Filósofos – Platão

21/07/2008
by Ivo S. G. Reis

Filósofos – Platão (Filósofo grego) 427 AC, Atenas 347 AC, Atenas Platao.jpgUm dos filósofos que mais influenciaram a cultura ocidental, Platão, cujo nome verdadeiro era Aristócles, nasceu de uma família rica, envolvida com políticos. Muitos estudiosos de sua obra dizem que o grego ficou conhecido como Platão por causa do seu vigor físico e ombros largos ("platos" significa largueza). A excelência na forma física era muito apreciada na Grécia antiga e os seus "diálogos" estão repletos de referências às competições esportivas. Ainda na juventude, tornou-se discípulo de Sócrates, com quem conviveu durante oito anos, iniciando-se na filosofia. Depois de acompanhar todo o processo que condenou o seu mestre (Sócrates, acusado de corromper a juventude e de não acreditar nos "deuses", foi obrigado a beber o veneno cicuta, que o levaria à morte), Platão, desiludido com a democracia ateniense, viaja para outras cidades da Grécia, Egito e sul da Itália, e começa a escrever. […]Platão teve uma educação semelhante à dos jovens aristocratas da sua época, recebendo aulas de retórica, música, matemática e ginástica. Em 387 AC, funda em Atenas uma escola chamada Academia, com uma exigência, escrita na fachada: "Que aqui não entre quem não for geômetra". Em pouco tempo, esta escola tornou-se um dos maiores centros culturais da Grécia, tendo recebido políticos e filósofos como Aristóteles, Demóstenes, Eudoxo de Cnido e Esquines, entre outros. A sua obra conta com 28 diálogos (alguns historiadores dizem que foram 30) basicamente centrados em Sócrates, onde procura definir noções como a mentira (Hípias menor), o dever (Críton), a natureza humana (Alcibíades), a sabedoria (Cármides), a coragem (Laques), a amizade (Lísis), a piedade (Eutífron) e a retórica (Górgias, Protágoras). Entre 387 e 361 AC, escreveu Menexeno, Ménon (sobre a virtude), Eutidemo (sobre a erística), Crátilo (sobre a justeza dos nomes), O banquete (sobre o amor), Fédon, a república (sobre a justiça), Fedro, Teeteto (sobre a ciência) e Parmênides. Os diálogos da maturidade são O sofista (sobre o ser), O político, Timeu (sobre a natureza), Crítias (sobre Atlântida), Filebo (sobre o prazer) e As leis. O filósofo também deixou algumas cartas. Pela tradição familiar, o seu destino deveria ser a política. Mas, a experiência dos políticos que governaram Atenas por imposição de Esparta (404AC/403 AC), entre os quais estavam dois de seus tios, fez Platão afastar-se dessa forma de política. De acordo com o filósofo, uma cidade-modelo deveria distribuir os seus habitantes em três segmentos: os sábios deveriam pertencem à ordem dos governantes, os corajosos, que deveriam zelar pela segurança, à ordem dos guardiões, e os demais, responsáveis pela agricultura e comércio, fariam parte da ordem dos produtores. O filósofo também não concordava que os políticos mais votados assumissem os principais cargos em uma cidade ou país. Para Platão, nem sempre o mais votado era o mais bem preparado. Dentro deste contexto, era necessário criar uma alternativa para impedir que a corrupção e a incompetência tomassem conta do poder público. (Nota do autor do blog: alguma semelhança com os dias de hoje?) A forma dos escritos platônicos é o diálogo, transição espontânea entre o ensinamento oral e fragmentário de Sócrates e o método estritamente didático de Aristóteles. No fundador da Academia, o mito e a poesia confundem-se muitas vezes com os elementos puramente racionais do sistema. A atividade literária do filósofo grego compreende mais de cinqüenta anos da sua vida: desde a morte de Sócrates até a sua morte.

Fonte: Netsaber – http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_883.html

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Comentários da Administração do blog "Debata, Desvende e Divulgue!"

Ao lado de Sócrates e Aristóteles, Platão é considerado como um dos gigantes da filosofia grega da Antiguidade. Suas obras (a maioria em forma de "diálogos") são verdadeiras jóias da literatura filosófica, porquanto cuidavam dos preceitos morais e do comportamento dos indivíduos em sociedade, sendo até hoje consulltadas, 24 séculos após a sua morte. Foi um dos mais ilustres discípulos de Sócrates, sendo também o seu principal biógrafo, já que Sócrates nada deixou por escrito, sendo o seu pensamento divulgados por seus discípulos, dos quais, o mais fiel foi Platão. Na obra Apologia descreve o processo de que Sócrates foi alvo e as palavras que este usou para defender-se no tribunal, excelente orador que era; na obra Criton, descreve os momentos relacionados à permanência de Sócrates na prisão e, finalmente, em Fédon, os últimos momentos do seu mestre, antes de beber a cicuta que lhe tirou a vida.

Sua mais importante obra é A República, que também em forma de diálogos, descreve uma sociedade ideal, na qual dirigentes e dirigidos representam a encarnação da pura racionalidade. Entretanto, no final do Livro IX, parece admitir o caráter um tanto utópico do projeto político que idealizara.

Sobre a técnica dos "diálogos" e em especial sobra a obra A República, vejam o que diz o site educaterra:

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Os diálogos, obra dramática

Platão, como grande estilista da língua grega que era, dotado de extraordinário censo dramático, apresentou um método original de expor suas reflexões: o do diálogo. O que levou a que alguns estudiosos afirmar que tal método de exposição era literariamente tão grandioso como as tragédias de Ésquilo ou de Sófocles. Neles, nos diálogos platônicos, o personagem central é Sócrates, com quem Platão privou até o seu momento final. A principal obra política dele foi "A República" (Politéia), que compôs provavelmente entre 380 e 370 a.C., quando tinha mais de 50 anos de idade, portanto, obra da sua maturidade. Um pouco antes do seu falecimento Platão voltou novamente a especular sobre a sociedade ideal por meio de outro grande diálogo: As Leis.

O cenário onde o reunião acontece, tal como ocorre em tantos outros diálogos de Platão, é a casa de um homem rico, o velho Céfalo, que põe o seu salão à disposição dos intelectuais, políticos e artistas para discutirem filosofia e assuntos gerais. Estão presentes Sócrates, os filhos do dono da casa, Polemarco, Lísias e Eutiderno, além de Timeu, Crítias e Trasímaco. Tais tertúlias eram muito comuns, fazendo o gosto das classes cultas de Atenas, sendo uma espécie de antecipação dos salões que fizeram a fama da sociedade aristocrática francesa do século XVIII e XIX.

Fonte: http://educaterra.com.br/voltaire/politica/platao.htm

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Frases selecionadas sobre o pensamento de Platão:

  • " A parte que ignoramos é muito maior do que tudo quanto sabemos."
  • " Tudo quanto vive provém daquilo que morreu."
  • "Aprender é mudar posturas."
  • "Uma vida não questionada não merece ser vivida."
  • "Quando a mente está pensando, está falando consigo mesma."
  • "Riqueza alguma poderá proporcionar paz a um homem mau"
  • "Devemos aprender durante toda a vida, sem imaginar que a sabedoria vem com a velhice."
  • "É a esta força que mantém, sempre a opinião justa e legítima sobre o que é necessário temer, que chamo e defino coragem."
  • "Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele."
  • "Deve-se temer a velhice, porque ela nunca vem só. Bengalas são prova de idade e não de prudência."
  • "… os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue ao poder, ou antes que os chefes das cidades, por uma divina graça, ponham-se a filosofar, verdadeiramente."

Fonte: Coleção filosófica particular de ivosgreis http://www.pensador.info/colecao/ivosgreis/

NA: Platão, ao contrário da maioria dos filósofos, acreditava em "Deus", embora achasse que o homem devesse fazer por si mesmo.

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1 Comentário

  • adv disse:

    Olá Ivo, apenas para reforçar ainda mais o “Deus” do Platão para os mais ‘desavisados’: o deus de Platão era alguma entidade que supostamente havia criado toda matéria do Universo.

    Para por aqui, já que coloco Platão e Sócrates ao mesmo nível do que Paulo, o apóstolo, fez com o cristianismo. Até a próxima =)

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