Filósofos – Feuerbach (Ludwig)

07/10/2009
by Ivo S. G. Reis

"Quando a moral se baseia na teologia, quando o direito depende da autoridade divina, as coisas mais imorais e injustas podem ser justificadas e impostas" (Feuerbach in "A Essência do Cristianismo", 1841)

Prosseguindo a nossa coleção "Biografias de Filósofos", publicamos hoje a de Feuerbach, notável filósofo e antropólogo alemão, que influenciou os pensamentos de Marx, Engels, Dietzgen e muitos da corrente hegeliana, que lhe sucederam. Para Feuerbach, a religião seria uma alienação, uma abstração do pensamento sobre a fraqueza e imperfeição humana. É dele a frase: "Deus é a projeção exterior do desejo de perfeição do homem".  Ou seja, o homem, reconhecendo a sua incapacidade de ter as qualidades de perfeição que julgava ideais, atribuiu-as a um ser imaginário que chamou de "Deus", transferindo para esse ser as responsabilidades daquilo que ele, como humano, jamais conseguiria executar.

A versão de biografia que selecionamos para publicação, dentre todas as que consultamos, foi a que nos pareceu menos didática e mais próxima da realidade do controverso personagem. Ao final do texto, pode também ser consultada a biografia oficial, da Wikipédia.

 

LUDWIG FEUERBACH – Filósofo alemão ( 1804 – 1872 ) nasceu em Landerhut, e tornou-se discípulo de Hegel, escreveu várias obras, sobre a história da filosofia, que serviram de introdução ao seu principal trabalho, Das wesen des Cristentums ( A natureza do cristianismo ). Que é uma tentativa para mostrar que as idéias  acerca de deus, e da imortalidade da alma, são contrárias a ciência. A sua obra é incompatível com a crença religiosa e desenvolve uma teoria hedonista.  (o mesmo que epicurismo )    " O homem é apenas o que come " , escreveu L. Feuerbach.

 
 
FeuerbachQuando Marx constatou, em 1844, que a crítica à religião já estava devidamente elaborada e estruturada, certamente se referia à obra de Ludwig Feuerbach. Com efeito, Feuerbach consagrou todos seus esforços à critica da religião: "Deus foi meu primeiro pensamento, a razão foi o segundo e o homem, meu terceiro e último pensamento".  
 
Ele procurou no psiquismo individual humano a raiz da concepção religiosa específica: "Como o homem pensa, como ele é intencionado – assim é o seu Deus". 
 
Para explicá-lo, Feuerbach recorreu ao mecanismo de projeção:  incapaz de atribuir à "espécie" humana as perfeições absolutas do saber (Onisciência),  do sentir (Amor) e do querer (Onipotência), o homem religioso projeta essas qualidades num ser fictício no além,  a quem chama Deus e a quem suplica a participação nos dons que lhe atribui.
 
 "Deus é…( … ) o produto da substituição do homem perdido."
 
Os limites que infirmam o individuo levam-no a sonhos ilimitados de sabedoria e potência,  projetados num mundo celestial e imaginário." 
 
 Nessa perspectiva, Feuerbach propõe uma reviravolta antropológica: devolver ao homem as qualidades colocadas emDeus, pois,  se "o ser divino serve para compensar a falta de caráter divino da natureza e do homem …( … ),  a negação do além tem como conseqüência a afirmação do aquém …( …).
 
O homem é o verdadeiro Deus do homem". 
 
As idéias de Feuerbach sobre A Essência da Religião deveriam converter "estes amigos de Deus em amigos do homem, estes crentes em pensadores, estas pessoas que rezam em trabalhadores, estes candidatos à existência futura em estudantes da vida presente, estes cristãos que, segundo sua fé e sua própria confissão, são 'meio anjos, meio bichos' em homens simplesmente, em homens completos".
 
Para Feuerbach, além dessa projeção intelectual das qualidades humanas numa "personalidade absoluta",  existe ainda uma fonte psicológica para as concepções religiosas: a incapacidade de o homem encontrar outra possibilidade de conforto  para a dor e a miséria inerentes à condição humana.
 
Assim, Feuerbach encara a religião apenas como a consciência projetada do homem  e de sua condição de finitude, limitação e sofrimento. Criticar a religião, a seu ver,  significa enriquecer e libertar o homem, retirando de Deus as qualidades da espécie humana
 que erradamente lhe foram atribuídas. "A supressão deuma vida melhor no céu implica a exigência de uma vida melhor na terra, faz do advento de um futuro melhor não mais o objeto de uma crença vã, mas uma obrigação a ser realizada pelo homem.
 
" Transformar a questão de Deus numa questão do homem, transcrever a teologia  em termos de antropologia, substituir a felicidade no céu pela felicidade sobre a terra, isso é criticar a religião segundo Feuerbach.
 
 

 

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