Parece que a Amazônia está destinada a gerar a aglutinação dos interesses mundiais na sobrevivência. Quando um fator se torna essencial para vida humana, cria-se instintivamente a consciência de preservação dessa fonte vital. Há desdobramentos nas considerações a respeito, mas por ora limitamo-nos a destacar aquele aspecto, pois ele nos indica, no presente momento, que a atual nebulosa necessidade de formação de governo mundial está tomando o rumo que vimos apontando como único caminho possível na emergência por que passa a humanidade. Meus argumentos sobre essa tendência estão claramente expostos nos pronunciamentos de importantes figuras em tempos recentes, como se pode verificar nos quadros abaixo.
 

a – Al Gore, vice-presidente dos EUA, em 1989: “Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós.”
 

b) – François Mitterant, presidente da França, em 1989: “O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia.”
 

[…]c) – John Major, primeiro ministro britânico, em 1992: “As nações desenvolvidas devem estender o domínio da lei ao que é comum de todos no mundo. As campanhas ecológicas internacionais sobre a região amazônica estão deixando a fase propagandista para dar início a uma fase operativa que pode, definitivamente, ensejar intervenções militares diretas sobre a região.”
 

d) – Mikhail Gorbachov, presidente da ex-URSS, em 1992: “O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes.”
 

e) – Henry Kissinger, secretário de estado dos EUA, em 1994: “Os paises industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não-renováveis do planeta. Terão que montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos.”
 

f) – Madeleine Albright, secretária de estado dos EUA, em 1996: Atualmente avançamos em uma ampla gama de políticas….. e crescente participação da CIA em atividades de inteligência ambiental.”
 

g) – General Patrick Hugles, do exército dos EUA, em 1998: “Caso o Brasil resolva fazer um uso da Amazônia que ponha em risco o meio ambiente dos EUA, temos de estar prontos para interromper esse processo imediatamente.”
h) Pascal Lamy, presidente da OMC, em 2005: “A Amazônia e as outras florestas tropicais do planeta deveriam ser considerados bens públicos mundiais e submetidos à gestão coletiva, ou seja, gestão da comunidade internacional.”
 

  Está ai o pensamento universal que, evoluído por pressão de fatos ecológicos, vai detonar os episódios históricos vindouros em que a humanidade vai ser, concomitantemente, agente e paciente. Quanto mais cedo vier a efetivação do governo mundial, menos trágico será esse capítulo histórico.    

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5 Comentários

  • Antidio Teixeira disse:

    Visão de outro patamar:
    Para focar o problema da soberania sobre a Amazônia, tem-se que, antes considerar como ficarão as condições ambientais sobre as diversas partes do planeta nos próximos anos. Os meios científicos, dependentes do poder econômico dominante do mundo, não oferece credibilidade, pois suas declarações são tendenciosas a serviço de seus mantenedores tendo a mídia como coadjuvante. Observem o seguinte detalhe: uma floresta já formada em nada contribui para absorção do carbono gasoso nem para oxigenação da atmosfera. Isso porque, o carbono absorvido pelos seres vegetais na elaboração de seus produtos, assim como o oxigênio liberado na fotossíntese do mesmo processo, são consumidos posteriormente na degradação da sua biomassa com a liberação de calor retido: seja por combustão lenta (digestão ou apodrecimento), ou ativada por inflamação. Portanto, a teoria de que o mundo depende das florestas tropicais para continuar respirando, não passa de “argumento de lobos famintos contra cordeiros inocentes” para se apossarem destas áreas, ainda não dilapidadas pela ganância consumista promovida por eles.
    Não interessou ainda à Ciência explicar ao mundo porque os “buracos” na camada de ozônio sobre os pólos terrestres aparecem nos meados dos invernos e estão adentrando, cada vez mais, nos períodos de primavera. A verdade é que a camada protetora de ozônio sobre o nosso planeta, depois de convertida em oxigênio pelo frio das noites polares nas camadas mais elevadas, foi transformada em CO2 nas fornalhas que propiciaram a Revolução Industrial; e que, apesar dos sinais de alerta dados pela Natureza, continuam incrementando o consumo de energia em todas as suas formas, em nome do progresso. Por inexistência de processo regenerador economicamente viável, os gases provenientes das combustões vêm se acumulando sobre as regiões intertropicais por serem mais densos e, portanto, mais sujeitos à ação da força centrífuga da rotação terrestre; em detrimento as grandes reservas de ozônio que se elevavam sobre os pólos antes da queima dos combustíveis fósseis sofreram um rebaixamento e rarefação gerando os famigerados buracos na camada protetora. Assim, estes estão crescendo em direção aos trópicos na mesma velocidade com que se lança mais carbono na atmosfera. Portanto, os países que se situam acima de Câncer e abaixo de Capricórnio, já estão recebendo agressões ambientais nunca antes registradas: tufões e tornados cada vez mais violentos, incêndios florestais incontroláveis, chuvas torrenciais causando devastadoras enchentes alternando-se com secas prolongadas que já estão comprometendo o abastecimento de água de muitas grandes cidades da Europa que, como Barcelona, estão sendo abastecidas com a utilização de petroleiros.
    Assim, entendemos que os povos de países ricos situados nas citadas regiões, pretendem formar colônias nas regiões equatoriais que, apesar de mais aquecida pela maior concentração de carbono atmosférico, estarão mais protegidos contra a ação dos raios ultravioletas que já vêm, há décadas, comprometendo a produtividade agrícola em seus países. Assim, entendo que o interesse de americanos, europeus e japoneses em preservar a Amazônia seja para garantir uma ocupação futura sem maior resistência nem desgastes das reservas naturais.
    Com relação à criação de um poder central, esclareço que a constituição do mesmo será o caminho natural do mundo como foram, no passado, a aglutinação dos pequenos reinos e principados em países para que seus cidadãos pudessem auferir mais benefícios e segurança. Hoje, assistimos a unificação de países em blocos continentais com os mesmos objetivos. No entanto, a unificação total do mundo sob uma só regência é coisa para acontecer no decorrer de muitas décadas, talvez mais de um século, provavelmente, após muitas guerras. Muitas arestas terão que ser quebradas para se ajustarem sob um governo único.
    Antídio

  • Ivo S.G. Reis disse:

    Nãããão, Gomide, não. Você está certo quanto aos fatos e ao pensamento mundial que existe sobre o assunto. Já tínhamos conhecimento de vários deles e da existência de certas tendências. Mas sobre o que pensa (já descrente do Brasil), sou obrigado a emitir uma opinião, concordante com você numa parte e discordante em outra:
    GOVERNO MUNDIAL, SIM; ENTREGAR A AMAZÔNIA E A SOBERANIA DE 1/3 DO BRASIL AOS ESTRANGEIROS, NÃO.

    A questão amazônica é altamente complexa e explosiva e pode até, no futuro, ser responsável pela detonação de uma terceira guerra mundial e isso não é exagero. E os culpados serão, o próprio Brasil, pela sua irresponsabilidade e incompetência e a cobiça internacional, pelos motivos que todos sabemos.

    Que o Brasil está tratando o assunto com descaso e sem emprestar a importância que ele merece, já ficou evidente. O que o povo tem de fazer é ALERTAR, ALERTAR, DENUNCIAR E PRESSIONAR.

    Ainda temos tempo, mas é preciso agir, antes que o pior aconteça. A solução intermediária e a melhor seria: A CRIAÇÃO DE UM GOVERNO MUNDIAL PARA ASSUNTOS RELACIONADOS À ECOLOGIA E AO MEIO AMBIENTE. Mas com leis que valessem para todas as nações. Por que só o Brasil submeter-se ao controle internacional enquanto os outros, que também não souberam cuidar das suas florestas e as devastaram, ficam livres? Erraram quando quiseram e agora querem corrigir fazendo com que só o Brasil pague o preço?

    Enquanto isso não acontecer e as leis não forem para todos, entendo que temos de continuar lutando para defender o que é nosso. O Brasil que tome vergonha e aprenda a valorizar o que é seu e tomar consciência do tamanho do problema.

    Para a Amazônia converter-se em pólo de disputas internacionais – como, está se desenhando – é um pulo. E daí para que as disputas se convertam em guerra é outro. E não considero isso um exagero. “Ah, mas não vai chegar ao extremo da guerra”, diriam alguns. Também pensei nisso, torcendo para que assim fosse, mas ocorreu-me o seguinte pensamento:

    Para haver uma guerra entre dois países, é preciso haver um motivo;

    Para haver um motivo, é preciso que um dos lados o provoque;

    Para provocar um motivo, basta querer. E se ele não existir, fabrica-se!

    No Iraque, quando os Estados Unidos queriam o petróleo iraquiano, foi assim. Se eles ou outro país qualquer quiserem mesmo se apoderar das riquezas da Amazônia, é só fabricar um motivo, emprestar-lhe uma pseudo causa nobre e dar a devida divulgação. Talvez eles até consigam aliados e o Brasil ainda passará a assumir o papel de vilão da humanidade; e eles, os agressores, passarão a ser vstos como “defensores”. É assim que queremos ser lembrados neste episódio?

    Nãããão, Gomide, não. Que o perigo existe, existe, mas temos de continuar lutando, enquanto ainda há tempo.  

  • Administrator disse:

    Continuação do comentário de Ivo S. G. Reis

    Resolvi continuar porque ao publicar o meu comentário, ainda não havia lido o do Antídio. Destaco aqui um trecho importante do mesmo :

    “…Portanto, a teoria de que o mundo depende das florestas tropicais para continuar respirando, não passa de ‘argumento de lobos famintos contra cordeiros inocentes’ para se apossarem destas áreas, ainda não dilapidadas pela ganância consumista promovida por eles”.

    No caso, o cordeiro inocente seria o Brasil, mas nem tão inocente assim. Há um pouco de negligência, descaso, falta de patriotismo e corrupção nisso tudo. Cordeiros inocentes seriam o seu povo, mas não os seus políticos.

    Muito bom comentario, Antídio. Mas não seja pessimista no sentido de que seria preciso algumas décadas ou mais de um século para que o “Governo Mundial” aconteça. Se o mundo quiser mesmo, em 3 ou 4 anos eles implantam isso. Depois, é só ir ajustando e aprimorando.

    Antes de finalizar, um pedido para o Gomide: Você levantou um tema importantíssimo, atual, e que requer urgente atenção. O tópico foi AGLUTINAÇÃO DE INTERESSES COMUNS EM TORNO DE UM PROBLEMA COMUM À HUMANIDADE, SENDO UM DOS ASPECTOS PRINCIPAIS DO PROBLEMA, A AMAZÔNIA, QUE “AGLUTINA ” INTERESSES iINTERNACIONAIS OS MAIS DIVERSOS.

    O pedido é o seguinte: associe o título da matéria à palavra AMAZÔNIA e mude-o! Isto, além de tornar o conteúdo mais fácil de ser imaginado, facilita os mecanismos de busca da internet. Assim, quando alguém digitar no Google a palavra “Amazônia”, o seu artigo aparecerá, entre todos ‘aglutinados’ sob o tema Amazônia. Já com o singelo título AGLUTINAÇÃO, embora também correto, dificilmente será encontrado. No meu entender o foco é: AGLUTINAÇÃO INTERNACIONAL DE INTERESSES EM TORNO DA AMAZÕNIA. Tenha isso em mente e imagine você mesmo um título mais chamativo.

    Abraços!

  • mgomide3 disse:

    É como muito prazer e o melhor dos humores que entro nesta arena.
    Hoje é um dia feliz: respondo a dois amigos e brilhantes ambientalistas.
    Caríssimo Antídio,
    Mais uma vez temos a oportunidade de apreciar uma esplendorosa e fundamentada aula, seguindo uma linha de idéias perfeitamente concatenada e clara. É perfeitamente possível que os paises do chamado primeiro mundo se vejam tentados, por necessidades deles, a estabelecerem colônias em terras virgens, pretextando a defesa do meio ambiente. Afinal a honestidade em política internacional não existe; todos só cuidam de seus próprios interesses. Isso é um fato que tem exemplos vários nos capítulos da história, só que em outros contextos. Você alude à possibilidade de guerras, no decorrer de longo tempo, para alcançar o consenso de governo mundial. O desenrolar de ações nesse sentido é perfeitamente lógico, no entanto devo opinar que o desequilíbrio ambiental do planeta deve ser acudido dentro dos próximos 20 anos. Depois, a situação se tornará irreversível, pois entendo deva-se considerar que as forças naturais impõem um interregno entre ação e reação. Ações danosas de hoje terão respostas da Natureza depois de decorridos alguns anos. Finalmente, uma consideração importante: há dois enfoques para a questão amazônica. Uma é das práticas usuais em políticas internacionais e que orientou seu raciocínio, perfeitamente compatível com a História. Outra é a idealística, mais consentânea com a visão que tenho defendido. Pode ser sonhadora, mas é a ditada pela lógica ante os fatos trágicos a que estamos prevendo. Duas visões, dois enfoques; perfeitamente lógicos.

    Não menos caríssimo Administrador,
    Meu artigo apenas aponta fatos que indicam uma tendência de aglutinação que pode ou não pode configurar uma tomada de posição imperialista (muito em moda no mundo). Numa visão idealística, dei minha versão: gênese de um governo mundial. Ali não acrescentei minha opinião. Apenas identifiquei uma tendência. Boa ou má, não foi objeto de minha apreciação.
    Agora, alguns esclarecimentos. Minha visão, no geral, procura ser ampla, isenta, neutra como a de um juiz, despido do máximo de emoções e seduções. Pelo menos, aprisiono minhas liberdades, tentando livrar-me de todas as influências da cultura e sentimentos egoísticos, próprios do ser humano. Como já me manifestei em comentário anterior, o sentimento de nacionalidade tolda uma visão clara de âmbito global. Entendo que somente assim poderei adquirir as qualificações filosóficas para melhor estudar determinado assunto.
    Outra observação: falar-se em governo mundial sem soberania em assuntos ambientais sobre todos os paises seria falar-se sobre nada.
    Não raciocinamos em termos de Brasil; nossa visão é planetária.
    O nobre ambientalista reconhece que o governo brasileiro está dilapidando a Amazônia e clama por alertar, denunciar. Alertas e denúncias têm sido feitas há anos pelos ambientalistas brasileiros e estrangeiros. Se o pior acontecer, o próprio Brasil será o responsável; não os “lobos” do primeiro mundo. “Se não queres ser ferido pelo mais forte, não lhe ofereça motivos”.
    A polêmica é boa e instrutiva. Difícil é definir os termos para se chegar a um consenso, mas estamos todos na mesma trilha verde. Afinal, devemos sofrear as rédeas dos dedos no teclado porque o texto deve ser curto. Mas ainda há espaço para clamar pela presença aqui dos diversos ambientalistas que nos lêem. Enriqueçam o assunto oferecendo-nos suas opiniões, mesmo que divergentes. Vamos! Estão vivos? Apareçam para aplausos.

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