(Esta matéria foi escrita em consonância com as normas ortográficas vigentes até 31/12/2008)

Encarte do Dic. Escolar Michaellis01/01/2009 … Nesta data, entra oficialmente em vigor a "Reforma Ortográfica", oriunda do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 16/12/1990, em Lisboa, e hoje ratificado pelos 8 países que têm o Português como sua língua oficial, totalizando 230 milhões de falantes: Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste. A justificativa para isso é a "unificação das ortografias" e o fortalecimento e o "respeito internacional" da língua. Será que 230 milhões de falantes, o sexto idioma mais falado do mundo, não é suficiente para torná-lo forte e respeitado? E agora, o que fazer?

Como a análise que pretendemos realizar requer uma certa extensão no texto,  vamos dividir o assunto em tópicos, para facilitar o entendimento e a leitura. Tentaremos tornar esta exposição a mais concisa possível e indicar aos nossos leitores outras fontes de pesquisa. A primeira é este livro aí ao lado, de fácil e leve leitura, e que vem como "brinde" ao adquirir-se o "Dicionário Escolar da Língua Portuguesa", já de acordo com a nova ortografia e baratíssimo. Na data deste artigo, ele estava em promoção, vendido ao preço de R$ 13,68 (veja o link no tópico "Livros recomendados sobre assunto"). Este guia também está disponível para download gratuito em .pdf (infelizmente, esqueci o link, mas é só procurar).

Utilização do índice: Se você não quiser ler o artigo inteiro ou se desejar consultar apenas determinados tópicos, clique na posição em que ele se encontra no índice. Desejando ver outro tópico, clique em " <- Índice ", após cada tópico. No final do post, caso deseje voltar ao início do artigo, clique em " <- Topo ".

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Índice dos tópicos:

 

Por que e quando se preocupar com a "Reforma"?

Como isto nos afeta, por que estamos abrindo as discussões e por que escolhemos este como o primeiro assunto do ano? As respostas são óbvias, mas nunca é demais destacar alguns pontos. A razão de abrir o ano com este assunto é porque o reputamos como da maior importância. O primeiro dever de um cidadão é conhecer bem a língua oficial do seu país, senão na forma escrita (porque nem todos têm acesso à educação e muitos, se não são analfabetos, são apenas "alfabetizados), pelo menos na forma falada. E neste aspecto, chamado pelos gramáticos de "Prosódia", nada muda. O que muda é apenas a escrita, mas as pronúncias se mantêm, em todos os países.

Mesmo assim, as mudanças propostas afetam a vida de todos nós que utilizamos a comunicação na sua forma escrita e é nosso dever conhecer as mudanças e decidir com acerto como e quando a elas se enquadrar. Alegam os gramáticos que, no Brasil, a reforma atingirá menos de 2% da grafia praticada, enquanto em Portugal, ficará entre 1,5% a 4%. O problema é que esses "menos de 2%" poderão causar um enorme estrago nos textos escritos, se as regras não forem seguidas corretamente ou se misturarem-se num mesmo texto, palavras corretas na grafia antiga e erradas na nova ou vice-versa. Esta é minha grande dúvida e que ainda não está convenientemente respondida pelos gramáticos. Pesquisei o assunto e até agora não encontrei consenso. Acho que nem mesmo os gramáticos têm certeza, pelo menos por enquanto.

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A "Reforma" vai facilitar ou complicar ainda mais a ortografia portuguesa?

Reformas… Ah, as reformas… Podem melhorar ou piorar as coisas. No caso desta, ainda não dá para saber. Há gramáticos e lexicógrafos de peso, dos dois lados, uns a favor, outros contra. Evanildo Bechara, antigo e repeitadíssimo gramático lexicógrafo, é a favor; Pasquale Cipro Neto, não tão antigo, mas também respeitadíssimo gramático, é contra. Poderia citar vários outros pares (ou trios ou até quintetos) semelhantes a este. Enquanto eles ficam com as suas infindáveis discussões acadêmicas, como é que ficamos nós, os mortais comuns? Devemos aceitar de imediato as mudanças e tratar de nos adaptarmos a elas ou devemos esperar?

No início, será um pequeno caos. Os órgãos de imprensa escrita informam que começarão a usar a nova ortografia, a partir de hoje (será?). As publicações oficiais do Governo, idem. Mas a lei, embora em vigor, admite a coexistência das duas ortografias, até 2012, quando só a nova terá validade, tornando-se obrigatória. E aí? Infere-se que cada um escolhe como proceder e tanto na nova como na antiga ortografia, a grafia das palavras, de uma ou de outra forma, terão de ser aceitas. Então, não joguem fora seus dicionários! Muito pelo contrário: comprem mais um com a nova ortografia (ou mais de um porque haverá divergências) e tenham as duas versões, antiga e nova. Façam um teste: Comprem o Diário Oficial da União de amanhã (pela lei a Imprensa Oficial tem de fazer suas publicações de acordo com o novo Acordo Ortográfico, a partir de hoje) e vejam se está grafado de acordo com a nova ortografia. Se isto aqui é Brasil, creio que não. E se estiver, conterá muitos erros e grafias antigas e novas misturadas.

Quanto a saber se vai facilitar ou complicar, só o tempo dirá. A reforma tem pontos positivos e negativos. Vamos a algumas avaliações (ressalva: esta avaliação é feita sob a ótica de um cidadão comum, que se esforça por ser cioso das normas gramaticais, usando o Português como sua língua nativa, e não como nenhum "expert"):

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Pontos positivos:

A inclusão das letras K, W e Y, que de há muito já se fazia necessário,  a queda do acento agudo nos ditongos abertos EI  e OI (ideia por idéia, heroico por heróico, etc), a queda do acento circunflexo em alguns verbos e palavras com duplo O ou E (enjoo por enjôo, voo por vôo, leem por lêem, creem por crêem,etc.), a queda do "c" e "p" mudos e a queda dos dígrafos finais "ch", "ph" e "th", de origem hebraica. O uso do "h" inicial e final parece também ter ficado bem definido.   <- Índice

Pontos negativos:

Na minha opinião particular, as regras para o uso do hífen, que já eram desastrosas na ortografia anterior, continuarão sendo um desastre, principalmente no que se refere aos prefixos( super, hiper, sub, extra, infra e outros). Examinei-as e achei-as confusas e incoerentes, admitindo muitas exceções. As distinções gráficas no uso do "ch" e "x", do "G" e "J" , "S" e "Z" e do grupo "S, SS, C, Ç e X" não ficaram bem resolvidas. Um outro aspecto estranho é a "opcionalidade" no uso da grafia de algumas palavras. Afinal, as regras têm de ser rígidas: ou é, ou não é. Grafia opcional, dupla grafia, é bagunça, falta de convicção. Agora, a pior de todas as alterações: a supressão total do trema, que só poderá ser usado em nomes próprios e seus derivados. Embora que a pronúncia continue a ser "linGUIça (pronunciando-se U-I distintamente) ou freqUEnte (U-E), já pensaram como ficará estranho ter de escrever-se "linguiça" e "frequente", no lugar de lingüiça e freqüente? Por que nao deixaram o trema lá, quietinho? Seu uso era raro, mas de grande utilidade. Tantas outras línguas o usam (até exageradamente, como o Alemão), por que não poderemos mais usá-lo? O trema só atrapalhava quem já não sabia escrever corretamente, com ou sem ele.<- Índice

Minha recomendação aos nossos leitores e colaboradores:

Conheçam e tentem aprender tudo o que mudou, mas não usem ainda em seus escritos. Esperem até a poeira baixar e observem as tendências. Se a maioria começar a usar, usem também. Se não, fiquem na ortografia antiga. Até dezembro de 2012, seus textos ainda serão válidos. Já pensou se você, querendo demonstrar erudição, se mete a escrever na nova ortografia e, por falta de adaptação, mistura num mesmo texto a grafia antiga com a nova, mesmo que as palavras estejam grafadas corretamente em ambas? 

Aliás, ainda não encontrei resposta satisfatória para essa situação: O que acontece se, num mesmo texto, forem misturadas as grafias antigas e nova? Será considerado todo o texto incorreto, ou apenas a parte grafada na antiga ortografia, ou apenas a da nova? E se tiver predominância, em extensão de texto, de uma grafia sobre a outra, o que poderá ser considerado correto ou incorreto? Estas perguntas ainda não estão respondidas, não para mim, pelo que li e pesquisei até aqui. Se alguém encontrar a resposta, por favor, comente aqui no blog.

Finalmente, mais uma recomendação, especialmente dirigida aos que vão prestar concursos públicos e aos estudantes vestibulandos: tratem de ir aprendendo as novas regras pois, embora ainda de uso não obrigatório, poderão ser exigidas em questões de exames vestibulares e outros concursos. E fazer pegadinhas para derrubar candidatos é fácil, fácil para os examinadores, mas dificílimo para os estudantes. É melhor não acreditar no bom-senso deles, confiando em que ainda não vão exigir esse tipo de questões nas provas. Talvez este ano ainda não, mas no próximo…

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Resumo resumidíssimo das mudanças: 

Resumo da Reforma

Muito embora a reforma só mexa com 6 questões básicas da língua portuguesa, o desdobramento e o entendimento das regras inerentes a cada uma delas requer um certo cuidado, pois pode levar os menos avisados a considerar que as mudanças são ínfimas e que não vale à pena se preocupar com elas. Não caia nessa esparrela: você pode passar de erudito a inculto, de um dia para o outro. Exemplo? Tente escrever um texto longo, de acordo com a nova ortografia. Se você tem mais de 30 anos e já é habituado a escrever com uma certa freqüência, certamente cometerá erros. Isto porque não teve tempo suficiente para se adaptar e, por força do hábito, grafará algumas palavras do jeito que elas estão gravadas em sua memória. Isto exige conhecimento, adaptação e "treino".  Até hoje existem pessoas, os de mais idade, que ainda não assimilaram todas as mudanças propostas pela reforma ortográfica de 1971. Não se enganem com essa tabelinha aí do lado. Olhando rapidamente, as mudanças parecem que serão muito poucas e fáceis de assimilar. Só que não é bem assim, como já vimos.

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Regras de transição:

  • O acordo ortográfico entrará em vigor no Brasil a partir de 1º janeiro de 2009, inicialmente nos documentos oficiais.
  • Até dezembro de 2012 as duas ortografias serão permitidas, exceto nos documentos oficiais do Governo (???)
  • As mudanças serão adotadas de forma gradual, nos livros escolares, em 2010, sendo obrigatórias a partir de 2012.  <- Índice

As opiniões de um gramático e de um comunicador:

Segundo Pasquale Cipro Neto, "o Acordo Ortográfico é inútil e desnecessário" e o custo e os ônus da sua implantação são maiores do que os benefícios.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2008/10/02/ult5771u67.jhtm

Jô Soares, comunicador, vê com desconfiança e ironia a implantação de "mais esta reforma". Veja sua opinião no texto de sua lavra "Wem ay a reforma ortográfika…"

Fonte: http://clubeinsonia.blogspot.com/2008/10/wem-ay-reforma-ortogrfika.html

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Livros recomendados sobre o assunto:

Vários livros já foram publicados sobre a "Reforma Ortográfica", tanto opinativos, como didáticos. Destacamos, abaixo, os de natureza didática, que nos pareceram os melhores, mais baratos e mais fáceis de serem assimilados:

1. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa (Nova Ortografia) – Editora Melhoramentos. Inclui, como encarte-brinde, o "Guia Prático da Nova Ortografia", do Prof. Douglas Tufano.

2. O QUE MUDA E O QUE NÃO MUDA COM O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO  – Evanildo Bechara

http://www.novafronteira.com.br/produto.asp?CodigoProduto=2138

3. A NOVA ORTOGRAFIA  – Evanildo Bechara

http://www.novafronteira.com.br/produto.asp?CodigoProduto=2160

4. Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa – Antonio Houaiss, Ed. Melhoramentos (R$ 27,88)

5. NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA, O QUE MUDA, O QUE NÃO MUDA  –  Maurício Silva

http://editoracontexto.com.br/livro.php?livro_id=415 

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Slideshow da Reforma, a que deveria ter vigorado a partir de 01/01/2008:

 


Conclusão e posição oficial da Administração deste blog:

Por tudo o que foi exposto, nossa posição, em relação aos artigos de autoria do Administrador, é que estes continuem a ser escritos de acordo com a ortografia vigente anteriormente a 31/12/2008, até comunicação em contrário. Nada impede, entretanto, que artigos de colaboradores possam ser escritos numa ou noutra ortografia. A mesma regra se aplica a eventuais transcrições de artigos de terceiros, autorizados pelos autores, caso em que serão citados o autor original e a fonte. <- Índice

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3 Comentários

  • Gomide disse:

    Caro Ivo,
    Oportuníssima a abordagem no início 2009 da entrada em vigor das novas “mexidas” na ortografia portuguesa. Sobre sua dúvida quanto ao texto misto das duas formas, a antiga e a nova, entendo que isso é aceitável até 2012, para que haja tempo aos escritores de absorverem as novas regras. Vai ficar até bonito! Texto enfeitado! Para os mais novos, isso se dará sem dificuldades. Sou calejado em reformas ortográficas, pois já fui vítima de pelo menos quatro grandes reformas, e até hoje eu peno. Você tem razão quando considera a dificuldade de pessoas de mais idade com as mudanças. Isso se deve a que o cérebro adquire e sedimenta um aprendizado tido como perene, tornando-se difícil arrancar-lhe o que já está arraigado.
    Quanto aos sinais diacríticos, estabeleceu-se uma incongruência ao ditar regras sobre determinado procedimento e, em seguida, deixar facultativa a grafia. Ora, ora… pois, pois… Quanto a esses sinais, devo esclarecer que, a rigor, eles não existem. São incorporações à língua de uma reminiscência grega antiga, quando os professores assinalavam nas louças escolares de alfabetização como as palavras deveriam ser pronunciadas. Posteriormente, ficaram integradas à língua escrita grega e a algumas latinas. Tais sinais deveriam ser totalmente extintos, pois na verdade não fazem falta alguma. Tanto que o inglês não usa sinais e se expressa bem. Afinal, as palavras homógrafas são facilmente distinguíveis pelo contexto.
    A respeito de reforma ortográfica, sou radical e lógico. A escrita é uma representação gráfica de fonemas, logo… Vou aproveitar a oportunidade do assunto e enviar um artigo guardado sobre a correta ortografia do português.

  • Gomide:

    Eu também já enfrentei duas reformas e digo que isso sempre foi e é preocupante, mormente quando os benefícios não são compatíiveis com os ônus das alterações.

    Já andei estudando as novas regras e posso dizer com absoluta convicção: a questão do uso do hífen vai ser o grande calo dessa reforma. Pode ser até que não vingue, por causa dos equívocos que se cometeram com essas regras. Desde criança vejo essa situação mal-definida (“mal definida” será com hífen ou sem hífen?) e parece que vai continuar. Por isso, sempre odiei o hífen. Os gramáticos perderam mais uma grande oportunidade de livrar o povo desse suplício. No meu entender, também não haveria necessidade da supressão do trema, já tão pouquissimamente usado. Quanto aos demais acentos, concordo com você. A Prosódia corrigiria automaticamente a sua ausência.

    Por favor, se tiver tempo, estude a reforma no que diz respeito ao uso do hífen: é confusa, conflitante e omissa, tudo ao mesmo tempo. Como pode o cidadão comum assimilá-la, se nem os gramáticos conseguem chegar a um consenso!?…

    Seria mais simples se eles editassem a seguinte regra: “ A partir da entrada em vigor desta reforma, fica abolido terminantemente da língua portuguesa o uso do hífen em palavras compostas, devendo a grafia dessas palavras obedecer aos seguintes princípios: 1 – Quando… “

    Não seria mais fácil de aceitar, assimilar e “digerir”, até pelas pessoas de pouca cultura?

    Caro amigo: se puder, comente alguma coisa sobre o que você achou das regras para o emprego do hífen. Todos ficaremos gratos.

    Abraços!

  • Gomide disse:

    Caro Ivo,

    Entendemos que toda reforma ortográfica deve visar a único objetivo: simplificá-lo. Tivemos ocasião de ler o novo acordo, mas não de estudá-lo, pois percebemos que seria gastar inutilmente nosso pequeno estoque de fosfato cerebral. Mas, pelo que vimos, houve a intenção de impor caprichos de “sábios filólogos”, tanto brasileiros como portugueses. Eles são verdadeiros ditadores excêntricos em assuntos lingüísticos. Deixaremos que o tempo se encarregue de ir, paulatinamente e sem esforço, alterando a nossa memória gráfica.
    Quanto ao hífen, como já sugerimos, somos pela abolição pura e simples de todos os sinais diacríticos. A escrita alemã simplesmente liga as palavras, o que é racional e dá grande elasticidade à comunicação. Você faz sugestão sobre tal sinal, mas também complica. No seu texto, depois da palavra “compostas”, ponto final e pronto. Nada de outras considerações.
    Trema? Para quê? Somente como indicação do professor ao alfabetizante no aprendizado de pronúncia. Nada de acoplá-lo à letra.
    Em assunto de grafia de uma língua, somos radicais. Aguarde a próxima publicação do que pensamos a respeito.

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