CARTA ABERTA SOBRE MEIO AMBIENTE

27/07/2008
by Antidio Teixeira

Aos meus amigos

IVO & GOMIDE

                                  (Em resposta aos seus comentários em 25 e 26 deste).

                                   no artigo VIDA DE JESUS – COLEÇÕES , Etc…..

Agradeço a importância que meus estimados e esclarecidos amigos me atribuem como colaborador ambientalista de seus blogs. Confesso-lhes que  acompanho diariamente suas sábias observações e os comentários de seus leitores, não só neste mas, também no “planetafala”. Justifico minha aparente ausência, dado os esforços junto ao diagramador e a gráfica para elaboração de nossa Cartilha Ambiental Popular e logo ao seu término, fomos atropelados pela greve dos Correios e agora, dando um tempo para a desobstrução das correspondências retidas e, assim, evitar possíveis extravios. Passarei a postar mais para o final da próxima semana; só espero que, com a reconhecida sapiência de vocês, não estranhem a singeleza  da obra. Vejamos o porque e o que tento explicar:

Na década de 970,  quando a economia mundial foi abalada pela brusca e descomunal elevação dos preços do petróleo, passei a desenvolver profissionalmente projetos de conservação de energia para indústrias do Rio de Janeiro. Na mesma época, muitos congressos foram realizados em várias partes do mundo para debater alternativas para substituir os derivados do “ouro negro” como combustível automotivo. […]Participei de alguns deles aqui,  como assistente, e  achei curioso que toda preocupação se concentrava unicamente nos combustíveis, enquanto que o comburente oxigênio era totalmente ignorado quanto à sua origem, reservas, renovação, etc. Neste mesmo tempo, começaram as noticias sobre a existência de imensos “buracos” na camada protetora de ozônio sobre o Pólo Sul e logo, os meios científicos atribuíram como causa  a liberação dos gases fluorcarbonados usados nos sprays, na fabricação de espumas plásticas e em refrigeração. Consultados vários renomados estudiosos sobre o fenômeno na época, sobre o fato de ser no Hemisfério Norte a quase, total liberação de tal gás na atmosfera, porque que o dito “buraco” vinha aparecer sobre o Pólo Sul e não no Norte? As respostas eram as mais evasivas, disparatadas e irracionais, estabelecendo em meu espírito certa descrença em afirmações científicas. Animações demonstrativas de como se processavam as reações químicas na atmosfera eram veiculadas pelos órgãos de comunicação. Só não respondiam as minhas perguntas. Pouco tempo depois de tais aparições, começou-se a verificar a sazonalidade com que elas ocorriam entre os meados dos invernos e os das primaveras em cada pólo, já se verificando agora,  também no Pólo Norte,  no período em que o frio é mais intenso. Partindo destes dois pontos e considerando que o ozônio se decompõem como oxigênio aos 112,5ºC negativos, passei a montar e analisar perspectivas hipotéticas quanto ao processo de liberação na atmosfera da grande massa de oxigênio, sua transformação em ozônio, a concentração sobre os pólos terrestres até encontrar explicação plausível para ocorrência de sua degradação, o que me fez entender a grande catástrofe para a qual avança a humanidade, enquanto os poderes dominantes procuram direcionar a  atenção dos ambientalistas para os fenômenos conseqüentes e não para a causa fundamental, ou seja: a utilização de combustíveis fósseis como fonte de calor para impulsionar o progresso material do mundo.

Desde então, fiz várias tentativas de alertar as autoridades científicas, educacionais e políticas sobre a necessidade de implantação de um programa de redução destes combustíveis a nível mundial, com o estabelecimento de taxas extras sobre o consumo dos mesmos cujo montante seria investido no desenvolvimento de fontes alternativas renováveis. Da parte das instituições de pesquisas ambientais e educacionais, nunca tive qualquer manifestação, nem mesmo de recebimento das correspondências; e por parte de políticos, apenas muitas cartas e telegramas de congratulações pelos trabalhos apresentados, sem nunca demonstrarem interesse em conhecer em detalhes a denúncia e sugestões. A única manifestação que nos pareceu consciente,  foi do, já falecido, ex-ministro Camillo Pena, então, como presidente de Furnas, dizendo ter chegado a semelhantes conclusões e prometendo o desenvolvimento de estudos a serem desenvolvidos por determinado pesquisador cujo nome não me recordo, o qual nunca se manifestou.

De um modo geral, expondo estas observações, tão simples no meu entender, a pessoas esclarecidas, estas pareciam ficar atônitas, sem palavras para dialogar sobre o assunto, procurando mudar o rumo das conversas. Só recentemente, lendo uma entrevista concedida pelo atual Ministro da Educação à Revista Veja, ele citou os resultados de uma pesquisa realizada em seu Ministério na qual ficou evidenciado que 70% dos professores universitários nunca tinham participado de experiência laboratoriais de ciência naturais. Aí passei a entender que, se os professores de nível superior não tinham sensibilidade experimental, como poderiam eles fazer despertar em seus alunos condições indispensáveis para o entendimento dos fenômenos que regem a vida como “um todo”?

Daí a idéia de elaborar uma cartilha comparativa na qual espelha-se nos fenômenos vistos e  sentidos no dia-a-dia a ação de outros congêneres que ditam  os nossos destinos. Dado às conclusões racionais a que cheguei sobre minhas observações, nelas demonstro como ficará o meio ambiente terrestre se a humanidade não for induzida a adotar imediatas medidas para reverter o equilíbrio atmosférico. Vejamos:

Até o início da utilização da matéria orgânica fossilizada como combustível, o ozônio que se originou da ação dos raios ultravioletas sobre a grande massa de oxigênio que foi gerada por milhares de florestas durante milhões de anos, por ser menos denso do que os gases carbonados,  acumulou-se sobre os pólos terrestres onde se elevou à grandes altitudes em torno do prolongamento do eixo virtual da rotação terrestre. Nesta situação, graças à inclinação do eixo com relação à linha sol/terra, as camadas mais elevadas dos depósitos ficavam perenemente expostas às radiações solares, mesmo durante os invernos, absorvendo o calor necessário para manter a integridade da camada de ozônio sobre todo o planeta. Ou seja: as temperaturas eram mantidas abaixo dos 112,5ºC negativos. Com a queima de combustíveis fósseis,  os gases  resultantes, predominantemente compostos por carbono oxidado (CO e CO2), por serem mais densos do que o ozônio, tangidos pela força centrífuga do movimento rotativo do planeta, passou a se acumular sobre a linha equatorial, expandindo-se na direção dos trópicos. Assim sendo, as coberturas polares passaram  a ser rebaixadas e, gradativamente, perdendo a insolação das partes mais altas dos depósitos durante os invernos, permitindo a invasão do frio cósmico que, teoricamente, pode chegar aos 270ºC negativos, assim convertendo a massa de ozônio alcançada, em oxigênio, o que vem compensando aquele que tem sido combinado com carbono nas combustões excessivas que patrocinaram o chamado progresso mundial. Assim sendo,  as camadas de ozônio sobre os pólos estão funcionando de maneira semelhante ao ralo de pias quando as esvaziamos: sugando o ozônio das camadas protetoras, tanto no norte como no sul, transformando-o em oxigênio para manter as combustões das vidas animadas e as exigidas pelo bem-estar e/ou desperdícios da humanidade; porém, expondo-as às agressivas radiações ultravioletas em círculos crescentes que já começaram nas regiões glaciais e se expandem  na direção dos trópicos.

Na minha concepção, pelo que exponho na cartilha, não só para a Amazônia, assim como para todas as regiões intertropicais, novos estudos deverão ser realizados partindo de novos pontos de vista mais racionais, focando uma possível imigração social dos países situados acima do Trópico de Câncer e abaixo do de Capricórnio, ainda nesta década, quando, provavelmente, já não estarei aqui. Vejo o atual ambientalismo pela mesma ótica denunciada pelo meu amigo Gomide: “estão ministrando chazinhos com promessas de cura para um câncer que ainda não detectaram”.

Portanto, que iniciativa tomar em favor da Amazônia, que  opinem os leitores e decidam nossos titulares. Aquele abraço.

                                                    Antídio

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2 Comentários

  • Vá em frente, Antídio, e conte como o nosso apoio. Sabemos da sua dedicação a esse objetivo no qual, segundo sei, vem trabalhando já há alguns meses.

    E, de fato, o país tem-se ressentido da falta de uma obra que, de uma vez por todas, traduza para a população como se formam os problemas ambientais e o que se pode fazer para evitá-los ou minimizá-los, já que grandes estragos já foram feitos e são irreversíveis.

    Nesse sentido, a sua “Cartilha Ambiental Popular”, seria de grande utilidade, já que, segundo a minha visão, ninguém pode discutir ou tomar posições diante de uma questão, sem antes entendê-la bem. E isso, o povo, e principalmente os jovens que ainda não têm a “consciência ambiental formada”, não sabem ou apenas pensam que têm alguma noção, mesmo assim, pela ótica tendenciosa da mídia.

    É preciso que aquele que vai transmitir a informação seja, além de alguém que realmente conhece o assunto a fundo, um abnegado, descompromissado e idealista, como sei que você é.

    Por isso, espero e acredito, a sua obra tem todos os requisitos para se firmar como indispensável instrumento de consulta e vou até mais longe: DEVERIA SER DISTRIBUÍDA NAS REDES PÚBLICAS DE ENSINO MÉDIO E SUPERIOR. Só não citei o ensino fundamental porque acho que, abaixo dos 14 anos, o jovem ainda não tem a maturidade e vivência suficientes para entender a complexidade que a questão envolve.

    Dê-nos mais detalhes para que possamos ajudar na divulgação em, pelo menos 4 dos nossos canais: este blog, o fórum “Debatendo a Ecologia”, o blog para jovens “Formou? Disseca e Publica” e o blog “Meio Ambiente”, do Gomide, associado ao nosso (tenho certeza de que ele concordará).

    Dê-nos detalhes! Parabéns pela iniciativa!

  • mgomide3 disse:

    O mundo da ciência tem progredido na área do conhecimento por dois tipos de cientistas: os que prosseguem no desenvolvimento das descobertas anteriores, o que ajuda a reforçar os alicerces científicos, e os que, com audácia e competência, procuram uma visão fora dos parâmetros acadêmicos. Estes são os gênios que ampliam a estrutura científica mediante a formulação de teorias revolucionárias, não aceitas na primeira hora justamente por serem heterodoxas no campo da ciência. Foi o que aconteceu com luminares históricos como Newton, Darwin, Einstein, Hubble e outros. Suas teorias se transformaram em verdades científicas após cuidadosa e meticulosa observação, cálculos e experimentações. Hoje, o conhecimento científico está tão imensamente ampliado que em qualquer de seu mínimo aspecto vê-se caminhos alternativos para estudo e aprofundamento de novas visões. E na área de meio ambiente, atualmente o mais importante objetivo da humanidade – porque vital – surgem esforços intelectuais como o do eminente pensador Antidio, com a apresentação fundamentada de sua teoria e que deveria ser mais bem examinada e estudada pelos que detêm poderes para isso.
    Infelizmente, há uma distância enorme entre os que pensam (pouquíssimos) e os que vegetam (a maioria). Dado tão impressionante quanto o dos 70% de “professores”: numa pesquisa com foco ambientalista, à pergunta “de onde vem a gasolina?” 65% dos norte-americanos, responderam que a gasolina vem do Posto de Gasolina. Há tempos, num programa de televisão do SBT, Sílvio Santos perguntou a uma criança citadina de uns 9 anos: de onde vem a carne? Resposta: vem do açougue.
    Quanto à Amazônia, digo apenas que estamos presenciando a destruição de um ecossistema importantíssimo para o planeta. Ali não se abate apenas árvores. Estas são apenas as mais visíveis Na verdade, destrói-se todo um equilíbrio local, constituído de diversos fatores naturais e, portanto, sábios. Existe na mata um micro mundo habitado por seres vivos não visíveis e que são integrantes do todo planetário. Ele não pode ser perturbado sob pena de perecer. Perecer como nós mesmos estamos sendo conduzidos pela estrutura civilizacional pautada pelos interesses econômicos. Atos e fatos econômicos já ocuparam todo o nosso cérebro e o coração.

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