(Transcrito da comunidade Irreligiosos, em virtude de não ter sido possível fazer a publicação da enquete incorporada. O leitor poderá também, se desejar, comentar diretamente na Comunidade Irreligiosos, clicando no link retromencionado)

 

Publicado por Ivo S. G. Reis em 21 julho 2013 às 17:28 em Cristianismo (Alterar)

Aí está um bom tema para debate, apesar de muitos julgarem irrelevante, por considerarem Paulo um personagem fictício, tal como Jesus de Nazaré. Mas como disse um de nossos colegas, o escritor ateu Alfredo Bernacchi, "é muito mais fácil tentar provar-se a inexistência de Jesus Cristo do que a de Paulo".
De fato, não podemos deixar de concordar com essa inteligente observação do colega irreligioso porque as controvérsias em torno de Paulo estão bem mais equilibradas, eis que os métodos e artifícios utilizados para introduzi-lo na história do cristianismo foram mais sutis e elaborados, no sentido de induzir-se à crença na sua existência e nas cartas a ele atribuídas. Paulo existiu mesmo? E se existiu, todas as suas cartas, constantes do NT, foram mesmo escritas por ele? Ou será que foram somente algumas, sendo as outras falsas? E se existem cartas verdadeiras e falsas, quais são as verdadeiras e quais são as falsas?
Historiadores, teólogos, filósofos, pesquisadores, escritores e exegetas bíblicos desde os mais antigos, como Marcião de Sinope, Fávio Josefo, Suetônio, Tertuliano, Clemente de Alexandria, Orígenes, Sto. Agostinho, Tomás de Aquino… até os mais modernos e contemporâneos, do porte de Bart D. Ehrmann, Tom Harpur, Emílio Bossi, Michel Onfray, John Stott, Sam Harris, Frank R. Zindler, Michael Shermer, para não citar outros, têm opiniões concordantes e conflitantes em seus respectivos grupos, no que diz respeito não só a Paulo, mas à (in)existência de Jesus, que leva a um impasse que, ao final, só permite que cada um dos leitores ou interessados no assunto tirem as suas próprias conclusões ( e as justifiquem, se puderem). Mas numa coisa todos concordam: Paulo, se existiu, jamais conheceu Jesus (tendo este existido ou não) e não poderia autodenominar-se "apóstolo", o 13º apóstolo (igualmente, tendo estes existido ou não).
"Apóstolo", no sentido eclesiástico e segundo define o próprio NT, seria aquele que tivesse convivido com Jesus [não em sonhos e "visões"], recebido seus ensinamentos e por ele tivesse sido comissionado para ensinar outras pessoas a respeito dele e suas pregações. Só por aí se conclui que Paulo jamais poderia ser considerado um "apóstolo", pois não conheceu Jesus e dele só teve uma duvidosa visão (alucinação?) no caminho de Damasco, ocasião em que Jesus teria lhe dado a honrosa missão de divulgar a sua palavra.
Sobre a existência de Jesus e dos seus "12 apóstolos", recomendamos que este tema não seja discutido aqui porque além de uma enquete específica na nossa página de pesquisa, este assunto já foi amplamente debatido em vários outros tópicos, em fóruns e blogs, chegando-se à conclusão de que "o Jesus dos Evangelhos e seus 12 apóstolos  são personagens míticos". Mas aí caberia a pergunta: Ora, se Jesus de Nazaré não existiu, tudo o que se diz de Paulo em relação a Jesus também é falso". Faz sentido e é lógico, mas não é bem assim. E é aqui que vai entrar nossa discussão: Por que o personagem Paulo, a sua história e as suas "epístolas" foram introduzidos no NT, formando mais de 50% do seu corpo? Não poderia o NT reduzir-se apenas aos 4 evangelhos canônicos, sem as cartas de Paulo? Qual o efeito da participação de Paulo na (inexistente) credibilidade do NT?
Um outro aspecto a considerar é que se a intenção era criar um pretenso divulgador para o cristianismo, que supostamente teria tido um contato imaginário com Jesus de Nazaré, este divulgador mais depõe contra a existência de Cristo do que a seu favor, eis que o simples exame das cartas atribuídas a Paulo, escritas antes dos evangelhos, revelam que ele, além de não conhecer Jesus de Nazaré, nada sabia da sua vida e de seus supostos milagres, pois não os menciona em nenhuma delas. Mais que isso: seus ensinamentos, na sua maior parte, revelam estar em franca oposição aos que tereiam sido ministrado por Jesus. Um discípulo que não conhece os ensinamentos do seu mestre, um discípulo traidor e rebelde ou um falso discípulo de um mestre que não existiu?!
Antes de exporem suas opiniões em comentários, estima-se que cada debatedor responda à pesquisa incorporada à discussão, na qual só poderão votar uma única vez (permite-se a marcação máxima de duas opções que não se contradigam).
Boa discussão!
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1 Comentário

  • a.xavier disse:

    Bastante interessante essa dúvida. Na realidade, existe uma necessidade de maiores estudos, principalmente de foro arqueológico relacionados a possível existência de Paulo. É uma dúvida perene até então. 

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