É de se estarrecer, mas é exatamente assim – e sem nenhum exagero – que pensam os políticos da bancada ruralista, a chamada "bancada da motoserra". Para eles, cortar árvores, fazer queimadas, agredir o meio ambiente e praticar o trabalho escravo, são atividades comuns na agricultura, pecuária e agronegócio e essas práticas não deveriam ser encaradas como "crimes".

Volta à votação hoje, o esperado "Projeto Ficha Limpa", ontem aprovado por 388 votos a um, na Câmara, mas já bastante descaracterizado. E só foi aprovado porque estamos em ano eleitoral, há pressão popular sobre o projeto e porque os políticos sabiam que a votação de nada valeria, pois foram apresentados vários "destaques" que obrigariam, como de fato obrigaram, a uma nova votação, prevista para hoje (será?).

Agora pasmem senhores, pasmem! Dentre s destaques apresentados figura o da bancada ruralista, que pretende retirar do projeto o impedimento de candidaturas por condenação por "crimes ambientais" e "prática de trabalho escravo", coisas que eles e/ou os que eles representam mais fazem em suas atividades rotineiras. Na visão deles, políticos processados ou mesmo condenados por tais crimes poderiam, sim, ser candidatos, por não serem os crimes graves (na visão deles) e nem ligados à corrupção. Acham tais práticas tão naturais e necessárias, que já querem que a sociedade as aceite como "normais", feitas em nome do "desenvolvimento". Pode?

Mas esse não é o perigo maior, pois ficou claro que o projeto "ficha limpa" não vai dar em nada mesmo. E se surgir alguma coisa de aproveitável, mínima que seja, será para vigorar somente nas próximas eleições. Tudo o que os políticos desejam, neste momento, é dar uma satisfação à sociedade, calar a pressão popular e darem a impressão de que "moralizaram o processo eleitoral", livrando-se de um abacaxi. O perigo maior é que esses mesmos ilustres representantes do povo terão já, já, uma missão bem maior: votar o texto definitivo do projeto de lei do "Novo Código Florestal Brasileiro". Com essa mentalidade, como irão se comportar? Trabalharão a favor de quem, se defendem os interesses dos ruralistas e são eles próprios, em sua maioria, ruralistas?

Os políticos e o novo Código Florestal Brasileiro

A discussão sobre o texto final do projeto vêm se arrastando desde meados do ano passado e agora o texto está nas mãos do relator, Deputado Aldo Rebelo, para apresentá-lo. Só que o atual texto não agrada aos ambientalistas (e nem poderia) porque, além de prever anistias para crimes ambientais do passado, reduz as exigências para a proteçâo das florestas e a presevação do meio ambiente, além de permitir a apropriação de terras griladas. Por outro lado, as áreas de reserva legal estão sendo reduzidas – ao invés de aumentadas – tudo por pressão dessa famigerada "bancada da motoserra". Esta bancada e a dos evangélicos têm muita força e são as mais perigosas porque se movem movidas a dinheiro e troca de interesses, o que, no fundo, é a mesma coisa..

Visando evitar o pior, o Greenpeace e outras instituições ambientalistas entraram na briga e estão colhendo assinaturas para impedir a aprovação do projeto com o texto atual. Como vocês viram, político só age em grandes questões nacionais quando há a pressão popular. Por enquanto, a coisa está dando certo, pois os protestos impediram  o relator de levar o processo a julgamento sem uma maior discussão.

Pensando assim e com a certeza disso o Greenpeace resolveu pedir colaboração aos seus membros e enviou-me alguns emaiils,  solicitando que divulgasse o assunto, o que faço agora, pedindo também que aqueles que se interessarem em tomar conhecimento do projeto e aderir à campanha, que assinem a petiçã, cujo link envio abaixo: 

DEMONSTRE A SUA INDIGNAÇÃO! CLIQUE AQUI PARA ASSINAR A PETIÇÃO DO GREENPEACE!

SAIBA O QUE ESTÁ ACONTECENDO!

Clique aqui para acompanhar a tramitação do PL-1876/99 na Câmara Federal

 

Eu já fiz a minha parte. E você, quando vai fazer a sua?

 

Blogger PostBookmark/FavoritesDiggEmailFacebookGoogle GmailGoogle+LinkedInPrintFriendlyTwitterYahoo MaildiHITTShare

Deixe uma resposta