SOFRIMENTO DE MÃE

12/11/2008
by mgomide3

O amor de mãe supera o amor à própria vida. É quase inexplicável a energia presente no vínculo de uma mulher a seu filho. Torna-se até misterioso esse liame que une causa e efeito, de forma tão forte que a causa-mãe chega ao ponto de se dar em holocausto no esforço de preservação ao efeito-filho. Na Natureza, entre os animais, são comuns esses atos de renúncia suprema. Vimos muitas vezes que, sob ameaça à integridade dos filhos, uma débil geradora ataca furiosamente o forte predador, em qualquer circunstância, mesmo sabendo da possibilidade de seu próprio sacrifício.
Há poucos anos, por ocasião do pavoroso incêndio ocorrido no edifício Joelma, em São Paulo, as lentes dos jornalistas ali presentes tiveram a oportunidade histórica de gravar as ações de desespero, nas alturas, de uma mãe e seu filho de uns 9 anos. Ambos, na fuga desesperada das chamas que queimam e matam, saíram pela janela, num esforço muscular enorme, com o objetivo de entrar na do andar inferior contíguo. Ficou registrado que, durante todo o tempo do transbordo, a mãe protegia o filho para que este não caísse de tal altura, de forma que o guri conseguiu pôr-se a salvo no gradil da janela de baixo. O esforço dessa mãe, frágil de músculos, foi tão grande que as forças lhe faltaram para sustentar-se nas alturas e despencou para o solo. Essa cena tornou-se emblemática para a grandeza do amor materno.
A Natureza ensina: a vivência de uma mãe se destina a garantir a sobrevivência de sua prole. No caso, não nos vamos enredar em considerações biológicas ou filosóficas – ricas nesses aspectos – porque o foco de nosso tema é o meio ambiente, muito mais importante, porque vital, eis que ele engloba todas as referências imagináveis, inclusive aquelas áreas.
O suplício da mãe Terra, neste momento, torna-se triplamente doloroso quando percebe que suas próprias chagas são causadas pelas ações insanas dos filhos humanos. […]Desgarrados da vivência natural pela ganância e conforto material sem limites, estes são levados à própria extinção, como vêm fazendo com seus irmãos da fauna e flora. Na qualidade de mãe, a Terra sofre por amar sua prole humana e pelo tratamento ingrato e vil recebido. Nesse desespero, pede socorro à consciência dos homens que ainda são capazes de uma visão crítica e depositários de amor filial.
A mãe Terra queixa-se que, não satisfeitos de lhe sugar todo o leite-vida das mamas, extraem-lhe com violência os próprios seios, o ventre e o sangue para transformá-los em metais sonantes, alimentando a volúpia do desenvolvimento econômico até o infinito. Apesar da mãe Terra em chagas e em prantos, seus filhos inteligentes não percebem que tais sofrimentos são por amor a eles, pois que ela, na sua materialidade e destino sideral, após o perecimento da humanidade, continuará viva e renovável nos tempos futuros, tão futuros que não marcam tempo. Ela terá mais de 5 bilhões de anos para se renovar e, talvez, criar outros filhos menos estúpidos.

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