Por que o etanol não é a salvação?

05/01/2009
by Robson Fernando

 

O álcool combustível nos últimos dois anos passou a ser tratado no Brasil como a grande panaceia da questão ambiental da energia. Quem ainda não viu Lula anunciando feito místico ascenso, ao largo do planeta, algo parecido com “ajoelhai-vos, países desenvolvidos, eu tenho vossa salvaçãããooo!” quando falava maravilhas do etanol por aí? É notável que há uma orientação muito passional nas enormes expectativas de “um mundo melhor por ser movido a um combustível limpo e renovável”, uma força de esperança pessoal bastante parecida com aquela que anima a vida de religiosos e crentes em curas pela fé, por também ser desprovida de ceticismo e encaração crítica. A verdade é que, embora a poluição vinda do cano de escape seja realmente bem menor, há uma contrapartida, um lado de porém, nociva o suficiente para levantar no mínimo questionamentos ríspidos ao caráter messiânico do álcool nos carros.

Falo de alguns problemas, dois ambientais e dois sociais, por sinal muito sérios e que devem ser encarados com muita sobriedade, pé no chão e atenção. Todos envolvem os lugares de onde saem a “promessa”, os imensos latifúndios de cana-de-açúcar e sua expansão, e denunciam a extrema fragilidade, ou mesmo a quebra, do triângulo da sustentabilidade – Ambiental/Econômico/Social.[…]

O primeiro fator ambiental é o nosso “amigo” desmatamento. Lembrem-se, o Nordeste só tem sua economia sustentada pela cana desde a época colonial porque a Mata Atlântica foi quase totalmente varrida da região pelos latifundiários, foi reduzida a frágeis pinguinhos onde árvores frondosas ainda se aglomeram. O mesmo serve para São Paulo, atual maior estado canavieiro do país, onde os canaviais tomaram muito do lugar dos cafezais da República Velha. Dali o cerrado foi banido e a floresta tropical foi dizimada a menos de 8% da área original. Analisando com seriedade, percebemos que só foram possíveis a criação do Proálcool nos anos 70, a proliferação dos carros flex na década atual e os discursos encantados de Lula porque nossos ecossistemas foram mutilados sem piedade e sobrepostos por “desertos verdes” que se perdem no horizonte.

E, com esse mais recente boom do etanol, a ameaça começou a se dirigir para a Amazônia. Lacaios do governo do PT juram de pé junto que ela não será violentada por essa nova frente de expansão agrícola como a soja de exportação e a pecuária fizeram (e continuam fazendo), mas, quando a grilagem de vastas terras se junta com uma oportunidade clara de se fazer chover dinheiro, como está acontecendo agora, fica claro que essa garantia não soa mais garantida do que promessa de bêbado.

Esse fator sozinho já é suficiente para pôr abaixo aquela esperança daqueles que anseiam por um combustível limpo e ambientalmente amigável. O pior é que o mesmo problema se estende para todos aqueles de origem vegetal.

O segundo problema é muito poluente. A presença de queimadas nos canaviais termina compensando grande parte do que se deixa de mandar para o ar pelo cano de escape. A plantação ainda precisa ser queimada, em prol da remoção da palha, para uma colheita e processamento otimizados das varas de cana. É fácil notar que uma intensa poluição atmosférica sai desses lugares e dá ao etanol a infeliz propriedade de “poluente duplo”, porque joga fumaça no ar duas vezes. E mais uma vez frustram-se os que veem nele o atributo de “combustível limpo”.

No lado social, pesam também dois pontos contra. Primeiro, a piora da distribuição agrária. Quem ainda não pensou e percebeu que é impossível nossa demanda energética automobilística ser suprida por culturas de tamanho limitado? Não precisamos de muito esforço mental para notar que o canavial é um padroeiro fidagal do latifúndio, dos magnatas do agronegócio, da concentração de terras enormes nas mãos de muito poucos em detrimento dos habitantes mais humildes do universo rural. E mais, se acontecesse no Brasil uma Reforma Agrária verdadeira, com R e A maiúsculos, imagine qual seria um dos primeiros produtos agrícolas colhidos em grande escala a serem fortemente inibidos.

E algo que transmite um alerta vermelho para toda a humanidade é o segundo ponto crucial da insustentabilidade etílica. A sede do agronegócio canavieiro, com a alcoolmania, do mesmo jeito que tem potencial de avançar varrendo ecossistemas, não poupa nem mesmo cultivos de alimentos. Primeiro foi grande parte daqueles cafezais que garantiam o grosso de exportações brasileiras nas primeiras décadas do século 20, e agora é qualquer cultura alimentícia, incluindo feijão e arroz, que é sobrescrita pela bem mais lucrativa cana-de-açúcar. Novamente a questão do dinheiro fácil encanta os agricultores, que imprudentemente abandonam os antigos produtos e abraçam a fonte do etanol. Isso, como de se esperar, está diminuindo a oferta de comida e aumentando seus preços, tendo sido denunciado como um dos culpados pela crise dos alimentos que pipocou em 2008 e não tem prazo para ser totalmente debelada.

Percebemos com esses e outros pontos que o álcool combustível, ao menos como conhecemos hoje, está muito, muito longe da sustentabilidade e seu caráter de “limpo” é de certa forma mais uma ilusão desenhada pelas passionais esperanças da humanidade pela queda da poluição atmosférica do que uma salvação garantida. Por isso é que estamos condenados a ficar entre a cruz e a espada quando abastecemos nosso carro: ou a gasolina muito poluente e limitada pela natureza, ou o álcool de muitos inconvenientes ou… o gás natural, pouco poluente mas tão finito quanto o petróleo. O hidrogênio, considerado a verdadeira solução, ainda não chegou, e motiva tristeza o fato de o etanol não ser um recurso bom o bastante para preencher provisoriamente sua lacuna de combustível limpo e virtualmente inesgotável. Não vejo outro jeito de alcançar uma real segurança energética que não seja pressionar pela vinda o mais logo possível do H2.

Robson Fernando é estudante, escritor e dono do blog Consciência Efervescente (http://conscienciaefervescente.blogspot.com/)

Texto original: http://conscienciaefervescente.blogspot.com/2008/11/por-que-o-etanol-no-salvao.html

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26 Comentários

  • Caríssimo Anônimo:
    Lastimavelmente, o ponto de observação em que você se encontra deve estar envolvido nas brumas do desconhecimento sobre a energia, de modo geral. Entenda que o progresso no mundo se deveu a descoberta de meios para a utilização de fontes energéticas abundantes que nenhum trabalho custou ao homem para produzi-las, pois, foram constituídas pela Natureza através de muitos e muitos milhões de anos. Refiro-me à hulha, como ponto de partida e, posteriormente, ao petróleo e o gás natural. Lembre-se que tudo que se decompõe, libera energia e resíduos poluentes, tanto as degradações lentas (apodrecimento) ou rápidas (combustões) e violentas (explosões). Só que os promotores desta corrida pelo poder industrial e econômico desconheciam, talvez pos conveniência, a existência deste equilíbrio e as conseqüências futuras quanto o excessivo lançamento e gases emanados das combustões que alimentaram seus fornos siderúrgicos, as fornalhas das termelétricas, das locomotivas, navios, aviões e, nossa gigantesca frota de veículos rodoviários. Estes gases originados da queima de matéria fossilizada não são recicláveis, uma vez que esta foi produzida por milhões de florestas que se sobrepunham em sucessivos períodos, umas sobre os resíduos de outras e, hoje, nosso planeta não dispõe de espaço de solo suficiente para reciclá-los em curto espaço de tempo. Os gases originados pela queima dos fósseis se acumularam e, junto com ele os que foram gerados pela queima das atuais florestas e seus derivados, incluindo-se os da respiração dos seres animados, tudo isso na forma de óxidos de carbono. Criaram extrema dependência energética na humanidade.
    Energia é uma força única que compõem todas as coisas que existem, congregando elétrons para formar átomos ou estes para formação das moléculas. Ela se apresenta em várias formas como luminosa, elétrica, calórica, dinâmica ou magnética. . Elas podem ser transformadas umas em outras, mas não podemos criá-las nem destruí-las. Podemos, apenas, converter algumas formas existentes em outras que nos convenham.
    As florestas que deram origem aos combustíveis fósseis, também deram origem a esta imensurável reserva de oxigênio e ozônio que induziu a Natureza a formar a vida animada, cujas necessidades metabólicas são inversas as dos vegetais. Assim, o que é resíduo para uma é alimento para outra e vice-versa. Observe que a fotossíntese capta energia luminosa do Sol e carbono na atmosfera; junto com nutrientes absorvidos no solo, forma a matéria orgânica. A mesma quantidade de oxigênio que é liberado por um ser vegetal durante sua germinação, desenvolvimento e formação de seus frutos, é consumida na degradação de toda a matéria orgânica que produziu, após a sua morte; devolvendo a energia acumulada que a mantinha coesa sua estrutura, assim como os gases carbonados e os nutrientes devidos ao solo. Perfeito equilíbrio. Considere que os combustíveis fósseis são infinitos para nós porque, “antes e queimarmos a ultima baga de hulha ou a última gota de petróleo, já estaremos extintos por falta de oxigênio para respirar”.
    Dentro deste equilíbrio, um canavial absorve da atmosfera, durante seu ciclo vital, grande quantidade energia luminosa e carbono da atmosfera, e libera, na mesma, proporcional quantidade de oxigênio. Depois da maturação, as palhas que são queimadas em minutos, (considere apenas as de cada pé), representam pequena inversão, já que o maior conteúdo energético está no caule. E, após a colheita, o solo fica livre para novas culturas para captação de energia. Por isso, são renováveis e auto-equilibrados.
    As matas em todo o mundo foram destruídas pela ganância de poder econômico de alguns seguimentos sociais. As nossas, a partir da chegada dos europeus para saquearem o pau-brasil; depois, para produção de alimentos e algodão para as crescentes necessidades internas e, mais tarde, junto com o açúcar e o café para exportação. Hoje, as regiões intertropicais, sendo as maiores e eficientes antenas captadoras de energia solar, estão fadadas a produzir para abastecer o mundo com alimentos e produtos elaborados com energia limpa, assim como de biocombustíveis, pois, chegaremos a um ponto em que não mais se poderá queimar hulha, petróleo e gás natural, pela razão que, acima esclareço.
    As regiões acima de Câncer e abaixo de Capricórnio tornar-se-ão, cada vez mais, impróprias para agricultura e para a vida animada, face o crescente vazamento de raios ultravioletas pela adelgaçada camada protetora de ozônio.
    Aproveito a oportunidade para pedir explicação sobre o O2 que você cita no encerramento o seu comentário.
    Cordial abraço.

  • robfbms disse:

    Antídio, esse comentário foi dirigido pra mim? (já que não encontrei nenhum comentário anônimo) Notei que algumas partes parecem ser assunto direcionado a mim e outras não.

  • Atarefado, só dei uma passadinha aqui para acompanhar os comentários a este excelente artigo do Robson. E nem ia comentar agora, por falta de tempo, mas vi essa necessidade para ajudar a elucidar uma dúvida que compartilho com o Robson. Trata-se do comentário do Antídio, dirigido a um comentarista “Anônimo”. Só que nenhum anônimo comentou este post.

    Portanto, procede a dúvida do robfbms: a quem foi dirigido especificamente o comentário? Espero que o Antídio retorne e esclareça para que o destinatário possa contra-argumentar.

    Vou “arriscar” uma explicação, que é apenas uma hipótese plausível: houve um equívoco no nome do destinatário ou esse comentário (ele comenta muitos artigos em outros blogs também) foi colado de outro comentário do próprio Antídio em artigo semelhante, mas postado aqui mesmo ou em outro blog.

    Para não dzer que não coementei (farei isso mais tarde), recomendo a leitura do artigo de minha autoria “E quando explodir o ‘boom de produção’ da cana-de-açúcar? O Brasil estará Preparado?”> mas adianto que é preocupante, sim, a invasão da monocultura da cana-de-açúcar em regiões de florestas, porque isso implicará em novos desmatamentos e poluições do meio ambiente. E todos sabemos que o Governo Brasileiro tem-se revelado incompetente para gerir essa questão.

    Não sou totalmente contra os biocombustíiveis, mas sou contra a permissão da sua expansão sem um controle melhor e um zoneamento das áreas onde se plantará e processará a matéria-prima: a cana-de-açúcar. Invadir a Amazônia com ela? Jamais!

  • Caríssimo Robson:
    Esclareço que não tinha conseguido identificar nenhum autor do artigo acima. Agora ele está visível nesta página. Antes não. Ele terminava em “artigos correlatos neste blog”; assim como, também, não consigo identificar a data em que ele foi publicado neste. Deve ter ocorrido algúm lapso operacional. O fato é que me interesso pela questão energética e ambiental e achei que seria oportuno dar melhores esclarecimentos sobre afirmativas incompatíveis com a realidade dos fatos. Não sabendo a quem dirigir, o fiz a um “anônimo”.

    Ivo:
    Acredito que esteja esclarecido o incidente, mas, tudo que foi comentado refere-se ao artigo acima.
    Forte abraço

  • robfbms disse:

    Ok, agora está esclarecido. Mas ainda não entendo o que sua explanação sobre energia tem a ver com as questões abordadas com o meu artigo, nem onde meu artigo teria falhado.

  • Caríssimo Robson:
    Visitei o seu blog e fiquei sabendo que você é um jovem pós-vestibulando e entusiasmado estudante na busca do saber, assim como é de uma Terra que muito tem a contar sobre experiências com alternativas energéticas. Consulte os mais velhos daí sobre os aparelhos de gasogênio que se instalava na traseira dos automóveis para funcionarem com gás de carvão vegetal durante a 2ª Grande Guerra, quando não havia gasolina. Também sobre a Destilaria do Cabo, uma das primeiras a destilar álcool anidro para mistura com a gasolina e diminuir a importação desta, já na década de 950.

    Se você não se incomodar, transfiro o comentário para seu blog. Ao escrevê-lo, quis proporcionar aos leitores um campo visual mais amplo, não só no espaço, assim como no tempo, para que eles possam julgar com mais segurança as conseqüências de iniciativas inconscientes e nocivas ao meio ambiente futuro que, hoje, estão sendo implementadas, assim como fizeram nossos antepassados ao adotarem combustíveis fósseis como fonte de energia para impulsionar o progresso, e cujos custos serão pagos por jovens como você e os que vierem depois. Releia-o, por favor, e você ou qualquer outro leitor, apresentem suas dúvidas afim de que possam ser esclarecidas.
    Receba meu afetuoso abraço com estima e admiração.

  • robfbms disse:

    Antídio, não só pode comentar no meu blog como é muito benvindo.

    Note, no entanto, que me restringi a denunciar as consequências da alcoolmania como é conduzida hoje. Não tive interesse em, nesse artigo, mostrar algo como a história do álcool combustível ou das alternativas aos combustíveis fósseis ou questões meramente energéticas (fora indicar o hidrogênio como único combustível largamente conhecido em que vale a pena investir e distribuir em larga escala).

    Abs

  • Gomide disse:

    Sr. Administrador,
    Deve ter passado despercebido, mas creio bastante esclarecedora para o assunto a citação também, em “artigos correlatos deste blog”, do nosso artigo “Biocombustivel, equívoco suicida”.

  • Muito bem lembrado, Gomide. Vou localizá-lo e incluir, porque é bastante pertinente e recordo-me desse artigo, que foi muito importante. Perdoe-me o lapso, mas é que os assuntos estão se multiplicando e se desdobrando, ficando muito trabalhosa a localização.

    Estou pesquisando uma ferramenta para fazer isso automaticamente. Mas todas as que testei, falharam. Assim, ou ver ter continuar fazendo isso manualmente (e aí, ficar sujeito a falhas por omissões) ou desenvolver eu mesmo um código para fazer o serviço. Mas esta segunda hipótese leva tempo e é complicada.

    Volte aqui dentro de algumas horas. Seu artigo já estará lá. Se lembrar de outro, avise-me!

    Bação!
    ——————-
    Em tempo: Correção feita. Sabe por que o seu artigo não havia sido localizado, Gomide? (ria!): “Porque faltou o acento no ‘i’ da palavra biocombustível. Como essa palavra pertencia ao título, o buscador não a localizou. Todo cuidado é pouco. Recomendo que vc use “tags” no final dos seus artigos. Isso facilita a localização pelos buscadores.

  • robfbms disse:

    Antídio, o pior é que eu não recebi nenhum comentário pra ser moderado no meu blog.

    Seria melhor tentar mandar de novo.

    Abs

  • robfbms disse:

    Antídio, eu pergunto:

    – Se o canavial supostamente reabsorve a poluição das queimadas, por que então tanta fumaça é gerada e se propaga por enormes regiões intoxicando tantas pessoas?
    – A tal eficiência energética do etanol justifica o fato de que só temos uma área de canaviais suficientemente grande para atender a uma grande demanda de automóveis porque imensas áreas florestais, leia-se mata atlântica e cerrado, foram arrasadas?
    – Os tais empregos gerados pelo etanol a mais do que os combustíveis-fósseis compensam o fato inegável de que o canavial dirigido à produção de etanol é inconciliável com uma distribuição fundiária justa?
    – Vale continuar apoiando a alcoolmania mesmo quando ela vem implicando a supressão de culturas alimentícias?

    Espero que você possa responder essas questões.

  • Caro Robson:

    Aconselho-o a retornar ao artigo “Biocombustível, Equívoco Suicida”, semelhante ao seu. Lá, existem mais alguns comentários novos do Antídio, meus e do Gomide, que dissecam melhor esta questão.

    Aliás, como o assunto é semelhante e totalmente pertinente, seria interessante se vc pudesse também comentar aquela matéria. O link está aqui mesmo, logo ao final do seu artigo.

    Bação!

  • robfbms disse:

    Ok.

    Antídio, se responder, responda lá no outro artigo.

    Abs

  • robfbms disse:

    Transcrevendo minha resposta do blog:

    Entendo seu ponto de vista. Entretanto, ainda não vejo como negar os impactos sócio-ambientais da questão “alcoólica”.

    O álcool combustível tem sim suas vantagens, tanto que, sem elas, jamais teria sido pregado como a (falsa) salvação.

    Percebi que você é simpatizante do etanol e crê, com razão, que o álcool, por mais inconvenientes que traga, ainda é menos ofensivo que a gasolina (mas ainda assim é muito ofensivo, motivo pelo qual eu escrevi este artigo). Dou um conselho: o álcool é uma alternativa válida, mas apenas de forma paliativa enquanto fontes realmente limpas e abundantes, como o hidrogênio, não são propagadas em grande escala.

    Quanto às matas, é certo que não foram derrubadas com o fim de plantar álcool, mas as plantações de etanol dificilmente existiriam se não tivessem sido semeadas sobre outras culturas que, agora sim, foram responsáveis por uma gigantesca devastação florestal. Exemplos são os canaviais de São Paulo, plantados em lugar de antigos cafezais que dizimaram o cerrado e a mata atlântica, e os de Pernambuco, plantações que outrora só proviam açúcar ao mercado e agora provêm álcool também.

    Admiro seu conhecimento grande sobre biocombustíveis e, como já disse, aceito-os como solução temporária, entretanto é certo que não devemos tratá-los como solução definitiva nem tampouco como a salvação da demanda energética mundial.

    Abs

  • Robson:
    por volta de 9:00 de hoje, contra-argumentei seu ponto de vista diretamente no seu blog. Peço-lhe, por gentileza, que transfira-o para este.
    Abraços,

  • robfbms disse:

    Novamente não chegou nenhum comentário às 9h. Não sei o que deu no Blogger que está engolindo comentários.

    Abs

  • Robson:
    Não me recordo dos termos do comentário que lhe enviei por volta das 9:00 H. Vai outro abaixo:

    Não existem impactos ambientais na cultura de canas para produção de açúcar ou de álcool, desde que ele seja bem estruturado. Isso porque, o solo utilizado tem uma função catalítica, pois, os elementos componentes dele, incorporados à biomassa, , retornam na forma de vinhoto, bagaço, ou as cinzas deste. Os componentes elementares do açúcar e do álcool, são: o carbono obtido da atmosfera, o hidrogênio e o oxigênio da água. Mesmo assim, qualquer dano ambiental local, será milhares de vezes menores do que as que já estão causando os efluentes da queima de matéria fossilizada em todo o mundo, acumulada através de duzentos e cinqüenta anos de Revolução Industrial e suas trágicas conseqüências como guerras e consumo supérfluo de uma minoria, contra a miséria de grande parte da humanidade.

    Não sou simpatizante do etanol, mas defensor de todos os biocombustíveis e de aproveitamento de outras fontes de energia limpa, além das hídricas cujo potencial, no mundo, já está todo comprometido, até que, daqui a algumas décadas, a humanidade já tenha se ajustado à realidade econômica, sem usar energia de fontes sujas.

    Quando alguém lhe indicar um combustível milagrosamente não poluente, pergunte logo a forma de sua obtenção e as fontes de matéria prima para produzi-lo, assim como o potencial de suas reservas. Você sabe como se obtém o hidrogênio? ( H e não H2, pois ele é monovalente). É por eletrólise. Isso é, da decomposição da água pela passagem de corrente elétrica. E, para realizá-la, teremos que utilizar a forma de energia mais nobre, elétrica, cuja maior parte é produzida no mundo com a queima de hulha, petróleo ou gás natural.
    Quando se propaga a construção de máquinas movidas à eletricidade ou a hidrogênio, não poluentes, e verdade, é, apenas, para iludir inocentes, assim com se faz ao indicar o plantio de algumas árvores para compensar o consumo supérfluo individual.

    Se os produtores de Pernambuco e São Paulo optaram por produzir álcool em vez de café ou de outros alimentos, é porque ele tem maior procura por parte de quem pode pagar; e faz parte do jogo financeiro do sistema capitalista, e não é socialista.

    Nada é; tudo está temporariamente. E, para reduzir o avanço de catástrofes maiores que se avizinham contra as gerações mais novas e as futuras, caso escapem de uma conflagração mundial, o melhor ainda é lutar pela substituição dos combustíveis fósseis pelos biocombustíveis e alternativas limpas.

    Meu abraço

  • robfbms disse:

    Antídio, o problema provável é que, como vem postando como anônimo no meu blog, pode ter errado ao digitar o captcha.

    Abs

  • robfbms disse:

    Não existem impactos ambientais na cultura de canas para produção de açúcar ou de álcool, desde que ele seja bem estruturado. Isso porque, o solo utilizado tem uma função catalítica, pois, os elementos componentes dele, incorporados à biomassa, , retornam na forma de vinhoto, bagaço, ou as cinzas deste. Os componentes elementares do açúcar e do álcool, são: o carbono obtido da atmosfera, o hidrogênio e o oxigênio da água. Mesmo assim, qualquer dano ambiental local será milhares de vezes menor do que as que já estão causando os efluentes da queima de matéria fossilizada em todo o mundo, acumulada através de duzentos e cinqüenta anos de Revolução Industrial e suas trágicas conseqüências como guerras e consumo supérfluo de uma minoria, contra a miséria de grande parte da humanidade.

    Você esqueceu do desmatamento, que ameaça a Amazônia, e da inibição permanente do reflorestamento de ecossistemas quase erradicados, como a mata atlântica. Repito: só temos uma enorme produção de etanol porque houve uma destruição idem no passado, mesmo que não tenha sido implicada diretamente pelo álcool.

    Os impactos são, num ângulo de visão, bem menores que os combustíveis-fósseis mesmo, mas, como falei, o etanol ainda não é digno de ser uma opção permanente pra uma demanda mundial.

    Não sou simpatizante do etanol, mas defensor de todos os biocombustíveis e de aproveitamento de outras fontes de energia limpa, além das hídricas cujo potencial, no mundo, já está todo comprometido, até que, daqui a algumas décadas, a humanidade já tenha se ajustado à realidade econômica, sem usar energia de fontes sujas.

    Sinto em cortar o barato, mas a energia hidrelétrica também tem um horrível impacto ambiental, sendo até considerado por muitos ambientalistas uma energia (indiretamente) suja.

    Quando alguém lhe indicar um combustível milagrosamente não poluente, pergunte logo a forma de sua obtenção e as fontes de matéria prima para produzi-lo, assim como o potencial de suas reservas. Você sabe como se obtém o hidrogênio? ( H e não H2, pois ele é monovalente). É por eletrólise. Isso é, da decomposição da água pela passagem de corrente elétrica. E, para realizá-la, teremos que utilizar a forma de energia mais nobre, elétrica, cuja maior parte é produzida no mundo com a queima de hulha, petróleo ou gás natural.
    Quando se propaga a construção de máquinas movidas à eletricidade ou a hidrogênio, não poluentes, e verdade, é, apenas, para iludir inocentes, assim com se faz ao indicar o plantio de algumas árvores para compensar o consumo supérfluo individual.

    A eletrólise não é um modo de obtenção de combustível em larga escala economicamente viável. Ele é apenas um dos modos hoje utilizados. Mas as pesquisas sobre obtenção de hidrogênio em larga escala a baixo custo energético estão andando.

    Se os produtores de Pernambuco e São Paulo optaram por produzir álcool em vez de café ou de outros alimentos, é porque ele tem maior procura por parte de quem pode pagar; e faz parte do jogo financeiro do sistema capitalista, e não é socialista.

    E enquanto isso os preços dos alimentos vão/foram aumentando descontroladamente e a oferta alimentícia ameaçando descer o limite de suficiência.

    Nada é; tudo está temporariamente. E, para reduzir o avanço de catástrofes maiores que se avizinham contra as gerações mais novas e as futuras, caso escapem de uma conflagração mundial, o melhor ainda é lutar pela substituição dos combustíveis fósseis pelos biocombustíveis e alternativas limpas.

    Sim, mas, como eu disse, em caráter temporário (em escala de décadas).

  • robfbms disse:

    Corrigindo e melhorando minha argumentação, a eletrólise vem sim sendo usado como um método economicamente viável:

    Hydrogen can also be produced through a direct chemical path using electrolysis. With a renewable electrical energy supply, such as hydropower, wind turbines, or photovoltaic cells, electrolysis of water allows hydrogen to be made from water without pollution. Usually, the electricity consumed is more valuable than the hydrogen produced so this method has not been widely used in the past, but the importance of high pressure electrolysis is increasing as human population and pollution increase, and electrolysis will become more economically competitive as non-renewable resources (carbon compounds) dwindle and as governments remove subsidies on carbon-based fuels. Hydrogen can also be used to store renewable electricity when it’s not needed (like the wind blowing at night) and then the hydrogen can be used to meet power needs during the day or fuel vehicles. This helps make hydrogen an enabler of the wider use of renewables. (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Hydrogen_production)

    Embora não pareça ser um método que vá fazer sucesso mundial.

  • Caros colegas debatedores:

    Inicialmente, parabéns a todos pelo alto nível deste debate. Isto só me convence de que não errei quando tive a idéia de criar um blog de debates. A intenção era esta mesmo: colher as mais divergentes opiniões, análisá-las e ver qual a melhor solução, de acordo com o consenso dos debatedores.

    Mas o assunto em pauta é tão complexo, que parece que, no caso, não está havendo consenso. E por quê? Porque a solução não está nesta ou naquela alternativa, isoladamente, pois todas têm os seus prós e contras.

    Pendo um pouco para o lado do Antídio e não condeno de pronto nem o etanol nem os biocombustíveis, achando até até que podem vir a ser uma soluçao, mas somente se produzidos de uma forma muito consciente, segura, planejada e fiscalizada. Se for aquela coisa louca e desordenada de todo mundo querer produzir porque “dá lucro”, começarão a desmatar, a poluir, a avançar por dentro da Amazônia e destruir a mata nativa e até terras férteis para outros tipos de cultura que não a monocultura da cana-de-açúcar. Aí sim, seria suicídio.

    Vamos a um exemplo, para demonstrar porque não pode haver apenas uma única e exclusiva solução salvadora: refiro-me ao trecho do comentário em que o Robson defende o uso do hidrogênio, como “forma de energia limpa”: Concordo que seja limpa sim, mas não barata. A eólica também. Se fossem baratas, todos os países já as teriam posto em prática. E não podemos nos esquecer que quando se trata de implementar ou trocar uma “matriz energética“, os custos e a viabilidade econômica têm de ser levados em conta, pelo menos, enquanto não trocarmos este modelo econômico globalizado.

    Vejamos, então, a tradução de um trecho de texto do próprio comentário do Robson (esse trecho ela não destacou ou não prestou atenção), que agora destaco:

    Usually, the electricity consumed is more valuable than the hydrogen produced so this method has not been widely used in the past, but the importance of high pressure electrolysis is increasing as human population and pollution increase, and electrolysis will become more economically competitive as non-renewable resources (carbon compounds)

    … Normalmente, o consumo de eletricidade é mais caro do que o hidrogênio produzido e, por isso, essa técnica não foi largamente empregada no passado (grifo nosso), mas a importãncia da eletrólise de alta pressão está aumentando, na mesma medida em que a população humana e a poluição aumentam, e a eletrólise poderá vir a ser economicamente mais competitiva do que os recursos não renováveis (compostos de carbono)…

    Ora, minha tradução pode não estar lá muito boa, mas dá para concluir que a produção de hidrogênio em larga escala e como fonte de energia limpa, apesar de desejável, é ainda cara e inviável, carecendo de maiores estudos e aperfeiçoamentos, o que impediu que fosse usada no passado. É o que conclui claramente o trecho em destaque. Mas nem por isso, devemoa descartá-la já. O mesmo se aplica à energia eólica, já utilizada em pequena escala por alguns países, inclusive o nosso (aqui, em pequeníssima escala, em algumas regiões do nordeste). Acham vocês que se essas alternativas fossem economicamente viáveis já não teriam sido utilizadas em grande escala?

    Discutimos sobre o petróleo, os combustíveis fósseis, o etanol, outros biocombustíveis, a energia eólica e a do hidrogênio. Agora, pergunto: Por que os ilustres debatedores não discutiram a “energia nuclear“?Terá sido por “preconceito”? Afinal não é ela também uma forma de energia limpa e hoje considerada segura?

    Estamos cometendo um erro ao iniciar a discussão de um novo assunto, sem considerar e fechar o debate sobre os anteriores, quando inconclusos. Sugiro que retomemos a discussão do artigo: “Uso da Energia Nuclear… Não Seria Hora de Reavaliar Conceitos?”, por mim publicado há um ano aqui mesmo neste blog. Ele é totalmente pertinente ao que estamos discutindo e recordo-me que fui massacrado pelos ambientalistas que comentaram, quando publiquei a matéria (02/01/2008), na qual ainda continuo acreditando, não como uma solução isolada, mas conjunta com os biocombustíveis (de forma planejada e fiscalizada) e até o próprio hidrogênio, se conseguirem torná-lo viável. Sou favorável a uma matriz energética balanceada, até por questões de segurança, resistência a crises e sazonalidade. Por favor, retomem um pouco o debate daquele assunto. Vejam, antes, um dos seus trechos, onde emito a minha opinião:

    Hoje, porém, revi meus conceitos e, salvo erro de raciocínio ou avaliação, vi que o uso da energia nuclear volta a ser a opção mais viável, não só economicamente, mas também por ser a que menos agressão causa ao meio ambiente. E por que isso? Porque a tecnologia em relação ao barateamento de custos e segurança se aperfeiçoou e o quadro é outro, bem diferente dos desastres de Chernobil e Three Mile Islands, como bem acentuou o nosso colega Yan Kavasi, com quem concordo.

    O link para a matéria é: (clicar aqui para acessar o artigo).

    Viram por que alguns artigos mais antigos não podem ficar esquecidos? Eles voltam a ser atuais, dependendo do que se debate. Habituem-se a procurar assuntos semelhantes aos da matéria discutida, vendo os artigos correlatos já publicados e as opiniões de quem já comentou o assunto. Isso lhes dará mais base para as suas argumentações.

  • Gomide disse:

    Caros amigos,
    Compareço a esta arena para pôr fogo nos combustíveis todos. Não sei se é questão de visões diferenciadas. Mas externo minhas idéias radicais para que percebam que o caminho de solução da ameaça ambiental – gravíssima – deve ser, além de emergencial, revolucionario mesmo. Entendo, à vista dos comentários acima, que os valiosos amigos Robson, Antídio e Ivo estão inconscientemente condicionados à cultura da época atual. Convido-os a se libertarem dos dogmas culturais, incrustados em suas mentes, para poderem enxergar mais longe. Sou pela abolição completa de todos os combustíveis de motores. Isso equivaleria à eliminação significativa do potencial poluidor da humanidade. Vocês dirão que isso é exagero. Eu respondo: é necessário. Tal eliminação deveria ser programada para ser evitado o caos social. Dessa forma, o governo mundial adotaria o des-desenvolvimento, em ritmo compatível com o tempo restante para reverter o desequilíbrio ambiental. Não se esqueçam: esse desequilíbrio já está em 30% contra a vida planetária. Quanto mais demorar esse programa, mais célere ele deverá ser no futuro.
    Compreendam: o perigo é iminente e vital. Nessa situação, não dá para se discutir qual combustível é menos prejudicial. Temos é que cortar o mal pela raiz. Pensem bem: a humanidade, em diversos séculos antes de 1.700 d. C. viveu tão bem que nos concedeu a hereditariedade no século XXI. O que estamos construindo para as gerações vindouras? Combustíveis. O que lhes estamos preservando? Nada.
    Enxerguem: a cultura material-tecnológica prevalente nestes dias é equivocada, porque assentada em objetivos econômicos. Levou-nos a um estado coletivo de hipnose. Tal como os espelhinhos e misangas encantaram os inocentes índios brasileiros. Despertem para uma visão do cerne do problema.

  • robfbms disse:

    Ivo, o hidrogênio em suas formas atuais de obtenção ainda é caro e sua produção em larga escala, como eu falei reiteradamente, não é ainda uma realidade presente. Enquanto isso nos viraremos com os biocombustíveis, cuja produção e consumo, a partir da comercialização de uma fonte de energia melhor e mais limpa sócio-ambientalmente, deverá na minha opinião ser diminuído assim como o do petróleo.

    Gomide, preciso saber que modelo de vida é esse que você defende, uma urbe sem motores.

  • mgomide3 disse:

    Caro Robson,
    O assunto é muito especial. Não dá para ser explicado aqui. Mas notei que você estranhou a novidade. Não é novidade; é necessidade. Com a leitura do meu livro “Agora ou Nunca Mais” você irá conhecer uma abordagem realista sobre o momento ambiental histórico por que passa a humanidade.

  • Caríssimo Robson:
    Quando você fala em hidrogênio, refere-se a uma forma de energia limpa e alimenta a esperança de alguma nova tecnologia barata para sua obtenção. Considere o seguinte:
    “Tudo que nos cerca é energia. Difusa, (luz), ou materializada em tudo que vemos, ouvimos ou sentimos. Todas elas estão sujeitas à Lei da Inércia”; isso é: tendem a se manter no estado em que se encontram. Para transformarmos de uma forma de energia em outra, necessitamos aplicar um potencial energético maior do que o que obteremos, tendo em vista as perdas operacionais. A humanidade e o mundo animado existem, aparentemente fugindo a esta regra, porque foram beneficiados por um saldo positivo de energia orgânica que foi captada, materializada e sepultada junto com o carbono, que antes flutuava sobre o planeta, e o hidrogênio da água decomposta, pelo mundo vegetal, durante muito milhões de anos. O processo da combustão de fósseis é a reação inversa: para liberar a energia neles contida, desenterramos o carbono e atiramos, na forma de gás, de volta para a atmosfera enquanto aproveitamos seu calor para mover o pseudoprogresso. É o inverso das hidrelétricas porque, nestes casos, as águas que estão em nível superior, liberam energia ao serem atraídas para a parte inferior pela força de gravidade e movem rodas d’água e turbinas.
    Recordo-me que, na mensagem que lhe enviei e que se extraviou, contei-lhe o seguinte caso:
    Na década de 970, quando se debatiam a implantação do proálcool, apareceu um loby defendendo a substituição da cana-de-açúcar pela mandioca, pois, com a fermentação do amido, a produção litros/hectares seria muito maior. Convenceram a administração da Petrobrás a instalar a primeira destilaria do gênero em Curvelo, Minas Gerais. Tudo pronto, a safra pronta para ser colhida; chegaram à conclusão de que o custo da mão-de-obra para arrancar os tubérculos elevava o custo final do produto acima do preço de mercado. (Observe bem: tornava caro porque dava empregos; o que não interessava aos objetivos lucrativos da empresa pertencente ao povo.) 2ª opção: passaram a utilizar colheitadeiras mecânicas que tinham que revolver o solo, às vezes, em mais de 50 centímetros, exigindo significativo consumo de diesel. Resultado: no balanço energético chegaram à conclusão de que, a energia total consumida na produção do álcool de mandioca era maior do que a do álcool produzido.
    Assim são todas as combustões na natureza.
    Aquele abraço,
    ***********************************

    Incansável Ivo:
    Energia nuclear é outro engodo. Ao libertarmos a energia que mantêm coesos os átomos componentes da matéria, liberamos outras formas de energia radiativas, nocivas à vida e portanto, indesejáveis; e que vêm sendo acumuladas indefinidamente, já que não existe nenhuma tecnologia capaz de reciclá-la dentro dos padrões que a economia necessita. Estas radiações estão sendo acumuladas precariamente, ou sendo lançadas em profundezas oceânicas, como “presente de grego” para as gerações futuras, assim como está sendo para nós o manto de carbono que os nossos antepassados nos deixaram, em substituição ao ozônio.
    Que tenha um bom fim-de-semana é o que lhe desejo.
    *******************************************

    Meu admirado amigo Gomide:
    Fiquei, realmente, surpreso com o “status” de “inconsciente, condicionado à cultura da época atual”. Isso porque, você que tem lido meus escritos, não observou que me coloco sempre num ponto de observação externo no qual não me deixo contaminar pelas influências culturais, às quais combato por terem desviado a humanidade dos caminhos evolutivos naturais. Isso está explícito na Mensagem ao Leitor de nossa Cartilha Ambiental. Mas, tudo bem. Nossa amizade é maior do que qualquer má interpretação. Forte abraço.

  • mgomide3 disse:

    Caro Antídio,
    O estado inconsciente não foi empregado sob a acepção negativa a que você lhe confere. Fui infeliz na escolha do termo. Tento agora explicar: Toda cultura é, em princípio, inconsciente. A língua mãe é cultura e empregada na expressão do pensamento de forma inconsciente. Quando digo cultura, refiro-me ao conjunto natural de vivência. Não se refere à adquirida pelo estudo. A cultura a que me refiro se confunde com o “senso comum”. Já observou uma criança, quando pela primeira vez ouve alguém falando uma língua diferente? Já presenciou a reação? Ela simplesmente diz a alguém: “Fulano não sabe falar”. Assim também estão agregados à cultura de um povo os hábitos, costumes, crenças. Cobrir a nudez é cultura. Combustível é cultura. Essa cultura é inconsciente ou, dizendo melhor, automática, enformada (pôr na forma) no espírito. Tema “cultura” é amplo e comporta diversas abordágens. Daí, para se utilizar os recursos da mente, devemos fazer como você e eu fazemos: retirar o pensamento para o cosmo, para ter uma visão não condicionada das partes da cultura. Sei que isso é difícil. Repito: combustível, motor, conforto, etc. estão agregados à cultura atual, gerada pela arquitetura econômica. É natural ter-se cultura. Ela faz parte da vivência humana, já que nos rebelamos, outrora, contra as ações sugeridas pelo instinto. Mas vejo a NECESSIDADE AMBIENTAL de nos livrarmos dos aspectos culturais inseridos por conveniências comerciais, tais como a moda, turismo, motores, tecnologias modernas, indústria química. Isso corresponde a uma revolução. E é preciso situar-se bem longe, no cosmo, para conseguir enxergar essa situação. O “inconsciente” por mim empregado não significa “alienado”. Aliás, para pessoas de escol como Robson, Ivo e você, por mim citados, que se utilizam da razão, não cabe aquela atribuição de “ausente” Não me entendam assim, que não foi isso realmente o que eu pensei. Não estou me desculpando; estou explicando meu pensamento. Aliás, você deve saber que exprimir exatamente uma idéia nunca é possivel; sempre podemos fazê-lo aproximadamente. A argúcia do leitor é que deve se ajustar na tentativa de “vestir” o pensamento alheio. Isso também não é fácil, reconheço.
    Um abração. Maurício

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