ENGODO PUBLICITÁRIO

01/12/2007
by mgomide3

ENGODO PUBLICITÁRIO

   Transcrevemos adiante o brilhante artigo do ambientalista Antídio  Teixeira.                                                                         

“O Consumismo, esteio financeiro de um sistema monetário que se diz econômico sem sê-lo, e que tem como objetivo “criar riquezas através de consumo” (filosofia do marketing), cultivou, por mais de dois séculos, um desastre ambiental sem precedentes na história: dilapidou, em pouco mais de duzentos anos, um patrimônio ambiental  acumulado pela Natureza durante mais de um bilhão de anos, recolhendo e sepultando elementos pesados que flutuavam sobre o planeta, com predominância do carbono, deixando livre o oxigênio que possibilitou a geração da vida animada e o seu desenvolvimento até alcançar o que somos. Sem perceber a abrangência dos resultados finais deste processo, a humanidade embarcou numa “canoa furada” cujo […]naufrágio se anuncia com a previsão de extinção desta forma de vida, caso não se tomem imediatas providências. Os capitalistas que mantinham o controle da economia mundial, logo que descobriram as jazidas de hulha, petróleo e gás, e as formas de sua utilização como fontes de energia, consideraram-nas tesouros inesgotáveis, com os quais poderiam dispensar das pesadas tarefas agrícolas e industriais, os onerosos braços humanos e as pernas animais, o que tornaria os custos operacionais mais baratos e, deste modo, lucrariam mais. Assim foi feito. Só não perceberam que, os lucros adicionais que tanto almejavam, eram as fatias do bolo sócio-econômico destinado à sobrevivência dos trabalhadores e que, sem estas, eles não teriam como consumir os produtos que se tornariam mais baratos, justamente por não terem tido suas participações incluídas nos processos produtivos. Com isso, as safras aumentaram, a produção industrial cresceu  e, mesmo sendo tudo mais barato, as mercadorias passaram a encalhar e o número de necessitados a aumentar. Guerras pela conquista de novos mercados começaram a ser deflagradas. Até aí, elas tinham como motivo a pilhagem; a partir daí, a venda.

A tecnologia avançou, ferramentas e máquinas cada vez mais sofisticadas movidas por fontes de energia poluentes passaram a substituir cada vez mais gente na produção, e assim a aumentar o contingente de desempregados e miseráveis no mundo enquanto minorias, divididas em camadas sociais, passaram a esbanjar os recursos naturais ainda existentes e a contribuir para o aumento do aquecimento global. A satisfação das necessidades básicas não é poluente; resíduos metabólicos dos seres animados são nutrientes para o mundo vegetal; e os produtos deste, tais como grãos, frutos, fibras e madeiras são vitais para existência dos primeiros.

       À Ciência, subordinada economicamente ao sistema, não houve interesse em focalizar os processos em evolução dentro de um painel maior de espaço e tempo. Ofereceu, e ainda oferece, para formação intelectual dos mestres, informações de curto alcance, enquanto que os problemas que, hoje envolvem a Terra e seus habitantes para serem entendidos, têm que ser analisados com base na história racional ocorrida em sua superfície e ao longo de sua existência. Os meios de comunicação paga são utilizados para iludir incautos com soluções simplistas para conter o “aquecimento global”, prometendo plantar árvores, sugerindo a aquisição de aparelhos para reciclar ou economizar água, indicando o transporte solidário, etc., sem considerar a exeqüibilidade dos atos recomendados e nem o grau de importância que eles teriam na solução do problema total. A mídia poderia contribuir, a partir de claras definições políticas governamentais, com o desestímulo ao consumo de produtos e serviços supérfluos que dependam da utilização de qualquer forma de energia, em qualquer parte do mundo. As pessoas (de modo geral), não têm consciência do volume de poluentes que é lançado na atmosfera para geração de energia calorífica com a qual se funde o ferro para fazer automóveis, navios e trens, e para locomovê-los; para fundir a matéria prima para confecção de objetos de vidro em geral; para queimar tijolos de cerâmica ou produção de cimento para as construções imobiliárias, e para geração de energia elétrica com que se separar o alumínio da bauxita, e outros fins. Por isso, dizem com naturalidade: não gosto desse piso ou desse telhado; temos dinheiro e pagaremos para mudá-los. Temos dinheiro e faremos um cruzeiro marítimo ou uma excussão turística no final do ano; Esta roupa ou este calçado não me agrada e, mesmo e perfeito, botarei no fundo do armário porque não pretendo mais usá-lo. É necessário o desenvolvimento da consciência popular para os custos ambientais dos produtos que consomem, e que a saturação da atmosfera com gases pesados já se apresenta em perigosa situação, com a redução da produtividade agrícola e prejuízos causados pelas alterações climáticas em todo o mundo. Se em algumas  casas, bairros, cidades ou países não falta nada para quem tem dinheiro para comprar, é bom lembrar que no mundo todo, mesmo nos países ricos, bilhões de pessoas não dispõem do mínimo necessário para satisfazer suas necessidades essenciais, e ainda, é implantado pela mídia em suas consciências desejos de consumo supérfluos e estímulos para lutarem pela sua satisfação a qualquer preço, o que os fazem agir com violência, renegando leis defasadas que só beneficiam as minorias detentoras de recursos.

    Salvar o planeta para garantir a continuidade da vida de nossos descendentes depende da compreensão do fenômeno pela humanidade e do esforço de cada um de nós para reverter o desastre iminente”.

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1 Comentário

  • Administrator disse:

    Meu amigo mgomide3:

    Até quando vozes ilustres como a do autor deste artigo continuarão a alertar, sem se cansar? Isto é o que preocupa, pois se um dia essa vozes se calarem, quem protegerá o planeta?

    Será possível que só umas poucas pessoas enxerguem e se preocupem com o rumo que está tomando nossa qualidade de vida neste planeta?

    Quanto ao consumismo exemplificado no artigo, vou fazer apenas mais um comentário (e não me importo que às vezes digam que sou pessimista): Imagine o dia em que nem o dinheiro dos ricos puder comprar um sítio com água e verde em abundância, ou que esse preço se torne altamente proibitivo pela escassez desses recursos!… Isso pode vir acontecer?

    Na minha opinião, se continuar a prevalecer o consumismo desenfreado e a destruição do meio ambiente, em todo o mundo, esse futuro não estará muito longe.

    É uma hipótese a ser pensada, JÁ!

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