Depois que decaiu a verdade bíblica que imperava no mundo ocidental, ficou estabelecido como crença geral o vínculo ciência-verdade, principalmente pela revolucionária influência dos Iluministas, no século XVIII.  Existe atualmente um senso comum de que qualquer informação provinda da ciência é sempre verdadeira e digna de crédito. Que a ciência traduz a realidade, sendo a fonte do conhecimento.

Mas esse conceito amplo, absoluto, não traduz a realidade científica. Ciência é uma busca, uma procura de explicação e descobertas. Pelo seu próprio método de trabalho, quando chega a um resultado, este nunca é definitivo; é apenas prevalente ou provisório para a ocasião. Prevalece até o momento em que novas descobertas são feitas.

O critério adotado pela ciência implica o enunciado de uma idéia aceitável – a conjectura ou hipótese – para, em seguida, evoluir criteriosamente para a teoria – estágio em que se agregam argumentos cientificamente válidos. A última etapa é a da experimentação, ou demonstração inquestionável, quando se consagra a teoria. Isso tudo é muito debatido, estudado, experimentado. E demanda um tempo enorme.

Não obstante, toda verdade científica pode receber alguma restrição quando se estabelece nova verdade sobre a questão. A verdade newtoniana tornou-se relativa com os trabalhos de Einstein. E estes também sofreram abalos com o surgimento da mecânica quântica. A função da ciência é descobrir e entender os meandros da misteriosa realidade cósmica.

Tivemos na História diversos cientistas que consagraram suas vidas ao estudo e pesquisas de várias disciplinas componentes desse conjunto a que chamamos Ciência. O mundo atual, para o bem ou para o mal, reflete as conseqüências das revelações feitas pelos cientistas. Toda a tecnologia empreendida tem seus fundamentos na utilização desses conhecimentos assim obtidos.

É comum, porém, o surgimento de “cientistas” que, embebidos da ânsia de notoriedade e projeção histórica – por força de pétreo e incurável narcisismo –, procederem sem o mínimo de escrúpulo em suas “artes científicas”. Para atingirem seus objetivos pessoais, forjam dados, situações, descobertas, e o que mais for necessário. Na semana final de outubro/09 informaram os noticiosos que um “famoso cientista” da Coréia do Sul foi, finalmente, condenado pela falsificação de conclusões em pesquisas patrocinadas pelo governo na área de clonagem de embriões. É famosa a farsa científica conhecida como o homem de Piltdown, na Inglaterra, pela qual dois “cientistas”, “descobriram” um crânio de antropóide e o impingiram como se fosse de um elo humanóide. Na época eles ficaram famosos, mas o fato foi exaustivamente pesquisado e encerrado, muitos anos depois, com a conclusão de que eles engendraram uma bem montada farsa.

Acautelemo-nos, portanto, com os pronunciamentos desses “cientistas”. Eles servem ao deus “Narciso” e, com isso, prejudicam enormemente a verdadeira ciência.

Mas a pior classe desses homens que se ocupam de ciências são os $ienti$ta$, e os há em abundância pelo mundo afora. Seu deus é o dinheiro. Pagando, tudo bem.

Para as grandes corporações econômicas, por si e pelos governantes que os representam, esses elementos são utilíssimos. É só chegar perto de um deles e dizer: “Quero um relatório científico sobre o assunto tal; quanto você quer?” Eles darão o preço, geralmente em milhões de dólares e perguntarão: “a favor ou contra?”. Comprar um cientista famoso fica mais caro. Tudo é questão de preço. O verdadeiro cientista não se vende nunca. Afinal, o dinheiro não é venerado somente pelos leigos.  Um célebre ministro do governo de Getúlio Vargas, depois de várias vezes ser assediado por certa empresa, fabricante de lança-perfumes – cada vez oferecendo mais para revogar a proibição de venda desse objeto –, procurou o presidente e lhe disse: “arranje outro ministro para o meu lugar. A empresa está quase chegando a um preço a que não conseguirei resistir.”

Ultimamente, temos lido em diversos veículos de informação que o $ienti$ta Fulano, baseado em suas próprias pesquisas, concluiu que não há aquecimento global. Que o meio ambiente é propício e adequado ao crescimento econômico. Que isso e aquilo. Essas notícias são produto de gastos encomendados por integrantes do sistema econômico e, por isso, não merecem qualquer crédito. Os ambientalistas novos, de pouca experiência e informação, são facilmente influenciados por esses $ienti$ta$. A finalidade deles é justamente esta: semear desencontro de opiniões entre os ambientalistas. Entendemos que, como tudo o mais neste mundo, devemos separar o joio do trigo. Devemos desenvolver nossa capacidade e amplidão de conhecimentos para ter condições de distinguir quem são os cientistas, “cientistas” e $ienti$ta$”. Nossa meta não é somente a de defender o meio ambiente; é seguir o legítimo e verdadeiro enfoque científico, justamente para que nos possamos orientar na emergência por que passa nossa casa planetária.

Acautelemo-nos… acautelemo-nos…            

 

Blogger PostBookmark/FavoritesDiggEmailFacebookGoogle GmailGoogle+LinkedInPrintFriendlyTwitterYahoo MaildiHITTShare

1 Comentário

  • Muito bom tema para reflexão, Gomide. Muito bom mesmo. E poderíamos até acrescentar ao título, para ficar mais completo: “Cientistas, ‘Cientistas’, $ientiSta$, Imprensa, ‘Imprensa’ e Impren$a”, já que o que você cogitou aplica-se também à Imprensa.

    Esses “$ienti$ta$” não lograriam êxito em suas farsas senão tivessem o apoio da “Impren$a”. E existe ainda um outro perígo: eles atuam dos dois lados, tanto para o bem como para o mal.

    Qundo citei o exemplo do IPCC foi porque, de acordo com o que pesquisei, lá também existiu isso, nos dois lados: o interesse financeiro dos grandes grupos econômicos comandando as opiniões. Por exemplo, a questão do aquecimento global desperta duplo interesse: de um lado, os interessados em sustentar o alarmismo, pela grande quantidade de dinheiro e verbas governamentais envolvidos que, de outra forma, não sairiam. De outro, os que pretendem continuar atentando contra o meio ambiente e que, com uma campanha como a do aquecimento global, vêem seus interesses prejudicados.

    Houve apenas um pequeno e justificável equívoco em seu texto: você foi até otimista demais ao achar que eles só conseguem eganar ambientalistas mais novos e ainda inexperientes. Não – eles conseguem enganar a todos, sejam eles experientes ou não – porque as farsas são muito bem montadas e aparentemente bem lastreadaas, com a cumplicidade da Imprensa e das partes interessadas. Esses “$ienti$ta$”, contando com a cumplicidade da “Impren$a” e dos seus patrocinadores, conseguem enganar até aos seus próprios colegas.

    Por isso, há que se tomar muito cuidado com tudo o que se lê, seja na política, nas ciências, nas religiões, nas campanhas de marketing, etc., e filtrar muito, não acreditando de primeira. Mas quem se dá ao trabalho de fazer isto?

    Valeu muito o seu alerta. Parabéns!

Deixe uma resposta