MINHA (IR)RELIGIÃO

07/12/2007
by Ivo S. G. Reis

Cansado de ver-me acuado e embaraçado, toda vez que o assunto a ser discutido é a minha religião ou a sua falta…

Cansado de tentar explicar o meu posicionamento em relação à minha religiosidade e ver que as pessoas se espantam e raramente entendem, confundindo "religião" com "religiosidade"…

Cansado de tentar justificar porque não tenho uma religião convencional e citar como fatores principais que me levaram a isso, a própria leitura acurada dos Evangelhos e da Bíblia

Cansado de dizer que este é apenas o meu momento atual, e que poderá um dia vir a ser mudado, porque estou aberto a novos conhecimentos e fatores de convencimento que, talvez, consigam mudar a minha opinião, hoje agnóstica…

Resolvi, de uma vez por todas, e para que não mais me questionem sobre isso, explicar aquilo que considero como "minha religião", já que fazem questão que eu tenha uma. A melhor forma de expressão que encontrei, foi o poema de forma livre abaixo:

————————————

MINHA (IR)RELIGIÃO

Não, não estamos na Inquisição…
Mesmo assim, os diferentes,
Por não sermos a “Deus” tementes,
Somos cobrados a ter uma religião
E reafirmar nossa fé em “Deus”.

Por que assim tão exigentes?
Acaso não cabe a nós, como entes,
A escolha ou não de um Deus,
Decidir ser crentes ou ateus?

Religião ou irreligião?
Não sei, mas é algo que professo,
E ser ou não ser, não é a questão.
Mil vezes expliquei, mas sem sucesso,
E ainda a inquirir e a me julgar estão.
Cansei! Encerrem o processo!
Dêm-me o direito da derradeira explicação,
E eu relato como um réu-confesso:

Quereis o nome da minha religião,
O seu “Deus”, os princípios que defende,
O endereço da sua sede,
O número de seguidores?. Ei-los:

Minha religião não tem nome
E é desconhecida dos homens.
Não faz marketing, nem propaganda,
Não quer agregar adeptos.

Minha religião é liberal, libertária e confiável.
Não afronta outras, não se julga melhor nem pior.
Não faz proselitismo e não lança reptos.
Modesta, não se expõe, trabalha em silêncio.

Minha religião, em modelo algum é enquadrável.
Abomina rótulos, não presta obediência a ninguém.
Não quer encaixar-se no que é formal,
E em nenhuma denominação convencional.

Minha religião é auto-sustentável,
Não exige dízimos, donativos ou contribuições
E também, não promete graças ou milagres,
Mas premia o seguidor por suas ações

Minha religião não tem templo físico visível,
Mas está comigo em qualquer lugar:
No Pólo Norte ou no Pólo Sul,
No mar, na terra ou no ar,
Onde eu estiver, lá ela estará.

Minha religião é confiável e leal,
Não me exige sacrifícios, não me amedronta,
Não estabelece metas que eu não possa cumprir,
Não me impõe regras rígidas, castigo ou penitência…
E se alguma regra eu quebrar,
Faz com que me apresente à minha consciência.

Juíza e conselheira dos atos que eu praticar,
É ela, a consciência, quem me mostra os erros,
A salvação ou a conseqüência
Da sabedoria ou imprudência
Da escolha de um caminho.

Minha religião não é pedinte,
E nem permite que eu seja.
Incita à luta e à persistência,
Não pratica e condena imprecações,
Não tem deuses, não tem santos,
Não tem papas, bispos, pastores ou missionários,
“Guias espirituais” ou gurus, a dizer-me o que fazer.

Minha religião nem tem livros sagrados!…
Não tem sede fixa, filiais, nem cultos nem orações.
Tem apenas um parlatório, para planejar as ações.

Minha religião é ligada, bem-informada, atual.
Estuda o passado, com os pés no presente,
E a visão no futuro.
Pesquisa, estuda, não me deixa no escuro.

Minha religião defende a natureza,
E o amor ao próximo, inclusive aos animais.
Defende a honestidade, a amizade, a lealdade.
Tem por norma maior o bom-senso
E o não fazer mal a ninguém.

Minha religião não aceita e combate ferozmente:

Dogmas, imposições, injustiças, ignorância,
A dependência pelas drogas aniquilantes,
As opressões dos mais fortes sobre os mais fracos,
Os criminosos ambientais,
Os corruptos, os charlatões,
A propaganda enganosa, de cerebração criminosa,
O fanatismo e o proselitismo religioso competitivos,
A violência, a censura, a repressão, a tortura,
A exploração do cidadão pelo Estado.

Minha religião, sem nome, de único seguidor, é finita;
Só quer me mostrar a que vim
Por outras, homens e mulheres, não é bendita.
Foi fundada no dia em que nasci
E quando eu morrer terá seu fim.

Quereis agora o resumo, a sede e o nome?
Então que seja, que seja…
——————————————————————-
Sede: Eu interior; Deus: a minha consciência
Número de adeptos: só um;
Princípios que defende: os meus
Fundação: No dia em que eu nasci
Filiais: Não possui
Abrangência: Minha conduta, nos meus espaços
Nome: “EU SOZINHO POR MIM “ 
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Ivo S G Reis

 

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7 Comentários

  • mgomide3 disse:

    Considerei perfeita a definição que o autor apresentou de sua (ir) religião. Perfeita também e clara a explicação sobre seu ânimo vital. Comparo-a à lógica sublime, pura, autêntica e honesta expressa na linguagem infantil. Não estranhem a qualificaçao infantil. Ela é expressa na sua acepção angelical e, portanto, com credenciais de pureza natural.
    Alí, o autor teve a grandeza de esclarecer que aloja em sua alma seus sentires de HOJE, podendo sofrer evoluções. Mostra assim que tem inteligência suficiente para dar cumprimento ao “conhece-te a ti mesmo”, usando sua própria massa cinzenta. Tal atributo, infelizmente, não é utilizado pela maioria dos seres humanos, daí advindo a conclusão lógica de que eles não tem autonomia mental e são incapazes de senso crítico, tão necessário para compreender o momento histórico por que passa a humanidade.
    Parabenizo o autor pela sinceridade e coragem em externar límpidamente o que sua alma diz.
    Conforta saber que ele não está sozinho. Há alguns poucos milhares no mundo que pautam sua vida pelos ditames da consciência; e entre eles eu me incluo.
    Não precisamos alongar o assunto, pois a consciência de cada um, se bem ouvida, concluirá que o nosso distinto autor está no caminho certo.
    8.12.07 – Maurício Gomide Martins

  • Administrator disse:

    Obrigado pelos comentários. É confortador saber que pelo menos algumas pessoas entendem o meu posicionamento, mesmo quando têm as suas respectivas religiões.

    Sempre fui contra a generalização: há cristãos e “cristãos”; ateus e “ateus” e dentre estes, sempre haverá alguém com capacidade de entender e com quem se possa dialogar, em alto nível. Isso só não é possível com os “fanáticos”, os “radicais” e os “mal-intencionados”, os exploradores da fé.

    Sabia que você iria entender e também alguns companheiros de jornada cibernética. Para mim, foi um alívio o desabafo porque, assim, não preciso responder mais aos inquisidores e perder um longo tempo em explicações que, no final, não convencem a quem já está fanatizado ou coloca o assunto como “questão fechada”.

  • Rafael disse:

    olhando as letras vi:
    (IR) até a MINHA RELIGIÃO
    minha única e exclusiva forma de ir
    até onde e como eu bem entender,
    com ciência ou sem ciência,
    com certeza consciente e com amor no coração,,,

    vejo as pessoas entrarem nas igrejas como se fosse uma farmacia, academia, escola, padaria, ou outro estabelecimento comercial.

    os inquisidores são os pobres de espírito
    e o silêncio é o pai da verdade

    obrigado pelas palavras e fiquem com deus

  • ivan carlos disse:

    para IVO S.G. REIS:

    É TÃO BOM QUANDO SE ENCONTRA OS IGUAIS.OU SERIA ISSO, QUE SE DEFINE: SEMELHANTES?
    QUE IMPORTA? JÁ QUE NÃO ESTAMOS PRESOS A RÓTULOS.
    SUA POESIA NOS MOSTRA PASSO-A-PASSO, COMO PERCORRER O CAMINHO PARA A FONTE DO SABER. SEM ESQUECER CONTUDO, DAS COISAS DO CORAÇÃO. PREDICADOS INDISPENSÁVEIS PARA UMA BOA POESIA.
    PARABÉNS, IVO, PELA SUA CLARIVIDÊNCIA : ALTRUÍSTA, INSPIRADA, COMPROMMETIDA… PESSOAS COMO VOCÊ, TRAZEM CONSIGO OS VERDADEIROS PARADIGMAS QUE UM DIA SUBSTITUIRÃO AQUELES, JÁ ULTRAPASSADOS E VICIADOS QUE ASSOLAM O NOSSO PAÍS E O MUNDO.
    SUA PREDISPOSIÇÃO ALI EXPLÍCITA NOS CONFORTA, REANIMA A ESPERANÇA DOS CORAÇÕES sonhadores.

    UM ABRAÇO E SEMPRE EM FRENTE.

  • silvia disse:

    gostei e muito ; sou catolica , mas tenho o meu jeito proprio de acreditar, só comigo mais ou menos como o seu jeito , adorei o mundo precisa de pessoas asiim como voce, não um bando de idiotas que se acham os donos de toda verdade do mundo eu e meu marido as vezes temos até asco dessa gente que pensam que são os tais um abraço tudo de bom silvia

  • Obrigado pela apreciação sincera, Sílvia. Se você gosta desses assuntos, convido você e seu marido a visitarem ou fazer parte da nossa rede social “Irreligiosos”, onde reunimos pessoas que pensam como nós, para discutir problemas relativos aos males das religiões, controvérsias, etc.

    O link para o site encontra-se na barra lateral esquerda deste blog. Abs!

  • Porissocri disse:

    Os cientistas céticos e ateus em geral, adoram desafiar a lógica da Historicidade de Jesus, alegando que não acreditam que Jesus tenha existido, devido ao suposto fato de não haver muitos registros e achados arqueológicos a seu respeito, como se os existentes e o evangelho não significasse nada, apesar de serem do primeiro século.

    Um religioso judeu chamado Moshe, indagado a respeito da historicidade de Jesus, afirmou que “não há muitos relatos a respeito de Jesus devido ao fato de que em sua época, muitos judeus se faziam passar pelo messias e provocavam grandes alvoroços em torno de si, e este fato já não mais chamava a atenção dos historiadores. Jesus, para os historiadores da época, foi apenas mais um”. Programa Fantástico, Rede Globo, exibido em 22/04/2007.

    Jesus para os historiadores de sua época, foi apenas “mais um” assim como tem sido apenas ‘mais um” na mente dos céticos. Mas quem viveu e vive ao lado de Jesus e quem deu crédito e crê na Sua Palavra, esteve e está ao Lado do Próprio Deus encarnado. E, foram estas pessoas humildes e contemporâneas de Jesus, quem escreveram a história do Messias registradas nos 4 livros que compõem o Evangelho.

    Fica ainda uma dúvida, Porque Deus não induziu os historiadores céticos a também registrarem os milagres de Jesus, pois isto ajudaria os nossos “Sábios e Entendidos”.
    Em primeiro lugar, porque Cético não crê em milagres e em segundo lugar, Jesus deixou bem claro, o motivo:

    Lucas 10:21 “Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”.

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