Cada vez mais o homem procura o conforto. Desloca-se de um lugar a outro, perto ou longe, sentado em uma poltrona sem despender a energia natural – própria de seu organismo – a muscular. Comunica-se com outra pessoa, numa distância enorme, sem precisar ir lá. Vê o que está acontecendo em qualquer parte do mundo sem empregar esforço físico. Até no âmbito pequeno e simples, há um imenso conforto, como o de não se arredar da poltrona para mudar um canal de TV. Somente move o dedo. Já estão procurando um meio de nem isso precisar. Aparelho sofisticado já está sendo experimentado para que apenas com o pensamento se faça as alterações de uma TV ou computador.

Enquanto estamos usufruindo dessas suaves condições,  a contrapartida é que escravos estão produzindo e despendendo suas energias, convertidas em conforto humano. São os possantes motores de aviões ou automóveis, as turbinas hidráulicas e as baterias químicas, movidas pela transformação das energias fósseis, relevo geográfico das bacias hidrográficas e propriedades de força das moléculas.

Isso equivale a dizer que cativamos energias naturais em benefício da comodidade e produção de supérfluos que vão satisfazer a vaidade humana. Mas, como nada é de graça, isso tem o seu custo: envenenamento do ambiente e conseqüente malefício ao corpo humano. Equivale a matar e destruir as condições de vida no planeta. Isso é satisfazer a ganância materialista do poder econômico que só tem um objetivo de vida: lucro. 

O conforto é como uma droga: é bom e vicia. Mas é altamente contraproducente. Pela nossa natureza, temos necessidade de exercitar os músculos, e a sua não utilização prejudica imensamente a saúde conforme se pode observar com o surgimento de pessoas obesas, problemas circulatórios, cardíacos. Uns dizem que tais efeitos se devem à alimentação inadequada. Sim, é inadequada ante uma situação de não uso muscular como a natureza e os médicos mandam. Ante uma civilização de nenhum esforço, toda alimentação é prejudicial. O inverso é verdadeiro. Um homem pobre do meio rural, que moureja diariamente em suas lidas, se satisfaz com qualquer alimento e goza de plena saúde.

Temos visto abordagens ecológicas bem intencionadas, mas inteiramente equivocadas. Uns se pronunciam, como James Lovelock, a favor da produção de energia nuclear. Vários receitam a busca urgente de outros tipos de produção de energias, como a solar, a das marés, a eólica. Todos estão mergulhados na linguagem advinda da estrutura social econômica. Essa é uma das formas de pronunciamento antropocentrista que não nos deixa enxergar o verdadeiro vulto do perigo ambiental.

Afinal, nenhum ser vivo tem necessidade de energia cativa para viver. Que ânsia é essa de pontuar a energia? Simplesmente para adicionar força e potência às vontades humanas, para que suas energias provenientes do metabolismo alimentar sejam convertidas em tecidos adiposos prejudiciais à saúde, gerando lucro material. Dirão alguns, em obediência à visão distorcida do antropocentrismo, que os animais humanos não podem ser comparados aos demais seres vivos. Mas justamente ai é que reside o problema de sobrevivência da humanidade. Os focos civilizacionais – incluída a captura de energias – redundam em destruição de nosso próprio hábitat. Isso é irracional, é suicídio. Podemos perfeitamente viver sem a conversão de bens naturais em confortos prejudiciais à vida.

O momento pede urgência e realismo. Sem sacrifício, não conseguiremos redimir os males já causados à Natureza. Não podemos nos ocupar com a busca de melhores energias que só nos levam à atitude antinatural do conforto. Intentamos movimentar o cérebro dos ambientalistas para outros rumos, para outras perspectivas. Precisamos, antes de uma revolução civilizacional, de uma revolução mental para nos livrarmos dos vícios culturais.  

O gênero humano é resultado de 3,7 bilhões de experiência vital neste planeta. Somos um organismo resultante de aperfeiçoamentos. Por isso, somos um produto acabado para o momento presente; pelo menos na constituição biológica. Na mental, estamos apenas aprendendo a dar os primeiros passos. Temos que perceber nossa infância mental, sob pena de destruirmos completamente o tão magnífico projeto natural, o homo sapiens.  

A natureza nos proporcionou tudo o que necessitamos, inclusive a energia muscular. E é essa energia que devemos usar. Todas as demais, obtidas com a violação do santuário natural, passa a se constituir um aleijão evolucionário. 

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