Assassinatos Globais e Suicídio Coletivo

04/05/2008
by Antidio Teixeira

Eu, como todo indivíduo que desfruta de benefícios não essenciais à vida, moradores de comunidades urbanas em edifícios servidos por elevadores, abastecidos com águas de rios captadas, tratadas e bombeadas através de centenas de quilômetros de adutoras, dispondo delas quentinhas para o banho ou purificadas e geladinhas para beber; também de confortáveis transportes por ônibus, automóveis, trens, navios e aviões que, antigamente, nem mesmo os reis imaginavam; tendo à nossa disposição variadas formas de informações e de diversões proporcionadas por jornais, rádios, televisões, cinemas e clubes; praticantes de turismo, esportes radicais e freqüentadores de resorts; beneficiários dos avanços da medicina; tendo ao nosso alcance o abastecimento de todos os produtos essenciais, ou não, às nossas necessidades ali nos supermercados da esquina, necessitamos saber que: “tudo que consumimos, ou que usamos, foi fabricado, ou é movimentado por algumas formas de energia: sejam elas elétrica, dinâmica, calorífica e/ou luminosa”. E que, aproximadamente, 80% delas têm origem em processos poluentes, principalmente os combustíveis fósseis e nucleares. Aqueles já saturaram o meio ambiente e estão causando o desequilíbrio climático que vem reduzindo a produtividade agrícola acompanhada da avicultura, suinocultura e, também da pecuária, elevando os custos da alimentação em todo o mundo. Em conseqüência do desvio dos potenciais energéticos para satisfazer às necessidades artificiais implantadas em nossas consciências pela mídia com objetivo de atender aos interesses lucrativos de governos e empresas através da economia globalizada, sugamos os recursos naturais de países menos favorecidos pela Natureza, dando-lhes em troca, cada vez menos recursos para alimentar seus povos, como está ocorrendo em países da África, da Ásia e alguns da América Latina. […]Entendemos que o acúmulo de óxidos de carbono liberado no meio ambiente em mais de duzentos anos com a queima de combustíveis fósseis, depois de sacrificar grande parte da vida vegetativa que absorvia parte deles em terra e nos mares, vem causando, há décadas, a saturação da atmosfera; com isso, provocando um aumento de densidade, fazendo-a se acumular em maior proporção sobre as regiões intertropicais na forma de CO2, sugada das regiões polares pela força centrífuga determinada pelo movimento de rotação terrestre. Em conseqüência, a camada protetora de ozônio vem se degradando nos pólos e ampliando-se na direção dos trópicos, deixando estas regiões menos produtivas na agricultura e inóspita para a vida humana. Os países situados nelas, tanto no Hemisfério Norte como no Sul, sentem gradativo rebaixamento na produtividade agrícola e conseqüente elevação nos seus custos dada, não só pelo empobrecimento da fertilidade do solo, assim como pelas agressões dos raios ultravioletas da luz solar, cada vez mais intensa de ano para ano. Para compensar tais prejuízos, os governos dos países ricos protegem seus agricultores oferecendo os famosos subsídios que são pagos com o recolhimento  de taxas sobre os produtos agrícolas importados, desestimulando, deste modo,  a produção nos países pobres. Com o petróleo cada vez mais escasso e disputado com destrutivas guerras, seus preços vêm se elevando com rapidez assustadora, o que tem levado empresários de países ricos a desviar parte da produção de grãos alimentícios para a fabricação de biocombustíveis, visando maiores lucros. Por tal razão, os países ricos, importadores de matérias primas de países pobres, enviam aos exportadores, cada vez menos recursos em pagamento por suas compras, assassinando, assim, por inanição e doenças milhões de cidadãos, cidadãs e crianças que são empobrecidas pela ganância dos ricos. E, todos nós que nos beneficiamos desta “tramoia” capitalista, somos tão criminosos quanto os consumidores de drogas ilícitas que subvencionam a produção e o tráfico das mesmas. Continuar aceitando o jogo da mídia de promover o consumo supérfluo para os, economicamente, privilegiados através de veículos que alcançam os menos favorecidos pela sorte, é como estimular as agressões destas contra aquelas na disputa ilegal pela posse de bens, sejam eles essenciais ou supérfluos. As classes mais aquinhoadas nesta divisão desigual já estão sendo ilhadas em redutos cada vez mais exíguos e obrigadas a transitar expostas à violência ou acompanhadas por segurança reforçada e, até, em carros blindados. Nenhum poder tecnológico conseguirá deter o poderoso exército de insatisfeitos que está se formando no mundo contra ordem econômica vigente. Que digam os insucessos no Vietnam e no Iraque e a decadência econômica dos agressores. Continuar abusando do consumo supérfluo é como estar abrindo caminho para um suicídio coletivo global. Por favor; provem-me que estou tendo pesadelo. Abraços,                                                                     Antídio   

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3 Comentários

  • Administrator disse:

    De fato, Antídio, a sua visão é muito clara sobre o que está ocorrendo. Pena que a maioria das pessoas não se conscientizem disso ou, mesmo as que entendem, não querem abrir mão dos seus supérfluos.

    Além da superpopulação, que já é um grande problema, há um incentivo ao “consumismo a qualquer custo”, isto é, não importando o que ou quem se tenha de sacrificar para satisfazer necessidades supérfluas. Seria preciso que se mudassem os hábitos, incentivando a humanidade a consumir apenas o essencial à sobrevivência con dignidade. Mas isso, os mais ricos não querem. Por isso, pau na nautureza! Esgotem-na até os últimos recursos porque quem vai pagar o preço serão as gerações futuras e até lá, eles que achem as suas soluções, como nós achamos (achamos?) as nossas. Infelizmente, esta é a mentalidade da elite dominante.

    Oxalá haja uma revolta mundial contra esse estado de coisas. Mas que seja a tempo de salvar a humanidade e dar condições de vida às futuras gerações.

  • Antidio Teixeira disse:

    Ivo:
    Estou renovando meu agradecimento pelo seu comentário que enviei ontem e o blog não registrou, não sei porque. Isso poderá estar ocorrendo com comentários de terceiros?
    O fato é que estamos fazendo a nossa parte; e as gerações futuras poderão nos excluir das condenações com que sentenciarão contra seus antepassados.
    Que tenha um bom dia.
    Antídio

  • Administrator disse:

    Antídio:

    Não sempre, mas vez por outra, em determinados horários em que o servidor está sobrecarregado, os comentários demoram alguns minutos para serem publicados. Ás vezes as pessoas não se apercebem disso e republicam o comentário (ou artigo) que, assim, ficam duplicados. Mas em poucos minutos a situação se regulariza.

    Se tiver algum artigo seu ou comentário que não foi publicado, informe-me. Poderá ocorrer também, dependendo de algumas palavras chaves que contenha, que o comentário ou artigo fique retido pelo filtro automático de spam e, nesse caso, eu tenho de informar que não é, para poder desbloquear.

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