REAÇÃO ECOLÓGICA NO BRASIL

28/12/2008
by mgomide3

Um fato que reputo como de excepcional importância para o Brasil e o mundo ocorreu no sul de Mato Grosso do Sul no final de dezembro de 2008. Sinteticamente, foi noticiado no jornal da TV Globo na noite de 27.12.2008. Só. Corri atrás de notícias mais pormenorizadas, mas nada encontrei nos principais jornais do Brasil, inclusive “O Globo”. Pela internete também nada encontrei. Como sempre, a mídia se ausenta em informações importantes, porque contrárias aos interesses econômicos. Essa notícia era para ser veiculada com fartura, objeto de análises, comentários, com grande repercussão mundial. Mas, como não houve a jogada de uma menina pela janela… Constitui o fato um vívido reflexo dos impactos ambientais que a civilização, em holocausto ao progresso, causa em todos os recantos do planeta.

Os índios daquela região se uniram e atacaram ferozmente o campo de obras de preparo para a construção de uma usina hidroelétrica que, […]com aprovação do governo, iria trazer mais progresso para o Estado. Queimaram tudo o que encontraram: as construções pioneiras, alojamentos, escritórios, veículos, motores estacionários, instalações elétricas e todo o conteúdo. Não mataram ninguém. Seu objetivo era destruir somente a estrutura já instalada. Apesar de a planta industrial se localizar fora das reservas indígenas, os índios alegaram que as atividades estavam impactando o meio ambiente em que vivem. As obras estavam causando o rareamento dos peixes, dispersão de caça e poluição dos rios, fatores que constituem o conjunto vivencial a que chamamos meio ambiente. Eles, que vivem em contato direto com esses fatores e deles dependem, sentiram na própria pele as conseqüências do chamado progresso dos civilizados. Não tiveram outra opção senão a de reagirem. E o fizeram de forma radical para que não ficassem dúvidas nos burocratas de que os males que estavam causando representam a exclusão de vivência dos homens que habitam aquela região. Isso nos dá a lição também de que a atividade industrial localizada afeta, direta ou indiretamente, todo o planeta. O que comprova a tese de que soluções básicas devem ser globais e não nacionais, pois que, em assuntos ambientais, não existem países; existe o globo terrestre.

Tal como ocorreu na ilha de Bougainville, as reações de nosso homem radicado junto com a Natureza foram uma luta pela sobrevivência. Legítima e justa, portanto. Esta é a linha natural de atitude dos homens quando enxergam, no momento do impacto ambiental, que ou agem ou perecem. Isso indica claramente o que ocorrerá no mundo quando a semântica de desenvolvimento, crescimento, progresso mudar para o seu verdadeiro sentido: destruição e morte.   

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8 Comentários

  • Mr. Spock disse:

    Mais uma vez, o colega Gomide parece ter ouvido o galo cantar errado…

    A não ser que o que tenha ouvido no Jornal da Globo tenha sido OUTRO ataque terrorista indígena, o fato real se teve em Mato Grosso (MT), na cidade de Sapezal (430 Km de Cuiabá), em meados de outubro desse ano.

    Tivesse pesquisado “terrorismo indígena” no Google teria achado farto material sobre o ocorrido, inclusive com fotos da destruição causada pela horda de criminosos ditos “índios”. E-mail com as fotos e notícia publicada na “Folha de S. Paulo” circulou entre aqueles verdadeiros defensores do Brasil e blogs verdadeiramente preocupados com o país divulgaram o fato.

    Para que os demais leitores do DDD não fiquem à mercê de informações truncadas, incompletas e tendenciosas, seguem links sobre o ataque terrorista de “índios” na Pequena Central Hidrelétrica Telegráfica:

    Folha:

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u455778.shtml

    Blog de Jorge Roriz (fotos):

    http://jorgeroriz.wordpress.com/ataques-terrorista-indigena-a-hidroeletrica-em-mato-grosso/

    Blog Sem Máscara:

    http://blogsemmascara.blogspot.com/2008/10/ataque-indgena-ou-terroristas-ndios.html

    Blog Cavaleiro do Templo

    http://cavaleirodotemplo.blogspot.com/2008/10/ataque-terrorista-indgena-hidreltrica.html

    Blog O Malho-XXX

    http://omalhoxxx.blogspot.com/2008/10/terrorismo-indgena-no-mato-grosso.html

  • Spock:

    Li todas as notícias sobre o assunto e analisei seu comentário. E mais uma vez sinto-me na obrigação de interferir como “mediador”, não porque tenha autoridade para falar sobre o assunto, mas sob a ótica da minha opinião pessoal e imparcial.

    O Gomide só errou na localização (citou Mato Grosso do Sul, quando o fato se deu em Mato Grosso). No mais, a sua avaliação está perfeita. E não há mesmo muitas notícias na mídia sobre o assunto. Mesmo as que você informou, são todas variantes da mesma fonte – Jornal Folha de são Paulo.

    Entendo, como o Gomide, que um fato desta relevância deveria ser melhor coberto pela Imprensa. O que ele quer dizer, no que eu concordo plenamente, é que o povo brasileiro é socialmente alienado e manso demais. Aceita com mansidão tudo o que lhe impõem: impostos abusivos, retirada de direitos, de liberdade, de qualidade de vida, etc.

    O que os índios fizeram foi protestar à sua maneira, por um direito legítimo: defesa do seu meio ambiente e qualidade de vida. Estão errados?
    Esse protesto, não é semelhante ao dos sem-terras do MST, estes sim, eivados de vandalismos e de causas que não justificam os atos.

    Reconsidere e volte a comentar. É sempre um prazer e um brinde ouvir a sua opinião. Sei que você pesquisa muito antes de poder emiti-la e isto só valoriza as discussões do tema abordado.

    Feliz ano Novo! Breve, volto a visitar seu (nosso?) blog. Abraços!

  • Mr. Spock disse:

    Bem Ivo, minha intenção ao “comentar” o artigo foi a esclarecer os fatos conforme se deram, em respeito aos demais leitores do seu blog, uma vez que não tenho qualquer esperança de que a realidade mude a opinião de que não quer tê-la alterada.

    O “direito legítimo de manifestação” não abriga atos terroristas. Não dá a quem quer que seja o direito de prejudicar e aterrorizar os que trabalhavam na mini-usina. Não dá o direito de prejudicar toda uma população que seria beneficiada com a eletricidade. Segundo nosso ordenamento jurídico, um direito individual ou coletivo só é reconhecido uma vez estabelecido em Lei (ou Constituição, Decreto, etc).

    Ao justificar o vandalismo terrorista indígena com o eufemismo de “reação ecológica” se está na verdade cometendo apologia do crime, o que também é CRIME!

    Caso eu fosse “índio”, poderia então juntar outros 100, 1000…, os 20% da população que consideram o atual Governo Federal um desastre nacional, e invadir e incendiar o Palácio do Alvorada e o Congresso Nacional? Pela ótica aqui defendida parece que sim…

    Portanto nada tenho a reconsiderar ou mais comentar. Os fatos aí estão e o Código Penal também.

    Bom 2009 para voce e seus familiares.

  • Meu Caríssimo e Respeitado Debatedor, Spock:

    Aprendi que debater com você sempre foi dureza. Primeiro, porque só opina quando está muito bem informado; segundo, porque sabe argumentar com lógica; terceiro, porque é inteligente e finalmente, quarto (e é este o quesito que me preocupa) porque é um pouco esquentado e se ofende com facilidade. Só que, mesmo virtualmente, eu já aprendi a conhecer um pouco o seu temperamento e creia-me: admiro-o e respeito-o por isso.

    Portanto, deixa ver se eu consigo me defender dos seus contundentes argumentos: 1) Não se deve generalizar: Não faço apologia ao crime e ao vandalismo e não acho que seja correta a reação de fúria. Não aprovei quando os Sem-terras invadiram o Palácio do Planalto, quebrando tudo e nem quando depredaram a sede de uma instituição científica de pesquisas. Isso é vandalismo sem propósito e de pura motivação política. É baderna. 2) No caso sob análise porém, consigo sim, entender a reação dos índios. Não conseguiram se fazer ouvidos e o tipo de protesto que fizeram foi a única forma que encontraram para registrar a sua indignação. Lembre-se de que eles ainda não têm LEGÍTIMA VOZ POLÍTICA. Os que falam por eles, no Congresso, são os mesmo que os querem enganar e usurpar suas terras. 3) Estou contra eles na questão da demarcação contínua da reserva Raposa da Serra do Sol, por entender que estão sendo usados por potências estrangeiras e porque nem eles mesmos têm noção da dimensão do perigo que a demarcação contínua trará para o país.

    Resumindo, Spock, entendo que cada caso é um caso, com toda a sua carga emocional e de relatividade. E em alguns casos, sou favorável sim ao protesto não pacífico porque parece que é a única forma de o Governo dar atenção prioritária às reinvindicações populares. Perdoe-me se você não pode entender nem concordar com isso. Mas acho que o povo brasileiro é quase sempre enganado e espoliado por não saber ou não gostar de protestar>. Há situações de perigo tão iminente, que a única forma de estancar o avanço é o protesto coletivo, barulhento, de grande visibilidade, porque, do contrário, não haveria tempo para esperar que o Congresso nacional discutisse e aprovasse as leis que se deseja. Viriam os lobbies, as negociatas, a demora, os recursos e tudo o mais que você bem sabe como funciona.

    Encerro dizendo: cada caso é um caso e tudo é relativo. Há situações em que se justifica tal tipo de protesto e outras em que não se justifica. E esse tipo de ação só é justificávbel como um último e desesperado recurso. Teria sido esse o caso lá? Onde estão os antecedentes dos fatos?

    Obrigado por ter retornado. Você é um debatedor consciente, que sabe defender seus pontos-de-vista. E não são muitos os que assim procedem.

  • Fábio Lins disse:

    “sou favorável sim ao protesto NÃO PACÍFICO porque parece que é a ÚNICA forma de o Governo dar atenção prioritária às reinvindicações populares.”

    “Cada caso é um caso e tudo é relativo. Há situações em que se justifica tal tipo de protesto e outras em que não se justifica.”

    Já que tudo é relativo… como você diz, então me diga: quais situações em que se justifica tal tipo de protesto e outras em que não se justifica?

  • Jorge Sá disse:

    Acho que o colega Gomide realmente está mal informado. Se tivesse lido aqueles blogs lá de cima, com certeza não teria postado uma (des)informação dessas.

  • caçador de desinformantes brasileiros disse:

    Esse blog é tão fraquinho que quase ninguém comenta, já perceberam?

  • mgomide3 disse:

    Caro Jorge Sá,

    Veja você que tomei conhecimento dos fatos pelo noticiário da TV Globo da noite de 27.12.08. É de espantar tal informe (como se fosse de “última hora” ) de uma conceituada emissora, pois a Folha de São Paulo já tinha dado a mesma notícia, com melhores detalhes, em 13.10.08. Quer dizer: a TV Globo publicou um fato VELHO, com mais de 60 dias de acontecido, SEM RESSALTAR essa circunstância. O programa não foi gravado por mim. Articulei o fato de memória – sujeito, portanto, a senões de pormenores, como a exata localizaçao da usina – baseado APENAS nos informes da citada emissora. Tentei obter melhores informações de diversos jornais nas datas de 25, 26 e 27.l2.08 e nada encontrei. É claro, pois pensava que se tratava de notícia quente, conforme expliquei acima. Na internete fiz pesquisa sob o enfoque “justiça indígena”, “atos ecológicos”, “luta pela vida” (que são os conceitos corretos), atinentes àquele fato, mas não consegui informações.
    Mas, de qualquer forma – o que é importante -, o FATO se deu e, em essência, ocorreu no modo como discorremos. Aliás, não narramos; retransmitimos de memória o que nos foi informado pela TV Globo.
    As ilações sobre o FATO são de minha exclusiva responsabilidade e se ajustam a uma correta ação mental, tanto pelo recurso da lógica como pela da projeção empática.

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