revelar um outro problema ainda mais grave: a subserviência do Poder Judiciário ao Poder Executivo. Será?

     
    A Posição do "Ministro da Educação"

     
    Para Fernando Haddad, os erros ocorridos são pontuais e percentualmente aceitáveis e conseguirão ser sanados com a aplicação de uma segunda prova, apenas para os candidatos que foram prejudicados. Mas como identificar com precisão esses candidatos? São os organizadores quem vão dizer quais são esses candidatos? Se não tiveram competência para fazer o mais simples, vão ter competência para isso? Ao que parece, se tentarem consertar desse jeito irão é gerarar mais polêmicas e complicar ainda mais todo o processo, porque irão, com toda a certeza, ferir os princípios mais comezinos do Direito, como a isonomia, a licitude, a igualdade de condições para todos os candidatos. Será que o Senhor ministro não sabe disso? Não possui assesores jurídicos competentes para orientá-lo?

     
    Receia-se que não, que os seus assesores sejam daqueles que trabalham para dizer amém ao que o ministro quer, do contrário, já teriam-no orientado a desistir dessa idéia. Nem a tão falada (por ele) TRI (Teoria da Resposta do Item) poderá restabelecer a justiça do certame. Agora, só um novo exame geral, para todos, evitaria a enxurrada de processos que viriam.
    Um ministro que insiste em destacar apenas um erro de "cabeçário" (sic) ao invés de erros nos cabeçalhos, deve pensar assim: "Se berçario é uma sala cheia de berços; se ossuário é uma coleção ou um depósito de ossos; se mostruário é uma coleção de amostras… então "cabeçário" deve ser uma coleção de cabeças, uma sala cheia de cabeças (dos estudantes)". Será que o senhor ministro passaria no exame do ENEM, apesar de não ter sido difícil? Ou teria apenas um aproveitamento Tiririca?

     
    Os pontos positivos e o que se deve corrigir nos próximos exames

     
    Já havíamos fechado este texto quando verificamos que cometemos uma falha: não destacamos os pontos positivos do ENEM e eles existiram, embora ofuscados pelos negativos, que foram muito maiores. Então, para se fazer justiça, vamos destacá-los:
      • Primeiramente, a idéia central de substituir-se os vestibulares tradicionais por um exame único, que avalia todos os candidatos em igualdade de condições (desde que essa "igualdade" se verifique, é óbvio);
      • A quase eliminação do chute e da decoreba, priorizando o raciocínio lógico e a aplicação do que se aprendeu a situações reais do dia-a-dia. Isso possibilita ao candidato ter uma visão dos porquês e das finalidades práticas daquilo que estudou, sabendo como e em que situações poderia usar seus conhecimentos. Nos vestibulares tradicionais os candidatos apenas decoram assuntos e fórmulas, às vezes até sem saber para que serve aquilo que aprenderam. Nota 10 para O ENEM neste quesito.
      • Valorização da cultura geral e do conhecimento de atualidades, visando aferir se o candidato está inserido e adaptado ao contexto social do mundo globalizado em que vive. Aqui, só não leva nota 10 porque não cobrou suficientemente o conhecimento de língua estrangeira.
      Preservando-se esses aspectos positivos e corrigindo-se as falhas já detectadas, o ENEM talvez possa cumprir, de fato, os objetivos a que se propõe.

       
      A Solução Possível

       
      Diante de tudo o que foi exposto, parece-nos que a única solução sensata possível seria a seguinte:
      1) Permitir que as universidades (pelo menos para o vestibular para ingresso no 1º semestre de 2011) realizem seus próprios vestibulares, desconsiderando por completo qualquer nota do ENEM, ainda que isso importe em retardar o início do ano letivo, que seria, depois, compensado com aulas extras;
      2) Realizar um novo ENEM, para todos os candidatos, cujas notas só seriam válidas para os vestibulares de meio de ano, em 2011, mudando-se alguns citérios na elaboraçao das questões (como, por exemplo, exigir mais questões de aferição de conhecimentos de ortografia e gramática, dobrar o número de questões de língua estrangeira e evitar o uso de questões de enunciados longos e de interpretação muito subjetivas, que poderiam levar a mais de uma resposta válida ou a nenhuma).

       
      Eis aí o que nos parece ser mais sensato, justo e racional. Quem discorda ou tem alguma ideia melhor, que apresente seus pontos-de-vista e chame outros para o debate.

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      (Transcrito do site "Vida Escaneada", do mesmo autor)

        Eis aí um tema bem ao gosto do2VezesNaLoteria-L280s "filósofos de botequim". Não que eles sejam adeptos do fortianianismo porque, entre eles, a grande maioria é cética, o que é exatamente o oposto. Gostam porque é um tema instigante, controverso, desafiador. Melhor ainda: porque não foi resolvido e não é, nem nunca será um assunto banal ou desgastado.

      Desde que conheci essa turma, com a qual acabei me envolvendo e dela fazendo parte, conheço a discussão e até já participei de várias delas. Há quatro anos, vez por outra, voltamos ao assunto. Mas, confesso, hoje é um tema que ainda me intriga e incomoda, mas já não me atrai tanto para o debate, porque já conheço o resultado final : uns acham que existem, outros que não; uns acham que existem explicações lógicas e absolutamente naturais, outros que não; alguns arriscam definições e outros sequer admitem a validade dos termos, dizendo ser apenas nomes que atribuímos a eventos que desconhecemos. E por aí vai, sem se chegar a qualquer consenso, até que a discussão seja reaberta, em um outro dia, que ninguém sabe quando será.

      Interessante de notar é que essa "tchurma" leva mesmo a discussão a sério: estudam, pesquisam, trazem provas (ou o que eles julgam ser provas), fazem citações, invocam filósofos, cientistas, místicos, parapsicólogos e pesquisadores. Com esse arsenal, tentam  defender ferrenhamente suas convicções ou meros pontos-de-vista. Mas tudo em vão, pois o único consenso provisório a que chegam, assim mesmo, por maioria simples e não por unanimidade, são os que resumo abaixo:

      ————————————————————————————

      • Sorte e azar existem, mas as causas e circunstâncias que disparam esses eventos e os mecanismos como se processam são absolutamente desconhecidos;
      • Sobre a sorte e o azar, só conhecemos os efeitos, mas ninguém, em qualquer ramo do conhecimento humano, no passado ou no presente, conseguiu explicar convincentemente como, quando, nem por que esses eventos ocorrem;
      • Há que se distingüir o que é "sorte" ou "azar" daquilo que é provocado pela lei da causalidade e/ou do imponderável. Se é rotineiro, e conforme sejam as conseqüências positivas ou negativas, pode-se dizer que é "sorte" ou "azar", desde que independa das ações do agente. Se acontece uma única vez, com ou sem interferência do agente, é um resultado ou casualidade, perfeitamente natural; se acontece sucessivamente, mas com interferência das ações do agente, provocando o resultado, também é um fato perfeitamente natural;
      • Fatos isolados, que aconteceram apenas uma vez, por mais grandiosos ou bizarros que sejam, jamais devem ser rotulados como "sorte" ou "azar";
      • Sorte ou azar, pressupõem resultados positivos ou negativos, recaindo repetidamente (ou, pelo menos, mais de uma vez), sempre sobre a mesma pessoa, independentemente de suas ações.
      • O imponderável (tomado como substantivo e em seu sentido figurado) existe e pode ser definido como aquilo que não se pode medir, avaliar ou prever, podendo acontecer em qualquer momento e em qualquer lugar, sem causas aparentes ou por causas desconhecidas. Nada se pode fazer para evitá-lo.

      ————————————————————————————

      Como se vê, os debates não são de todo improdutivos, pois  permitem algumas conclusões. Mas não respondem o principal: O que é a sorte e o azar? Como Charles Forte por que acontecem? Como se pode provocar ou evitá-los? Esta, nem Freud, nem nenhum outro psicanalista ou filósofo,ou místico, cientista ou pensador,  explica. Talvez um Charles Fort (1874-1937), o maior pesquisador de coisas insólitas, precursor do realismo fantástico (por alguns chamados fortianismo) e maior desafiador da ciência, conseguisse explicar. Mas ele jamais tentou isso. Louis Pauwels e Jacques Bergier, também pesquisadores de coisas insólitas, não quiseram se aventurar a explicar e arriscar sua reputações.

      Já Richard Wiseman, em seu clássico livro "The Luck Factor" (O Fator Sorte) tentou explicar o fenômeno mas nada conseguiu, transformando o seu livro em mais uma literatura de autoajuda. A grande Ciência, capaz de explicar tantas coisas, inclusive fenômenos da física quântica e até do mundo microscópico, das profundezas da terra e dos oceanos, dos universos paralelos e de tantas coisas  inimimagináveis para nós, mortais comuns, não se atreveu a deslindar o que sejam sorte ou azar.

      A definição que parece ser a mais mais aceita e divulgada para a sorte é a do pensador Elmer Letterman: "Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade". O que ele não explica é porque a oportunidade chega sempre para quem não a espera, não está preparado e, mesmo assim, colhe os frutos positivos.

      O desafio e a pergunta não respondida:

      Preocupado em deslindar o mistério e já cansado de procurar em outras fontes, tanto em língua portuguesa, como em Inglês, Francês e Espanhol, resolvi colocar a pergunta abaixo no freqüentadísimo site do Yahoo! Respostas:

      SORTE e AZAR existem? Se sim, você saberia explicar como e por que ocorrem?

      Sei de antemão que muitas pessoas irão falar que isto não existe e que tudo depende do nosso "livre arbítrio", que somos nós mesmos quem influenciamos o nosso próprio destino, que tudo é resultado das nossas ações, que é só uma superstição, etc. etc. Mas os fatos da vida real demonstram que alguma coisa ainda inexplicável ocorre e que existem pessoas que sem nada fazer de positivo, são bafejadas pela sorte, tudo dando certo, e outras que, por mais que se esforcem, tomem cuidados, planejem, façam as coisas certas, não a têm e tudo dá errado. Já procurei explicações em livros religiosos, filosóficos, metafísicos e científicos e nada encontrei. Não consegui encontrar nenhum sábio, filósofo, cientista, médico, parapsicólogo ou quem quer que fosse que pudesse explicar os porquês e os mecanismos da sorte e do azar. Vocês poderiam dizer o que pensam sobre o assunto e onde achar a resposta?

      Dentre as várias resposta que apresentaram, não obtive nenhuma satisfatória. Já esperava por isso (e continuo esperando, até hoje).

      Exemplos de "sorte e de "azar"

      Muitos são os exemplos que se poderiam dar de "sorte", de "azar" e também do "imponderável". Note-se, porém, que o "imponderável" – aquilo que acontece inesperadamente, sem estar previsto e em hora inoportuna -, é perfeitamente normal e pode ter conseqüências positivas ou negativas.

      Seguem, abaixo, alguns poucos exemplos, meramente ilustrativos para que se notem as diferenças (casos reais e hipotéticos):

      1) A morte de Michael jackson: Um show foi cuidadosamente preparado e planejado, as datas estavam marcadas, ingressos já haviam sido vendidos, os ensaios quase terminados, o cantor envolvido, sem sinais aparentes de nenhuma doença grave, os patrocinadores e integrantes confiantes no sucesso (e certamente o seria) e, de repente… o astro morre. Aqui, agiu o IMPONDERÁVEL, ocorrência normal;
      2) Um acidente aéreo ou automobilístico ocorre, todas as pessoas, menos uma morrem. A que escapou saiu quase ilesa, com apenas leves escoriações. Aqui, não agiu a imponderabilidade porque acidentes aéreos e automobilísticos estão dentro das possibilidades esperadas e nada têm de anormal. Nem mesmo o caso de haver apenas um único sobevivente. Ocorrência normal. Acidentes aéreos e rodoviários não podem ser considerados como anormalidades.
      3) Um estudante pede demissão do seu emprego, seus pais lhe pagam o melhor cursinho pré-vestibular, ele leva a sério, estuda, tira as maiores notas em todos os simulados, sente-se preparado para brigar pelo primeiro lugar. Horas antes da prova adoece, pega 40 graus de febre e mais um desarranjo intestinal violento e perde a prova. Mais uma vez, agiu o imponderável, e não o azar. Ocorrência normal;
      4) O mesmo carinha acima parte para a segunda tentativa e, no ano seguinte, no dia do exame, pega um trânsito engarrafado por causa de acidente, fica preso, se atrasa e… perde a prova. Mais um ano se passa, ele parte para a terceira tentativa, um outro incidente ocorre e ele perde, de novo, a prova. Aqui já agiu o azar. As ocorrências foram sucessivas, fugiram da normalidade e revelaram uma tendência negativa. Explicações? Não tem;
      5) Um apostador, com apenas um volante de aposta mínima, acerta sozinho a mega-sena acumulada. Ocorrência normal (alguém,  teria de ganhar), se for uma única vez. Mais de uma, em curto espaço de tempo, já passaria a ser sorte; Explicações? Lei da causalidade.
      6) Um caso verídico: um senhor, não habituado a jogar em loterias, encontra um volante de lotomania preenchido, preso no parabrisas do seu carro; amassa-o e joga fora. No dia seguinte, a mesmíssima cena se repete e, então, ele resolve pegar o volante e joga 3 reais na lotomania, ganhando 2.700 reais. Paga algumas dívidas e, na mesma semana, resolve jogar 12 reais na mega-sena e ganha de novo, sozinho, desta feita, 18,9 milhões de reais. Aqui, sem sombra de dúvidas, agiu a sorte. Explicações? Não tem. Somando tudo, foram 4 coincidências, semelhantes, na mesma semana.

      -Link para a matéria "Sortudo ganha 2 vezes na loteria, em uma semana"(http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL83387-5598-834,00.html  )
      -Link para o vídeo "Sortudo ganha 2 vezes na loteria, em uma semana"

      Casos semelhantes ao ocorrido no item 6, acima, não são assim tão incomuns, embora raros. Se vocês pesquisarem na internet vão achar muitos. E agora? Pode-se dizer que o resultado foi fruto da ação do agente? Será que ele provocou isso?

      Há um outro caso mais antigo de um brasileiro (este eu não posso dar o link porque não localizei) que ganhou sozinho na loteria esportiva – no tempo em que o prêmio era compensador – e foi passear em Las Vegas. Na primeira noite, em um dos cassinos, tirou o prêmio acumulado em uma das máquinas, de maior valor do que o que ele havia ganho. Pela última notícia que tive, estabeleceu-se nos Estados Unidos, sendo um dos maiores criadores de gado da sua região.

      Finalizando, um outro caso, exibido no Programa do Jô, há cerca de 3 anos, mostrava um rapaz acostumado a ganhar em rifas, promoções e sorteios. Teria ganho 16 (dezeseis) vezes e ajeitou a sua vida e da sua família, principalmente a da mãe, para quem comprou uma casa nova. Isso é ou não é sorte?

      Sorte e azar podem ser mudados por nossas ações?

      Desmistificando e contrariando a maioria dos pesquisadores, entendo que NÃO. Absolutamente, sorte e azar não podem ser mudados, porque independem da nossa vontade. Sorte é sorte, azar é azar e pronto. Não se pode prever se e quando vai ocorrer e nada podemos fazer para modificar. Lamento se decepcionei alguém e gostaria até que me provassem o contrário. "Por favor, prooooovem-me que estou errado! Eu também gostaria de poder influenciar na minha sorte".

      Já se a pergunta se referir à possibilidade de, por nossas ações, obter-se rotineiramente resultados favoráveis ou negativos, a resposta é SIM. Por exemplo, se eu tomo sucessivas decisões erradas, a tendência é que eu colha resultados negativos. Por outro lado, se sou cauteloso, persistente e escolho sempre as melhores opções, a tendência é obter sempre resultados positivos, desde que não ocorra o imponderável. Mas tanto num como noutro caso, não se pode chamar esses resultados de "sorte" ou "azar", por serem considerados "normais".

      Se eu me dedico no meu emprego, estudo, procuro respeitar as normas da empresa, dou sugestões ou soluções que contribuem para o aperfeiçoamento e crescimento da organização, quando eu chegar à diretoria ninguém poderá dizer que foi "sorte". Se eu desperdiço as boas oportunidades que se me apresentam ou não sei identificá-las quando presentes, jamais poderei reclamar se nunca progredir.

      Literatura sobre o assunto

      É impressionante a escassez e a má qualidade da literatura existente sobre o assunto, pelo menos, nos 4 idiomas em que pesquisei. Por isso, não recomendo nenhuma, à exceção do livro The Luck Factor ( Fator Sorte), de Richard Wiseman, assim mesmo como livro de autoajuda. Por incrível que pareça, a melhor matéria que li sobre isso, melhorr até do que todo o livro de Wiseman, foi a do médico psicoterapeuta  brasileiro, Flávio Gikovate, em seu excelente artigo "Você acredita em sorte ou azar?", que segue mais ou menos a nossa mesma linha de pensamento. Sou um pouco suspeito para falar porque sou seu admirador incondicional,mas recomendo que leiam e tirem as suas próprias conclusões.

      A matéria está pronta. Mesmo sem ser filósofo profissional ou qualquer autoridade no assunto, emiti a minha opinião. Como tenho interesse na resposta, deixo o desafio para que alguém me prove que sorte, azar e imponderável não existem. E se quiserem advogar que existem, tentem definir o que são e como funcionam, pois parece-me que até agora ninguém o fez.

      E só para finalizar: não me considero uma pessoa de sorte, mas também não totalmente sem sorte. Acho que estou dentro da normalidade, mas tenho por hábito ser persistente, descobrir e correr atrás de oportunidades que, aliás, teimam em não aparecer. As pouquíssimas que apareceram eu as agarrei, com unhas e dentes. Mas escassearam.

      Presentemente, desenvolvi uma metodologia e alguns programas de computador para analisar e indicar jogos da Lotofácil e da Lotomania. Ganho e perco, por enquanto, mais perdendo do que ganhando. Mas adepto da tecnologia informática, fã da matemática e da estatística (estudo de desvios e cálculos de probabilidade, interagindo com a Lei dos Grandes Números), acredito que vou chegar lá. Jogo (ou melhor, "invisto") uma média de R$ 300,00 (trezentos) reais por semana, há dois anos, não deixando de jogar uma única semana. Chamam-me de louco, irresponsável, recebo críticas e gozações e não falta alguém para dizer-me que se guardasse ou aplicasse todo o dinheiro que gastei, teria hoje quase 40.000 reais. Agora pergunto: e daí? Vou continuar sendo criticado, mas quando ganhar, em 24 horas recupero tudo o que investi e ainda fico com um lucro líquido de aproximadamente 666%. Que investimento me daria esse retorno em pouco mais de dois anos?

      Se no dia em que eu ganhar algum FDP vier dizer que foi "sorte", mando para a PQP! E se vierem perguntar pelos meus métodos e o programa de computador que utilizei, responderei: "Ele não serve para qualquer pessoa e, principalmente, se não estiver disposta a investir R$ 1.200,00 por mês, o que  certamente é uma imprudência". Mas eu tive coragem para cometê-la.

      Copyright:  Ivo S. G. Reis (MCN: ES6SL-STE5J-PR5CR, Thu Aug 12, 2010)

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      Recebi por email enviado pela minha amiga virtual, escritora Leila Brito, o seguinte "flyer" do seu conto Aracruz, tendo por inspiração o poema-épico (obra clássica) "O Inferno de Dante", do escritor Dante Alighieri, donde extrai, para uma linguagem literária mais ao alcance dos leitores, uma trama analisada pela ótica da autora e que revela a existência de um triângulo amoroso naquela obra, pouco perceptível para o leitor  mais apressado. Segue o "flyer":

       

      ARACRUZ

       

      Leila Brito

      http://www.chacomletras.com.br

       

      No Chá.com Letras, blog autoral dedicado à Literatura, Filosofia e Música, a escritora e poeta Leila Brito disponibiliza ao leitor-internauta o conto Aracruz (postado em seis capítulos), com narrativa centrada no mais famoso poema épico-teológico de todos os tempos – Divina Comédia de Dante Alighieri – tendo o elemento poético “inferno” como apoio da composição cenográfica descritiva do caos humano.

      Na Divina Comédia, a força narrativa reside na firmeza de caráter do personagem Dante ao lidar com questões fundamentais da condição humana, encontrando nos símbolos um valioso instrumento de expressão. É o que Leila Brito tenta fazer em Aracruz, pois buscando apoio criativo na riqueza de alegorias que conformam o grandioso poema.

      Dona de um estilo marcado pelo erotismo de delirantes imagens poéticas e obra literária focada no Amor-Eros, nas nuances de seus efeitos existenciais, a escritora denuncia em Aracruz o trágico aprisionamento pessoal em relações conjugais sustentadas no poder de dominação material e/ou psico-emocional doentia, impeditivo do exercício de Eros em seu sentido amoroso pleno.

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      Ivo S. G. Reis

      Apenas um livre-pensador ecletista, agnóstico, ambientalista de coração e de carteirinha, filósofo de rua e de boteco, um libertário cidadão do mundo, à procura de vozes que queiram fazer coro contra a exploração e escravidão religiosa dos incautos, contra a corrupção na política, contra a exploração do povo pelo Estado e contra a devastação da natureza. Minhas armas e ferramentas: meus pares ideológicos e os locais onde nossos protestos e mensagens possam ser divulgados e ouvidos.













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