Parece que a sucessão de escândalos políticos já se tornou uma perigosa rotina no Brasil. E isso se deve, principalmente, à ineficiência dos instrumentos de controle das ações dos parlamentares, à superposição de leis que tolhem ou dificultam a atuação do Judiciário, dando brechas para inúmeros recursos e/ou arquivamentos de processos por não julgamentos por prescrição e, finalmente, à consciência que os políticos têm dessas deficiências, o que lhes permite cometer os mais diversos tipos de delitos e crimes contra a Administração Pública, com a quase certeza da impunidade.

Mas existem outros fatores que encorajam a existência e continuidade dessas práticas: as regalias constitucionais, como o "foro privilegiado" dos parlamentares e a alienação política do povo que, desinformado, não se interessa ou não sabe como fiscalizar e exigir seus direitos; existe ainda parte da Imprensa comprometida com o Governo e que colabora com esses processos ou deixando de noticiar ou dando notícias distorcidas e tendenciosas . Com isso e protegidos pelo seu próprio corporativismo e regimentos internos, os políticos se vêem tentados a incorrer em práticas delituosas, colocando os interesses particulares acima dos coletivos, já que a impunidade é quase sempre certa e as penas, quando eventualmente aplicadas, são tão leves que sequer chegam à privação de liberdade e ainda permitem até reeleições.

Somente de janeiro a abril deste ano. 46 escândalos políticos já se tornaram públicos e outros tantos ainda estão se formando. Mas há aqueles que jamais foram ou serão descobertos e que não se encontram inclusos nessa vergonhosa estatística. Se considerarmos, numa estimativa bastante razoável, que de cada 5 falcatruas somente uma dá errado e vem a conhecimento público, teríamos uma média absurda de 1,9 (ou, arredondodando, 2 escândalos por dia) na política brasileira. Nessa proporção, não seria exagero dizer que a coisa já fugiu do controle.

A verdade é que, em uns mais, em outro menos, isto sempre existiu, em todos os governos. Não é culpa exclusiva do Presidente da República, ou do presidente do Senado ou do presidente da Câmara ou de um ministro ou de um secretário de estado, de um governador ou de um prefeito. A culpa é do nosso regime e sistema político, que já caducou e se tornou ineficiente e vulnerável, encorajando à corrupção em todos os níveis do poder.

Três novos escândalos se formando (maio/2009), nas esferas federal estadual e municipal:

 

Para comprovar nosso ponto-de-vista, e apenas a título de exemplo, transcrevemos abaixo um excerto do artigo que publicamos recentemente em nosso site " Observatório Político Brasileiro ":
 
1 – O Escândalo Federal:

Este envolve a Petrobrás, com pedido de CPI já protocolado pela Oposição, mas ainda não aprovado. O escândalo relaciona-se a fraudes em licitações, denúncias de desvio de royalties de petróleo, irregularidades em contratos para construção de plataformas e da Refinaria Abreu e Lima (PE), tudo apontado pelo TCU. Por último, as alterações contábeis que influiriam no resultado dos balanços e permitiriam à empresa diminuir o recolhimento de impostos, isto, segundo alguns, com o conhecimento e conivência do Governo.

Este é o escândalo federal que poderá ficar abafado e só nisso (só?), caso o Governo consiga negociar a não realização da CPI, que alega ser, neste momento, muito ruim para o país (???)

2 – O Escândalo Estadual:

Este já eclodiu e envolve a governadora Yeda Crucius (PSDB-RS), acusada de corrupção, uso do Caixa 2 e malversação do dinheiro público. Segundo denúncias e gravações, a governadora teria recebido R$ 400.000,00 de duas empresas fabricantes de cigarros, que ela chamou de "sobras de campanha", mas que foram utilizados na compra da sua nova residência, aproximadamente, no mesmo valor. Irregularidades no DETRAN gaúcho e injustiçãs cometidas contra o funcionalismo público estadual também foram citados.

Por tudo isso, diversas passeatas pedindo o "impeachment" da governadora já foram realizadas e a Assembléia Estadual Gaúcha já entrou com pedido de CPI (veja o vídeo "Oposição gaúcha que CPI contra governadora Yeda Crucius", na seção de vídeos aqui do OPB.

3 – O Escândalo Municipal – A "Cidade da Música (RJ)"

Aqui, o protagonista é o ex-Prefeito César Maia, do Rio de Janeiro. Existe uma Ver matériaameaça de pedido de CPI porque descobriu-se que o complexo Cidade da Música, de 90.000 metros quadrados, inaugurado em 26 de dezembro de 2008 e construído pela Prefeitura ao custo de R$ 518 milhões, possui fortes indícios de superfaturamento, muitos, já comprovados. O que ainda não se pode dizer é se há ou não comprovação do envolvimento direto do ex-prefeito. Mas os indícios já foram apontados.

A obra, que deveria ser motivo de orgulho para a cidade do Rio de Janeiro porque diz-se ser a única no gênero e que, além do alcance social promove o turismo estadual, pode transformar-se num monumento à corrupção e ser motivo de vergonha para os cariocas e para o Brasil.

Este escândalo ainda está em formação e poderá não ir adiante. Mas adiante vamos nós aqui, antecipando a notícia dos escândalos, mesmo quando eles não conseguem alcanças repercussão nacional ou são "abafados" (ELES adoram, sempre que podem "abafar escândalos").

Fontes: Wikipédia, Youtube (vídeo publicado aqui), G1.oglobo.com/notícias/politica/
 

 
Como se viu, os escândalos políticos não param e não se restringem apenas ao Congresso Nacional, ao Judiciário e aos ministérios, mas alcançam os governos estaduais e municipais. Melhor dizendo: alcançam todos os poderes, em todos os níveis. Só de janeiro a abril deste ano foram 46 e estes aqui ainda não estavam contabilizados.

A corrupção, o roubo e os desmandos na política nacional já estão institucionalizados e ninguém consegue reverter isso. E os que poderiam – os políticos – não têm interesse porque significaria acabar com as suas próprias regalias e oportunidades de enriquecimento ilícito. Tanto isto é verdade que, através de um forte corporativismo, eles se protegem uns aos outros, só adotando providências saneadoras quando não é mais possível a omissão. Nesses casos, eles entregam um ou outro boi de piranha (faz parte do jogo), para que os outros sobrevivam. Estamos vivendo em uma verdadeira Cleptocracia. Mudar o sistema político atual? Para quê?

Será que também não somos culpados, em função da nossa passividade e alienação social e política?

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