Foto de Sarney, Renan e Agaciel"Uma imagem vale mais do que mil palavras"

A grande maioria das pessoas adultas (porque aos muito jovens seria compreensível não saber) já ouviu falar dessa conhecidíssima citação. Mas, mesmo assim, para aqueles que não reconhecerem imediatamente o que a foto significa e ao que ela se associa, vou tentar explicar: a foto é alusiva ao casamento da filha do ex-todo poderoso diretor geral do Senado, Agaciel Maia, que ocupou o cargo por 15 anos consecutivos, vindo a ser demitido (a contragosto) pelo presidente do Senado, José Sarney, seu amigo particular de longos anos. Mas a demissão só se deu porque muitos escândalos – em especial o dos "atos secretos" – vazaram, tendo Agaciel como personagem central e tornando sua permanência no cargo insustentável. Aí, não teve jeito: o amigo Sarney teve de demiti-lo para dar uma "satisfação moral à opinião pública". Mas a amizade continua, como mostra a foto, e, com isso, a garantia dos segredos.

Falamos de Sarney e Agaciel. Agora vamos ao Renan Calheiros. Precisa? Não, não vou perder muito tempo falando deste senhor. Basta analisar o seu passado político, a sua atuação presente e lembrar os motivos que o obrigaram a renunciar recentemente à presidência do Senado, em nome da "moralidade" (???), depois de se ver também envolvido em escândalos de corrupção, mas sem ter recebido, até agora, punição alguma. Só para lembrar as coincidências, Sarney e Renan são do mesmo partido, ambos estão envolvidos em escândalos de corrupção, um é presidente e o outro ex-presidente do Senado e ambos são raposas velhas, possuindo muita força política e conhecendo os segredos e meandros do Congresso. Estão agora em situação muito parecida. Na foto, só faltou o Senador Fernando Collor, que pertence ao mesmo time. Aliás, os três jogam afinadíssimos, mesmo sem treinar.

E aquele primeiro senhor sisudo da esquerda? Ah, aquele? Aquele é o desembargador Dácio Vieira,do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, amigo da família Sarney, que, desde o dia 31 de julho p.p. e em decorrência de ação impetrada por Fernando Sarney, filho do Senador José Sarney, impediu o jornal "O Estado de São Paulo" de publicar as conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, com autorização judicial, que mostram, entre outras coisas, Fernando Sarney discutindo com o pai a contratação do namorado da neta do senador por meio de ato secreto no Senado (trecho em grifo transcrito da reportagem do Estadão). Ainda de acordo com a liminar, a proibição se estende ao portal do jornal na internet e à veiculação de qualquer matéria relacionada à Operação Faktor, apelidada de "Boi de Barrica". A transgressão sujeitará o jornal ao pagamento da multa de R$ 150 mil, por matéria publicada.

Censura a jornais e blogs já foi feita antes por José Sarney

Não é a primeira vez que membros da família Sarney recorrem à justiça para tentar Caricatura que motivou censura a blogsproteger a sua imagem perante a opinião pública. Em passado recente, o próprio Sarney entrou com uma ação contra as jornalistas Alcilene e Alcinéa Cavalcante, determinando o fechamento dos seus blogs, apenas porque publicaram matéria com críticas ao senador, com uma caricatura intitulada "Xô Sarney!", que vinha sendo estampada nos muros. Os blog não mais voltaram a funcionar, pois, se o fizessem, pagariam uma multa de R$ 2.000,00/dia. E olhem que isto se deu em agosto de 2006. O jornalista Elio Gaspari, de um jornal maranhense, também teve sua coluna censurada por Sarney, em razão de matéria que "denegria a honra" do ilustre senador. Leia a matéria "Sarney impõe censura à imprensa no Amapá" e saiba mais sobre o terror censitário naquele Estado, desde 2006. Não obstante, Sarney e seu filho (veja na "íntegra das notas de José e Fernando Sarney")  negam peremptoriamente terem praticado antes qualquer ato de censura contra a imprensa (???). Parecem até Maluf, negando a existência de qualquer conta bancária em seu nome no exterior.

A matéria está aí, calcada nas notícias veiculadas pela imprensa virtual, falada, escrita, e televisiva, mas com a opinião pessoal que tenho sobre o assunto, em função de tudo o que pesquisei  e do que já vinha acompanhando, antes mesmo de eclodir este escabroso fato. O que vai acontecer, não sei. Mas como o meu "bloguinho" é muito humildezinho e sem grande visibilidade, talvez não me processem. Mas se fosse um grande jornal ou revista…

Termino esta matéria conclamando as pessoas a opinarem e deixando no ar algumas perguntas que sempre me causaram estranheza:

  • Por que senadores como Jefferson Peres (falecido), Pedro Simon, Cristovam Buarque e Eduardo Suplicy, por exemplo, jamais chegaram sequer a ser cogitados para concorrerem à presidência do Senado?
  • Por que ninguém ousa mexer nos regimentos internos da Câmara e do Senado?
  • Por que a máxima punição é sempre "quebra do decoro parlamentar" e por que os parlamentares sempre voltam, se desejarem e tiverem alguma forcinha política?
  • Por que quase nunca conseguem ser julgados no seu "foro privilegiado", no STF, e continuam exercendo suas funções, enquanto os processos caducam e se extinguem por decurso de prazo?
  • Numa legítima democracia, se a notícia veiculada pela mídia é verdadeira e não tem caráter difamatório, o veiculante pode ser processado e impedido de divulgar a matéria?
  • Por que o Governo tem tanto interesse em estabelecer controle e censuras na internet?

Quem souber, responda, porque isto sempre foi um assunto nebuloso, até para a mídia e os "cientistas políticos".

Principais fontes:

1) Matéria original no Estadão: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090802/not_imp412163,0.php

2)  O Estadão: Integra das notas de José e Fernando Sarney   ;   3) Jornal O Dia – Edição Eletrônica; 4) Observatório Político Brasileiro; 5)  Sarney impõe censura à imprensa no Amapá (in Brasil de Fato); 6) Foto: O Estadão  (estadão.com.br é a versão on-line do jornal  "O Estado de São Paulo")

Assunto correlato no blog DDD:

Com falso pretexto, políticos querem acabar com a liberdade de expressão na internet

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