ACORDA, GENTE!

03/04/2008
by mgomide3

É generalizada a dúvida sobre se as atividades humanas estão degradando o nosso meio ambiente, isto é, a atmosfera, as águas, as terras, com conseqüências diversas advindas do desequilíbrio entre as partes, que são interdependentes. Não vamos dizer que sim nem que não. Entendemos que cada humano deve fazer a sua própria análise dos fatos e tirar suas próprias  conclusões. Devemos extrair da ciência as informações que ela tem condições de nos fornecer, nunca as opiniões de seus profissionais, pois em geral são elas conflitantes e carregam índoles humanas. Recentemente um geneticista sul-coreano confessou que falseou informes científicos para ficar em evidência perante o mundo. É célebre a farsa forjada por dois cientistas paleontólogos ingleses, apresentando o elo perdido dos humanos com o crânio de “homem de Piltdown”.

[…]

Em tempos passados, qualquer dúvida era aclarada pela palavra divina, proferida pelos sacerdotes. Em tempos mais recentes firmou-se a convicção de que a ciência explica tudo. E o prestígio dos cientistas elevou-se no conceito coletivo, adquirindo foros de conhecedores das verdades. Com a descoberta de novos rumos da ciência, com a Lei da Relatividade, saiu do pedestal a física newtoniana. Recentemente aquela se viu abalada pelas insuspeitadas descobertas da Mecânica Quântica.

Entendemos que devemos enxergar o planeta como um todo, sem nos atermos a suas partes. Ele é um conjunto em constante busca de equilíbrio pois as relações de seus componentes naturais são muito frágeis. Para melhor entendimento, devemos lembrar que o mundo não foi sempre assim. Há 3,7 bilhões de anos, surgiram os primeiros seres vivos e viviam numa atmosfera prevalente de metano. Eram bactérias anaeróbias que nas suas ações metabolizantes desprendiam oxigênio. Sua quantidade foi tão grande e por tanto tempo que nos brindou essa quantidade enorme de oxigênio, propiciando aos humanos essa civilização atual.

Pelo raciocínio lógico, podemos perfeitamente deduzir para onde caminha a humanidade. Pero Vaz Caminha, ao descrever ao rei o que encontraram os portugueses na Terra Nova, disse que realmente existia o paraíso descrito pela bíblia, e que ela estava nessas terras. Hoje podemos ver que “paraíso” temos. Diz-nos a razão que tudo tem seu limite. A população mundial cresce sem parar; até na China que limitou a procriação de um filho por casal. A tecnologia médica trabalha para prolongar a vida das pessoas. Agora estão no caminho de mais produção de humanos pela clonagem de células tronco. As fábricas de automóveis produzem veículos mas não fabricam estradas e ruas. E vai por ai.
Tudo tem limite. A população cresce sem parar e o planeta é o mesmo. O câncer em um corpo tem progresso, desenvolvimento, e sabemos onde o corpo vai parar. Nada neste mundo vai sem parar.
Nossa posição no caso se baseia na vivência de 80 anos, no decorrer da qual sempre observamos, obtivemos informações, lemos, raciocinamos para afinal deduzir que a civilização está corroendo nosso ambiente. Além do exercício profissional e social a que fomos levados pela cultura, passei vinte anos no ambiente rural, em contato com a natureza. Observando e raciocinando. Nossa dedicação ao ambientalismo não é gratuita. É um sentimento de consciência da espécie a que pertencemos. Ao sentir o perigo iminente, pegamos a lanterna vermelha e ficamos todos os dias e noites acenando para a humanidade, como a alerta-la do perigo que estamos enxergando. 

Um fator que impede a muitas pessoas de enxergar a lógico dos tempo atuais é a cultura. Somos criados, desde pequenos, com as condicionantes da cultura. A língua, por exemplo, é um marco importante dessa cultura. A religião, os costumes, os modos, a ética, a lei, as instituições, a roupa, etc. são ferramentas que nos enformam (pôr na forma). Para um raciocínio livre, temos que nos libertar dessas condicionantes.

Parece-nos que ante uma possibilidade de extermínio da humanidade, por questão de segurança e inteligência devemos tomar todas as providências para evitar a catástrofe. É um assunto que não pode vacilar. Está em jogo a vida animada do planeta. O que ainda incute dúvida em alguns espíritos, é a decorrência relativamente normal diária, sazonal e os procedimentos usuais da civilização. Não se apegou ainda na mente humana que os efeitos de nossos atos iníquos demandam um interregno relativamente longo. Uma estrutura que suporta 2.354 gramas, só desmoronará quando lhe for acrescentado o último grama. Nem antes nem depois. Vamos esperar que o ato limite, precipitante da hecatombe, ocorra?  Raciocínio se destina a prever um fato.

Se uma pessoa está contando: 1, 2, 3….. nós temos condições de prever que ela pronunciará o número 258. E quando isso ocorrer, os assistentes ficarão maravilhados, pensando:  como é que fulano sabia disso?

Num enfoque cósmico, a extinção da humanidade não tem a menor importância. Seria apenas mais um aspecto pontual no ciclo em que estamos inseridos. Mas tratamos aqui de nosso interesse maior, a vida.

Não tratamos do crer ou não crer; a crença situa-se na área psicológica da fé. Focamos aqui o enxergar ou não enxergar, que provém do exercício do intelecto. Enxergar, perceber, sentir, os pontos abaixo é um produto da atividade intelectual:
a)     a atual civilização está destruindo as condições vivenciais no planeta;
b)    a população de humanos passou do ponto de equilíbrio;
c)     ainda há uma solução: medidas radicais agora; depois é tarde;
d)    criação do instrumento executivo: o governo mundial.
 
 
 

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2 Comentários

  • Antidio Teixeira disse:

    Maurício:
    Seus pontos de vista neste artigo são claríssimos. Só não os entende os componentes da massa humana que vive preocupada com o Big Brohter, com a aquisição do carro ano, das roupas e outros objetos de marca; que, irrefletidamente, seguem os mandamentos religiosos divulgados por sacerdotes que desconhecem um mínimo da situação ambiental do planeta e não a associam ao Apocalípse que eles mesmos anunciam. Faço, apenas uma resalva: o que pude entender sobre a evolução do planeta é que, a primeira forma de vida foi a vegetativa na forma de planctons, que têm um metabolismo inverso à dos animais. Tais seres evoluíram, constituíram grandes florestas que absorveram os gases pesados que, então, compunham a atmosfera, com predominância do carbono. Os resíduos de tais florestas, sepultados, deram orígem aos combustíveis fósseis. Portanto, o oxigênio que hoje compõe a atmosfera cuja maior parte foi queimado como comburente nas fornalhas da Revolução Industrial, corresponde à biomassa que se fossilizou. Perdoi-me se estou falando mais do que devo. Abraços,
    Antídio Teixeira

    3 de Abril de 2008 03:38

  • mgomide3 disse:

    Caro Antídio,
    Agradeço seu comentário, sempre rico em informações.
    Quando ao mecanismo que você aponta, entendo que ele está correto, mas se refere a uma época relativamente recente; ou melhor, epóca não muito antiga, lá pelo período cambriano. Nos primórdios mesmo, segundo informes dos palentólogos, lá pelos 3,7 bilhões de anos atrás, a vida se manifestou pelas células anaeróbias. O plancton vegetal (existe o plancton animal também) se originou, muitos milhões de anos depois, dos protistas clorofilados. Estou apenas repetindo deduções informadas pela ciência. Mas entendo que essas minúcias são irrelevantes para o objetivo maior: defender o planeta das ações de$-humanas.
    Um abraço verde.

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