UMA VISÃO DA CRISE ECONÔMICA

06/11/2008
by mgomide3

Nesses últimos dias, temos tido conhecimento do pânico global dos encarregados de manter a lona do circo econômico em pé. Essa situação de derrapagem, em que as bolsas de valores mostram índices negativos, isto é, perda de dinheiro por parte dos investidores, indica apenas a conseqüência de atitudes irracionais e maléficas. É uma espécie de estado febril do mundo materialista, indicando que o conjunto estrutural, com base exclusiva em objetivos de lucro, não se sustenta por incompatibilidade de meios e objetivos.
Tal situação não é de alarmar. Afinal, só perde quem tem sobrando. Perde também quem não tem dinheiro, mas tem ambição de sobra. É sempre sobra; raramente afeta quem tem apenas o essencial.
Isso tudo começou quando, na ânsia desmedida e irresponsável de apossamento de bens, – dos que existiam e dos que não existiam – indivíduos inventaram de sacar sobre o futuro. Para ganhar mais, é claro. Crédito significa confiança; confiança no futuro. […]O crédito é altamente prejudicial para o sadio andamento dos meios de troca, o dinheiro, quando este é representativo de bens existentes. Por quê? Simplesmente porque antecipa para hoje o valor de bens que ainda vão ser produzidos, aí incluídos os essenciais (poucos) e os supérfluos (muitos). Em palavras simples: é um roubo ao futuro. O sistema mundial funciona nessa base. Significa diminuir as possibilidades do futuro (meio ambiente) em benefício da realização agora de lucros. Na verdade, isso tudo advém da adoração irracional, sob estado compulsivo, do deus dinheiro.
Vejam só a mentalidade deformada dos homens que governam o mundo. Em comentários recentes, informaram os economistas de governo que, ante o horizonte global recessivo, o PIB (ah, PIB!) médio geral para 2009 previsto em 5% deverá ser recalculado para “apenas” 2%. Em outras palavras, o punhal da ganância rumo ao coração do meio ambiente deverá ser empurrado “apenas” 2%.
Mas há um consolo. E importante. A roda produtiva de bens não essenciais (lixo) gira agora com menos velocidade. O ideal, seria que ela parasse por longo tempo. Com o funcionamento lento da máquina econômica, produzem-se menos bens de consumo espoliativo. O planeta, ainda não agonizante, terá pelo menos 3% de tempo para um suspiro. É um bem maior que o dinheiro todo do mundo, pois é um bem à Vida.

Nesses últimos dias, temos tido conhecimento do pânico global dos encarregados de manter a lona do circo econômico em pé. Essa situação de derrapagem, em que as bolsas de valores mostram índices negativos, isto é, perda de dinheiro por parte dos investidores, indica apenas a conseqüência de atitudes irracionais e maléficas. É uma espécie de estado febril do mundo materialista, indicando que o conjunto estrutural, com base exclusiva em objetivos de lucro, não se sustenta por incompatibilidade de meios e objetivos.
Tal situação não é de alarmar. Afinal, só perde quem tem sobrando. Perde também quem não tem dinheiro, mas tem ambição de sobra. É sempre sobra; raramente afeta quem tem apenas o essencial.
Isso tudo começou quando, na ânsia desmedida e irresponsável de apossamento de bens, – dos que existiam e dos que não existiam – indivíduos inventaram de sacar sobre o futuro. Para ganhar mais, é claro. Crédito significa confiança; confiança no futuro. O crédito é altamente prejudicial para o sadio andamento dos meios de troca, o dinheiro, quando este é representativo de bens existentes. Por quê? Simplesmente porque antecipa para hoje o valor de bens que ainda vão ser produzidos, aí incluídos os essenciais (poucos) e os supérfluos (muitos). Em palavras simples: é um roubo ao futuro. O sistema mundial funciona nessa base. Significa, na prática, diminuir as possibilidades do futuro (meio ambiente) em benefício da realização agora de lucros. Na verdade, isso tudo advém da adoração irracional, sob estado compulsivo, do deus dinheiro.
Vejam só a mentalidade deformada dos homens que governam o mundo. Em comentários recentes, informaram os economistas de governo que, ante o horizonte global recessivo, o PIB (ah, PIB!) médio geral para 2009 previsto em 5% deverá ser recalculado para “apenas” 2%. Em outras palavras, o punhal da ganância rumo ao coração do meio ambiente deverá ser empurrado “apenas” 2%.
Mas há um consolo. E importante. A roda produtiva de bens não essenciais (lixo) gira agora com menos velocidade. O ideal, seria que ela parasse por longo tempo. Com o funcionamento lento da máquina econômica, produzem-se menos bens de consumo espoliativo. O planeta, ainda não agonizante, terá pelo menos 3% de tempo para um suspiro. É um bem maior que o dinheiro todo do mundo, pois é um bem à Vida.

Blogger PostBookmark/FavoritesDiggEmailFacebookGoogle GmailGoogle+LinkedInPrintFriendlyTwitterYahoo MaildiHITTShare

4 Comentários

  • Mr. Spock disse:

    Quando exortei o Ivo, como Economista, a iniciar uma discussão sobre a atual crise financeira, não era bem essa vertente que esperava ver aqui, mas mesmo assim, vamos lá…

    Pegando carona na nova moda de questionário lançada no DDD, aí vai um para o Gomide:

    1) Voce mora em uma caverna natural ou em uma “construção regular” (casa, apartamento…)?

    2) Caso seja uma construção, voce a comprou à vista, ou construiu com as próprias mãos?

    3) Caso tenha construído por si próprio, usou recursos reciclados do lixo ou recursos naturais como cimento, pedras, ferro, etc.?

    4) Caso tenha comprado pronta, o fez à vista ou financiado?

    5) Considerou o uso de material reciclado na construção, caso a tenha comprado pronta?

    6) O computador que usou para escrever e postar este artigo foi feito por voce mesmo, incluindo todos os componentes (chips, placas de som/vídeo, memória RAM, etc.) usando material reciclado?

    7) Caso tenha comprado pronto o PC, o fez à vista ou a prazo? Considerou que tenha sido feito de lixo ao comprar?

    8) A energia elétrica utilizada em seu “habitat” (ao menos para usar o PC) é gerada por voce através, por exemplo, de um dínamo em uma bicicleta fixa que fica pedalando enquanto escreve?

    9) Por falar em bicicleta, utiliza uma para se locomover diariamente, fabricada por voce mesmo com material reciclado?

    10) Considera seu PC como lixo, já que é um bem não essencial?

    Isto posto, sou obrigado a concordar que o estopim da crise foi a ganância. Ganância de Bancos hipotecários americanos em quererem captar novos clientes através de hipotecas concedidas a compradores sem histórico de crédito (imigrantes, negros e brancos sem garantias, etc.)com juros “subprime” (muito acima da média normal). Ganância dos que adquiriram tais hipotecas, mesmos com tais juros altos, de olho em ganhos altos e fáceis durante a chamada “bolha imobiliária” (valores crescentes dos imóveis).

    No fim, ambos sairam perdendo.

    Agora, dizer que só perde quem tinha sobrando é de uma miopia econômica estrondosa!

    Todos, absolutamente todos estão perdendo com esse imbróglio. A queda das bolsas não afeta apenas quem tinha dinheiro aplicado lá, afeta, principalmente, as empresas que estão perdendo trilhões de US$ e, para compensar, precisam demitir chefes de famílias.

    Investimentos sociais, até mesmo nas chamadas “energias alternativas”, serão adiados ou mesmo cancelados por anos, por falta de créditos.

    Na China, por exemplo, multidões de dezenas de milhares de trabalhadores estão migrando de uma cidade para outra atrás de emprego, por terem sido demitidos. Os índices de desemprego nos EUA e Europa já atingem índices alarmantes.

    No Brasil, entre outros problemas, a “marolinha” já fez com que nossas 2 maiores empresas (Vale e Petrobras) perdessem mais da metade de seu valor de mercado, prejudicando Fundos de Pensão e, obviamente, seus afiliados e pensionistas, pessoas comuns que contavam com um futuro tranquilo.

    Dizer que o crédito “é altamente prejudicial” à Economia…bem deixo isso para o Ivo comentar por considerar um autêntico disparate.

    Uma das características peculiares ao seres humanos é seu sentido de Tempo, e dentro disso, sua “aposta” no futuro. Animais reproduzem por força da Genética. Humanos, além disso, têm filhos almejando um FUTURO para eles (pelo menos, os humanos decentes e responsáveis).

    Que cada um de nós queira ter um futuro melhor e propiciar o mesmo a nossa prole é o que construiu a sociedade que conhecemos. Querer negar isso é ir contra a realidade e o bom senso. Querer que isso seja extirpado da Humanidade é anarquismo radical, beirando a demência.

    Que o atual sistema financeiro “esticou” o crédito além do ponto de ruptura, como um elástico, parece que ficou patente agora. Mesmo que não vivamos mais em uma Economia em que o valor circulante possua seu lastro em ouro, é preciso que o crédito tenha limites técnicos estabelecidos, e isso parece que está sendo providenciado por Governos conscientes, na Europa e EUA. Também não parece ser compreensível, dentro da Economia clássica, que ativos sem qualquer valor real sejam comercializados, como o exemplo de “ações” do IBOVESPA! Ora! O que produz um índice?? Que bem material pode ser considerado um mero número??

    Afora detalhes específicos como o “subprime” que, mesmo alcançando dimensões de “principal”, não deixam de ser detalhes, as bases econômicas tradicionais propiciaram ao mundo um progresso que nenhum outro modelo econômico já tenha sugerido. A idéia do lucro, muito mais do que mera ganância desenfreada, exprime (na versão saudável) a idéia de motivação, impulso e melhoria de vida, sem a qual a espécie humana se iguala às amebas.

    Ah, sim…só para “apimentar” o assunto, como gosta o Ivo: o sistema financeiro mundial, mormente nos EUA, é controlado por judeus, usando os mesmos preceitos básicos utilizados na Bíblia, ou seja, Deus está do lado só deles, o resto que se f…

  • Kibom33 disse:

    Ivo não tenho mais conseguido acessar seu site, excessão essa.

    Abraços!

  • O INTERIOR DA CRISE ECONÔMICA

    O mundo capitalista se debate na primeira e, provavelmente, a última grande crise “sócio-econômica-financeira-ambiental”. Muitos mestres em economia ou em comunicação, vêm a público prestar esclarecimentos sobre o acontecimento e apontar caminhos para restabelecer a confiança no sistema e levar investidores de volta a aplicação de seus recursos nas bolsas de valores, um jogo de azar, o que na verdade, só faria retardar o estouro para uma deflagração mais estrondosa amanhã. O fato é que o sistema financeiro mundialmente adotado como econômico é deficitário porque consome mais do que produz e o pouco que produz é mal distribuído e termina por ficar em poder de menores parcelas da população mundial. Por isso, para sobreviver ele necessita de um aumento contínuo de consumo a fim de obter, cada vez mais lucros para poucos. Como a maior fatia da humanidade é despojada de recursos para consumir o indispensável para ter uma condição de vida digna, a produção vai se restringindo cada vez mais e sendo sofisticada para satisfazer os desejos mais extravagantes das minorias que conseguem auferir maiores rendimentos. Esta inviabilidade foi prevista por Marx e, no entanto, ela tornou-se viável até o momento, porque contou com fontes energéticas como hulha e petróleo, assim como jazidas de matérias primas aflorando no solo e, por isso, baratas; a atmosfera, os mares e as florestas com suas faunas se renovavam naturalmente mantendo a pureza necessária à vida. Nessas exuberantes condições de riquezas naturais, a ambição de poder de reis e de poucos cidadãos europeus começou a implantar políticas financeiras que deram origem ao capitalismo atual e moribundo. À medida que foram sendo aplicados mais recursos que propiciaram a evolução tecnológica, homens e animais de tração foram sendo excluídos do trabalho, deixados sem meios de subsistência em todo o mundo e, hoje, afeta até as classes de profissionais liberais. O desvio da evolução social natural começou, exatamente, no momento em que, acidentalmente, se transformou a hulha em coque, e, com este, fundiu-se o ferro o que, até então, o faziam num processo penoso e limitado, por ocupar muita mão-de-obra de lenhadores, carvoeiros e transportadores que alimentavam as empíricas siderúrgicas, razão do seu elevado custo e aplicação limitada à fabricação de armas, ferramentas e artefatos de maiores necessidades. Passando o ferro a ser fundido em grande escala e com um combustível altamente concentrado e barato por nenhum trabalho ter custado ao homem para fabricá-lo e concentrá-lo através de milhões de anos, novas aplicações modificaram o comportamento social da humanidade. Trefilados permitiram as construções de elevados prédios, superpovoando, deste modo, as áreas urbanas; tubos de ferro fundido resolveram problemas de abastecimento de água; trilhos, máquinas a vapor e motores a explosão que impulsionaram vagãos e navios para abastecerem as novas cidades que cresceram mais para o alto, o que fez com que o homem dependesse, cada vez mais, de energia elétrica para bombear água, acionar elevadores e ventiladores etc. Assim, também, para transportar passageiros, sendo hoje o avião, o mais rápido, preferido e o maior consumidor de energia por unidade de massa transportada. Só que, as minas de hulha mais próximas foram se esgotando, outras ficando cada vez mais profundas e/ou distantes; o petróleo que, inicialmente, em algumas regiões, chegava a esguichar do solo, quando se escavavam poços para água, hoje ele é extraído de poços cuja profundidade já não se medem mais em metros, mas em quilômetros. A disputa pelas jazidas destes combustíveis tem sido motivos de caríssimas guerras fazendo milhares de mortos deixando crianças órfãs. Os custos para obtenção desses combustíveis e de outras riquezas minerais se elevaram consideravelmente durante estes dois últimos séculos, transferindo para as planilhas de custo de produção e de vendas das mercadorias produzidas com eles. O desastre começou a ser apontado na consciência de ambientalistas na década de 1970 quando observaram, pela primeira vez, o “buraco” na camada de ozônio sobre o Pólo Sul e foram despertados para o fato de que os gases emanados pela queima de combustíveis fósseis, predominantemente os óxidos de carbono, não dispondo de meios para se reciclarem, vinham se acumulando na atmosfera e causando alterações climáticas precursoras de intempéries com sérias implicações na produtividade agropecuária e danos imobiliários, tanto nas áreas urbanas como, também nas rurais. Resumindo: os custos operacionais da produção mundial já superam em muitas vezes os recursos financeiros globais obtidos para suas aquisições, o que não deixa mais margens para os lucros fáceis de outrora. Esta é a causa; o desfecho dependerá das atitudes que serão tomadas pelos governantes do mundo.
    ….NOTA:
    Este artigo eoi publicado em outros blogs sob título
    O BIG BANG FINANCEIRO durante a recessão do DDD, e considerei oportuno encaixá-lo como comentário deste artigo por focalizar a mesma questão por outro ângulo.

  • Administrator disse:

    Caros amigos:

    Tinha pensado em escrever um artigo sobre o que penso dessa “crise econômica”, que poderá levar a uma recessão mundial. Falta de tempo e apenas isto, por ter priorizado ajustar o blog, é o que me tem impedido.

    Mesmo assim, dada a importância do assunto, vou dar o meu “parpite”, não como economista, mas como cidadão comum, com um pouco de capacidade de observação. Desculpem, mas vou ter de fazê-lo resumidamente:

    As leis da natureza já existiam desde que o mundo é mundo e ao homem coube apenas descobri-las e interpretá-las. Mas aí entra o seu mau-caratismo, tentando não se ajustar àquelas leis, mas ajustá-las aos seus interesses imediatistas. E toda vez que homem faz isso, achando-se acima das leis naturais, as conseqüências, cedo ou tarde, aparecem. Para mim, os vilões dessa crise são: a economia globalizada, o “câmbio flutuante”, as multinacionais, e as BOLSAS DE VALORES, como um cassino do lucro fácil e rápido. Só isto e nada mais que isto. Tá bom, tá bom… Se é só isso, por que não corrigiram e evitaram? E quem sou eu para dar uma opinião dessas, se até os mais experientes especialistas evitam dar uma opinião concreta? Por que não encaram a verdade nos vários “fóruns econômicos” que realizam? (agora mesmo vai haver mais um, o do G-20, em São Paulo).

    Vamos para o “achômetro”: Só pode ser porque as autoridades econômicas são, antes de tudo, autoridades políticas, que ajem para satisfazer interesses e não pelo bem comum. Não acredito que eles não possam compreender esses exemplos basilares da Economia: 1) Quando um bem é escasso na natureza o seu valor é elevado; quando é abundante, o valor é baixo; 2) ou a famosa “lei da oferta e da procura”, na formação dos preços: quanto maior a procura, maior o preço; quanto menor, menor é o preço. Traduzindo: A OFERTA é inversamente proporcional ao PREÇO.

    Agora vamos exemplificar (vou dar apenas um exemplo) com o preço do barril de petróleo e o do comportamento das bolsas: em menos de um ano, ele variou de R$ 42,00 a R$ 103,00 e, agora, retornou para um patamar em torno dos R$ 60,00. Está claro que isso, por causa do jogo das ações na bolsa, não é um preço real, porque não variou em função da demanda, e sim dos interesses políticos e da especulação. Portanto, contrariou uma lei natural, para seguir a lei dos homens. Assim, a bolsa de valores, é sim, uma das principais vilãs.

    A crise só seria real, se houvesses escassez de bens essenciais, falta de produção e crédito. Então, podemos concluir que o preço do petróleo, quando chegou aos R$ 100,00 o barril, era falso. Mas mesmo sendo falso, influenciou as bolsas. E como a Economia está globalizada ela segue essa leis, mesmo sabendo serem falsas.

    Quanto ao crédito, ele é essencial ao desenvolvimento econômico. Se não tem crédito, não se criam novas indústrias, não se repõe estoques, não se produz, não se consome. Conseqüência? Crise econômica fabricada, porque, na realidade, os motivos para a retração do crédito são falsos, fabricados pelos homens.

    Conclusão: Há que se respeitar a velha e famosa lei natural da “oferta e da procura”, – que não foi fabricada pelos homens – e tirar das bolsas o poder de ditar os rumos da Economia. Bolsa de Valores é uma instituiçao criada pelo homem, que funciona como um cassino, como um blefe em jogo de pôquer. Não pode dar certo sempre, jamais. A hora que enxergarem isso e mudarem o comportamento das bolsas e as suas influências nas economias mundiais, as crises, se existirem, serão previsíveis, naturais e mais fácil de controlar.

    Em poucas palavras, é mais ou menos isto. O resto, pretendo aprofundar em um post.

Deixe uma resposta