ENXUGANDO GELO – IV (Conclusão)

04/12/2008
by Antidio Teixeira

Como já foi demonstrado, a utilização de matéria fossilizada como combustível  deu origem à Revolução Industrial; e esta desenvolveu, como excrescência, um sistema de domínio político predatório ao meio ambiente calcado no consumo  supérfluo: “o  capitalismo, transvestido em sistema econômico”. 

Até então, os estilos de vida entre os povos eram rudimentares; predominava a atividade artesanal e produzia-se em maior escala, apenas, o que era essencial à vida. A camada protetora de ozônio estava intacta, era muito mais espessa e suas reservas sobre os pólos elevavam-se acima das linhas de sombras da Terra em cada pólo captando, mesmo nos invernos, calor permanentemente para manter a integridade do gás protetor. As fontes de energia poluentes com base na biomassa silvestre, eram renováveis, uma vez que as áreas florestais devastadas eram recompostas naturalmente por si mesmas.

Com a queima de combustíveis fósseis, o carbono foi guindado das entranhas da Terra e, agora, combinado com o oxigênio formando CO ou CO2, foram lançados  sobre as regiões equatoriais, onde ficaram retidos e foram se acumulando enquanto rebaixavam, gradativamente, as reservas polares, fazendo com que as cristas atmosféricas das reservas mergulhassem nas sombras da própria Terra, com perda da captação de calor nos invernos. […]O ozônio, perdendo a insolação temporária, resfriando-se abaixo do ponto crítico, vem retomando a sua forma molecular primitiva de oxigênio e compensando o déficit ocasionado pela queima intensiva de combustíveis em geral, para atender a demanda energética natural e a que passou a se exigida para fomentar o progresso. Tanto maior a demanda de oxigênio, seja ele para suprir a respiração dos seres animados, para a degradação natural da matéria orgânica morta ou para alimentar as combustões para fins energéticos, ele é suplementado pelo ozônio da camada protetora  da Terra, depois de revertido nas mais altas camadas atmosféricas polares,  durante as gélidas noites de inverno nos pólos. Por isso, temos o adelgaçamento gradual do escudo protetor, partindo dos pólos na direção dos trópicos, e o conseqüente espessamento da camada de gases pesados resultantes das combustões, sobre as regiões intertropicais. Tais gases, em maiores volumes sobre as ditas regiões, absorvem e concentram os raios infravermelhos, mantendo a atmosfera superaquecida ao que chamamos de “aquecimento global” ou “efeito estufa”.

Enquanto isso, as camadas de ozônio acima do Trópico de Câncer e abaixo do de Capricórnio tornam-se mais permeáveis aos raios ultravioletas, degradador dos microorganismos iniciadores da cadeia alimentar agrícola e, conseqüentemente, da pecuária. E seus efeitos já estão sendo sentidos na escassez de alimentos e dando início à agitação social com gravidade previsível para todo o mundo.  

Com as mudanças climáticas de formas aleatórias às previsões tradicionais, a ação de fenômenos naturais muda de lugares surpreendendo regiões despreparadas para recebê-los, tanto em qualidade como em  intensidade como a onda de calor que matou milhares de pessoas na Europa em 2.003;  as enchentes que ocorreram no meado deste ano (2.008) na região central dos USA, quando a agricultura e imóveis rurais foram devastados por chuvas nunca, antes, vistas na região. Mais recentemente, no estado de Santa Catarina; e, ainda os incêndios e secas que vêm ocorrendo em outras partes do mundo. O somatório destes prejuízos,  juntado aos crescentes custos de produção determinados pela utilização de energia obtida de combustíveis fósseis, e de matérias primas utilizadas, ambos,  extraídos em maiores profundidades e/ou distâncias de novas jazidas, e ainda, as despesas com medidas preservacionistas do meio ambiente, inviabilizam a continuidade deste sistema “econômico” que proporciona à minoria dominante estilos de vida incompatíveis com a própria natureza humana, as custas dos direitos de subsistência natural dos excluídos sociais de seus direitos de sobrevivência natural em liberdade. O momento é de decisão:  “ Morrer com a paixão ou sobreviver com a razão”. 

PS.- Depois de lida e assimilada esta exposição em quatro capítulos, espero que vocês tenham entendido o porque da necessidade de conscientizar a humanidade de consumir apenas, o que for essencial à vida  e empreender um programa de reajustamento da população mundial aos recursos naturais da Terra, através do controle e seletividade da natalidade em nome da sobrevivência dos seres animados como nós. Claro que isso será tarefa para muitas décadas, porém, é o único caminho que a razão nos aponta. Se este movimento não tiver o início já, de nada adiantará seus esforços para salvar os seres das florestas e dos mares porque você estará, apenas, “enxugando uma montanha de gelo”. (Oportunamente falaremos, de forma compreensível, sobre a “energia” presente em tudo e em todos.)

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Clique aqui, para ler o artigo inicial desta série…

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8 Comentários

  • Caro Antídio:

    Desculpe, mas por absoluta necessidade e até para melhorar a visibilidade e o acompanhamento desta sua importante série de matérias, fui obrigado a alterar a data do seu artigo e movê-lo para aqui. Agora você tem os artigos da série “Enxugando Gelo” (II, III e IV) todos juntinhos, seqüencialmente, o que facilita o acompanhamento pelo leitor. Só não foi possível corrigir a posição do “Enxugando Gelo I”, porque isto acarretaria muitos problemas. Mas cono ele não está muito distante destes, pode ficar por lá (cloquei um link interno nele, para os artigos de continuação). Assim, o leitor poderá acompanhar tranqüilamente a sua seqüencia de artigos. Tomei também a liberdade de dar uma outra formatação ao seu artigo, pois letras muito grandes ou negritadas, principalmente se no final da matéria, prejudicam os artigos subseqüentes, que assumem aquela formatação. Nadica de nada foi alterado em seu brilhante artigo, apenas a formatação.

    Uma pequena observação: Nunca publique os artigos como “páginas” isoladas. Isto quebraria a estrutura do blog, além de deixá-lo defeituoso e com um visual carregado. Vou tentar escrever uma matréria ensinando como segmentar um artigo longo em várias páginas. Acho que isso facilitaria. Só que não se aplicaria muito ao caso presente, porque você escreveu a matéria em datas diferentes. Os artigos paginados devem ser escritos NA MESMA DATA, senão a paginação não funciona. Para você ver o artifício que usei aqui, vá para o “Enxugando Gelo – I” e clique no link: “Ler continuação deste artigo em ‘Enxugando Gelo-II’ “. Ou, melhor ainda: Aqui mesmo, na última linha e após o seu ‘PS‘, clique em : “Ir para o artigo inicial…“. Você será remetido ao primeiro artigo e, de lá, poderá ir para o segundo e deste para o terceiro, quarto, etc. Quando eu escrever o post ensinando a segmentação de artigos, vou usar o Enxugando Gelo e o Mitos, Verdades e Mentiras sobre os Ateus como exemplos. Ambos têm 4 páginas e estão segmentados.

    Portanto, até você aprender o macete, continue como está: escreva os artigos em “posts” (não páginas) separados e publique-os, usando o artifício (I, II, III, etc.). Se quiser que eles fiquem bem próximos uns dos outros, publique-os na mesma data, um após o outro.

    Parabéns por esta linda e elucidativa série. Você também pe um denodado ambientalista.Torço para que outros ambientalistas leiam esta série e cerrem fileiras em torno do assunto. Abraços!

  • Gomide disse:

    Caro Antídio,
    Você condensa no PS as considerações expostas ao longo de suas 4 publicações sobre o nosso grande e vital problema ambiental. Você nunca foi tão claro, preciso e realista quanto o fez no seu PS. Suas palavras se encaixam exatamente no que ocorre dentro de minha mente. No entanto, quando você diz que “será tarefa para muitas décadas”, entendo que depois dos próximos 15 anos, não teremos mais retorno, face à grande velocidade e voracidade na degradação ambiental. No mais, sua colocação é perfeita e corajosa. Parabéns com entusiasmo.

  • Caro Ivo:
    Obrigado pelas Instruções que, aos poucos. irei me familiarizando. Nesta oportunidade, informo que, no meu monitor, o artigo fica ilegível, talvez pelas letras muito miúdas. Já os comentários, dá para se ler bem. Não sei se para outros leitores acontece o mesmo. É bom se informar.
    Agradeço as felicitações pelo artigo e espero que no “Energia”, apesar de mais impactante, fique mais compreensível. Forte abraço,

  • Administrator disse:

    Antídio:

    Creio que o problema deva ser no seu monitor porque nos dois que consultei e em um notebook estava normal. Só não corrijo para você agora, porque a operação para aumentar o tamanho das letras dentro do WordPress acho que não existe (existir, existe, mas tem de codificar e isso dá trabalho). Assim que tiver um tempinho dou um jeito de aumentar. Até lá, tenha um pouco de paciência.

    Parabéns pela sua conclusão naquele “PS”. Concordo com o Gomide: foi magistral. Sintetizou tudo, com clareza, em um único parágrafo.

  • Ivo:
    Obrigado pela atenção. Para completar sua orientação, informo que o fato não está ocorrendo nos capítulo II e III. O primeiro, não conseguí localizar.

    Caro Gomide:
    No seu comentário acima, você se surpreende quando falo em “trabalho para muitas décadas”. Esclaceço: a vida no nosso planeta não se extinguirá de uma hora para outra mediante um cataclisma global de origem ambiental; poderá ocorrer por um acidente anormal imprevisto ou por um suicídio nuclear. Ao contrário, prejuízos na produção alimentar causados por catástrofes localizadas, como já vem ocorrendo e com tendências a maiores freqüências, levarão povos a guerras em disputa por alimentos e água cada vez mais excassos. O que pretendi dizer é que a humanidade poderá levar muitas décadas para reconduzir o planeta ao seu equilíbrio e ajustar-se aos recursos naturais que tiverem disponíveis.

  • Administrator disse:

    Antídio, Antídio:

    Vou ter de escrever aquele artigo mesmo. Parece que vc não entendeu bem o que expliquei. É simples: Você tem duas maneiras de fazer isto:

    1 – Vá para a última linha do seu artigo “Enxugando Gelo – IV” (o artigo completo, qdo. você clica para comentar);
    2 – Clique no trecho que acrescentei (última linha, logo após a linha pontilhada): Clique aqui para ir para o artigo inicial da série. Vc será remetido para o artigo nº 1. É só isso.

    A outra maneira é na página principal do blog (a “home”, e não a do comentário), vc ir para o final de toda a página e clicar no nº 2, pois élá que está o seu primeiro artigo. Estando no primeiro e querendo voltar para oúltimo, o procedimento é o mesmo: vá até o final e clique lá (não me lebro a redação” em algo como “Ir para o último artigo da série ou ir para o artigo 3 da série.

    Por último, se vc estiver perdido de todo, procure na barra direita (parte superior) o item PESQUISAR. Dentro da caixa digite “Enxugando Gelo” (sem as aspas) e clique no botãozinho “ir”. O blog exibirá o resumo dos seus 4 artigos, juntinhos, e é só você clicar num deles para abrir.

    É isso!

  • Logo o “PS”? Esta é justamente a parte que não pode ficar ilegível, porque é a conclusão contundente do texto. Vou tentar rever, aumentando e negritando todo o PS. Talvez não fique muito bonito. Mas todos vão ler bem. Ocorre que os PS geralmente são feitos em letras menores do que o texto, para não se sobreporem a ele. Mas, no seu caso, é o contrário. Eu até não poria aquele trecho como PS, e sim, como destaque, no início do texto para, a partir daí, começar a discorrer, justificando-o.

    De qualquer forma, como o texto está visível nos 3 monitores em que consultei, talvez o problema seja do tema que você está usando. Experimente sucessivamente os temas: “Prosumer”,”Anubis”(com o IE7), o “Interior Theme” e, por último o “Yellow Flowers” (este tema ainda não está totalmente pronto, mas já pode ser usado). Depois me diga como ficou em cada um deles, se bem que, acho que só vai ser possível mesmo mexer no PS, porque o restante do texto está no máximo, no mesmo tamanho que os demais e todos estão legíveis.

    Vou dar uma dica para quando você escrever seus textos: Nunca use a fonte Times New Roman (a mais usada dentre todas), nem fontes com serifa (serif). Elas não dão boa legibilidade aos textos. Use, preferentemente, as fontes “Verdana” (sem serifa) ou Arial, entre 10 a 12px. Estas são as medidas ideais. Precisandso destacar, a gente usa o indentamento, as aspas ou o negrito (desde que não seja a última linha do texto). A última linha NUNCA PODE FICAR EM NEGRITO.

    PS: Em “Mudar Tema“, alterne somente entre os temas: Prosumer (nosso padrão), Anubis (o verdinho, usado com o IE7 ou FFox), ““Neoclassical”“, “Interior Theme” (o grandão, em vermelho e bege) e o “Yellow Flowers” (laranja e preto – em fase final de ajustes e traduções).

    Agora, uma brincadeira: Se você não conseguir ler seus artigos com o tema “Interior Theme“, troque de óculos.

    Abraços!

  • Caro Ivo:
    Melhorou bem. Embora não tenha destaque, mas ficou mais legivel. Obrigado. Abraços.

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