O Diario de Pernambuco do último dia 20 mostrou que a sociedade acredita muito mais no alegado poder da fé religiosa do que nas ciências médicas em se tratando de tratamento de doenças. Mais que uma mera questão de credo, a pesquisa escancarou dois problemas sérios: a educação brasileira dos últimos 50 anos fracassou retumbantemente no ensino de disciplinas científicas e a falência da saúde pública corroeu a credibilidade dos médicos e dos hospitais. Convém fazer a análise que o jornal não fez, a verdade que se escancarou, ainda que a constatação aqui presente irrite cristãos fundamentalistas.

Em primeiro lugar, a vitória da fé sobre a confiança na ciência mostra, ainda que só para os mais atentos, que as nossas escolas, ora as públicas ora as privadas, falharam seriamente no ensino de ciências e na transmissão dos valores do pensamento cético perante o mundo.

Falhou-se em explicar de forma convincente como o método científico suplantou as narrativas religiosas no que tange a explicar como o Universo e a vida surgiram e funcionam; como a ciência foi suplantando ao longo dos séculos respostas tapa-lacunas como “foi Deus” ou “foram demônios” para se explicar os mais diversos fenômenos naturais, dos cosmológicos aos medicinais; como invenções como a roda, o navio, as telecomunicações e a robótica só foram possíveis graças à ciência e à tecnologia, não à religião e a seus rituais; como e por que os povos antigos, desde muito antes do surgimento do povo hebreu, idealizaram deuses e desenvolveram religiões e normas divinamente atribuídas para orientar suas sociedades.

Sem uma educação científica decente e noção de por que e como a religião é transmitida, as pessoas se recusam a refletir sobre quem realmente está tratando seus problemas de saúde e ficam extremamente suscetíveis a ser vítimas fáceis da credulidade e de todo tipo de charlatanismo, curandeirismo e abuso da fé popular por parte de sacerdotes inescrupulosos. Carl Sagan, no livro “O mundo assombrado pelos demônios”, teve uma conclusão assim, quando explicou a interessante relação entre a alta incidência de fundamentalismo religioso, a pouca confiança na ciência e a baixa qualidade do ensino científico nos Estados Unidos. E agora estamos vivendo uma realidade muito parecida no Recife.

Além do fato de o nosso ensino não ter conseguido transmitir ciência adequadamente às pessoas, outra conclusão a que se chegou foi a baixíssima confiança dos hospitais públicos e dos médicos que servem nos mesmos. Como uma pessoa humilde pode confiar sua saúde em hospitais desprovidos de salubridade, em doutores que sequer sabem diagnosticar sua doença, em um sistema que não se compromete em salvar sua vida e devolver-lhe a saúde?

Não é de se estranhar que, desse jeito que é disponibilizado, o socorro médico deixe de ser visto como uma solução coerente para as pessoas tratarem seus piores males. Com o buraco deixado, a única “solução” é recorrer desesperadamente à fé no divino e ao primeiro pastor milagreiro que aparecer, ao melhor estilo de avião em queda, em que as pessoas depositarão fé em qualquer pessoa ou entidade que os salve da tragédia. Como poderíamos esperar que os recifenses confiassem na medicina se elas nem têm acesso ao melhor que ela pode oferecer, se o hospital não lhes dá esperança de vida? Sem ela, a primeira alternativa em que elas pensam logo quando pensam em enfermidades sérias é a mais “óbvia”: seu venerado Deus.

Christiane Violet, a oncologista entrevistada na reportagem, bem que poderia tratar a questão aferida pelo jornal tratando-a como deveria: como um atestado de fracasso educacional e falência hospitalar. A pesquisa abordada nos mostra que é inegável a necessidade de uma educação escolar que valorize a ciência e o ceticismo e é desesperadora a demanda por um sistema de saúde que saiba socorrer e use de uma medicina realmente digna de confiança.

 

Robson Fernando é articulista independente, graduando em Ciências Sociais e dono do blog Consciência Efervescente
Texto original:
http://conscienciaefervescente.blogspot.com/2009/05/coluna-quando-muita-fe-escancara-muito.html

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11 Comentários

  • Mr. Spock disse:

    Excelente artigo Robson!

    Faltou apenas, como voce mesmo falou do artigo no Jornal, analisar os porquês da questão.

    A vertiginosa queda da qualidade do ensino científico em todo o Mundo (diga-se de passagem, não só no Brasil) não é coisa fortuita ou mera coincidência. Eu já escrevi aqui e em meu blog que um dos filmes mais perto do verdadeiro apocalipse chama-se “Idiocracy” (Idiocracia).

    Os métodos de seleção natural aos quais a humanidade estava exposta até os primórdios do século XX deixaram de existir com os avanços da Medicina e Química que propiciaram novas técnicas e tratamentos medicamentosos. Com isso, as populações antes vulneráveis a doenças como Tuberculose, Peste Bubônica, Gripes e Infecções diversas passaram a ter acesso a uma tecnologia que as fez aumentar extraordinariamente sua expectativa de vida. Como essas populações eram justamente as dos níveis socio-cultural-econômicos mais baixos da sociedade, puderam se reproduzir muito mais e mais rápido do que antes, quando a mortalidade infantil era enorme e a média de vida mal ultrapassava os 30 anos.

    Por outro lado, as chamadas “elites” sócio-cultural-econômicas passaram a ter novos interesses a partir de meados do século passado (pós-guerra). Após toda a miséria a que foi submetida a Europa, seus habitantes passaram a priorizar o crescimento econômico próprio em detrimento do crescimento populacional. Associe-se a isso detalhes não menos importantes como o chamado “movimento de libertação feminista” que tirou as mulheres das famílias e as jogou no mercado de trabalho e teremos o atual quadro existente na Europa desenvolvida, onde países como Inglaterra e Alemanha apresentam decréscimo populacional (crescimento negativo).

    Tal “achatamento” da piramide de crescimento populacional e seus efeitos podem ser claramente vistos, justamente, nos EUA onde espera-se para as próximas décadas uma maioria de população negra/latina contra os tradicionais WASPs norte-americanos. Com isso, a Ciência despencou e as Igrejas proliferaram no antes todo-poderoso país da NASA (ícone da época de ouro dos avanços científicos).

    Mas o crescimento da “idiotice” não se deve apenas a esse crescimento populacional espontâneo. Raciocine comigo: uma pessoa culta, lógica, racional, científica, observadora, precisa de deuses? Vamos adiante: e o que são deuses senão uma forma de controle da sociedade e auto-indulgência. Se esta pessoa que usa o cérebro não precisa de deuses, precisará de governos? Se antes os Reis tinham mandato divino, hoje muitos governantes se consideram deuses!! (preciso exemplifica?).

    Assim, afora o aspecto espontâneo, a espansão da idiotice é um mecanismo extremamente eficiente para controle das massas. O problema é que essa expansão se alastra por todos os níveis, incluindo os outrora considerados “elite”. Médicos, Advogados, Engenheiros e TODOS os demais profissionais e cientistas que deveriam ser repositórios de conhecimento e ciência, passaram a fazer parte da “turba ignorante”. Se hoje os serviços de saúde em geral são péssimos (e, de novo, não só no Brasil), atribua-se boa parte da culpa aos profissionais que neles trabalham, no mínimo, por sua cumplicidade e conivência com salários baixos e péssimas condições de trabalho no setor público.

    Finalizando, ao invés de se preocuparem com guerras nucleares, asteróides, aquecimento global e outros agentes do Apocalipse, a humanidade deveria perceber que acabará sucumbindo pela própria imbecilidade, ou ao menos haverá drástica redução da população mundial novamente devido a doenças, mortalidade infantil e redução da expectativa de vida, para alegria de alguns articulistas desse blog…

  • Caro Spock:

    Muito boa a sua visita, sempre oportuna. Meu comentário é para endossar o seu e apresentar-lhe melhor o Robson: é um rapaz bastante jovem ainda, mas de uma inteligência e racionalidade brilhantes. Nesta matéria e com um exemplo prático, ele mostrou o que acontece com o povo das camadas sociais mais baixas. Só esqueceu de observar que a aberração não ocorre só no Recife e no Brasil: é no mundo todo. E isto por conta de uma coisa chamada Religião.

    Para que ele pudesse enxergar essa verdade foi preciso libertar-se dos grilhões religiosos, caso contrário, não a enxergaria e, se visse, iria ignorá-la, acreditando que as religiões iriam solucionar os problemas sociais. Enquanto não diminuirem os poderes das religiões, sempre haverá uma massa ignara a elas escravizada. Religião e Política, como você observou, são formas de domínio que precisam ser revistas.

    Quanto ao “catastrofismo” ou ao “apolicalipsiticismo”, não me filio a estas correntes (por exemplo, não creio no aquecimento global antropogênico), mas sou realista quando diviso uma eventual possibilidade de que coisas ruins venham a acontecer no futuro, em razão da inércia ou ações erradas do homem. Sem despencar para o exagero, entenda-se.

    É isso! Bação pra vocês.

  • KLEBER RAMÍREZ disse:

    Vou fazer um comentário, e espero que o mesmo traga maiores esclarecimentos a todos, conforme segue:
    Antes, quero informá-los que para mim a ciência é uma dádiva de Deus e tão necessária e importante para nós como o ar que nós respiramos.

    A TIMIDEZ E A OMISSÃO DA CIÊNCIA EM INVESTIGAR A INTELIGÊNCIA DE CRISTO

    1 – A promessa da ciência e a frustração gerada

    No século XIX e principalmente no XX a ciência teve um desenvolvimento explosivo. Paralelamente, o ATEÍSMO floresceu como nunca. A ciência tanto progredia quanto prometia muito. Alicerçados na ciência, os seres humanos se tornaram ousados em seus sonhos de progresso e modernidade. Milhões deles, inclusive muitos intelectuais, baniram Deus de suas vidas, de suas histórias, substituindo-o pela ciência. Ela prometia leva-los a dar um salto nos amplos aspectos da prosperidade biológica, psicológica e social. A solidariedade cresceria, a cidadania floresceria, o humanismo embalaria as relações sociais, a riqueza material se expandiria e englobaria todos os seres humanos, a miséria social seria extinta e a qualidade de vida atingiria um patamar brilhante. As guerras, as discriminações e as demais violações dos direitos humanos seriam lembradas como manchas das gerações passadas. BELO SONHO.
    A ciência oferecia uma grande esperança, que, apesar de não ser expressa em palavras, era forte e arrebatadora. Havia uma promessa sentida a cada momento em que se dava um salto espetacular na engenharia civil, na mecânica, na eletrônica, na medicina, na genética, na química, na física, etc. A expansão do conhecimento era incontrolável. Cada ciência se multiplicava em outras novas. Cada viela do conhecimento se expandia, tornando-se um bairro inteiro de informações. Encontrava-se um microcosmo dentro das células. Descobriam-se um mundo dentro dos átomos. Compreendia-se um mundo com bilhões de galáxias que pulsavam no espaço. Produzia-se um universo de possibilidades nas memórias dos computadores.
    A ciência desenvolveu-se intensamente, mas frustrou a humanidade. De um lado, fez e continua fazendo muito. Causou uma revolução tecnológica no mundo extrapsíquico e mesmo no organismo humano, por meio dos exames laboratoriais e das técnicas de medicina. Revolucionou o mundo extrapsíquico, o MUNDO EXTERIOR DAS PESSOAS, mas não o mundo intrapsíquico, o MUNDO INTERIOR. Guiou o ser humano na descoberta do imenso espaço e do pequeno átomo, mas não o levou a explorar seu próprio mundo interior. Produziu veículos automotores, mas não veículos psíquicos capazes de conduzir as pessoas nas trajetórias do seu próprio ser. Fabricou máquinas para arar a terra e garantir mantimentos para saciar a fome física, mas não gerou princípios psicológicos e sociológicos para “arar” a rigidez intelectual, o individualismo e nutri-lo com a cidadania, a tolerância, a preocupação com o outro. Forneceu informações e multiplicou as universidades, mas não resolveu a crise de pensadores.
    A ciência não causou a tão sonhada revolução do humanismo, da solidariedade, da preservação dos direitos humanos. Não cumpriu as promessas mais básicas de expandir a qualidade de vida psicossocial do mundo moderno.
    Homens e mulheres do final do século XX se sentiram traídos pela ciência e os do terceiro milênio se sentem hoje frustrados, perdidos, confusos, sem âncora intelectual para se segurar.

    2 – O conhecimento e as misérias psicossociais

    Milhões de pessoas conseguem definir as partículas dos átomos que nunca viram, mas não conseguem compreender que a cor da pele branca ou negra, tão perceptível aos olhos, não serve de parâmetro para distinguir duas pessoas da mesma espécie que possuem o mesmo espetáculo da construção de pensamentos. Somos, a cada geração, uma espécie mais feliz, humanista, solidária, complacente, tolerante e menos doente psiquicamente? INFELIZMENTE, NÃO!
    O conhecimento abriu novas e impensáveis perspectivas. As escolas se multiplicaram. As informações nunca foram tão democratizadas, tão acessíveis. Estamos na era da educação virtual. Milhões de pessoas cursarão universidades sem sair de suas casas. Eu pergunto:
    Onde estão os pensadores que deixam de ser espectadores passivos e se tornam agentes modificadores da sua história existencial e social?
    Onde estão os engenheiros de idéias criativas, capazes de superar as ditaduras do preconceito e dos focos de tensão?
    Onde estão os poetas da inteligência que desenvolveram a arte de pensar?
    Onde estão os humanistas que não almejam que o mundo gravite em torno deles, que superam a paranóia do individualismo, que transcendem a paranóia da competição predatória e sabem se doar socialmente?
    Os seres humanos nunca usaram tanto a ciência. Entretanto, nunca desconfiaram tanto dela. Eles sabem que a ciência não resolveu os problemas básicos da humanidade. Qual a conseqüência disso? É que a forte corrente do ATEÍSMO que se iniciou no século XIX e que perdurou durante boa parte do século XX foi rompida. A ciência, como disse, tanto progredia quanto prometia muito. Sob os alicerces da ciência, homens e mulheres ganharam status de deuses, pois acreditavam serem capazes de extirpar completamente as suas próprias misérias. Assim, durante muitas décadas, o ATEÍSMO floresceu como um canteiro vivo. Todavia, com a frustração da ciência, o ATEÍSMO ruiu como um jogo de cartas de baralho, implodiu, e o MISTICISMO floresceu. Fomos de um extremo a outro.
    Percebendo as misérias sociais ao seu redor e observando as notícias de cunho negativo saltando todos os dias das manchetes dos jornais, as pessoas começaram a procurar DEUS. Elas, que não acreditavam em nada, passaram a CRER EM TUDO. Elas que eram tão CÉTICAS, passaram a ser tão CRÉDULAS. É respeitável todo tipo de crença, porém é igualmente respeitável exercer o direito de PENSAR ANTES DE CRER, e CRER COM MATURIDADE e CONSCIÊNCIA CRÍTICA. O direito de pensar com consciência crítica é NOBILÍSSIMO.

    3 – A ciência e a complexidade da inteligência de Cristo

    A ciência foi tímida e omissa em pesquisar algumas áreas importantíssimas do conhecimento. Uma delas se relaciona aos limites entre a psique (alma) e o cérebro. Temos viajado pelo imenso espaço e penetrado nas entranhas do pequeno átomo, mas a natureza intrínseca da energia psíquica, que nos torna seres que pensam e sentem emoções, permanece um enigma.
    Outra atitude tímida e omissa da ciência ao longo dos séculos está ligada à investigação de um homem chamado JESUS CRISTO. A ciência o considerou complexo demais. Sim, ele o é, mas ela foi tímida em pesquisar a inteligência e atitudes dele. Será que aquele que dividiu a história da humanidade não merecia ser bem mais investigado? A ciência o considerou inatingível distante de qualquer análise. Deixou essa tarefa exclusivamente para a esfera TEOLÓGICA. Foi aí que cometeu-se outro grande erro: A RELIGIÃO, ou melhor, a RELIGIOSIDADE. (Abordarei noutro dia, se Deus permitir, é claro, sobre este tema).
    Há pelo menos duas maneiras de uma pessoa ser deixada de lado:
    1 – Quando é considerada sem nenhum valor;
    2 – Ou, quando é tão valorizada que se torna inatingível.
    CRISTO foi rejeitado por diversos “intelectuais” de sua época por ser considerado um perturbador da ordem social e religiosa. Hoje, ao contrário, é tão valorizado que muitos o consideram intocável, distante de qualquer investigação. Todavia, ele gostava de ser investigado com inteligência.
    A omissão e a timidez da ciência permitiram que Cristo fosse banido das discussões acadêmicas, não sendo estudado nas salas de aula. Sua complexa inteligência não é objeto de pesquisa das teses de pós-graduação. Embora a inteligência de Jesus possua princípios intelectuais sofisticados, capazes de estimular o processo de INTERIORIZAÇÃO e o desenvolvimento das funções mais importantes da inteligência, ela realmente foi banida dos currículos escolares.
    É muito raro alguém comentar que a inteligência de Cristo era perturbadora, que ele rompia o cárcere intelectual das pessoas, que abria as janelas da mente delas. Todos admitem que ele foi um exemplo vivo de mansidão e humildade, mas ninguém comenta que era insuperável na arte de pensar.
    Na verdade, senhores, as pessoas procuram Deus, porque na ciência não conseguem encontrar algo que possam extrair as nossas misérias socias, as quais todos nós sabemos quais são.
    Um abraço.

  • Juliano - RCC disse:

    A matéria jornalística apontada no post, onde mostra que a sociedade acredita mais no poder da FÉ do que na CIÊNCIA, de certa forma, pode ser interpretada como uma forte esperança de que “nem tudo está perdido”. Ainda BEM que existem pessoas pelo mundo que por plena consciência, ou mesmo, intuitivamente, percebem as limitações humanas. O dia em que o homem se “sentir” maior que tudo, até de um “deus”, mesmo que não admita a possibilidade de sua “existência”, ainda assim, entende o significado de infinitude que a própria palavra encerra… aí sim, chegamos ao FIM! Arrancamos, totalmente de nós, a raíz da HUMILDADE que ainda restava e elegemos então, como “glória” a ser alcançada, a VAIDADE.
    Crer em Deus, não significa ser opositor da ciência. Antes pelo contrário, a MUITA ciência nos dá cada vez mais a certeza de que nada é absoluto, nem ela própria. E isso nos deixa à vontade para escolher até “racionalmente”, entre crer ou não em um “deus” que seja perfeito, e que possa nos acolher, confortar ou nos “proteger” nas intempéries… e até nos oferecer algumas respostas para aquilo que ainda desconhecemos através da ciência. É um “apenas querer”, CRER! O que não torna o crente maior, e nem tampouco, “menor”, como tentam rotulá-lo os não-crentes. A FÉ não sufoca a inteligência, ao contrário, é a atitude mais inteligente da inteligência, uma vez que se dirige a Deus.
    A fé e a ciência! Uma não “compete” com a outra. A fé precisa da luz da ciência para não se tornar cega (fideísmo) e não se tornar fanática, fundamentalista e perigosa, como temos visto hoje; a ciência, por outro lado, precisa da fé, para não cair no racionalismo e não colocar as suas descobertas a serviço do mal.
    Sem obedecer à fé e à moral, a vida tem mostrado que a ciência pode destruir o próprio homem. Veja, por exemplo, a bomba atômica e os atuais escândalos da proveta. Por isso é essencial que acima da ciência o homem cultive a fé.
    A fé católica, por exemplo, caminha com o auxílio da ciência e lhe é uma grande aliada. Para compreender melhor a Revelação de Deus, seja pelas Sagradas Escrituras, ou pela interpretação da Tradição que a berçou, a Igreja sempre usou a ciência, em todos os tempos.
    Para dar um bom e grande exemplo, basta dizer que, quem fundou a primeira Universidade do mundo, a de Bolonha, na Itália, por volta do ano mil, foi a Igreja Católica. E depois vieram muitas outras: Louvaine na Bélgica, Oxford na Inglaterra, Sorbone na França…Quem não as conhece? Hoje são inúmeras as Universidades e Faculdades Católicas espalhadas em todo o mundo, especialmente as Pontifícias Universidades Católicas.
    O Vaticano possui cinco Pontifícias Academias: Ciências; Ciências Sociais; Vida; Cultorum Martyrum e Eclesiástica.
    A Escola Bíblica de Jerusalém, mergulha fundo nas ciências para poder compreender com exatidão o sentido dos textos bíblicos. É à luz das ciências que a Igreja caminha para compreender melhor a “revelação” do sobrenatural, sem dispensar, é claro, a graça de Deus.
    Só para verificar a autenticidade de um milagre, nos processos de beatificação e canonização, o Vaticano tem à sua disposição mais de 70 médicos especialistas. A propósito, é bom dizer que a Igreja é muito cautelosa ao falar de milagres. Ela tem consciência de que muitos fenômenos maravilhosos são explicáveis pelas ciências. Assim, ela submete cada caso, tido como milagroso, a séria investigação. No entanto, às vezes, apesar do crivo científico (apoiado por um “Advogado do Diabo”), os próprios cientistas verificam haver fenômenos que a ciência de hoje não explica, nem vê como explicar no futuro.
    Para elaborar o recente Léxicon, o dicionário de termos ambíguos sobre a família, o Vaticano ouviu 88 renomados especialistas nos mais diversos assuntos.
    Batalhões de religiosos foram, e ainda são, grandes estudiosos, não apenas da teologia. Basta lembrar que foi um monge, Mendel, quem descobriu as leis básicas da genética; e outro, Copérnico, lançou as bases da Mecânica Espacial.
    É porque a Igreja sempre preservou a ciência, e sempre viu nela um grande dom de Deus para o homem, que toda a civilização ocidental foi preservada, quando da destruição do império romano pelos bárbaros. Se não fosse a enorme cultura assimilada pelos homens da Igreja, todo o patrimônio cultural do ocidente, teria sucumbido sob os pés dos bárbaros. Foram os monges e religiosos que guardaram e reproduziram nos seus mosteiros os clássicos da literatura grega e romana que hoje estão à nossa disposição: Cícero, Platão, Pitágoras, Aristóteles, e tantos outros. Não fora a presença marcante e firme da Igreja a partir do século V, talvez o mundo não conhecesse mais, muitas obras literárias do passado, e nem mesmo tivéssemos a civilização do ocidente.
    Obrigado pela oportunidade e abraços a todos.

  • Juliano - RCC disse:

    Enviei 3 comentários. Nenhum deles foi aprovado??

    Obrigado, se quiser responder.

  • Juliano - RCC disse:

    Robson, foi aqui.
    Enviei um comentário para este tópico e não apareceu. Então, tentei novamente…e nada! Só apareceu esse daí de cima… Vamos ver se aparece este!! rs

    Abs.

  • Juliano:

    Primeiramente, agradecemos a sua presença em nosso blog. Em seguida, informamos que este blog “ não faz moderação antecipada de comentários”. Isto equivale a dizer que, em princípio, todos os comentários são publicados imediatamente, sem intervenção do moderador. Depois de publicado, aí sim, se houver alguma coisa ofensiva, inadequada ou que o Administrador não concorde, poderá haver uma moderação “a posteriori” e, felizmente, foram pouquíssimos os casos em que isto ocorreu (apenas 4, se não estou enganado).

    No entanto, às vezes ocorre uma interceptação automática pelo Akismet, quando detecta alguma palavra-chave que pode ser intepretada como “spam”, principalmente em comentários mais longos. Mas o bloqueador de spam, embora eficiente, às vezes se engana e eu tenho que examinar todos os comentários bloqueados para ver se existe algum bloqueado indevidamente e liberá-lo. E este foi exatamente o seu caso: seu comentário foi interceptado pelo Akismet, indevidamente. Não me pergunte qual foi a palavra que gerou isso, porque nem eu mesmo sei. Para sabê-lo teria de pegar a lista de palavras e procurá-las linha por linha em seu comentário, o que nem sempre é possível.

    Assim, examino todos os bloqueios e libero os que não são spams. Localizei os seus três e liberei o último, já que os demais são repetições.

    Desculpe o transtorno e grato pela compreensão. O Robson deverá avaliar as suas considerações e responder. Abraços!

  • Juliano, concordo que o fato de ter uma religião não implica necessariamente ser oposto à ciência. Mas o caso recifense não se refere exatamente a esse ponto. Mas sim ao fato de que a credulidade da população e a não-confiança na medicina denunciam sérios problemas na condução da educação e nas condições da saúde pública. Tantos falam que fé e medicina se juntam no tratamento psicológico e físico, em vez de se excluirem mutuamente, mas não foi o que vi em Recife.

    É muito plausível que uma população que não tenha acesso ao verdadeiro e completo poder da medicina abrace a crença desesperada de que Deus vai curá-las.

    Não sei se respondi direitinho, mas espero ter esclarecido pelo menos o mais importante de seu comentário.

    Abs

  • Juliano - RCC disse:

    Ivo S. G. Reis, desculpe pelo transtorno. Considera que foi a(s) minha(s) primeira participação aqui no blog. Daqui para frente me “comportarei” melhor. (rs) Abs.

    Robson, obrigado pela atenção e pela resposta. Gostei do blog!!! Abs.

  • Não foi transtorno, Juliano. Isto é normal e já aconteceu até com os meus próprios comentários, com os do Robson, com os de outros colaboradores. Não é muito comum, mas às vezes acontece. Mas são problemas menores, facilmente resolvíveis, em menos de 24 horas.

    Quanto à sua liberdade aqui, fique à vontade para expor seus pontos-de-vistas, sejam eles quais forem. Debate é isso: Até que se chegue ao consenso (quando possível) ninguém é obrigado a concordar com ninguém.

    Volte mais vezes e procure ler os comentários do colaborador Kleber Ramírez (nosso crente de estimação), que pensa como você. Há um comentário dele aí em cima.

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