As delícias da democracia

01/11/2009
by mgomide3

 

  

  /\ Democracia é uma forma de governo composta de três poderes: o executivo, o legislativo e o judiciário. Todos eles mandam. É uma beleza! Fica muito mais fácil administrar uma sociedade e justificar qualquer ação meio duvidosa por conta de sua legitimidade.

   Esse sistema é tão bom, justo, eficiente, que todos deveriam adotar suas normas. Deveria servir de molde para todas as associações humanas. Em empresas comerciais, em clubes, no exército; em qualquer sociedade que deseje o máximo de eficiência na condução do interesse de seus componentes.

   Um exército, por exemplo, comandado por três generais seria invencível. No grupo social básico, que é a família, esse modelo seria ideal e tão eficiente quanto o é na administração de um país. O pai manda, a mãe manda, e o filho  também manda. Seria uma harmonia sem defeitos. Dá para imaginar o pai dando uma ordem e a família obedecendo? Sucesso absoluto! Depois, a mãe também dá uma ordem e todos obedecem. O filho, por seus direitos de mando, exercita esse poder, sendo respeitado pelos pais, e a família toda vai se consolidando cada vez mais; sempre unida. Uma beleza!  

   Bem, parece que há uma incoerência por aí. Só parece. À primeira vista, essa observação parece proceder, mas na prática os procedimentos são legais e legítimos. É só olhar as leis – feitas pelos próprios.

    No exemplo citado, o pai, antes de dar uma diretiva, faz um conchavo, digo, um acordo com a mãe e o filho. É claro que a mãe vai exigir uma bolsa nova, e o filho um aumento de mesada, mas tudo se ajeita. Sempre há um jeitinho.  Quando a mãe é que resolve mandar, cede a algum pedido do pai e faz uma sobremesa especial para o filho. Este, por sua vez, não faz previamente acordo nenhum. Bate o pé, faz birra, ameaça quebrar o espelho ou coisa parecida, mas é só os pais fazerem uma promessa qualquer e tudo volta ao normal. Assim, bem entendidos e tolerando uns aos outros em defesa de seus interesses, passam os dias felizes porque, afinal, aplicam e respeitam os valores da democracia que se sustenta sobre três pilares. É uma harmonia que não tem igual!

   Deve-se tirar desse sistema as conclusões lógicas. Onde três mandam, tudo funciona melhor. É uma verdade matemática também: três vale mais do que um. Uma orquestra com três maestro executa uma partitura com muito mais fidelidade ao compositor. Um avião com três comandantes faz a viagem muito mais rápido e pousa no lugar certo, sem divergência de um milímetro. Caso contrário, abre-se rigoroso inquérito e não se fala mais nisso. Três juízes, apitando um jogo de futebol, darão muito mais correção e emoção aos assistentes. Um navio com três comandantes faz um itinerário em ziguezague, mas chega ao destino. Afinal, a linha mais curta entre dois pontos é o ziguezague.  

   Ainda bem que o Brasil está em plena democracia, onde os três poderes exercem soberanamente suas prerrogativas. Cada poder executa seus interesses, digo, deveres em celestial espírito de renúncia e em beneficio do país. É verdade que as decisões de cada um são precedidas de uma conversa em sala fechada, mas isso é necessário para que haja um bom entendimento, felicidade e justiça para  todos. \/

     

 /\…\/  Sinal de ironia.

 

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5 Comentários

  • GG:
    O bom êxito de uma administração governamental depende mais das qualidades dos governantes do que das formas de governo adotadas. Temos bons e maus exemplos em monarquias, tanto aristocráticas como ditatoriais; do mesmo modo as democracias presidencialistas como parlamentaristas. É só contemplar a história.

  • GG:
    O bom êxito de uma administração governamental depende mais das qulidades dos governantes do que das formas de governo estabelecidas. Temos bons e maus exemplos com monarquias aristocráticas, absolutistas, parlamentaristas e, também democráticas, etc..

  • Júlio de Sanctis Gonçalves disse:

    Que legal o seu texto, Sr, Gomide! Muito bom mesmo. O senhor criou um novo estilo de criticar as coisas: a ironia positiva. Com isso, mostrou-nos uma “democracia da utopia”. mas muito boa para comparar com a verdadeira ou a sua falta. Nota 10. Divulgue!

  • Gomide:

    Nesta última semana, andei meio afastado e estou um pouco em falta com o nosso pessoal. Ando bastante ocupado administrando a minha rede “Irreligiosos” e uns conflitos de opinião que surgiram recentemente por lá. Isto tem exigido a minha interferência constante, diariamente, mais de uma vez por dia. Mas não deixo de passar aqui e ver o que andam publicando. Só não tive foi tempo para postar novos artigos e comentar.

    Concordo com o Júlio; você parece mesmo ter inventado um novo estilo de criticar: a ironia com aparência de verdade. Gostei, O que é preciso é as pessoas terem alcance para entender o conteúdo da mensagem.. Obrigado por estar ajudando a manter o blog atualizado.

    Você não quer dar uma passadinha lá no “Irreligiosos”? O endereço está na barra lateral esquerda, aqui ao lado. Passe, nem que seja apenas para conhecer, embora os temas tratados naquela rede sejam outros. Mas lá também existe muitos preocupados com o problema ecológico. Aliás, a maioria. A diferença é que não são a sua prioridade 1, que é a desmistificação da religião e o combate ao obscurantismo religioso.

    Abraços!

  • mgomide3 disse:

    Caros ambientalistas,
    Recebi angustiante apelo de um anônimo habitante da amazônia, vazado nos seguintes termos:
    “tão desmatando 2500 alqueres proximo ao rio guaporé no municipio de ceregeiras ro.pedi para o ibama brasil como fica o meu futuro pois este desmatamento esta sendo feito no pulmão da amazõnia e eu moro aqui na região mas não recebi respostas é o q posso comentar não deixe eles desmatar fale pro carlos mink tudo d bom a voces não deixe desmatar
    3 de Novembro de 2009 19:06”
    Vejam que somos vistos como possuidores de poderes, pelo menos para fazer chegar do ministro do meio ambiente recados tais. Possuimos apenas o poder de raciocinar, clamar (como ele), gritar e satisfazer nossa consciência. Lamentamos que não tenhamos mais poderes. Os que os têm não o usam em benefício da Natureza, apenas em proveito próprio de todas as maneiras que lhes é possivel. Estamos entre insensíveis democratas, integrantes da enganosa e anestesiante “Democracia”.

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