Há pessoas que ainda duvidam que esteja havendo uma degeneração nos meios de vivência do planeta, tendo como causa, origem, agente, responsável, a ação materialista antropogênica moderna. Alegam que essa visão negativista se fundamenta em informações científicas equivocadas ou alarmistas, e que esses sinais climáticos atuais de transtorno são naturais e cíclicos. Que os estudos geológicos nos indicam a Terra já ter passado, nos últimos 500 milhões de anos, por pelo menos cinco períodos graves de extinção maciça da vida e se recomposta normalmente com seus próprios recursos.

Não nos preocupamos com o planeta em si, que ele sabe perfeitamente se defender, expulsando de sua convivência essa espécie humana tão irresponsável e ingrata. Nossa atenção está voltada justamente para que esse animal, qualificado como racional, inteligente, acorde para a situação de calamidade para a qual nós mesmos criamos.

Pois bem, ignoremos completamente todas as descobertas e conhecimentos científicos obtidos até o momento, porque já foram impregnadas inapelavelmente por interesses mercantis. Apaguemos de nossa mente os estudos fantásticos feitos pela geologia, pela paleontologia e áreas afins, com suas dúbias interpretações feitas por renomados mestres. Abstenhamo-nos de todos os conhecimentos obtidos pela observação e registro de longas gerações humanas, trazidas até nós pela cultura dos registros do conhecimento.

O que restará? Somente a inteligência, esse prodígio biológico evolutivo e recurso fantástico de autonomia e conscientização. Por ela, fica à nossa disposição esse fantástico e exclusivo recurso mental do raciocínio lógico. Por este valioso instrumento, adquirimos a capacidade que outros seres vivos não têm: a de observar, comparar, avaliar, refletir e, finalmente, deduzir. Pela dedução, passamos a conhecer um tipo diferente de luz que nos guia pelos caminhos da vida, enriquece o espírito e nos faz enxergar o que os olhos não mostram.

Deduzir é um fenômeno reprodutivo, isto é, tem a propriedade de nos fornecer elementos que vão sustentar e alimentar outros fenômenos mentais, tais como a indução, a ordenação, e propiciar o afloramento dos reflexos ou conseqüências: intuição, reflexão, conclusão. Diga-se, por oportuno, que essas ferramentas mentais foram o nascedouro da ciência, outrora frágil e sem nome. Sem esse jogo mental, o “homo sapiens” – maior predador mundial – não teria surgido, as leis evolucionárias não teriam sido contrariadas pelas tecnologias médicas, e o paraíso terrestre não teria sido corrompido.

Pois bem. Para perceber e se conscientizar do estágio em que nos encontramos na História, basta lançar mão de alguns argumentos lógicos, claros e evidentes para todos, prescindindo de todas as informações científicas.

Dispomos, atualmente, dos dados estatísticos do PIB mundial, sempre anunciados com satisfação e sorrisos como notícias grandiosas, como se fossem galardões.  A China crescerá economicamente, em 2010, à taxa de 9%; o Brasil, à de 7%. No mundo, a média será de 2,3%. Nos anos anteriores houve desenvolvimento positivo – crescimento – nesses países e no mundo. Desde a grande revolução industrial do século XVIII, em ritmo geométrico, o mundo só faz crescer, estufar. Os recursos naturais do planeta, que se recompõem lentamente – ao compasso cósmico -, não suportam esse ritmo e já estão desfalcados em 40%. Em outras palavras: o exuberante planeta está se tornando anêmico pela ganância materialista de seus filhos, ditos racionais. 

E a faina de cupidez, insaciável pela sua própria doentia motivação, continua a crescer. A população mundial cresce, o consumo supérfluo ou de conforto cresce, o capital monetário cresce. As atividades industriais, que nos trazem envenenamento para o meio ambiente, também crescem, provocando crescimentos gerais. No aspecto material, tudo cresce. Até quando, ó ingênuos?

As fábricas de automóveis crescem, e o espaço das ruas e estradas não acompanha esse inchaço. As de aparelhos eletrodomésticos, televisores, celulares e quinquilharias, modernos e atrativos, a que os indivíduos passam a desejar em substituição aos fora de moda de ontem, e que se transformam em lixo, também crescem, crescendo o lixo indestrutível. Até quando, ó não-pensantes?

Os meios de pagamento e créditos abundantes, cuja função deixa de ser social para ser econômica, sustentam o consumo contínuo e rápido, acompanhando e estimulando mais crescimento generalizado. E essas atividades estúpidas fazem crescer incessantemente o envenenamento das águas, atmosfera e terra; enfim, os meios de vivência dos seres vivos. Até quanto, ó insensíveis?

Alguém já viu ou teve notícia de algo que crescesse indefinidamente? Sem parar? Sem limite? Não existe. Na Natureza, o desenvolvimento, o progresso, o crescimento são feitos até atingir o seu predeterminado objetivo. Não vemos bactéria com volume de 1 km, nem humano com altura de 40 metros. Nem elefante do tamanho de uma mosca. Uma bola de futebol com raio de 60 metros seria uma aberração para o fim a que se destina. Tudo tem seu específico limite. Por que o crescimento econômico, predatório e suicida, tem que continuar mesmo sabendo-se que já ultrapassou em 40% a capacidade do planeta? Uma colônia de bactérias infectantes em um individuo cresce, cresce, e vai crescendo satisfeita e feliz. Essa felicidade festiva vai somente até que o limite-sustentável seja atingido pela morte do hospedeiro, o que ocasiona a falência de toda a comunidade. E a comunidade humana almeja crescer sempre, sem parar. Até quando, ó racionais?

Faz parte do sistema econômico vigente, construir um condicionamento mental para consumo de bens materiais, enquanto planeja e executa a destruição ou imobilização das energias espirituais de que os indivíduos possuem ao nascer. Citamos apenas que as escolas transmitem conhecimentos voltados para a melhoria do desempenho econômico. Põe o homem, inconscientemente, a seu serviço, destruindo dessa forma as potencialidades de criação livre que habitam, por natureza, o espírito e a mente sã. O sistema econômico vigente está desnaturando o homem. Até quando, ó inertes?

Nossas potencialidades mentais são tão poderosas que não necessitam de informações científicas para ver, enxergar, perceber, sentir, notar, compreender, pressentir que estamos destruindo nosso próprio meio de existência. E isso equivale a um suicídio em grande escala; talvez total. Até quando, ó inconscientes?

As dúvidas que ainda habitam a alma de diversas pessoas podem ser eliminadas de vez com os próprios recursos mentais e espirituais. A vida é riquíssima em suas facetas multiformes. Despertem por esforço próprio para a capacidade de visitar e conhecer as belezas dessas facetas que a natureza nos oferece de graça, diferentes das que estão acostumados a ver nas vitrines do comércio corrompido. Não continuem a ser escravos do sistema econômico. Até quando, ó aprisionados?

A população mundial, agente, base, sustentáculo e causa única dessa anomalia geológica, poderá continuar crescendo? Até quando, ó adormecidos?

Não tenham dúvidas; tenham certezas, ó leitores.

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