Por que liberdade de expressão e críticas às religiões são incompatíveis?

Ateísmo

Intolerancia Religiosa

Por que, em pleno século XXI, falar contra as religiões ainda acarreta reações violentas por parte dos fanáticos religiosos? Se isto, no passado, quando a religião católica tinha um poder maior e impunha seus dogmas a ferro e fogo já era condenável, que dizer hoje?

Vejam o que pensa um escritor e pesquisador muçulmano, especialista em estudos do Oriente Médio, analisando racional e imparcialmente, as reações dos muçulmanos a um vídeo americano que criticava Maomé e o islamismo. Seu depoimento, publicado no site BBC Brasil, encontra-se transcrito abaixo, na íntegra:

Eu sou muçulmano e ocidental, mas não considero que os dois elementos se oponham.

Chegamos a um estágio em que não existe mais o controle da Igreja Católica sobre o que pode ou não ser dito ou escrito em público. No passado, os “hereges”, aqueles que não aceitavam a doutrina do catolicismo, eram mortos ao lutar pela liberdade religiosa, de pensamento e de expressão. Considero tais liberdades sacrossantas.

Foi a coragem desses protestantes que permitiu a criação de sociedades seculares e plurais no Ocidente, possibilitando, pela primeira vez na história, que um grande contingente de judeus e muçulmanos morassem juntos e praticassem cada qual sua religião.

A barbaridade dos pogroms, da caça às bruxas e dos hereges sendo queimados vivos em praça pública felizmente acabou.

Os meus colegas muçulmanos precisam entender tal pano de fundo. Não podemos sufocar as diversas liberdades existentes sob a alegação de proteger a nossa religião. É claro que eu me sinto pessoalmente atacado quando o profeta Maomé é insultado.

Inclusive, porque a literatura ocidental, de Shakeaspeare a Thomas Paine, está cheia de referências negativas aos muçulmanos, chamando-os de “mouros”, “turcos” e “seguidores de Maomé”.

Paralelamente, os escritos clássicos árabes e persas estão repletos de antissemitismo e negação à divindade de Cristo como filho de Deus.

Ainda assim, é importante que nós, do Ocidente, tenhamos conseguido acomodar em um mesmo (ou mais) países todas as fés – e inclusive aqueles que não professam nenhuma fé.

Essa evolução não pode ser revertida. A autocensura é uma tentativa de reverter os ganhos realizados pelos intelectuais de outrora, nossos antepassados.

Tão quanto os muçulmanos são livres no Ocidente, os cristãos e seguidores de outras fés precisam ter a mesma liberdade no Oriente.

Nós, muçulmanos, matamos algum dos maiores iluministas por causa de acusações clericais de heresia, motivadas pela ausência da liberdade de pensamento.

Da execução de al-Hallaj em Bagdá, no Iraque, ao apedrejamento de Ibn Arabi em Damasco, na Síria, passando pelo banimento de Bulleh Shahm em Punjab, a história está cheia de exemplos.

Esses muçulmanos são mártires por terem lutado pela liberdade de pensamento.

Como um muçulmano ocidental, eu quero defender essas liberdades e assegurá-las para as futuras gerações.

Ed Husein é pesquisador sênior de estudos do Oriente Médio do centro de estudos Council on Foreign Relations e autor do livro “The Islamist”

Fonte: Site BBC Brasil

Não estaria na hora de criminalizar, em todos os países do mundo, a intolerância religiosa de umas religiões contra as outras e as reações com agressões físicas, praticadas pelos fanáticos religiosos? Não estaria na hora de declarar-se legítimo o direito de qualquer pessoa manifestar suas opiniões ou de ter ou não ter qualquer religião?

 

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