PETROBRAS E O AMBIENTE

25/04/2008
by mgomide3
   

Recebi a informação abaixo. Só tenho a acrescentar isso: Essa medida saneadora já vem tarde. A Petrobrás estava agredindo a minha inteligência e a dos demais brasileiros. Que os leitores meditem sobre os outros anúncios comerciais de eco-alguma coisa, como os eco-financiamentos, eco-investimentos, eco-turismo, eco-desenvolvimento, eco-mineração, eco-transporte, eco-combustivel, eco-tudo.

Dois anúncios da Petrobrás foram retirados do ar pelo Conar por divulgarem uma idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país. O diesel da empresa é um dos mais poluentes do mundo e não segue resolução do Conama.

São Paulo (SP), Brasil — Órgão de regulamentação publicitária acatou denúncia de ONGs ambientalistas e secretarias de meio ambiente de SP e MG.
Tiraram a maquiagem verde da Petrobrás – pelo menos parte dela. […] O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) decidiu nesta quinta-feira suspender dois anúncios da empresa petrolífera por eles divulgarem uma idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país. O Conar julgou procedente a ação movida por entidades governamentais e não-governamentais como o Greenpeace, SOS Mata Atlântica, Movimento Nossa São Paulo, Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), secretarias estaduais de meio ambiente de São Paulo e Minas Gerais, e Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), entre outras.

O julgamento do Conar aconteceu em sessão fechada, da qual participaram o secretário adjunto da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SP), Pedro Ubiratan Escorel de Azevedo; o secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente (SP), Eduardo Jorge; o médico e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Paulo Saldiva; o representante do Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew; e o diretor de campanhas do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtado.

A decisão, inédita, abre precedente para uma mudança no comportamento do mercado publicitário.

“A decisão do Conar rejeita a tentativa da Petrobrás de fazer maquiagem verde e valoriza a verdadeira comunicação dos valores sócio-ambientais para o público e consumidores brasileiros. Esperamos que a decisão do Conar sirva de precedente para toda e qualquer empresa que, em vez de praticar a ação sócio-ambientalmente correta, fique apenas no discurso”, afirma Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil.

“O resultado do julgamento é um marco na história do Conar, que optou por não compactuar com a morte de 3 mil pessoas por ano só na capital paulista”, comemorou Oded Grajew.

Em sua defesa, os representantes da agência DPZ e da própria Petrobras argumentaram que a resolução do Conama não determina a diminuição da quantidade de enxofre no diesel comercializado no país, afirmaram que a empresa atua de forma “lícita e regulamentada” e que o “diesel não é o único responsável pela poluição veicular”. Sérgio Fontes, da área de abastecimento da Petrobrás, chegou a dizer que a qualidade do ar em São Paulo “é aceitável e que as mortes são de outra natureza”.

A declaração foi contestada pelo médico Paulo Saldiva: “Para nós, médicos, a qualidade do ar não é aceitável. Nosso estudo segue a metodologia recomendada pela Organização Mundial de Saúde, que é taxativa ao declarar a morte de 2 milhões de pessoas em todo o mundo por causa da poluição atmosférica”.

Com a decisão do Conar, ficam suspensas as campanhas “Sonhar pode valer muito” e “Petrobrás – Estar no meio ambiente sem ser notada”, que incluem mídia impressa e eletrônica.

De acordo com a ação apresentada pelas entidades, a Petrobras “afirma recorrentemente em suas campanhas e anúncios publicitários seu compromisso com a qualidade ambiental, com o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social. Entretanto, essa postura que é transmitida por meio da publicidade não condiz com os esforços para uma atuação social e ambientalmente correta”.

O óleo diesel produzido pela estatal é um dos piores do mundo e contribui para piorar a qualidade de vida dos brasileiros.

A resolução 315/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determina que, a partir de 1º de janeiro de 2009, o diesel comercializado no Brasil contenha, no máximo, 50 partes por milhão de enxofre (ppm S). A proporção hoje é de 500 ppm S nas regiões metropolitanas e de 2000 ppm S no interior. A substância, altamente cancerígena, é responsável pela morte de 3 mil pessoas por ano somente na capital paulista.

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2 Comentários

  • Administrator disse:

    Bingooooo! Iuuuuuuupi! Ru ruuuuuuuuuuuuu!

    Até que enfim os órgãos de controle acertaram uma bem na mosca. Já tinha lido algo sobre isso, antes de tomar conhecimento da decisão final e, sinceramente, não acreditava que conseguissem intimidar a poderosa Petrobras. Mas, como você sabe, Gomide, não é só ela que está fazendo isso. São todas as grandes empresas e até os Bancos. Dos que sei, Real, Bradesco, Banco do Brasil, Itáu e Unibanco, estão explorando esse filão.

    Tomara que isso sirva de exemplo e que o CONAR continue atento, porque o abuso está demais.

    Fui acusado por alguns usuários e companheiros de que o meu blog só dava notícias alarmistas. Esta não é, e pelo menos umas outras 5 que dei aqui também não são. São notícias de esperança.
    Agora, se as más notícias ocorrem mais do que as verdadeiras, o que podemos fazer? Temos de divulgar todas, imparcialmente.

    Belo e oportuno artigo. Deveríamos mandar alguns emails para o CONAR, como prova de reconhecimento e agradecimento. O que me diz disto?

  • Antidio Teixeira disse:

    Tudo que consumimos, ou de que nos servimos, foi produzido ou é prestado com alguma, ou algumas formas de energia que poderão ter sido geradas em qualquer parte do mundo, sendo que, cerca de 80% delas foram obtidas por meios altamente poluentes. Sabemos que a saturação do meio ambiente com resíduos de tais processos atingiu um limite que já está comprometendo a segurança da humanidade e da vida como um todo. Temos duas classes de consumo a saber: A – Essencial – para manter a vida e o meio ambiente em perfeito equilíbrio de bem-estar; e B – Supérfluo – não essencial à vida e introduzida em nossos desejos pela propaganda com objetivo de criar necessidades artificiais para vender a satisfação com produtos, ou serviços disponíveis de terceiros. Quando temos necessidades naturais, para satisfazê-las, a nossa própria natureza nos induz a procurá-las onde houver. Assim faziam os povos nômades à procura de campos mais férteis para viver. Hoje, quando o mundo já nos acena para a necessidade urgente de restringir o consumo, claro que o supérfluo é o eleito. Portanto, toda propaganda, seja qual for o método, e que vise estimular direta ou indiretamente o consumo de energia, deve ser enquadrada na lei como enganosa e/ou abusiva e proibida.
    Desculpem-me se estou sendo radical, mas, é o melhor remédio.

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