Este artigo foi motivado pelo debate gerado na matéria ” Teoria de Gaia x Aquecimento Global – Quem Está com a Razão? “, quando verifiquei que as opiniões se dividiram em relação ao assunto “uso da energia nuclear – sim ou não?”. O cerne da questão lá era descobrir o que era verdade ou inverdade nas duas teorias e tentar encontrar um meio termo sobre o que deveria ser aceito e quais as providências recomendáveis para minimizar ou abortar a continuidade das causas do efeito estufa. Daí, surgiu a questão da energia nuclear, que requer um outro debate, em separado.

Longe de mim querer dar aqui o voto de Minerva, até porque também estou entre os debatedores. Minha intenção é pôr mais lenha na fogueira e […]estender essa discussão, tão importante para a compreensão desse assunto controverso – o uso ou não uso da energia nuclear.

Outrora, na década de 1980 e até a metade da década de 1990, fui completamente contrário ao uso da energia nuclear, por questões de falta de segurança e pelo elevado custo da sua implantação, principalmente em países de economia frágil como a que tínhamos.

Hoje, porém, revi meus conceitos e, salvo erro de raciocínio ou avaliação, vi que uso da energia nuclear volta a ser a opção mais viável, não só economicamente, mas também por ser a que menos agressão causa ao meio ambiente. E por que isso? Porque a tecnologia em relação ao barateamento de custos e segurança se aperfeiçoou e o quadro é outro, bem diferente dos desastres de Chernobil e Three Mile Islands, como bem acentuou o nosso colega Yan Kavasi, com quem concordo.

Mas em respeito ao abalisado conhecimento dos ambientalistas Maurício Gomide e Antídio Teixeira que parecem ter boas razões para ser contra o uso da energia nuclear, resolvi colocar o assunto em debate, esperando que outras pessoas venham a dar suas opiniões.

Um dos fatores que me encorajaram a defender a posição favorável ao uso da energia nuclear foi a posição de mesmo sentido assumida pelo cientista ambientalista James Lovelock, autor da “Teoria de Gaia” e pelo escritor naturalista mundialmente conhecido Bruno Comby, autor de 8 bestsellers e bastante respeitado. Seu livro “Ambientalistas a Favor da Energia Nuclear“, com introdução do não menos respeitado James Lovelock, Doutor “Honoris Causa” em várias universidades, foi, no ano de 2007, a pá de cal sobre as minhas antigas convicções, dos idos de 1990.

Arrisquei-me a traduzir para vocês, abaixo, uma página da internet que referencia o livro e a introdução de James Lovelock:

Books

Bruno Comby is a world famous author on lifestyle and natural health, author of 8 bestsellers presented below.(cortei a apresentação dos 7 outros bestsellers)                  

Ambientalistas a favor da energia nuclear

Combustíveis fósseis, como o carvão, o petróleo e o gás, poluem maciçamente a atmosfera da Terra (CO, CO 2,SOX, NOX…), provocando chuvas ácidas e modificando o clima global através do aumento do efeito de estufa, ao passo que a energia nuclear, comprovadamente,não provoca esse tipo de poluição e apresenta vantagens LvAmbProEnergNuclL144.jpgambientais.

Energias limpas renováveis (solar, eólica), não são capazes de produzir a quantidade de energia necessária para países em desenvolvimento e desenvolvidos. A energia nuclear é, de fato, a única fonte de energia limpa e segura, disponível para proteger o planeta durante o século XXI..

Este livro contém respostas essenciais sobre questões de segurança nuclear, o acidente de Chernobil, os problemas de saúde pública que a nossa sociedade tem de enfrentar, soluções viáveis para resíduos nucleares, os benefícios da energia nuclear limpa para o ambiente, bem como informações importantes sobre o futuro do nosso planeta.

Eis aí a questão. Convém lembrar que ainda existem muitos preconceitos com relação ao uso da energia nuclear. O que precisamos saber, agora, é se esses preconceitos são justificados ou não. Por isso, esperamos o “feedback” dos nossos leitores. Opinem, mesmo que seja para dizer sou a favor ou contra. Os porquês, se não souberem fundamentar, omitam. É importante termos um conjunto de opiniões.

Para ajudar os possíveis debatedores a melhor entender a questão, anexei, mesmo depois de fechado o artigo, o vídeo abaixo, que ilustra a dificuldade de sobrevivência de nações pobres apenas com o uso de energias alternativas. Essas fontes de energias mal dão para suprir as pequenas necessidades individuais, teriam um custo elevadíssimo (maior do que com a energia nuclear, se utilizadas em grande escala) e não se prestam a alavancar o desenvolvimento de um país. O vídeo corrobora o que foi dito neste artigo, no sentido de reafirmar que privar os países subdesenvolvidos da energia nuclear é um crime injustificável e que só aproveita às nações desenvolvidas. Vejam e tirem suas conclusões:

[youtube OBd8_cgLYek]

Este vídeo é parte de um documentário exibido pelo Canal 4 Britânico, sob o título “A Grande Farsa do Aquecimento Global” e foi separado por tratar do assunto que estamos abordando neste artigo. A coleção completa compõe-se de 10 vídeos. O curioso é que o documentário jamais foi exibido nos Estados Unidos, embora recente. Por que será?

 

 

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14 Comentários

  • Alice disse:

    Vou atrever-me a dar minha opinião, mas apenas como observadora dos fatos, porque o assunto é por demais técnico para que pessoas comum o discutam.

    Entendo que a necessidade de urgentes tomadas de posições deveriam colocar o assunto em pauta como UM DEBATE NACIONAL, a ser promovido pelas autoridades constituídas do país, grupos de cientistas e entidades que estudam e protegem o meio ambiente.

    Antigamente, se pensava que a Terra era o centro do universo e que era o Sol que girava em torno dela. Até a maioria dos cientistas da época concordava com isso. Então, surgiu Galileu, que se opôs, dizendo que não era o Sol que girava em torno da Terra e sim esta que girava em Torno do Sol. Todos conhecem a história e sabem o que aconteceu a Galileu.

    Quantas vezes na história, conceitos mundialmente aceitos precisaram ser revistos? Realmente, acho que, por temor, está acontecendo um conceito errôneo e preconceituoso com relação ao uso da energia nuclear. Existe o temor de que o “lixo atômico” não seja armazenado com segurança e escape, cusando mortes e danos à humanidade e ao meio ambiente. Existe esse risco? Claro que existe, mas qual seria a proporção? Se for um risco mínimo…

    Visitei a página do Yahoo! Respostas onde foi colocada essa mesma pergunta e o autor, administrador deste blog, fez a seguinte observação: Alguém deixa de andar de avião por que alguns caem? Ou deixa de andar de carro por causa dos acidentes?

    O risco existe e sempre existirá. O que precisa ser avaliado e discutido é: A energia nuclear é mesmo imprescindível? Se é, vale à pena correr os riscos do uso?

    Acho que a questão é só essa e, nos dias de hoje, não é tão difícil assim responder a estas perguntas.

  • Alice:
    Todo lixo que não se recicla, ou cujo ciclo de degradação é maior do que o tempo de vida dos beneficiários que o produziram, como se vê no caso dos combustíveis fósseis cuja utilização proporcionou esta magnífica evolução nas formas de vida dos povos, e o lixo doméstico que, no momento, está sufocando Nápolis, são bombas de efeito retardado que explodirão em mãos dos inocentes no futuro. Será este tipo de herança que as atuais gerações querem deixar para seus decendentes? Nossas preocupações de hoje, são conseqüências da ignorância de nossos antepassados, povo, sobre o assunto, pois os interesses econômicos encarregaram-se de omitir, ou de desviar a atenção das pessoas com a oferta do “circo” para alguns, já que o “pão” já está faltando para muitos. Forte abraço e votos de um bom dia.
    Antídio

  • Elenice Maria disse:

    Acabei de ver o vídeo. Acho que está faltando equilíbrio e bom-senso nesta estória toda. E sobrando esperteza. Não há sentido lutar por um mundo mais sustentável se não for para a espécie humana. Mas parece que há uma parcela de pessoas que não entende que se nós passarmos de uma certa quantidade de CO2 na atmosfera, a espécie humana inteira perderá o habitat para o qual está adaptada. E vc sabe, nada se defende com mais veemência que o próprio lucro.
    Concordo que é um absurdo proibir uma nação pobre de usar seus parcos recursos naturais em tecnologia eficiente e a obrigá-las a outras mais caras e menos eficientes. Mas não conheço nenhum país do mundo que tenha sido obrigado a isso por ambientalistas. Nesses países miseráveis, trocar a queima de árvores por queima de combustível fóssil para gerar energia representaria um ganho de produtividade, uma redução de emissões (embora, pelas suas características, eles nunca tenham sido cogitados para uma redução obrigatória). Faz pouquíssimo tempo que se fala em mudanças climáticas, então porque estes países não usaram a época anterior para se eletrificar, quando não eram “coagidos” a usar energias alternativas? Mostrar a míséria do 3º mundo, principalmente da Africa, e colocar a culpa do subdesenvolvimento nas costas de ambientalistas deve ser muito cômodo para alguns. Achei o roteiro inteiro extremamente apelativo, colocou como único objetivo da redução de emissões de carbono a geração de energia elétrica e taxou os ambientalistas de insensíveis. Bem… são esses insensíveis que se preocupam com a falta dos recursos que agora são desperdiçados futilmente, mas jamais advogaram que o ser humano não deve ter direito ao mínimo nescessário a uma vida digna..

  • Administrator disse:

    Cara Elenice:

    Foi muito boa a sua chegada aqui. E como vc bem destacou nas entrelinhas de seus comentários, hoje temos de suspeitar de tudo, principalmente qdo. muito evidenciado pela mídia.

    Assuntos que dizem respeito à ecologia e meio ambiente não podem ser discutidos com passionalidade, radicalismo e fanatismo, como acontece com as religiões. Tudo que é dito tem de ser filtrado, pesado, analisado. Como existe o religioso fanático, que não aceita sequer discutir qq coisa que contrarie os dogmas da sua religião, também existem os ambientalistas fanáticos, que são contra tudo e todos que pensem diferente daquilo que defendem.

    Veja só o praradoxo: sou ambientalista de coração e de carteirinha, inclusive membro do Greenpeace. Mas nem por isso apóio todas as causas qie eles defendem, quando o fazem com radicalismo. Eles também erram e, às vezes, pecam pelos excessos. Por isso, o fundador do Greenpeace abandonou a organização que, claro, tem um enorme valor, mas às vezes erra, quando radicaliza.

    A ótica da questão nuclear tem de ser revista, sim, porque houve uma interpretação preconceituosa em torno dela e que, hoje, não mais se justifica. Por isso, um número crescente de ambientalistas e cientistas renomados começam a rediscutir essa questão e recomendar a volta e/ou a continuidade do uso da energia nuclear. E veja bem, ELES SÃO AMBIENTALISTAS, também.

  • Alice disse:

    Ói eu aqui de novo…

    Só passei para dizer que não podemos acreditar em tudo que a mídia diz, principalmente, quando vem em “ondas”, como essa do aquecimento global. Isso dá dinheiro, vende e deve ser mantido o interesse sempre aceso, até que outro assunto mais forte surja ou que seja desmistificado.

    E eu acho que é isso que está acontecendo. Com o aquecimento global em alta e sendo alardeado todos os dias, quem ousar ser contra vai ser crucificado. Vc tem de apoiar os movimentos ecológicos para estar “ATUAL”

    Nesse clima, quem vai querer apoiar o uso de usinas nucleares?

  • Antidio Teixeira disse:

    Alice:
    mais uma vez arrisco-me a dar palpites em suas observações. Você diz que não podemos “acreditar” em tudo que a mídia diz. CONCORDO PLENAMENTE. Acreditar é aceitar algo que se desconhece por confiar em quem afirmou, especialmente, através dos meios de comunicação de massa. É dar cheque assinado em branco a alguém, como são os votos com que distinguimos os nossos candidatos políticos, Esta confiança hoje em dia, tem que ser cautelosa pois, as verdades vêm sendo omitidas para dar lugar a afirmações convenientes aos poderes dominantes. O caminho que nos resta é o da compreensão dos fenômenos para que nós, por nós mesmos, possamos entendê-los e julgá-los dentro dos princípios racionais e depois deliberarmos conscientemente sobre nossos destinos. Preocupe-se mais com as causas do que com os fenômenos. Bom fim-de-semana,
    Antídio

  • Mr. Spock disse:

    A grande questão por trás do uso da ENERGIA nuclear é a possibilidade desta se tornar uma ARMA nuclear.

    Potências ocidentais (leia-se EUA e seus aliados) dificultam o acesso de países em desenvolvimento à tecnologia nuclear por temerem que seja usada com fins militares, como eles mesmo fizeram no início, afinal, o primeiro uso da fissão do átomo foi numa bomba que aniquilou dezenas de milhares de japoneses.

    Foi assim com o Brasil, está sendo assim com o Irã e a Coréia do Norte e será assim com qualquer país que queira ingressar no chamado “Clube Atômico”. Quem já detem o poder (não só atômico) não está disposto a compartilhá-lo e irá usar dos meios disponíveis para evitar o acesso dos menores à uma tecnologia que, em última instância, os equipara aos poderosos. Usarão da propaganda a ação militar, passando por pressões econômicas.

    Sinceramente, apesar de concordar com o uso da EN como uma das matrizes energéticas, considero este processo de obtenção de energia ainda extremamente arcaico, não passando de uma grande “caldeira”, um “motor a vapor”. A meu ver, a fissão do átomo carece de muito mais pesquisa e desenvolvimento para se usar decentemente toda a energia liberada. Na verdade, o que está necessitando de pesquisa é a FUSÃO nuclear, liberadora de muito mais energia e de forma TOTALMENTE LIMPA (não produtora de radiação).

    Finalizando, como já comentei em outro artigo aqui, essas são decisões de governo, os quais, pela História da humanidade, muito pouco ligam para os seus “súditos” ou para o que pensam, logo, talvez seja realmente necessária uma catástrofe global para mudar o modo de agir e pensar de governantes. É utópico se achar que a “educação ambiental” irá incutir nas novas gerações novos comportamentos. Hoje deveríamos estar sendo governados pelos hippies dos anos 70 e sua filosofia de Paz e Amor. Estamos??

  • Lucia disse:

    Energia nuclear pode sim contribuir para a matriz energética brasileira, pode também ser utilizada como estratégia militar, pode aprimorar o caminho da ciencia e tecnologia , e pode também ser utilizada para a produçao de armas nucleares. Falar que uma usina dessas é barata, tenho minhas dúvidas. Gastar 7.3 bilhões de dólares para construir uma usina é barato? Investir 20 milhões de reais por ano para manter uma usina parada, é barato? Saber que faz mais de 20 anos que Angra 3 está parada, é barato? Alguns aspectos não podem ser mensuráveis, como por exemplo, qual o valor de uma vida? Como colocar na balança os aspectos realmente positivos e negativos e afirmar que essa é a energia que irá salvar a problemática sobre o Aquecimento Global. Aliás, durante a produçao do combustivel nuclear existe sim emissao de GEE na atmosfera. Totalmente limpa, nenhuma fonte energética o é. Todas causam algum impacto no meio ambiente. Enfim, são inúmeras as questões sobre a nuclear, como sobre a solar também. Essa discussão não terá fim hoje.

    Agora, outra questão que deveria vir antes é: Porque não se discute sobre o aumento do consumo, aumento da demanda energética? Todo mundo quer continuar consumindo e cada vez mais.
    Como sempre, caímos no mesmo problema, a raiz da questão nunca é discutida.

  • Lucia disse:

    ERRATA: 7,3 bilhões de reais.

  • mgomide3 disse:

    Prezada Lúcia,
    Raiz da questão: excesso populacional.

  • Cláudia disse:

    eu só queria saber, como surgiu, ao certo, a Energia Nuclear, eu precisooo, não achei nada!!!

  • Gladstone disse:

    NÃO !!! ENERGIA NUCLEAR NÃO !!! UM ACIDENTE AOS MOLDES DE CHERNOBIL, DESGRAÇA UMA IMENSA REGIÃO, POR ALGUMAS DEZENAS DE MILHARES DE ANOS. O LIXO PRODUZIDO É DE DICILIMO E CARÍSSIMO DESCARTE. JÁ CHEGA AS QUE TEMOS. ALIÁS, É MELHOR QUE NOS VOLTEMOS AO PALEOLÍTICO, DO QUE DEPENDER DE USIANAS ATÕMICAS.

  • Narciso disse:

    Eu discordo com os que dizem que e mau o uso da energia nuclear pois segundo o q vims e que como tudo no mundo ha vantegens e desvantagens no seu uso agora cabe as entidades responsaveis fazerem bom uso dela.

  • ali disse:

    ola a todos.Nao sou muito esperta no assunto mas me documentei un minimo no assunto.E na verdade sou contra a energia nuclear, alguem me deve explicar onde poderao armazenar os residuos desta energia,sabendo que em Angra e da tanto tempo que e armazenada ali nas usinas provisoriamente.Uma segunda explicaçao o porque crianças que moravam em germania perto de uma usina nuclear morreram de causa leucemia.energia nuclear é un caminho mais rapido para alcançar o desenvolvimento economico,mas prcisamos pensar mais na especie humana.

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