Parceiros DDDÉ, pessoal, as coisas esta semana aconteceram tão rápidamente que nem tivemos tempo de fazer a costumeira divulgação de apresentação dos nossos 4 novos parceiros. Vai ficar para o próximo post, onde apresentaremos o "Café com Notícias", do jornalista Wander Veroni, e o "Portal Brasileiro da Filosofia", a Rede Social Paulo Ghiraldelli e o Blog Paulo Ghiraldelli, estes 3 últimos, administrados pelo conhecido filósofo brasileiro, Prof. Paulo Ghiraldelli Jr, a partir de hoje, nosso parceiro, que estará ajudando na  divulgação de nossas mensagens e colaborando com o envio de excelentes traballhos. E o que é melhor:  ele possui um arsenal, entre artigos, palestras, vídeos, imagens, canal de TV e excertos de trechos de livros de sua autoria, sendo um incansável produtor diário de conteúdos.

Sobre o Café com Notícias, também já falamos aqui e já figura na nossa lista de "sites parceiros". É um conceituadíssimo blog, com bastante conteúdo e vocês irão também se surpreender com a qualidade do material a ser enviado, especialmente agora que completou, no dia 20/08/2009 dois aninhos de vida e reserva para nossos leitores uma "surpresa de aniversário". Aguardem! Os sites do Paulo, ainda nem tive tempo de incluir no template do blog. Mas posso adiantar que ele é um colaborador tão ativo, que já tem artigo aguardando na fila de espera. Podemos dizer, sobre o ocorrido, que "o Café com Notícias fez aniversário, tornou-se nosso parceiro e, por coincidência, fomos nós e toda a rede DDD os que ganhamos 4 presentes."

Com essas ressalvas, republico abaixo o primeiro artigo que o Paulo nos enviou onde, partindo de um caso real acontecido na Bahia por esses dias, ele o analisa, comenta e critica, com o seu ohar de filósofo, concluindo que mesmo naquele estado, onde cerca de 60% da população é de origem negra ou mestiça, existe sim  a discriminação racial, caminhando ao lado dos preconceitos morais e sociais, marcados por um moralismo e discriminação exacerbados. Leiam o artigo e entendam os questionamentos do filósofo:

 

O filósofo toda quinta na TV, 19 horas http://justtv.com.br

 No Brasil, a lei agora é viver sem o corpo

Professora na dança do enfiadoO Brasil não é mais um país de brancos. As estatísticas mostram isso. Nosso país se orgulha, agora, de ser uma democracia racial. Este é o discurso oficial. Mas, na vida cotidiana, o preconceito com a cor se mistura à hipocrisia e ao medo da sensualidade, sempre associada aos mais escuros de pele, e continua criando dificuldades para muitas pessoas. Entre essas pessoas, as mulheres são as mais visadas.

Uma bela mulata, jovem, formada em pedagogia, subiu no palco em um show de pagode e dançou o ritmo que está tomando a Bahia, o “Todo enfiado”. No meio da dança, o vocalista levanta a saia da moça. É claro que ela não deu vexame, ela não saiu dali chorando e espancando o vocalista. A professora estava participando de uma festa. Pode não ter gostado do que ocorreu, mas jamais iria descer do palco em atitude agressiva.  É claro que os celulares filmaram tudo. Uma vez na Internet, a professora foi identificada e perdeu o emprego. Ela dava aulas para crianças de cinco anos em uma escola particular. Não contentes com isso, os bahianos vizinhos dela, por meio de pressão moral e psicológica, empurraram a moça para fora do bairro, onde morava com o filho pequeno.

A professora preferiu não servir de mártir. Acuada, não deu entrevistas. Provavelmente tem medo de não conseguir mais emprego. Não estou falando de um estado sulista não! Estou contando um caso da Bahia, recém ocorrido.

Este é o Brasil da democracia racial não oficial. Quando escuto e vejo isso, e quando olho o tratamento que a imprensa televisiva deu ao caso, tenho vergonha do Brasil. As televisões que menos desaprovaram a moça, ainda assim falaram dela com certo asco na voz.

A professora estava dançando e não podia prever que iria ter a bunda mostrada. Era um divertimento. Ela tinha esse direito. Por um quase exagero do vocalista, ela pagou um preço muito alto. Agora, a culpa é do vocalista ou dela? Não há culpa. Não há culpa! Isso é que é necessário entender. Não é possível que ao compartilhar do ethos do povo, um elemento individual da sociedade que usufrui desse ethos, seja punido. A professora nada fez senão dançar o que todos nós dançamos: a dança de pessoas de uma democracia racial.

A dança que toma os palcos bahianos é igual a qualquer outra dos últimos vinte anos, do “Tcham” à “Dança da Bundinha”.  Que os jovens, principalmente os que sabem rebolar e possuem a jinga no sangue, venham a fazer isso em particular ou em público, é alguma coisa não só permitida, mas é, na prática, incentivada.  A professora está na casa dos vinte, portanto, cresceu com isso. Faz parte do que aprendeu como correto, e é o correto. É bobagem dos conservadores eles quererem transformar a dança e o divertimento em “foi lá para mostrar o rabo”. E se foi, e daí? Danças mostram partes do corpo, impossível dançar sem o corpo. O próprio nome da dança, como tantas outras, diz claramente que a sensualidade envolvida na coisa é, de fato, a sensualidade do momento, da exibição de certas partes do corpo e com certas posições e relações entre roupa e corpo.  Não podemos confundir o ato de mostrar uma parte do corpo em uma dança e o ato de mostrar a parte do corpo em um determinado lugar para uma determinada pessoa, em gesto que pode ser qualificado de obsceno. Não há dança obscena.

A atividade da professora, ao dançar, não foi na escola. Nem mesmo foi ela quem filmou e colocou na internet. Além disso, mesmo que tivesse dançado na escola e posto na internet, ainda assim seria necessário ver que todos, nos últimos trinta anos, estiveram diante de babás eletrônicas (ah, loiras podem!) que dançaram mostrando partes do corpo. Claro! Como dançariam sem corpo? Ah, querem dança disciplinada? Dança não é marcha militar!

Se todas as mulheres não puderem nem mais cruzar as pernas em um bar porque, se filmadas e aparecer a calcinha, serão demitidas, então teremos institucionalizado o terrorismo de todos contra todos. É necessário parar agora com isso. Não parar de filmar. Mas parar com o ataque da pressão social que quer fazer o nosso corpo desaparecer. Ou paramos agora com isso ou vamos começar a punir a nós mesmos por sermos o que somos. Criar problema contra o fato da moça mostrar o corpo pertence ao mesmo tom de conversa daqueles que invocavam com Lula por ele ter barba. É a exigência do “padrão do corpo”, é o desrespeito a tudo que somos como humanos. Não é moralismo não. O moralismo é apenas casca, neste caso. É vontade, mesmo, de colocar “na linha” os que, com sua presença exuberante, mostram para nós que somos corpo. Os conservadores odeiam essa lembrança. Pois, quando ficam sabendo que somos corpo, percebem que todos iremos morrer – desaparecer. Eles não querem aceitar isso, querem ser imortais, então, não admitem que somos todos corpos. Cada um de nós é ou gostaria de ser aquilo que a professora soube mostrar, e que os conservadores amam e odeiam: a beleza do corpo.

Os conservadores que demitiram a moça ou que a pressionaram e os donos do colégio que, enfim, disseram que ela não foi demitida (mas não foi incentivada a ficar), vão ganhar o troco mais cedo do que esperam. Suas filhas vão dançar o “Tudo atolado” na frente deles. Com 6, 7, 12 ou 15 anos. Todas vão mostrar as nádegas e vão gingar muito. As mulatas irão, talvez, gingar melhor que as brancas. Isso ocorrerá não só em Salvador, mas no Brasil todo.

No entanto, no cotidiano, a professora vai carregar a marca da discriminação. O ethos do qual ela participa, vencerá. Sabemos disso. No entanto, não podemos viver da glória hegeliana de achar que os indivíduos devem pagar o preço pelo sucesso da história em seu rumo à liberdade. Não! Temos de fazer justiça a cada indivíduo, agora, para não ter de criar cotas justiceiras futuras. A professora precisaria ter a lei a favor dela agora, neste momento. A OAB e o próprio presidente da República e os candidatos à presidência, todos deveriam apoiá-la. Agora sim, o governador da Bahia deveria vir a público, como fez naquele espalhafatoso caso do professor universitário que deu entrevista na rádio mostrando preconceitos de toda ordem. Naquele caso, era fácil. Quero ver agora, em que o preconceito contra nosso sangue e nosso ethos está mascarado. Quem se cala nessa hora, com medo do Brasil reacionário, é covarde. Quem fala um “azinho” da moça professora, é um verme.

Vídeo da professora

©28 de agosto de 2009 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo.

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Paulo Ghiraldelli Jr.
O Filósofo da Cidade de São Paulo
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12 Comentários

  • mgomide3 disse:

    Com tão tendencioso, faccioso e anti-filosófico primeiro artigo neste notável blog DDD, cabe-me lamentá-lo. Fiz demorada leitura de seu arrazoado. Fui, portanto, leitor. E, nessa qualidade, eu me sinto agredido ao ser antecipadamente etiquetado de covarde e verme em suas acepções mais desprezíveis. Essa qualificação, por si só, destrói qualquer pretensão filosófica para o artigo. Eu me recuso a comentar o âmago do tema ali tratado por considerá-lo apenas como simples peça jornalística, apaixonada, sofismática, com alto cunho de individualismo. Enfim, sem nenhum valor intelectual. Não valorizarei mais suas futuras matérias, agregando-lhes meus humildes comentários.

  • Caro companheiro e colaborador, Gomide:

    Lamento profundamente que a matéria lhe tenha causado tanta indignação. Aliás, eu até previ que esse tipo de reação poderia vir a ocorrer com alguns leitores, mas, confesso, nem de leve me passou pela cabeça que você seria um deles.

    Não vou tentar , nem de leve mudar a sua opinião porque você é um dos mais lúcidos e inteligentes colaboradores deste blog e deve lá ter suas razões para ter reagido assim. Afinal, não é só em música, política, futebol, etc, que se dá a divergência de gostos. Isso acontece também em literatura e muito mais ainda – e esta é a sua característica – em filosofia. A mim me pareceu que o autor quis mostrar a sua indignação contra o linchamento moral que fizeram sobre a moça que, segundo ele, aos 20 anos e vivendo numa época e meios em que os modismos são comuns, ele aderiu a um desses próprios da sua idade, na Bahia, um estado que respira música e, foi infeliz porque vai provavelmente ficar marcada e traumatizada pelo resto dia sua vida. Isto, num país em que se diz “não haver preconceitos”.

    Mas, creia, respeito a sua opinião. Acompanho os artgos do Paulo e suas palestras na televisão, faço parte da sua rede e sei que ele é mesmo polêmico. Talvez se você conecesse melhor o seu trabalho (visite os sites dele) e se o primeiro artigo não fosse exatamente este, você teria uma outra visão. Lembra daquele nosso outro inteligente colaborador (aliás nosso parceiro no Projeto S.I.L.I), o Mr. Spock? Não podemos negar a sua inteligência e o fato de ele ser um pesquisador criterioso. E, no entanto, quantas vezes ele, você e o Antídio discordaram? Pense nisso!

    Em um blog de debates, jamais conseguiremos agradar a gregos e troianos. E é bom que haja os discordantes, senão, onde estaria o debate?

    Antes de finalizar, apenas um pedido de pequeno esclarecimento, porque o texto ficou dúbio: Quando você diz ” Não valorizarei mais suas futuras matérias, agregando-lhes meus humildes comentários” a quem você quis e se referir com o “suas futuras matérias”?

    Obrigado pelo comentário!

  • Wander Veroni disse:

    Oi, Ivo!

    Antes de mais nada, obrigado por divulgar o Café com Notícias na Rede DDD.

    Esse caso da professora dançando axé me intrigou, sabe. Quem não tem o direito de ter uma vida particular que atire a primeira pedra? Uma coisa ela fazer isso na sua vida íntima. Outra é fazer em sala de aula.

    Isso não só mostra preconceito, quanto ignorância por parte dos educadores. Se ela é uma má profissional daí já é outra história.

    Parabéns por divulgar essa história e propor o debate sobre a questão.

    Abraço

  • Júlio de Sanctis Gonçalves disse:

    É um caso muito esquisito mesmo esse. Quando a *** Xuxa, que fez em seu passado filmes pornôs, um deles fazendo sexo com um garoto de 13 anos e depois é endeusada pela Globo como a “raínha dos baixinhos”, todo mundo a aplaude e prestigia; quando ela se destempera no twitter e perde a linha chamando os usuários de ignorantes, todo o mundo acha que ela está certa. Mas quando uma jovem professora, em sua vida particular, vai dançar e dar umas requebradas num ritmo novo, neguin mete o pau e a persegue? Que p… é essa? Quer dizer que se a pessoa é famosa pode ***, mas se é uma pessoa do povo, e ainda por cima pobre, não pode?

    É bom lembrar: isso, de certa forma, é próprio da sua idade (faixa dos 20 anos) e ainda mais na Bahia, onde quem não gosta de música, canta ou dança é considerado como “um ser estranho”. os caras que prejudicaram a pobre professora tem *** e os vizinhos dela… Aí, já é outra questão. culpa da deseducação e desinformação do povo.

    Condeno também o que fizeram com a moça e acho que o filósofo está certo sim.

  • Júlio de Sanctis Gonçalves disse:

    Acabei de postar um comentário e ele sumiu. Para onde foi? O que aconteceu? Antes, sempre que postava um comentário ele saía publicado de imediato!… Por que este não foi?

  • Mr. Spock disse:

    Já que fui citado… 😉

    Não vou dizer que fiquei indignado com o artigo, até porque opiniões não me causam indignação, somente ações, mas o que expressa o filósofo apenas demonstra a hipocrisia de quem defende a permissividade total para uns e não para outros.

    Sem levar e conta raça, gosto musical e bairrismos, analisemos o fato puro: trata-se de uma Pedagoga, pessoa responsável, em sua profissão, por educar crianças e jovens. Educar inclui ensinar normas de comportamento em sociedade, normas essas existentes em qualquer sociedade. O fato de ter ido à uma festa dançar não a denigre em nada, mas o fato de ter sido “violentada” ao ter a saia levantada sim. Ou será que subiu ao palco exatamente para isso, para exibir seu belo corpo?

    Será essa a educação que irá dar às meninas? Que mais vale ser uma mulata gostosa que ter cérebro e pensar? Que não importa ser usada como “objeto sexual” desde que isso traga popularidade?

    Se vamos aceitar que tal comportamento não deva influir na vida profissional da professora, então não poderemos condenar o policial que frequenta bocas-de-fumo atrás da droga que o alimenta, nem o médico que abusa sexualmente das pacientes, pois, afinal, estão dando o “devido” valor ao corpo, não é mesmo?

    O que mais me deprime é ver que filósofos, antigamente, eram Descartes, Rousseau, Hagel, Hobbs…pessoas que realmente colaboraram para a Humanidade lançando idéias sólidas que contribuiram para o erguimento de padrões e valores sociais, livrando muitos dos dogmas e, aí sim, preconceitos religiosos. Hoje, os filósofos se ocupam mais com valores bahianos, axé, bunda de fora…

    Mas, tudo bem…a filosofia aqui exposta só confirma minha “teoria” de que caminhamos, a passos largos, para a Idiocracia total. É isso aí! Vamos liberar geral, em nome da liberdade do corpo, da “democracia racial” e de todos os nomes inventados por aqueles que estão colaborando, intencionalmente ou não, para a zona geral!

    Ao menos, Ivo, o artigo serviu para estabelecer alguma concordância entre o Gomide e eu… :))

  • augusto disse:

    vai saber quem tem razao!!mas uma coisa e certa viver em sociedade e mesmo que nunca errar mesmo, pois será comentado criticado e aplausos quando asim vier merecedor.
    Meu ponto de vista; ela deve dar um tempo ,para todos esquece e mudar de cidade, depois volta novamente a lecionar ,mas pode continuar

  • Oi, Júlio:

    Seu comentário não sumiu ele foi “retido pelo filtro automático do sistema” porque continha palavrões (as partes que estão completadas com asteriscos). Quando o sistema encontra algumas palavras-chaves bloqueadas ele retém o comentário para moderação. No mais, seu comentário está Ok e agradeço mais uma vez a sua presença. As partes “censuradas” são as que estão com asterisco.

    Na próxima vez, evite os palavrões para que isso não aconteça de novo ou ponha reticências antes do final, senão o comentário ficará retido e não sou eu quem faço isto. É o filtro que implantei.

    Spock:

    É sempre um prazer vê-lo por aqui, principalmente depois que fica algum tempo sumido. Quanto à citação que fiz do seu nome, você entendeu o porquê não é? Quis mostrar que assuntos polêmicos, 3 pessoas culta e com o mesmo nível de inteligência podem ter opiniões distintas. Por isso citei o trio: Você, o antídio e o Gomide. Alguém teria coragem de dizer que vocês não são inteligentes?

    Quanto ao tema. que repliquei também em 4 outros sites (2 que administro e dois em que possuo página própria), por onde ele passou causou estragos, provocando reações de amor e ódio, algumas bem parecidas com as de vocês. O vídeo da professorinha correu a internet e vários jornais se manifestaram, alguns condenando, outros aprovando e outros, ainda, ficando em cima do muro. Quando isso acontece, é sinal que o tema ficou mal resolvido e precisa ser debatido. Por isso a provocação de tê-lo publicado aqui. Queria mesmo ouvir as opiniões de vocês. Faltam as do Antídio, as do Robson, as do Ivan Carlos, as do Kibom 33 e até as do nosso crente favorito, o Kleber.

    Saibam todos vocês que para mim é um prazer vê-los debater. É isto que dá vida a este blog.

  • Antídio S.P. Teixeira disse:

    Meus amigos:
    Tenho que ser prolixo na minha exposição porque não sei analisar fatos ignorando as causas:
    Filosoficamente, diz-se que o homem é o que pensa; mas, o seu pensamento é modelado até a adolescência pelo meio em que viveu. O povo brasileiro foi fruto de muitas culturas oriundas dos mais distantes rincões do nosso planeta e amalgamadas às condições ambientais de cada parte de nosso vasto território, dando as mais diversas formas de pontos de vista sociais. A reação do meu nobre e respeitável amigo Gomide, é mais do que normal dentro das tradições mineiras, o que tem que ser entendido pelos demais comentaristas.
    Com relação ao lúcido artigo de PAULO, já o contemplo de um ponto de vista muito mais distante, portanto, mais amplo. Considerando o histórico do povo baiano, cuja cultura foi exportada e serviu de base para a das demais províncias coloniais de todo o país e serem modificadas através dos tempos pelas condições ambientais, econômicas e a miscigenação com outras culturas agregadas. Para se entender bem este processo, se não for abusar da paciência dos leitores, mergulhemos na história de Portugal, nossa Pátria-Avó:
    Portugal, após a sua libertação dos reinos, então, componentes da atual Espanha, viu-se espremido entre estes e o vasto e desconhecido Oceano Atlântico. Todas as mercadorias recebidas ou exportadas para qualquer parte do mundo, tinham que ser através dos ditos reinos com pagamento de elevadas tarifas. Seus nobres governantes não viam outro caminho senão o dos mares que teriam que ser abertos. Não se sabia como utilizá-lo. O infante D.Henrique, homem de visão ampla, fundou a Escola de Sagres para estudar o mar e as técnicas de navegação. Daí, saíram grandes inventos e navegadores. As necessidades deste povo rude, oprimido e espoliado pelos vizinhos os levou a invenções que, somente na cabeça deles poderiam partir: a vela “redonda” que não é redonda, é quadrada; e as caravelas, impulsionadas por tais velas, únicas embarcações capazes de navegar na direção oposta aos ventos que as impulsionam. Até então, dos navegadores que avançavam no mar infinito, pouquíssimos conseguiam retornar, e era somente no semestre seguinte, após a mudança de direção dos ventos. O sonho lusitano era contornar o Continente Africano e atingir as Índias, fonte dos condimentos que temperavam e conservavam os alimentos produzidos no verão para serem consumidos no inverno, sem meios de refrigeração. Imaginem o cheiro e o sabor destes alimentos sem tempero!
    Nestas aventuras, milhares de jovens eram sacrificados todos os anos em naufrágios, o que dá a entender que o país ficou super povoado por mulheres que, apesar da religiosidade católica, devia reinar grande promiscuidade sexual que garantia a reposição da população masculina perdida. Em poucas décadas, aquele frágil estado conquistou um império e não possuía contingente humano suficiente para povoá-lo. No Brasil, após o insucesso das capitanias hereditárias, D. João III passou a reconhecer e dignificar os seus súditos que, nas colônias, se uniam às mulheres nativas iniciando-se, assim, a miscigenação oficial do povo brasileiro.
    Em nossa terra, criou-se a capital geral da colônia em Salvador por estar mais ou menos equidistante dos dois extremos do litoral do país.
    Além de ser a capital, a cidade se beneficiou economicamente por dominar o entorno da Baía de Todos os Santos, de solo composto de rica argila fosfatada (massapê), que oferecia a mais alta produtividade na cultura de canas-de-açúcar, o que logo proporcionou o enriquecimento dos patrícios que conquistaram a região. Porém, sua textura pouco penetrável aos instrumentos agrícolas, exigia um esforço humano incompatível com a capacidade dos brancos e índios. Daí, a importação de negros das colônias da África na condição de escravos.Tais condições favoráveis, tornaram os senhores de terras e engenhos da região os mais ricos do país e, muitos de seus filhos estudavam na Europa. Com a volta destes, a cultura e os costumes sociais da Terra, muito evoluíram e, por ser a capital, os governadores gerais nomeavam para os cargos mais elevados das províncias pessoas que mais se destacavam na sociedade local. E estas, ao se deslocarem para assumir os seus cargos, levavam consigo verdadeiro séquito de auxiliares e criados domésticos e, com eles, a cultura mater para ser adaptada às condições locais através dos anos.
    A estratégia governamental na Metrópole na época, era dificultar a saída das mulheres para as colônias, uma vez que elas garantiam a descendência branca do povo português. Assim, as mulheres brancas só chegaram em massa ao Brasil depois de 1.808, com a transferência da Corte Real para o Rio de Janeiro. Compreende-se que nos 300 anos que antecederam este evento formou-se uma base populacional sobre matrizes negras e índias com paternidade européia, conforme comprovou estudo recente da UFMG. Os ricos senhores de engenho do Recôncavo Baiano que importaram esposas brancas a peso de ouro, não deixavam de muitos filhos com suas escravas, assim como, também faziam seus filhos brancos legítimos. Mas, a chegada da Corte, refletiu a diferenciação racial o que levou a ambição de purificar a raça através de casamentos com brancas. A decadência econômica do Nordeste causada pela perda de mercados de açúcar da Europa e a ascensão do Sudeste dada à exploração do ouro muito contribuíram para um distanciamento cultural entre ambas as regiões, a ponto de que o movimento de independência originado no sudeste ter sido separatista das regiões norte e nordeste que, só não foi, dado o empenho dos nordestinos e, hoje, estaríamos divididos em dois países e dois povos.
    Apesar deste racismo, refletido pela Corte, a miscigenação continuou discretamente no Sudeste, onde o melhor exemplo é o de Chica da Silva nas recatadas Minas Gerais.
    No Recôncavo Baiano, enquanto as sinhazinhas eram criadas em redomas nas casas-grandes e estudando em conventos de freiras para casarem-se com tios e primos mais velhos para preservarem os domínios de terras, as negrinhas e mulatinhas, desde cedo saboreavam vida livre adquirindo dotes sensuais com os quais atraiam os homens, especialmente os de casta superior. Por isso, os procedimentos socioculturais entre o Nordeste e o Sudeste desenvolveram esta desigualdade que vem sendo aplainada pelos modernos meios de comunicação.
    Assim, sendo, como demonstra o articulista, muitos puritanos gostariam de estar curtindo espetáculos como este se não estivessem tolhidos pelos condicionamentos culturais aos quais foram submetidos nas suas formações culturais.
    Discordemos, mais respeitemos as opiniões daqueles que se encontram em diferentes pontos de vista.

  • Percebi que o artigo fez extrapolações. Esse caso, ao meu ver, nada tem a ver com questão racial, mas sim com o mau exemplo que a professora dá a suas crianças.

    Culpa há sim, mas não há concentração dela num só personagem.

    A professora não tem muita, mas tem um pouco de culpa, por ter esquecido que é uma atriz social que está com o poder de influenciar pessoas — no caso, as crianças — em mãos. Que valores morais uma dançarina de swingueira pode transmitir pra crianças?

    Culpa há na banda de swingueira — um estilo que lamento, assim como o Falso Forró –, por ajudar a consolidar no Brasil, no Nordeste e na Bahia o domínio da Idiocracia, da imbecilização, da crise moral.

    Culpa há também na sociedade como um todo, que está jogando crianças, adolescentes e jovens nessa pocilga que é esse zeitgeist em que a alienação, a depravação, a violência, a burrice e a imoralidade dominam.

    Tenho mais queixas em relação à imoralidade da swingueira e do Falso Forró: por que, em vez de promoverem o questionamento de valores morais e sociais vigentes como a monogamia rígida e a repressão sexual católica, esses estilos simplesmente não propõem nada e só fazem bagunça?

    Voltando ao artigo, eu sinceramente não gostei dele. “Viaja” muito, não chega a lugar nenhum e ainda faz o “favor” de defender que a idiocracia permaneça assolando livremente a sociedade.

  • Eu já ia me esquecendo:

    Esse artigo também põe questões raciais numa massa de assuntos que confunde bastante quem lê.

  • House Music disse:

    Ola sou o PM AKORDEON, 
    Estou a passar por aqui para deixar um link com um pouco do meu trabalho
    Espero que gostem
    http://clinicadosom.com
    BIGUP PM

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