ENXUGANDO GELO – (Introdução)

17/11/2008
by Antidio Teixeira

(Tentarei explicar aos Ambientalistas porque e como a vida
(animada corre o risco de ser extinta rapidamente.)
ENXUGANDO GELO
Assim, classifico as atividades que exercem os “ambientalistas específicos”; sim, aqueles que se dedicam de corpo e alma a defesa isolada de algumas formas de degradação, sejam elas ambiental, ecológica, cultural, social, histórica, material, etc. – Isso porque, solucionar problemas de ponta sem lhes remover as causas, apenas inibe as suas manifestações até um retorno mais complexo e com maior intensidade. De que adianta mobilizar pessoas para lutar pela preservação de florestas e suas faunas, ou pela pureza dos mares como meio de proteção às formas de vida que neles habitam, se sabemos que a fome do mundo é muito mais poderosa e que, eticamente, tem prioridade para ser alimentada? – De que adianta estarmos fazendo mutirões para estimular a economia de água e luz quando vemos os governos, através de suas concessionárias, ignorando vazamentos perenes nas ruas, ou a iluminação de prédios, logradouros públicos e favelas, acesa noite e dia? – Se sabemos que tudo que se utiliza ou se consome no mundo é produzido, ou acionado, (nos casos de máquinas e veículos) por formas de energia originadas, em maior parte, pela queima de combustíveis fósseis (hulha, petróleo e gás natural) e que os gases emanados das combustões nos últimos 250 anos para fazer a Revolução Industrial, por não se ter como reciclar economicamente, se acumularam na atmosfera causando a saturação que desequilibrou o clima, e com isso, o aquecimento global que, por sua vez, vem comprometendo a “produtividade” agropecuária que deveria alimentar, satisfatoriamente, todos os povos;[…] que dizer, diante de tão grave situação quando governantes se solidarizam com empresas publicitárias para promover o consumo de supérfluos produzidos por empresas automatizadas, sob alegação de geração de empregos (poucos) em relação aos muitos que os processos de produção informatizada desempregam, e tais desempregados, sequer podem consumir o essencial? – Muitos destes já vêm cobrando da sociedade por meios violentos, os direitos de suprimento de suas necessidades através do trabalho honesto, o que lhes foram usurpados, passando a disseminar a insegurança social em todo o mundo. O quadro é negro, e o giz, também. Ninguém enxerga mais nada.
Entendo que a humanidade se encontra diante de duas alternativas: a) uma conflagração mundial que poderá ser implantada pelas elites dominantes a fim de manterem seus privilégios com venda de artefatos militares e outras negociações, na qual grande parte da humanidade sucumbiria pelas armas e por inanição para se ajustarem às condições de sustentabilidade ambiental, conservando as benesses das classes dirigentes; b) – os ambientalistas do mundo entenderem de forma ampla, o que, realmente, está acontecendo no meio ambiente, as suas causas, e como se desenvolveu o processo degradador. Daí estabelecerem um movimento mundial conscientizador da necessidade de recompor as condições ambientais primitivas, para selecionar e aproveitar as condições sustentáveis que foram conquistadas pela ciência e pela tecnologia até hoje.
(Na próxima semana continuaremos)

———————————————-

Ler continuação em Enxugando Gelo – II …

Blogger PostBookmark/FavoritesDiggEmailFacebookGoogle GmailGoogle+LinkedInPrintFriendlyTwitterYahoo MaildiHITTShare

7 Comentários

  • Gomide disse:

    A propósito da importante exposição feita no artigo, desejo acrescentar que o comportamento social tende a ser um reflexo de sua própria degradação pelo sistema ganancioso, gerado pela arquitetura econômica baseada no interesse individual. Daí se ver o desvio social lógico das massas de nível econômico baixíssimo para a violência, não só no Brasil, como – em escala de intensidade cultural – no mundo. Não se pense que a violência urbana se restringe ao Brasil. Ela se manifesta em todas as regiões onde, fermentada pela forte densidade demográfica, não existam perspectivas de os pobres saírem da miséria material. Esse desajuste social é consequência indireta da degradação ambiental, pois que organização social justa faz parte do meio ambiente sadio. Por aí se vê o que nos espera no futuro próximo.

  • Caros Gomide e Antídio:

    Fico feliz em ver a quantidade e a qualidade dos conhecimentos que ambos acumularam sobre os grandes problemas da humanidade hoje: “a devastação da natureza, a fome e a exaustão dos recursos naturais do planeta”.

    Deveria ter feito este comentário no artigo anterior do Gomide, onde ele enfoca o perigo que é o excesso populacional, diante do ritmo de consumo crescente e o esgotamento dos recursos naturais. Faltou tempo. Mas já que ele está aqui e o assunto é pertinente (já falei que vocês dois são almas gêmeas) aqui vai o que penso:

    Por mais que venha a sofrer críticas – como ele já sofreu -, não posso deixar de concordar com o Gomide quando ele diz metaforicamente que “cada novo ser que a cegonha traz no bico é mais uma bomba relógio que ajudará a explodir o planeta no futuro“. Exagero? Não! É a pura verdade, que ninguém quer enxergar. Infelizmente, chegamos a isso.

    No momento atual, estamos vivendo em débito com o nosso planeta, ou seja, consumindo mais do que a sua capacidade de atender às necessidades humanas mundiais e, o que é pior: sem dar tempo para que a natureza se recomponha, renovando seus estoques (árvores, florestas, rios, peixes, oxigênio, recursos minerais externos e subterrâneos, etc), mantendo um equilíbrio constante. Mas como fazer isso com a população e o consumismo aumentando descontroladamente? É nesse ponto que se faria necessário o GOVERNO AMBIENTAL MUNDIAL, para controlar essas coisas.

    Dentro da minha humilde pequenez, entendo que se faz necessário um rigoroso controle populacional mundial. Dois filhos por pessoa (ou casal) e só! Se alguém tiver um segundo casamento em que um dos cônjuges já tenha os dois filhos, não poderão ter outros. Quem descumprir essa lei deverá sofrer severas punições e até prisão, conforme o caso. É uma atitude radical? Sim, mas necessária. Mas, isoladamente, essa providência ameniza, mas nada resolve se não houver um controle do consumo supérfluo e daquilo que se retira da natureza.

    No ritmo atual e sem essas providências, haverá (como já está havendo) fome mundial e escassez de recursos que provocarão guerras de extermínio, não guerras de conquistas, para alargar as fronteiras políticas de um país – mas para que o vencedor se aposse dos bens e recursos dos exterminados, com a seguinte perspectiva: menos gente, menos para consumir, mais para sobrar – para os vencedores, é claro.

    Não se trata de catastrofismo nem de alarmismo, e sim de uma dura realidade que mais dia menos dia enfrentaremos, se não se fizer nada, JÁ.

  • Gomide disse:

    Caro Ivo,
    Sua observação no penúltimo parágrafo condiz com uma situação atual, real, evidente, cruel e comprobatória. Trata-se da problemática ambiental de Ruanda, onde co-existiam três etnias, Hutus, Tutsis e Pigmeus. Estes últimos, inofensivos, primitivos, representavam 1% da população do país.
    Até há pouco mais de 10 anos, tais povos viviam em paz, praticando as principais ações “normais”: reproduzindo-se, derrubando florestas e praticando agricultura de subsistência. Nos anos finais de situação pacífica, tal país contava com 332 pessoas p/Km2, uma das mais elevadas do mundo, agravada a situação pelo fato de que núcleos, vivendo em terras melhores, chegavam a 766 h/Km2, próxima à de Bangladesh, a mais densamente povoada no mundo. Criou-se ali a situação explosiva de lutas sob a motivação etnica, mas energizada pela necessidade de mais espaço e a posse dos poucos recursos ainda restantes. Tal genocídio causou e ainda vem causando a morte de significativa parcela do país (1 milhão de pessoas), lado a lado, vitimando também os inexpressivos e simplórios pigmeus. É para ai que caminha a humanidade…

  • ENXUGANDO GELO – Comentário dos Comentários

    Pelos comentários acima, sinto que não consegui despertar a atenção dos
    nobres leitores para a causa fundamental de todo desequilíbrio climático que
    adulterou a rota de desenvolvimento econômico, social e cultural da
    humanidade; e, nem tampouco evidenciar aos Ambientalistas da necessidade
    prioritária de concentrar seus esforços, no sentido de lutar pela coibição desta
    prática lesiva à vida animada, como forma de solucionar os problemas que
    tentam solucionar nas pontas. Sei que é uma tarefa quase sem chances de
    realização, porém, é a única que poderá reconduzir o nosso planeta ao seu
    desenvolvimento natural e dos seres aos seus próprios caminhos. O perigo mais
    imediato que corremos, não é por causa da poluição dos mares e nem a exaustão
    dos nutrientes do solo agricultável nem extinção de espécies vegetais nem
    animais, mas pelo excesso de oxigênio que foi consumido em 2,5 séculos nos
    fornos siderúrgicos, nas fornalhas das termelétricas para geração de energia
    elétrica que alimentaram a Revolução Industrial e que, combinado com o
    carbono emanado das combustões de materiais fósseis, desequilibrou a
    atmosfera que, por força da centrífuga, acumulou-se sobre o seguimento
    intertropical e conseqüente rebaixamento sobre os pólos terrestres e o
    adelgaçamento na direção dos trópicos. Sintetizando:
    Para alimentar o progresso, queimamos nosso teto protetor de ozônio.
    Por isso, por maior que seja o preço que teremos que pagar, e o primeiro passo e
    deverá ser uma campanha de conscientização popular contra o desperdício do
    que for essencial e a eliminação do supérfluo em nome
    da vida e da paz.

  • Administrator disse:

    Entendemos a sua mensagem sim, Antídio. É que são tantas as causas e tal o interligamento, que é impossível falar-se de uma delas, sem citar as outras.

    Pelo que já discutimos até aqui, tenho plena convicção de que, pelo menos eu, você e o Gomide (e alguns outros também, é claro), enxergamos todos os ângulos da questão. Nossa visão do problema é global; por isso, não insistimos apenas num ponto O que ocorre é que, ao discuti-las, cada um dá um enfoque maior àquilo que julga mais importante. Você tem dúvidas de que as outras causas coexistem e estão interligadas? A queima de material fóssil e o oxigêno que foi consumido e/ou alterado na atmosfera, já aconteceu, em ritmo aceleradíssimo, inconseqüente. Não podemos voltar mais no tempo e alterar o que já foi feito. Mas tomar consciência disso e corrigir para o futuro, sim. Mas mesmo isso, só poderá ser feito se, paralelamente, atacarmos também as outras causas, senão outros problemas tão grande quanto os que já provocamos, poderão ocorrer.

    Não vamos ficar lamentando o que já ocorreu. O que temos de fazer é o que você – e infelizmente, bem poucos outros – já estão fazendo: mostrar e alertar para não continuar no futuro. Só que, ao fazê-lo, vamos mostrar também e alertar sobre as outras catástrofes que ainda não aconteceram, mas estão prestes a acontecer. Acho que é por esse ângulo que estamos enxergando o problema que, temos certeza, você também enxerga.

    Por favor, use a sua brilhante inteligência para denunciar, com a mesma veemência, os outros perigos para a qualidade de vida do planeta, que ainda estão em geração. Não vamos deixar esses monstros nascerem, senão como você diz, se ficarmos só denunciando o que já ocoreu, estaremos “enxugando gelo”.

  • 2008-11-21 às 3.31 am
    Entendemos a sua mensagem sim, Antídio. É que são tantas as causas e tal o interligamento, que é impossível falar-se de uma delas, sem citar as outras.

    Resp. “Sim Ivo, tanto você como o Gomide, demais leitores e cientistas enxergam com amplitude os fatos atuais sem mergulhar no longínquo passado para contemplar suas causas fundamentais. O presente é uma conseqüência do passado e, sem estudar este, não poderemos visualizar o presente em toda sua magnitude. Se, no momento em que os homens começaram a se utilizar da matéria orgânica fossílizada como combustível, tivessem mergulhado no seu mais profundo passado para analisar a sua formação através do tempo, eles teriam compreendido o futuro, o nosso presente e teriam dois caminhos à sua escolha: a) – Esclarecer os beneficiários o que viria acontecer nos nossos tempos, e estes decidiriam se valia ou não a pena, abreviar a existência da vida na Terra em troca de um período de benesses; ou b) Deixariam o barco navegar na direção de mortais cataratas, uma vez que eles desembarcariam em alguns portos anteriores.”

    Pelo que já discutimos até aqui, tenho plena convicção de que, pelo menos eu, você e o Gomide (e alguns outros também, é claro), enxergamos todos os ângulos da questão. Nossa visão do problema é global; …Resp. “Sim, global do presente.”…
    por isso, não insistimos apenas num ponto.

    Resp. “Quando este ponto é um simples instrumento de lançamento como arcos, espingardas ou canhões que lançam seus projéteis no espaço e deixam de atuar sobre eles, a utilização dos combustíveis fósseis como propulsor do progresso foi contínuo e seus efeitos negativos e cumulativos sobre o meio ambiente continuam, gerando variados efeitos econômicos, sociais e culturais entre os povos.”

    O que ocorre é que, ao discuti-las, cada um dá um enfoque maior àquilo que julga mais importante. Resp.”É justamente este o problema que desejo focar. Todos os problemas estão inteligados entre si através de uma raiz comum que continua alimentando todos eles: os combustíveis fósseis. Se esta raiz não for anulada gradativamente suas causas maléficas continuarão crescendo e pondo em perigo a humanidade.

    Você tem dúvidas de que as outras causas coexistem e estão interligadas. A queima de material fóssil e o oxigêno que foi consumido e/ou alterado na atmosfera, já aconteceu, em ritmo aceleradíssimo, inconseqüente. Não podemos voltar mais no tempo e alterar o que já foi feito. Resp. “Minha proposta é voltarmos no tempo para compreender o que houve e como reparar o erro cometido por nossos antepassados, para não continuamos cometendo os mesmos”.

    Mas tomar consciência disso e corrigir para o futuro, sim. Mas mesmo isso, só poderá ser feito se, paralelamente, atacarmos também as outras causas, senão outros problemas tão grande quanto os que já provocamos, poderá ocorrer. Resp.” Todas as causas intermediárias existentes fluem da causa fundamental: Queima de matéria fossilizada. Se esta começar a ser reduzida, a humanidade começará a se adaptar aos novos tempos em poucas gerações”

    Não vamos ficar lamentando o que já ocorreu. O que temos de fazer é o que você – e infelizmente, bem poucos outros – já estão fazendo: mostrar e alertar para não continuar no futuro. Só que, ao fazê-lo, vamos mostrar também e alertar sobre as outras catástrofes que ainda não aconteceram, mas estão prestes a acontecer/i>. Acho que é por esse ângulo que estamos enxergando o problema que, temos certeza, você também enxerga. Resp. “OK”.

    Por favor, use a sua brilhante inteligência… Resp. ” Não sou dotado de inteligência superior, apenas, tenho por formação o hábito de só aceitar como verdade absoluta, aquilo que consigo entender. O resto é ‘relativo”…
    para denunciar, com a mesma veemência, os outros perigos para a qualidade de vida do planeta, que ainda estão em geração. Não vamos deixar esses monstros nascerem, senão como você diz, se ficarmos só denunciando o que já ocoreu, estaremos “enxugando gelo.
    Obrigado pelo rico comentário que foi um convite para ser mais explícito.
    Um forte abraço e votos para que, todos, tenham um bom fim-de-semana.
    Antídio

  • Caríssimo Ivo:
    Fácil fácil; depois que se aprende com um bom mestre.
    Obrigado,

Deixe uma resposta