Excesso populacional

09/06/2010
by mgomide3

 

Os navios pesqueiros têm que aumentar sua capacidade de captura de espécies marítimas, dizimando-as, para suprir os mercados de alimentos e nutrir (produzindo lixo) o excesso populacional.

A indústria do vestuário tem que fabricar quantidades imensas de roupas, bolsas, sapatos (que se transformam em lixo) para atender ao consumo do excesso populacional.

As lojas têm que ampliar seus espaços para comportar os estoques de mercadorias (futuro lixo) para atender às ânsias de consumo  do excesso populacional.

Os prefeitos têm de aprovar loteamentos residenciais para que suas cidades  tenham condições de crescer (e produzir mais lixo), acolhendo novas moradias – que consomem mais materiais de construção –, para abrigar o excesso populacional.

Os veículos de carga  têm que ser aumentados para distribuir a tempo os produtos básicos e os de sedução (lixo futuro) a cada vez mais gente consumista, para atender ao excesso populacional.

As matas e animais selvagens devem ser destruídos para que haja mais espaço físico (espaço estéril) para abrigar o excesso populacional.

As indústrias com processo de interferência química devem aumentar a produção de bens (que se transformam em lixo) para satisfazer às  crescentes exigências das futilidades, oriundas do excesso populacional.

A produção geral de barulho, proveniente da produção maior de aparelhos sonoros potentes (lixo material e ambiental) são requeridos para  atender às necessidades de consumo fabricadas pelo mercado, por conseqüência do excesso populacional.

Novas pesquisas em todas as áreas são necessárias para a produção de artigos supérfluos (lixo adicional), por imposição do sistema capitalista em cultivar o modismo, fator importante para o consumo do excesso populacional.

Interferência médica na morfologia estética dos humanos, por necessidade de rebeldia à Natureza (produzindo lixo mental), estimulada pela cumplicidade da mídia e favorecida pelo aumento do excesso populacional.

Destruição contínua e crescente do hábitat dos nossos irmãos da fauna e flora para construção do hábitat virtual humano, completamente estéril e vazio de alma (sendo lixo, portanto) para atender a construções faraônicas que acalentam caprichos irracionais de poderosos provindos do excesso populacional.

Necessário abrir novas chagas no corpo planetário a fim de buscar seu sangue negro que, virado combustível, transporta para longe e para perto, artigos e pessoas cada vez mais adiposas e materialistas (que são ou serão lixo), para atender aos confortos do excesso populacional.

Aprofundamento das conquistas tecnológicas com invasão da privacidade da Natureza em atividades nucleares e petrolíferas, com o conseqüente aumento de riscos trágicos de infestação eterna  (lixo permanente) das condições ambientais, para satisfazer a ânsia de poder e riqueza do excesso populacional.

Áreas enormes devem ser sufocadas para a morte por receberem diariamente os lixões das cidades, cada vez maiores, que abrigam o incontido excesso populacional.

Lixos especiais, provenientes da ânsia de produção de mais energias petrolífera e nuclear que, por acidentes crescentes e irreparáveis, vêm envenenando  oceanos, terras e atmosfera, são conseqüência das necessidades de conforto do excesso populacional.

Pelo crescimento contínuo da população, sem qualquer restrição, devemos acolher na sociedade cada vez mais pessoas violentas, desequilibradas e débeis mentais, provenientes do excesso populacional.

Esquecemo-nos de que tudo no mundo tem sua capacidade de suporte – até o próprio mundo – menos a infinita irracionalidade do excesso populacional.

Temos que conquistar a Lua, Marte e Venus para extrairmos dali seus recursos naturais, necessários à adoração incondicional do deus Lucro, advindo do consumo inconsciente de bens desnecessários (lixo) pelo cada vez maior excesso populacional.

No final, em futuro próximo, teremos no mundo uma só megalópole de pedra e cimento, diversidade imensa de tecnologias, paisagismos de plástico, corpos humanos acéfalos e sem alma. E não restará  uma glebinha de terra onde possam ser consumidos pelas bactérias necrófagas os cadáveres  remanescentes de uma população que pereceu pelos excessos de seus excessos.  

Blogger PostBookmark/FavoritesDiggEmailFacebookGoogle GmailGoogle+LinkedInPrintFriendlyTwitterYahoo MaildiHITTShare

3 Comentários

  • Muio bem colocada e bem realista esta crônica. Os fatos são tão óbvios, o raciocínio para chegar-se às conclusões a que o autor chegou são tão intuitivos e evidentes que é impossível que os “donos do mundo(, aqueles que nos controlam, nos dizem o que fazer e não fazer, nos exploram e nos induzem ao consumo) não tenham chegado à mesma conclusão.

    O que assusta é que tanto eles como a humanidade sabem disso, mas nada fazem para corrigir a situação. E as religiões – principalmente a muçulmana, que estimula a natalidade – também têm a sua parcela de contribuição.

    Aqui, sempre advogamos o controle mundial da natalidade e a redução do consumo de supérfluos. Mas os que poderiam estimular a implantação dessa política não o fazem. Talvez queiram esperar que as coisas piorem mais ainda para quando somente quando a humanidade estiver à beira da autodestruição corrigirem. A pergunta é: “haverá tempo?

  • mgomide3 disse:

    Caro Ivo,
    O comboio puxado pela locomotiva do progresso material está acelerado a 300 km/h, rumo ao precipício cuja borda está a 500 metros. A capacidade de freagem máxima da máquina é de 120 metros. Temos apenas 80 metros de “salva vidas” antes do precipício. Mas o senhor maquinista – ganância materialista – continua sua corrida irresponsável. Daí, você já viu que, mais alguns poucos metros – representados por um tempo curtíssimo – não haverá como reverter a situação. Já começamos a enxergar o final da história.

  • Ivo S. G. Reis disse:

    Então, meu amigo Gomide, parece-me que a discussão deste assunto não se restringe apenas aos campos social, econômico e político, mas descamba, principalmente, para o filosófico. Para os que não querem enxergar o bom exemplo do maquinista que você deu (também vejo dessa forma), talvez somente uma profunda discussão filosófica conseguisse abrir os olhos da humanidade. E teria de envolver todos os segmentos da sociedade e ser apoiada pela mídia (tanto a séria como a comprada).

    Mas como disse antes, acho que ela nem seria necessária, tão óbvias são as soluções.

Deixe uma resposta