ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO ÁRABE

03/03/2011
by Antidio Teixeira

Neste momento em que vejo o mundo árabe se agitando em favor de melhores condições de vida, vejo também as grandes potências econômicas por trás dos bastidores,  insuflando o movimento através de medidas invisíveis, e, também, através da mídia, traduzindo para o mundo como sendo aspirações políticas democráticas daqueles povos. Formas bem semelhantes aos movimentos abolicionistas da escravatura no mundo no século XIX quando, sob a bandeira humanista, se pregava a libertação de escravos sem que lhes fossem oferecidos meios de sobrevivência digna e independente. Na verdade o que se queria, era livrar a produção da concorrência da mão-de-obra escrava para  substituí-la por máquinas, cujos  custos seriam muitas vezes inferior e muitos dos ex-escravos viessem a ser consumidores.

Para se entender bem os mecanismos adotados, voltemos as vistas para aquela época quando a mecanização das indústrias européias ampliava sua capacidade de produção, enquanto os mercados internos se restrigiam  face ao desemprego causado pela substituição da mão-de-obra local por máquinas movidas a carvão ou petróleo. Seus povos desempregados não dispunham de recursos necessários para consumir o que lhes eram ofertados por preços baixos, já que estas desvalorizações eram determinadas pelas exclusões dos salários que lhes deviam ser pagos, e que não foram incluídos nos custos da produção. Daí o êxodo para as colônias e a marcha para a excessiva concentração de renda em poder dos detentores da economia mundial e a gigantesca pobreza espalhada pelo mundo.

Numa primeira fase no século XVIII, os governos metropolitanos chegavam a proibir que suas colônias  produzissem os manufaturados que consumiam para, assim, preservar para os seus residentes, a mão-de-obra altamente potencializada pelos novos recursos mecânicos e tecnológicos aplicados.

 A situação do mundo atual não diverge muito da que imperava naquela época. Hoje, os árabes no lugar dos colonos, em sua maioria, exportam para o mundo industrializado a matéria prima de seu progresso: o petróleo. Os recursos financeiros advindos em pagamento, não são distribuídos na forma de benefícios para seus povos, já que são abocanhados pelos ditadores que, até então, têm governado com apoio das potências e, agora, pregam democracia para eles. O que as potências econômicas pretendem, é fazer com que tais recursos sejam distribuídos a este imenso contingente de excluídos sociais, para que eles venham importar e consumir os produtos das “metrópoles”e, assim, reduzirem o desemprego em seus países.

Sabemos que a recente crise financeira foi detonada pelo desemprego nos países industrializados, tidos como ricos; e os desempregados,  sem recursos para consumir, abalaram a economia capitalista global,  pois este sistema só sobrevive com o consumo crescente.

 

DESEQUILÍBRIO AMBIENTAL

 

A atmosfera terrestre já atingiu um nível de saturação de carbono proveniente das combustões em geral; e o desequilíbrio já está se manifestando em todo o mundo na forma de vendavais, chuvas torrenciais, tormentas marinhas, secas prolongadas, etc., que vêm atingindo a agricultura, a pecuária, as estruturas urbanas e os meios de transportes, debilitando, mais ainda, a economia global. Também  é necessário que se entenda que para tudo que se utiliza ou se consome foi necessária a utilização de várias formas de energia, entre as quais a elétrica e calórica, para serem produzidos, embalados transportados e, muitos deles como veículos, eletrodomésticos e eletrônicos continuarão a consumir mais energia para funcionar. E as fontes de energia limpa economicamente viáveis, estão esgotadas no mundo. Portanto, as fontes adicionais dependem da queima de combustíveis orgânicos que, consequentemente, fazem aumentar a carga poluente na atmosfera, aumentando a incidência e a intensidade das catástrofes que estamos assistindo no dia-a-dia.

       Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 2.011

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2 Comentários

  • Antídio S.P. Teixeira disse:

    IVO;
    se for possível, faça a tradução desse comentário,
    pois de linguas, ´somente a nossa.
    Abç,
    Antídio

  • Antídio:

    Só agora me dei conta de que o comentário acima possa ser um spanzinho disfarçado que conseguiu furar o nosso bloqueio. Mas, na dúvida, aqui vai a tradução:

    “Congratulações por mais um artigo de primeira linha. Estou sempre procurando bons artigos no WordPress, que sejam interessantes e possam ser recomendados aos meus próprios leitores. Obrigado por criar este artigo. É precisamente o que eu estava procurando. Verdadeiramente, um fantástico post ….”

    Você percebeu que o seu post anterior teve mais de 400 visualizações, já estando entre os nossos 20 mais? Se oscomentários não vieram, não se preocupe: é porque o artigo é de natureza científica e as pessoas não costumam comentar muito artigos desse tipo, por receio ou falta de conhecimentos. Mas que foi muito lido, foi.

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