Termina nesta 6ª feira, 14/12/20007, os trabalhos da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizada em Bali, Indonésia, onde 190 nações estão reunidas para discutir problemas relacionados às mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

No período de 3 a 14/12/2007 as 190 nações discutem e procuram encontrar soluções para o problema, buscando, dentre outros objetivos, estabelecer “um pacto para criar um mecanismo que supervisione e delimite as capacidades das nações em desenvolvimento de dispor de tecnologia contra o aquecimento do planeta.” […]

Enquanto na abertura dos trabalhos a Austrália foi recebida com uma salva de palmas e homenageada por ter resolvido (antes tarde do que nunca) aderir ao Protocolo de Kyoto, os Estados Unidos permaneceram agora como o único país desenvolvido a não ratificar aquele protocolo. E pelo visto, tudo indica que vão repetir a ignóbil façanha também em Bali.

Segundo seus representantes, apenas a partir de 2009, na próxima conferência que se realizará em Copenhague é que os americanos pretendem definir a posição que irão tomar em relação ao próximo protocolo, que se realizará em 2012. Mesmo assim isso só acontecerá porque, em 2009, Bush já tera deixado a Casa Branca. Será que o tempo não foi suficiente para perceberem o grave erro que estão cometendo?

A alegação dos Estados Unidos é que o compromisso com as novas metas de redução de emissão de carbono que estão por ser estabelecidas irão “comprometer a economia e o desenvolvimento do país” (???). Não, o gigante não pode ceder um pouquinho, tem de estar sempre à frente , poderoso, imponente, esmagando os menores.

É bem verdade que ainda teremos de esperar a publicação do relatório final (noticiaremos aqui) e uma ou outra coisinha ainda possa ser mudada na última hora, mas isto é pouco provável.

Segundo Al Gore, ex-candidato a Presidente dos Estados Unidos e recém laureado com o Prêmio Nobel da Paz por seus trabalhos alertando sobre os perigos do aquecimento global, não se pode ter esperanças enquanto Bush for Presidente. Na sua opinião, no próximo protocolo mundial que se realizará em 2012, substituindo o de Kyoto, Bush já não será mais o presidente e os Estados Unidos, com certeza, irão aderir.

Pode ser, pode ser. Mas já não será tarde demais?

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Veja a matéria sobre os andamentos dos trabalhos (até ontem), no site:

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL216674-5603,00-ONU+TEME+QUE+CONFERENCIA+DE+BALI+CAIA+COMO+UM+CASTELO+DE+CARTAS.html

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4 Comentários

  • Maurício disse:

    Conferência de Bali.
    Tal como os milhares de conferências, smpósios, foruns, reuniões, etc., essa de Bali produzirá milhares de discursos e nenhuma medida efetiva. No máximo tomarão algumas decisões paliativas, como a de Kioto – inócua – na base do “empurrar com a barriga” ou “engana-engana”.
    Por quê? Simplemente porque qualquer medida séria bateria de frente com a estrutura econômica vigente, que é a estrada que conduz a atual civilização. Então não tem jeito!, dirão alguns. TEM SOLUÇÃO, SIM. Ante uma perna gangrenada, para salvar uma vida o médico diz: CORTA.
    É isso aí. Corta ou morre. Estamos nessa situação.
    Ou se corta o vínculo com a cultura econômica, buscando novo tipo de civilização, E COM URGÊNCIA, ou continuamos construindo com progresso, desenvolvimento e tecnologia nosso próprio patíbulo.
    E o primeiro passo para que o mundo mude de rumo começa com a criação do GOVERNO MUNDIAL, efetivo, forte, ditatorial, com autoridade sobre todos os paises.
    E o pior: o tempo não espera. Segundo os cálculos mais otimistas, temos apenas 15 anos para iníciar o desmonte dos paradigmas da atual civilização. Por quê? Porque atos destrutivos agora, demoram a produzir seus efeitos por parte da Natureza. Ela é lenta para reagir, mas quando vem não enxerga as normas da política correta nem a ética ou qualquer consideração à vida existente sobre a Terra.
    Maurício

  • Administrator disse:

    Caro Gomide:

    Como você, também não costumo ser otimista em questões de natureza ambiental, diante de tudo que temos visto a humanidade fazer.

    Mas, em relação ao próximo protocolo, que irá substituir o de Kyoto (pena que ainda faltam 4 anos), começo a ficar mais esperançoso. A humanidade, aos poucos, está tomando consciência do problema e as pressões começam a ser maiores. Estou começando a crer que, no futuro, indústrias poluentes que não respeitem as regras de convivência com a natureza, não terão como sobreviver.

    E os países poluidores também terão de se ajustar. Fiquei feliz ontem, sábado, ao ver que conseguiram “quebrar” a resistência dos Estados Unidos e forçá-lo a se alinhar com a proposta do G-7 (assim que tiver tempo vou postar um resumo aqui).

    Já é uma boa sinalização, não é?

    Abração! Não suma! Dê sempre o ar da sua graça aqui.

  • Maguilla disse:

    O mal dos Estados Unidos é que com a sua mania de grandez eles costumam ser seguidos e nunca seguir ninguém. Agora que estão sendo obrigados a seguir a maioria, estão fazendo isso a contragosto, só porque não estão “liderando”.

    Sei que é difícil, mas as coisas só conseguirão funcionar a nível internacional quando todos os países, ricos ou pobres, desenvolvidos ou não, tiverem o mesmo peso nas votações. O voto dos Estados Unidos ou de qualquer outro grande país, não pode valer mais do que os dos outros, senão todos os esforços passam a ser somente representativos, mas sem resultados práticos.

  • Espero que não me tomem como alarmista: mas, muito antes do previsto, os Estados Unidos tomarão uma posição de liderança, não apenas pela redução, mas também pela eliminação das emissões de gases poluentes, uma vez que seu território está localizado em área de grande risco no hemisfério norte, juntamente com a Europa e a Ásia, assim como está a Austrália no Sul; este país vem sofrendo grandes prejuízos causados pelas intempéries, cuminando com a adesão inesperada ao Protocolo de Kioto. Isso, porque existe um fenômeno evidente, porém, aparentemente, não detectado pela Ciência na morosidade de suas irrefutáfeis pesquisas. “Os buracos nas camadas de ozônio”, tanto no Heminfério Norte como no Sul, tendem a crescer na direção dos trópicos. Aí se inclui a rarefação e o adelgaçamento de sua espessura e o, conseqüente, aumento de vasamento dos RUV, o que se vem notando, há anos, na redução da produtividade agrícola nos paralelos de graduação mais elevados, o que motivou a adoção dos discutidos subsídios nos países ricos. Elevadas temperaturas no verão e frio intenso no inverno em continentes superpovoados, além de expressivas perdas de vida, tanto humanas como animais, acrescente-se progressivos prejuízos materiais nas cidade e nos campos agrícolas causados por incontroláveis incêndios e torrenciais enchentes. Logo o vilão pedirá arrego.

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