MÍDIA, FÔRMA MENTAL

13/08/2009
by mgomide3

[Nota da Administração: O "fôrma" (com circunflexo mesmo) que o escritor e ambientalista utilizou, foi intencional, para diferenciar de f(ó)rma, eis que, por esquisitices da língua portuguesa, tanto f(ô)rma, como f(ó)rma), se escrevem da mesma "forma": forma]

Nós, os ambientalistas brasileiros, somos uma expressiva minoria que labuta na inglória tarefa de trombetear para a humanidade que um perigo mortal se avizinha. Nossa única arma é a palavra – preponderantemente a escrita – lançada sobre as cabeças humanas sob as formas de artigos, comentários e livros. Nosso intuito – sem influência econômica nenhuma – é esclarecer a grande massa de viventes de que urge providências urgentes em defesa da Vida no planeta. Pedimos-lhe que se incorporem ao nosso núcleo para que, com mais substância representativa, possamos sensibilizar os responsáveis pela governança social. São diversos intelectuais empenhados em tão nobre e desprendida missão. No entanto…  no entanto, devemos dar uma paradinha nesse afã para melhor proceder a algumas análises e críticas dos fatores que constroem a realidade presente.

Primeiro obstáculo, a quantidade enorme de humanos a quem intentamos convencer, dizendo-lhes que as ações devem ser urgentes, porque o planeta já está mostrando sua prostração. Para isso – conscientizar as pessoas –, não há mais tempo, além de que a oportunidade fica impedida pelo motivo a seguir abordado.  

Entre outras diversas barreiras, devemos salientar a maior e mais significativa delas, porque se interpõe em nosso caminho, afinada que está em sua função-cúmplice de servir exclusivamente ao seu senhor, o sistema econômico. Referimo-nos à mídia, em seu sentido geral, profissional, empresarial, representativo. Não podemos esquecer que as ações midiáticas se assentam na manipulação criminosa dos conhecimentos obtidos na área da psicologia.

Atemo-nos ao espaço em que vivemos e conhecemos: o Brasil. Só aqui, segundo informes estatísticos oficiais, 80% dos brasileiros não lêem. Mesmo sabendo, não lêem. O máximo que fazem é ler as manchetes de jornais sensacionalistas, julgando-se então aptos a opinar sobre tudo. Afinal, “ler é muito chato”, no dizer de um governante próximo de nós. Não sabe ele que ler estimula a capacidade mental; instiga o pensamento e as idéias; faz-nos enxergar, perceber, sentir, conhecer, provoca a reflexão, aclarando a distinção entre o bem e o mal.

Mas o pior é a seguinte circunstância: Os 80% que não lêem, mais uns 10% que lêem apenas o que lhes convém, no total de 90%, são diariamente informados, enformados (pôr na fôrma) e formatados – diariamente, repetimos – de tudo o que lhes é transmitida pelos veículos “informativos”  servis, por meio de seus programas inteiramente deseducativos, fúteis, infantis (para crianças e adultos), imorais, tendenciosos, parciais, capciosos e, por isso mesmo, alienantes.

Só nos resta gritar, para os 10% restantes, que estamos vivendo um período histórico decisivo para a continuidade de vida no planeta, mas que ainda há tempo – muito pouco, esclareça-se – para mudarmos o rumo desta civilização suicida. Juntos, os abnegados ambientalistas, despendem seu tempo de descanso e outros afazeres para, com o poder da escrita, atenderem ao clamor íntimo de sua consciência e redigir textos esclarecedores que norteiam a todos nós para um tomada de posição correta.

A mídia, por força de seus instrumentos tecnológicos, pujança financeira e sustento logístico do sistema, se contrapõe à pregação sadia dos ambientalistas, sem despender esforços; basta arrebanhar as mentes comodistas dos 90% de espectadores. Definição de espetáculo, modo de ação preferencial das emissoras de televisão: tudo o que prende a atenção dos comodistas mentais. Em outras palavras: paralisação ou anestesia do pensamento lógico. É um outro tipo de religião. Enquanto esta se alicerça apenas na opressão da alma, aquela se firma na valorização de bens materiais. Essa atividade, garantidora do êxito da máquina estrutural do sistema, envolve praticamente todos os paises. A mídia é a linha de frente do que hoje é chamado de globalização, pois seus tentáculos se estendem e envolvem percentual expressivo da população mundial.

É contra esse Golias que nós os ambientalistas temos que lutar.           

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3 Comentários

  • Gomide:

    Esta sua matéria veio bem a calhar e chegou em boa hora. Casualmente ontem, preocupado exatamente com o que você vem alertando, tomei a liberdade de, em meu nome e no de nossos dedicados companheiros colaboradores, entrar em contato com um escritório de advocacia especializado em questões ambientais. Trata-se do escritório Passos de Freitas – Advocacia e Consultoria. E por que fiz isto? Exatamente por entender que, em determinados momentos, é preciso partir da palavra para a ação, como diz um outro colega meu de blog e twitter, o jornalista Pedro Porfírio. Só que ele propõe essa medida na área política e eu a proponho também na área do meio ambiente.

    O referido escritório, segundo apurei, tem bastante credibilidade e uma equipe de advogados especializados em causas ambientais e muito nos poderiam ajudar. Quanto ao preço, isto se discute e depois pode-se ver a forma da quotização e conclamar os interessados a colaborarem. Ainda não obtive resposta porque o email foi enviado ontem, já no final da tarde, Mas assim que tiver novidades concretas aviso. O que pedi foi que eles avaliassem, preliminamente, a possibilidade da interposição de uma “ação popular ambiental” contra o Governo, especialmente agora, depois da edição da MP-458.

    Existem realmente dois grandes problemas afligindo o Brasil neste momento: os de natureza POLÍTICA e os de natureza AMBIENTAL. Para combatê-los, além da participação popular, seria imprescindível o apoio da mídia, mas esta hoje é comprometida e pode até (pasmem!) agir contra, fazendo as formas das notícias que entrarão nas cabeças do povo. É preciso que a população se organize e parta para o enfrentamento. Essa mobilização só pode ser feita com muita divulgação e esclarecimento, parte que já estamos, modestamente, fazendo. Mas há que se ter muito cuidado porque os safados dos políticos agora (e não é só o Sarney) estão começando a censurar os blogs e as redes sociais, punindo-os com severas multas e proibindo a sua permanência ativa na Internet. Recentemente, a Senadora Ideli Salvati, do PT/SC, determinou o fechamento de um blog em Santa Catarina, por entender que o mesmo se referia a ela de maneira injuriosa. E uma juíza catarinense acatou a ação e executou a medida. O blog saiu do ar e está obrigado a pagar altíssima multa. Não posso dizer do cabimento da ação porque não conheço os detalhes. Dizem que o blog apenas pegou no pé da Senadora, divulgando uma verdades que lhe incomodavam. Mas que os políticos começam a se preocupar com a Internet e querem colocar regras e freios para impedir que o povo fale o que sabe ou o que pensa, isto é uma verdade incontestável. E eles vão insistir, pode escrever.

    Por isso, digo e reafirmo: Para lutar contra esses Golias, como você diz, só com união e um forte aparato jurídico de proteção. Tentar uma luta dessas sozinho é suicídio.

  • Cleisson disse:

    parabéns pelo trabalho apresentado.
    gostei muito de conhecer seu espaço na rede.

  • Volte sempre Cleisson. Aqui você sempre encontrará novos temas e pessoas denunciando, alertando, lutando. E por que não ser também um dos nossos? Abs!

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