RETIRADA SUSTENTÁVEL

05/12/2007
by mgomide3

    
   Em 23 de novembro, alguns jornais publicaram avançado artigo do pensador Leonardo Boff. Julgamos que suas palavras são bastante esclarecedoras sobre a realidade por que passamos. É mais um avanço. Aguardemos os futuros artigos. Para que não se perca a oportunidade de conhecer alguns aspectos do assunto, divulgamos neste sítio a íntegra de suas palavras:
“Aos grandes meios de comunicação passou despercebido o impressionante discurso que o presidente da Bolívia, Evo Morales, fez em outubro nas Nações Unidas. Falou menos como chefe de Estado e mais como um líder indígena, cuja visão da Terra e dos problemas ambientais está em claro confronto com o sistema mundial imperante. Denuncia sem rodeios: ‘a doença da Terra chama-se modelo de desenvolvimento capitalista’, que […]

permite a perversidade de ‘três famílias possuírem ingressos superiores ao PIB dos 48 países mais pobres’ e que faz com que os ‘Estados Unidos e a Europa consumam em média 8,4 vezes mais do que a média mundial’. E fez uma ponderação sábia e de graves conseqüências: ‘perante esta situação, nós, os povos indígenas e os habitantes humildes e honestos deste planeta, acreditamos que chegou a hora de fazer uma parada para reencontrarmos as nossas raízes com respeito à mãe Terra, com a Pachamama, como a chamamos nos Andes”.

 “O alarme ecológico provocado pelo aquecimento global já iniciado deve produzir este primeiro efeito: fazermos uma parada para repensar o caminho até agora andado e criar novos padrões que nos permitam continuar juntos e vivos neste pequeno planeta. Urge que reconquistemos a consciência de que o homem vem de humus (terra fecunda) e que Adão vem de Adamah (terra fértil). Somos Terra que sente, pensa, ama e venera. E agora, devido a um percurso civilizatório de alto risco, montado sobre a ilimitada exploração de todos os recursos da Terra e da vontade desenfreada de dominação sobre a natureza e sobre os outros, chegamos a um ponto crítico em que a sobrevivência humana corre perigo”.

“Assim como está não podemos continuar, caso contrário, iremos ao encontro de nossa própria destruição. Ainda recentemente, observava Gorbachev: ‘precisamos de um novo paradigma civilizatório porque o atual chegou ao seu fim e exauriu suas possibilidades; temos que chegar a um consenso sobre novos valores ou em 30 ou 40 anos a Terra poderá existir sem nós’. Conseguiremos um consenso mínimo quando sabemos que o capitalismo e a ecologia obedecem a duas lógicas contrárias? O primeiro se preocupa em como ganhar mais dominando a natureza e buscando o benefício econômico, e a ecologia como produzir e viver em harmonia com a natureza e com todos os seres. Há aqui uma incompatibilidade de base. Ou o capitalismo se nega a si mesmo e assim cria espaço para o modo sustentável de viver ou então nos levará fatalmente ao destino dos dinossauros”.
“Mas somos confiantes como Evo Morales, que em seu discurso enfatizou: ‘tenho absoluta confiança no ser humano, na sua capacidade de raciocinar, de aprender com seus erros, de recuperar as suas raízes e de mudar para a reconstrução de um mundo justo, diverso, inclusivo, equilibrado e harmônico com a natureza”.

“Consola-nos a sentença do poeta alemão Hölderin: ‘Quando grande é o perigo, grande é também a chance de salvação’. Quando, dentro de anos, atingirmos o coração da crise e tudo estiver em jogo, então valerá a máxima da sabedoria ancestral e do cristianismo dos primórdios: ‘em caso de extrema necessidade, tudo se torna comum’. Capitais, saberes e haveres serão participados por todos para poder salvar a todos. E nos salvaremos com a Terra”.
  

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2 Comentários

  • ViNA disse:

    Olá,..

    Queia falar de um iniciativa que esta rolando em curitiba…
    A prefitura esta usando um batalhao para limpar um rio..
    olha ai..:

    http://www.bemparana.com.br/index.php?n=51915

    Será que nao seria interessante para a refeitura convovar a associacao de bairro proxima e levar os moradores da regiao junto? Assim cria-se ma cultura de consciencia ambiental certo?

    abraços..

  • Administrator disse:

    Comentário sobre o tema e à resposta de Vina:

    O artigo alerta sobre o grande perigo do modelo econômico atual – o capitalismo selvagem, que incita ao consumismo e também devora tudo que existe no planeta, desde que isso leve ao lucro.

    Também nos faz pensar: se o planeta em que vivemos é um bem comum e se uma agressão a ele, praticada em um continente, reflete em outros, afetando a qualidade de vida da humanidade, por que não se começar a pensar em insituir um GOVERNO ECOLÓGICO MUNDIAL?

    Os países continuariam a ter suas autonomias, menos em questões ecológicas que afetassem o planeta como um todo. Tais questões teriam de ser submetidas e aprovadas pelo GOVERNO ECOLÓGICO MUNDIAL . Talvez esse seja o caminho.

    Quanto ao exemplo dado pela Vina, acho muito válido e é uma boa alternativa, fácil de ser implantada, e que poderia ser adotada pelas prefeituras e governos estaduais, mas principalmente pelas prefeituras, por ser um problema local.

    Se todas as prefeituras apoiassem e gerenciassem tais iniciativas, já seria um grande passo.

    Parabéns ao articulista e aos comentaristas. É, de fato, uma matéria interessante, que merece uma melhor reflexão.

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