O QUERER E O NÃO QUERER

27/11/2007
by mgomide3
   

O querer e o não querer foram postos numa balança.
O querer por vontade e o não querer por vingança.

Depois que, em fevereiro de 2007, foi amplamente divulgado o relatório dos cientistas reunidos no Painel da ONU, pelo qual ficou evidenciada a degradação do planeta pela ação gananciosa do homem, o assunto ECOLOGIA – em vez de ser abordado com a seriedade e gravidade de sua evidência – tornou-se ponto de apoio para a publicidade comercial em geral.
Dá nojo, angústia e revolta o uso que estão fazendo desse tema. Isso se chama manipulação de emoções. Esse recurso comercial, chamado também de estratégia de venda, não é novidade na área econômica, mas […]chegar a esse ponto – fazer apelo comercial com a desgraça planetária – é o maior dos crimes que podemos conceber. Só podemos entender esse abuso como mais um ato de paranóia do lucro; lucro acima de tudo, tudo, até da própria vida. Seria, a nosso ver, o estágio último da decadência humana, a inconsciência de ser, o desconhecimento absoluto da razão espiritual de nossa existência. Enfim, a negação suprema de nossa origem divina.
Desde a divulgação do mencionado relatório, vem-se intensificando o uso de tal recurso. Citamos alguns desses atos criminosos: diversos bancos criaram novos planos financeiros, chamando-os de ecoinvestimento, ecofinanciamento, ecofidelidade, ecocliente e outros nomes apelativos da espécie. Vários anúncios em revistas e jornais destacam que suas atividades (metalurgia, mineração, fundição, etc.) estão em harmonia com os interesses ecológicos. A Petrobrás atualmente veicula abundantemente que suas atividades não agridem a ecologia. Algo mais poluente e destruidor que o petróleo? Estão aumentando as resslvas, nos anúncios das indústrias, de que suas atividades são ecologicamente corretas. Está virando moda rebatizar as palavras com o prefixo “eco”, na suposição de que isso lhes dá a autenticidade de bom caráter. É o criminoso escondendo as mãos.
A propósito, lembramo-nos de um filme antigo, chamado “A montanha dos 7 abutres”, que demonstra como e por que é usado o artifício comercial da mentira e hipocrisia, calcado no sentimento dos bons de coração, apenas para atingir o paroxismo febril do lucro. Há pouco tempo, a mídia comoveu o Brasil até a exaustão, explorando o sofrimento de câncer incurável do Dr. Laureano, um médico nordestino que foi em vida um filantropo. Viu-se recentemente, durante mais de 30 dias, o esgotamento de todo o combustível emocional da tragédia com o avião da Tam.
Enfim, nessa ânsia pelo lucro tudo vale. Até a adoção da hipocrisia que incorpora tanto o QUERER como o NÃO QUERER. A escolha é sempre o lucro.
Ambientalistas: acautelem-se com os vendilhões do templo.
 

postado por Maurício @ 13:00

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3 Comentários

  • Administrator disse:

    Parabéns pela matéria, Maurício.

    Enfim, você publicou! Continue assim. O DDD e a natureza agradecem.

    Este espaço é nosso, para essas coisas. Usem-no!

  • Lhe dou toda a razão.

    No caso dos bancos, em vez deles criarem “ecofinanciamentos”, por que eles não barram o dinheiro fornecido a empreendimentos que prejudicam o meio ambiente?

    Sobre os filmes, sugiro mais um: o “The Corporation”, que conta um pouco a história de como agem essas grandes empresas.

  • Administrator disse:

    Muito boa e apropriada a sua lógica, Iberê. São poucos os que conseguem enxergar a realidade da questão que o Maurício levanta.

    Estamos sendo enganados todos os dias pela mídia, para disfarçr e amenizar a ação criminosa dos que devastam a natureza em busca do lucro.

    Perceberam que a humanidade, aos poucos, começa a se preocupar com os problemas ecológicos e aí, começam a inventar termos como “desenvolvimento sustentável”, “produto ecológico” , “biodegradável”, “ecologicamente correto” e tantos outros. E para quê? Para esconder a realidade de que, para poder produzir determinado produto, foi preciso derrubar uma árvore, ou poluir um rio ou expelir gás carbônico para a atmosfera.

    Daí a propriedade da sua colocação “Por que os bancos não barram os financiamentos para empresas e projetos que agridem a natureza?”

    O próprio BNDES e o BASA (Banco da Amazônia), são os primeiros a dar o mau exemplo.

    Estariam contribuindo muito mais e provando a seriedade das suas intenções, se assim fizessem

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