ILUMINANDO UMA VERDADE

16/10/2009
by Antidio Teixeira

                                                                             Antídio S.P. Teixeira

Não há dúvida de que os meios de comunicação já começaram a despertar uma consciência popular ambiental, sem o que não se terá como estancar e, mais tarde, reverter o aquecimento global que vem sendo desenvolvido nestes dois últimos séculos. No entanto, as informações liberadas pela Ciência, apesar de verídicas, elas são apresentadas de forma a esconder, ou minimizar, as causas mais graves do processo, uma vez que estas são os sustentáculos da economia capitalista dominante. Vejamos porque: quase todas as combustões poluem a atmosfera porque ao liberarem o calor utilizável, lançam também nela óxidos de carbono; e este elemento é grande receptador dos raios infravermelhos que geram calor nas camadas mais elevadas do espaço. Portanto, quando queimamos combustíveis oriundos de carvão mineral, petróleo ou gás natural; assim também,  como lenha, carvão vegetal, álcool, biodiesel e outros, poluímos igualmente e, do mesmo modo,  contribuímos para aumentar o aquecimento global.

 

A diferença de resultados na utilização das duas classes de combustíveis é que as cotas de carbono emanadas pelos fósseis, correspondem a ações da fotossíntese realizadas por florestas que existiram há bilhões de anos, ocupando, sucessivamente, os mesmos espaços de solo, e que hoje, já não estão mais disponíveis na Terra. Portanto, os efluentes destas combustões são cumulativos no meio ambiente. Já os renováveis, derivam de florestas, ou vegetações contemporâneas e, durante os ciclos de vida destes vegetais, eles captam da atmosfera o carbono necessário para constituírem suas estruturas orgânicas. Assim, durante esse período, eles retiram da atmosfera a mesma quantidade de carbono que nela serão lançadas nas diversas fases de sua utilização, ou seja: desde as queimadas dos resíduos florestais ou nas suas conversões em carvão vegetal, assim como na queima das palhas dos canaviais até o combustível final.

Todos os efluentes originados nas combustões dos renováveis, tiveram seus espaços de ocupação previamente reservados na atmosfera durante a fotossíntese dos vegetais que lhes deram origem. A distorção de informação vem do destaque que se dá às emissões de carbono como um todo indistinto na atmosfera. Talvez por conveniência, fala-se apenas em controlar as emissões de CO2, omitindo-se as parcelas originadas de cada atividade e em cada país. Assim, os meios de comunicação extrapolam no anúncio de combate às queimadas, geralmente para prática de agricultura ou de pecuária que suprem a fome do mundo, camuflando o interesse econômico das minorias dominantes de se deixarem espaços livres na atmosfera para acomodar os efluentes da queima de combustíveis fósseis utilizados para produzir a energia necessária a produção de bens supérfluos, ou movimentação de veículos e de aparelhos não essenciais à vida.

 

Os resíduos naturais eliminados pelos seres animados, são reciclados pelo mundo vegetal mantendo o equilíbrio ambiental; porém os que são  descartados no meio ambiente em consequência da fabricação de bens e de serviços supérfluos oferecidos aos menos pobres, são cumulativos no ar ou no solo e os resultados são os desastres ambientais e socioeconômicos que estas gerações já estão vendo e sentindo. O caminho do equilíbrio é, num primeiro passo, conscientizar as pessoas de que tudo que consumimos, ou bem de que nos utilizamos, consumiram várias formas de energia na fabricação, embalagem, transporte, conservação, e ainda, no descarte do lixo produzido. E tem mais: para fazer funcionar aparelhos ou veículos utilizados sem fins essenciais. Considerem que mais de 80% desta energia tem origem na combustão de fósseis. O passo seguinte é fazer com que as pessoas entendam que as reservas minerais do Planeta já não são suficientes para atender às necessidades de uma humanidade crescente: faz-se necessário, portanto o estabelecimento de um plano de controle restritivo da natalidade.

 

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10 Comentários

  • mgomide3 disse:

    Caro Antídio,
    É bom você tocar no assunto de restrição à natalidade, calcanhar de Aquiles da problemática ambiental. Esse enfoque é tabu civilizacional, por força de influência religiosa geral e por ferir nossa sensibilidade instintiva. Mas precisa ser discutida, pois o excesso populacional gera a situação equivocada em que nos encontramos.

  • Migo Mide:
    Honra-me ser objeto do seu comentário.
    A humanidade, como todo organismo vivo, para cumprir a sua finalidade existencial, necessita de alimentos específicos. Porém, na oferta ambiental, eles vêm acondicionados em algumas matérias não absorvíveis pelos organismos e se transformam em resíduos finais e devolvidos à Natureza para serem reciclados. Para que haja equilíbrio vital, seria necessário que a humanidade estivesse enquadrada entre a oferta da qual a Terra pudesse dispor e a sua capacidade de reciclar os dito resíduos. Assim sendo, o que importa não será o número de seres humanos a serem alimentados, mas sim, o consumo deles dentro destes limites. Se toda a humanidade tivesse um estilo de vida simples, o que é natural, o Planeta manter-se-ia equilibrado ambientalmente com esta, ou até maior carga populacional. Mas, os padrões de consumo supérfluos oferecidos à menor parte da humanidade determinou o desequilíbrio socioeconomicoambiental que está instabilizando a vida como “um todo”. Isso sugere que o primeiro passo a ser dado deverá ser o combate ao desperdício de coisas essenciais à vida, seguido da conscientização popular da restrição do consumo de produtos supérfluos e de bens que necessitem de energia para funcionar; e adoção de “programas de limitação e de seletividade da natalidade”. O estabelecimento deste último passará por acirradas batalhas religiosas e jurídicas que serão vencidas em nome da razão da sobrevivência das formas de vida animadas no Planeta.

  • Caros amigos Antídio e Gomide:

    Felizmente, tenho a certeza de que ambos – e eu me alinho entre vocês – já enxergaram dois dos principais focos de desequilíbrio do meio ambiente: o consumismo exagerado e equivocado, utilizando formas de combustíveis prejudiciais ao meio ambiente e, na outra ponta, a falta de conscientização para a dura realidade de que o excesso populacional precisa sofrer um maior controle e talvez um freio. Mas esta segunda opção tem a objeção de todas as religiões, que dominam as mentes de mais de 2/3 da população mundial. Como lidar com isso?

    A forma de lidar com isso, creio, é ter o apoio da imprensa mundial, divulgando essas verdades para que os governos dos países estabeleçam medidas de controle populacional e defesa do meio ambiente, através do controle dos elementos poluentes e recursos naturais não renováveis, o mais urgente possível. Se algum de vocês ou qualquer outra pessoa conhecem algum caminho diferente, por favor, opinem!

    Penso seriamente – falta-me ainda o tempo – em reformular este humilde blog para colocar uma página especial com as conclusões das discussões que travamos aqui. E nesta página, com toda certeza, figurariam estas que mencionei, grifadas em itálico. Vocês concordam que essas duas medidas (tantas vezes aqui repetidas e recomendadas) já são um ponto pacífico, resultante dos nossos debates?

  • Ivo:
    Como expôs o Gomide num dos seus mais expressivos artigos:”o consumismo é um vício”. E, você sabe que o viciado, mesmo consciente da gravidade do seu estado, comete suícidio. Portanto, vejo, como caminho mais promissor, direcionar menságens às crianças, estas mais temerosas com relação ao futuro , passíveis de serem mais responsáveis e detentora de forte influência sobre os mais velhos. A criação de estórias infantis relacionadas ao tema, seria uma boa. Seria bom ouvir alguns professores primários. Mas, o combate mais urgente deve ser o consumo supérfluo que é sempre alimentado por fontes de energia poluentes.

  • Concordo plenamente. A educação ambiental obrigatória pode ser uma caminho sim. mas será um fruto que só será colhido daqui a uns 20 anos. Serão necessárias outras medidas paralelas. Se essas não forem tomadas, será que vai dar tempo para essas crianças, quando adultas, salvarem o planeta?

    A educação ambiental tem de ser feita sim, em todos os níveis. Mas o homem e os governantes também têm de fazer a sua parte, já.

  • Caríssimo Ivo:
    Que tenha uma boa semana é o que lhe desejo.
    Quando refiro-me às crianças, não é como intrumentos de decisões futuras; mas, como elementos de presão sobre a população madura. A educação ambiental futura é uma necessidade para moldar o comportamento social de amanhã. Lembra-se das estórias em quadrinhos e de seus herói na nossa adolescência. é o que pensei.

  • mgomide3 disse:

    Estamos vivendo, desde o início do século XXI, um estágio histórico gravíssimo. Precisamos enxergar que o tempo de tomar atitudes concretas, compatíveis com a essência do problema, é agora. Atribuir à educação das crianças essa situação para que eles, depois de adultos, resolvam o problema, é um caminho equivocado. A seriedade do perigo é muito grande; é do presente, não é do futuro. A responsabilidade de sua solução é nossa, da geração governante da atualidade. Não há tempo para jogarmos o assunto para as gerações vindouras. Elas já estão eleitas como vítimas inocentes, porque os tempos presentes não trazem futuro para elas. A cada minuto que passa, significa mais sacrifícios para abortar a bomba ambiental. Peço que o caro articulista equacione essa questão, considerando a urgência de curtíssimo prazo, para suplantar o equívoco da educação de gerações novas. Clamo para que seja criado o governo mundial, que terá, como primeira missão, diminuir a população de humanos. Por enquanto, essa medida ainda poderia ser planejada. Mais alguns poucos anos e terá de ser feita na marretadas e por atacado. A situação ambiental é igual à de um vaso de capacidade para 8 litros. Já está contendo 7,9999999 litros e a torneira continua pingando. Nossa situação é acudir um incêndio enquanto há possibilidade de extingui-lo: agora. Depois de certo tempo, nada mais se pode fazer.

  • Exatamente, Gomide. Você raciocinou na mesma direção minha. Claro que o Antídio está corretíssimo ao sugerir a educação ambiental dos jovens. Mas, como eu disse, isso seria para dar continuidade ao processo de controle e preservação do meio ambiente e não para solucioná-lo. Seria até uma covardia nossa fazermos as “cagadas”, partirmos e deixar o problema na mão das gerações futuras.

    Aliás, parece que é isso o que os nossos governantes estão pensando em fazer. E desta vez parece que nós 3 chegamos às mesmas conclusões:

    1) É necessário que os nossos governantes e os “donos do poder” adotem medidas preventivas e corretivas, já, porque não há tempo para esperar as novas gerações se formarem;
    2) É necessário que os governos, em nível mundial, estabeleçam um rígido controle populacional;
    3) É necessário que se mude as matrizes energeticas mundiais, diminuindo ou abandonando o uso dos combustíveis fósseis;
    4) Os governos têm todos de agir em sinergia, ao mesmo tempo, se possível com um controle ou governo mundial centralizado;
    5) Torna-se imprescindível que as crianças tenham educação ambiental hoje, para que possam dar continuidade a todas as medidas anteriores.

    Seria isso?

  • Idéias brilhantes, temos aos montes. Difícil é a exequibilidade diante da força econômica dominante. Antes da ECO 92, num dos meus trabalhos ambientalistas, apresentei uma idéia que me pareceu revolucionária e brilhante: taxar o uso dos combustíveis fósseis (responsáveis pela degradação ambiental) e, com o produto financiar a implantação de uso de sistemas de captação energética de fontes alternativas. Parece-me que somente a Noruega adotou e, não sei se deu continuidade porque causa déficit financeiro. Necessitamos mais idéia que possam conscientizar os consumidores, no padrão do “vício consumista” do Gomide.
    Abraços.

  • mgomide3 disse:

    Ivo, também penso assim..
    Antídio, entendo que não precisamos de mais idéias, mas de ação. E urgente. Por isso que o primeiro passo é a formação de um governo mundial. Forte, incisivo, dispondo de todo o arsenal necessário para atuar. Isso é uma revolução; é mudar completamente esta civilização. Essas ações serão exclusivamente por necessidade; atos de autodefesa. Caso contrário, eu não vou querer estar aqui.

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