Enxugando Gelo – II (Continuação)

28/11/2008
by Antidio Teixeira

ENXUGANDO GELO – II (Continuação)

A hipótese “a” é, sem dúvida, a mais provável que venha acontecer, e já; mais rápido do que se pensa; mas, se os ambientalistas despertarem do condicionamento mental a que foram submetidos pelo desvio cultural, poderão implantar o “b”; e, para isso, terão que flexionar a mente no espaço e no tempo para acompanharem a evolução dos fenômenos que ocorreram no nosso planeta num longínquo passado, a fim de entenderem as bases em que se assentam o mundo atual, e corrigirem a rota do desenvolvimento que nos está conduzindo à catástrofe. Concentremo-nos no período em que houve a consolidação da crosta terrestre: “em torno das regiões intertropicais, camadas de hidrogênio sobrepondo as de oxigênio, dadas as diferentes densidades, durante os temporais, fortes ventos causavam misturas “implosivas” logo inflamadas por raios, transformando-as em vapor de água que, uma vez condensado, precipitava-se no solo na forma de chuvas. Estas, após atravessarem camadas de carbono e outros gases ainda mais densos, caiam sobre o solo e se acumulavam nas partes mais baixas (mais próximas ao eixo de rotação terrestre) para dar origem aos oceanos que cobriram quase que a totalidade da superfície do planeta”.
Este era agredido em toda sua superfície pelos destrutíveis raios cósmicos diurnos; porém, a camada atmosférica composta por gases mais densos, com predominância do carbono, formava extensa faixa flutuante cobrindo as regiões intertropicais dando-lhes proteção contra os citados raios. Com esta proteção, clima ameno e abundância de água, passaram a se formar as primeiras formas de vida vegetal, os plânctons, (limo).[…]
Estes, formas de vida primária dos vegetais, formados basicamente pelo hidrogênio liberado da decomposição da água (H2O) e pelo carbono captado da atmosfera pela fotossíntese, fixavam a energia recebida do Sol na forma de luz, para formar sua estrutura orgânica, contando, também, com menores porções de elementos contidos no solo. Assim, os vegetais formados evoluíram e, no decorrer de milênios, se transformaram em gigantescas árvores e densas florestas. Nestas reações, o oxigênio liberado na atmosfera pelo mundo vegetal, a enriqueceu, tornando-a menos densa; nesta condição, menos sujeito à força centrífuga causada pelo movimento de rotação terrestre o que a fez o elemento gasoso espalhar-se sobre o planeta em direção aos pólos. Nesta jornada, bombardeado pelos raios ultravioletas, converteu-se em ozônio (O3) que se amontoou sobre os pólos tomando forma de proeminente cone em torno do eixo imaginário de rotação planetária.
Portanto, a fotossíntese fez com que o carbono gasoso que compunha a atmosfera de então, fosse substituído pelo oxigênio puro, indispensável para formação da vida animada e para alimentar todas as formas de combustão.
Para facilitar a compreensão futura, vamos substituir o nome fotossíntese e a expressão “função clorofílica” por précombustão. Sim, porque a matéria orgânica é um combustível composto, em maior parte, por hidrogênio e carbono. E, uma vez extinta a vida, para degradar a matéria orgânica remanescente, ela toma de volta da atmosfera a mesma quantidade de oxigênio que liberou durante seu ciclo vital em processos: lento (apodrecimento), rápido (combustão), ou violento (explosão), liberando, nestes modos, a energia que mantinha coesas as suas moléculas, e devolvendo à atmosfera os óxidos de carbono formados, agora mais densos.
Portanto, há um equilíbrio matemático entre o somatório de todo oxigênio puro e na forma de ozônio, livres na atmosfera, e toda matéria orgânica existente no solo e subsolo da Terra, representada pelas jazidas de combustíveis fósseis, pelas florestas, madeiras e bens fabricados com elas; produtos agrícolas e os próprios tecidos dos seres animados e seus derivados. Quando oxidamos tais materiais para liberar a energia neles contida para qualquer fim, (combustão), deslocamos do solo e do subsolo da Terra o carbono que se encontrava sepultado e o remetemos para as altas camadas atmosféricas, agora combinado com o oxigênio, CO e CO2, invertendo o processo primitivo.

(Continuaremos na próxima semana)

Ler o artigo inicial desta série…

Blogger PostBookmark/FavoritesDiggEmailFacebookGoogle GmailGoogle+LinkedInPrintFriendlyTwitterYahoo MaildiHITTShare

2 Comentários

  • Administrator disse:

    Antídio:

    Este seu artigo é uma verdadeira aula de Biologia, Ecologia, Geografia, Astronomia e até (por que não?) de Antropologia e Sociologia. Tudo está ligado. Não tenho – como a maioria das pessoas não têm – o seu conhecimento científico, mas mesmo aquelas pessoas que no mínimo tenham concluído o ensino fundamental, têm de ter noção da importãncia da realização do fenômeno da fotossíntese para a manutenção do equilíbrio atmosférico e da pureza do ar.

    Se alteramos a atmosfera até o ponto em que chegamos, se devastamos nossas florestas, e poluímos o ar com a constante queima de combustíveis fósseis, se eliminamos a forragem natural do solo, como restabelecer o equilíbrio se não mais se consegue fazer o seqüestro de carbono nas quantidades necessárias ao fechamento de um ciclo?

    Para o que já aconteceu, Antídio, e que você tão bem ilustrou na sua “Cartilha Ambiental” e nos vários artigos e comentários que publicou, só vejo uma solução: “ o seqüestro de carbono também por vias artificiais, para compensar aquilo que a natureza não consegue repor sozinha” Formas para isto existem e não são tão poucas assim as alternativas. Mas demandam tempo, vontade de fazer e altos investimentos. Será que o homem, entendendo a gravidade do problema, já teria intenções de realizar isto? Por favor, fale alguma coisa sobre o assunto e corrija-me se eu estiver errado nessa suposição. Você estaria esclarecendo não só a mim, mas a muitas pessoas pois, alguém que visse a sua explicação aqui, certamente passaria para outras e estas para outras, disseminando a idéia.

    Tenho receio de tecer comentários quando o assunto é muito técnico e polêmico como este. Pode parecer leviano, quando até os próprios especialistas e cientistas discordam entre si. Mas, ora bolas: sou cidadão do mundo, sou afetado pelo problema, tenho o direito de saber, discutir e cobrar soluções, mesmo sendo leigo. Estou errado?

    Veja meu comentário ao último artigo do Gomide (está ligado a este) e clareie um pouco mais este assunto para nós, mas não mais mostrando apenas as causas e as prováveis conseqüências, mas informando se existem soluções e quais seriam elas. Grato!

  • Caríssimo Ivo:
    Quanto aos meus conhecimentos, que lhe parecem muitos, informo que eles estão contidos na massa cinzenta que preenche os crânios de todos nós. No entanto, do mesmo modo com que as aves, impulsionadas pela fome, ciscam os monturos a cata de alimentos e os mineiros, (não o Gomide), batéiam os rios a procura de pepitas que o os tornariam ricos, todas as crianças deveriam ser induzidas a fazer perguntas aos seus próprios cérebros e procurarem as respostas de formas comparativas com fenômenos simples observados no dia-a-dia no decurso de suas vidas. Só que elas não têm tempo disponível porque estão comprometidas com programas fúteis oferecidos pela mídia.

    Com relação ao seqüestro de carbono por vias artificiais, lembro-lhe de que tudo que é artificial depende de alguma forma de energia limpa ou renovável para manter o equilíbrio ambiental. Quando a mídia nos apresenta automóveis não poluentes movidos a eletricidade ou a hidrogênio, pergunto: e quais as fontes de energia que serão utilizadas para produzir tais formas de energia sem poluir o meio ambiente?
    Forte abraço e votos de bom domingo.
    Antídio

Deixe uma resposta

Previous Post
«