CONSCIÊNCIA AMBIENTAL E NOVOS VALORES SOCIAIS

21/03/2008
by Antidio Teixeira

              Quem acompanha o noticiário  com freqüência  sabe que a degradação ambiental no mundo está crescendo dia-a-dia e se manifestando com significativas alterações nos fenômenos que deveriam estar dentro da normalidade. Chuvas torrenciais alagando cidades, deslizando encostas, destruindo casas e fábricas e interditando estradas e aeroportos. Ciclones e tornados arrematando a destruição também nos campos, impondo significativos prejuízos na lavoura com reflexos na pecuária.

Fenômenos como estes, ocorrendo sobre cidades super povoadas como Rio de Janeiro, São Paulo, México, Tóquio, Nova York ou qualquer outra de grande porte, como ocorreu em Nova Orleans, geram prejuízos incalculáveis na economia local estendendo-se pela mundial já que ela é globalizada. São fenômenos que atingem determinadas regiões se alternando com outras, em diferentes épocas e são imprevisíveis. Por isso, enquanto uma menor parte da humanidade é atingida por uma destas calamidades ocasionais, o restante do mundo, em aparente segurança, contempla  e lastima a agonia das vítimas vendo pela televisão, ou lendo jornais, tranqüila e confortavelmente recostado em sofás ou nos cafés matinais na beira de piscinas.  […]Esta pseudo-segurança que estes sentem é efêmera e está se diluindo e escoando pelo ralo empurrada pela violência social que cresce assustadoramente diante das autoridades responsáveis, estas cada vez mais fragilizadas pela redução de recursos que são corroídos pela corrupção epidêmica. Observem que no nosso país, apesar da arrecadação de impostos e taxas ser cada vez maior, o retorno em benefícios sociais são cada vez menos suficientes. Saúde, educação e segurança no caos; o Congresso Nacional só vota leis que favorecem aos seus membros ou aos seus grupos eleitoreiros; e o Judiciário afogado num atoleiro burocrático do qual seus componentes não parecem interessados em o libertar. Não podemos avaliar a extensão do caos em andamento medindo os problemas nestes ou naqueles países. Isso porque, enquanto uns, como o nosso, apresentam indicadores de melhoria econômica por produzirem mais e, com isso,  estarem contribuindo para amenizar a fome que cresce no mundo, outros são alvos das inclemências na Natureza ou da submissão militar a países mais poderosos para lhes subtrair riquezas naturais.

Com a economia globalizada, a baixa produtividade agrícola, há muito tempo sentida nos países ricos dada a exaustão do solo e das alterações climáticas, acrescida dos prejuízos causados pelas intempéries urbanas e rurais são rateados entre os países interdependentes no mesmo sistema econômico, motivando conflitos entre eles. Medidas preventivas eficientes já deviam ter sido tomadas há décadas pelas autoridades, com desestímulo ao consumo supérfluo e racionalização do uso das fontes energéticas; porém, o que registramos como iniciativa delas em todo o mundo, foi o incentivo ao desenvolvimento agrícola e industrial para suprir necessidades artificiais implantadas pela mídia na consciência dos que podem pagar, mas que criam fortes desejos entre os que não podem e que, por sua vez, cobram a satisfação para elas através da violência.

Já passou do tempo para que a população mundial fosse conscientizada  da gravidade da situação e estivesse se mobilizando para reduzir, gradativamente, o consumo de produtos e serviços não essenciais à vida. Estes,  beneficiam apenas, as minorias dominantes que dispõem de recursos, mas a

Natureza já não tem capacidade para absorver e reciclar os resíduos gerados para satisfazer suas extravagâncias consumistas lançados no meio ambiente e cuja pureza é essencial para manutenção da vida de todos os seres animados. E, com isso, promovem o sofrimento das maiorias deserdadas e a instabilidade social por toda parte.  É necessário que todo cidadão se torne lúcido e observe que o sistema financeiro que o mundo abraçou como sendo econômico é, na realidade, um voraz jogo de azar compulsivo e dependente do aumento contínuo do consumo para mantê-lo ativo; e que as fichas apostadas foram obtidas em troca de toneladas de CO2 lançadas no pano verde do meio ambiente. Ocorre  que: “qualquer produto consumido ou serviço utilizado causa o consumo de alguma forma de energia que é gerada em qualquer parte do mundo; e a maior parte delas é obtida da queima de combustíveis fósseis ou de desintegrações atômicas, ambas altamente poluentes, embora esta última, no momento, esteja em período acumulativo de rejeitos que, um dia, transbordará e afetará a existência de nossos descendentes”.  É claro que ninguém deve fazer o sacrifício de fome como se vê, por necessidade econômica, em alguns países da África ou da Ásia, mas todo consumo ou serviço que puder ser evitado não só beneficiará a economia pessoal de quem a fez, assim como dará mais tempo à Natureza para se recompor dos estragos que lhes foram causados pelo consumismo inconseqüente e irresponsável nos últimos 250 anos.
                                             NOVOS VALORES  SOCIAIS
      Esta década que marca o início de um novo século e também do 3º milênio, certamente marcará o nascimento de uma nova ordem social na qual todo cidadão deverá ser estimulado e capacitado para entender o mundo em que vive e as limitações individuais, sociais e globais. Novas regras comportamentais deverão ser estabelecidas numa base social autocomandada e orientada pela elevada capacitação intelectual de seus componentes, bem mais esclarecida sobre o assunto do que os atuais dirigentes políticos; uma verdadeira democracia. Isso porque, os recursos tecnológicos de informação deverão ser  utilizados para esclarecer os povos quanto às limitações impostas pela Natureza a fim de que todos possam adequar a satisfação de suas necessidades e seus procedimentos  aos recursos disponíveis sem comprometer a estrutura ambiental. Será o que hoje batizaram como “sustentabilidade” global. Como primeiro passo para esta marcha, sugiro o debate das causas do desequilíbrio vital no meio ambiente atual. Tenho opinião própria formada em mais de 30 anos de observações, a maior parte delas desatreladas da “ciência”, descrita em sucinto trabalho intitulado “Cartilha Ambiental Popular”. Esta em vias de ser editada numa apresentação simples que facilitará o entendimento da causa fundamental dos problemas sócio-econômico-ambientais e como eles vêm se desenvolvendo através do tempo; o que devemos fazer para retê-lo e, mais adiante, revertê-lo. Quem tiver interesse em conhecer o esboço, que se manifeste, pois,  poderei, com o consentimento do Ivo,  descrever neste Blog em capítulos, mostrando quando e como tudo começou, e como vem se desenvolvendo o desequilíbrio ambiental; e de que forma ocorrerá o caos da Grande Tribulação prevista por Lélis, se não agirmos em tempo.

Antídio Teixeira

Blogger PostBookmark/FavoritesDiggEmailFacebookGoogle GmailGoogle+LinkedInPrintFriendlyTwitterYahoo MaildiHITTShare

6 Comentários

  • Administrator disse:

    A autorização já está dada, Antídio. No entanto, permito-me fazer algumas sugestões para que a divulgação flua normalmente:

    1) Publique apenas um tópico semanal, na forma de “post”, isto porque, conforme pesquisas, um artigo de blog precisa ficar no topo durante, pelo menos 3 dias, para ter a conveniente visibilidade. Além disso, abriria espaço, na semana, para mais outro artigo de outros assuntos rotineiros do blog; 2) Cuidado com as figuras: elas não devem ter mais de 415 px de largura ou 14 cm, de preferência. Abaixo desta largura, OK; 3) Evite os parágrafos muito longos, pois isto aciona um mecanismo automático de corte e pode desestruturar o blog. A estrutura considera parágrafos longos e curtos, numa média de “X” a “Y” palavras e, conforme o nº de palavras e/ou tamanho do parágrafo, promove o corte de interrupção (não é supressão). Por exemplo, o artigo atual, apesar de bem escrito, possui parágrafos muito longos e o blog exige um ajuste: 4) Evite os textos em negritos ou itálicos no final do artigo.

    Só isso. No mais, tudo OK; vá em frente. A comunidade agradece.

  • Antidio Teixeira disse:

    Caro Ivo:
    Obrigado pela aquiescência e instruções. Vamos aguardar a manifestação dos visitantes para ver se vale a pena ocupar seu precioso espaço com algo que não interesse aos mesmos.. Aquele abraço e bom fim-de-semana pascoal.
    Antídio

  • Alice disse:

    Se esta cartilha for para mostrar “pari passu” quais as principais causas dos desastres ambientais e como se pode fazer para evitá-los, acho uma boa idéia. Se as sugestões forem de coisas simples que a população possa fazer, melhor ainda.

    Mas, o melhor de tudo, seria mostrar como o povo pode se organizar para forçar as autoridades a tomar providências, já que, infelizmente, o poder de mudar está muito mais na mão delas do que na mão do povo, que, para o poder público, é considerado como “escumalha”, só valorizada na hora em que essa escumalha social pode votar e eleger políticos.

  • mgomide3 disse:

    Prezada Alice,
    Estou de pleno acordo com seu comentário. Você tem razão quando diz que as autoridades não se mexem. Isso é mais verdade ao se verificar que, após o expressivo discurso da menina Serven Suzuki na Eco Rio 92, nenhum governante se envergonhou das acusações feitas. Se tivessem ao menos brio, alguma coisa teriam feito. Conclusão: os governos são insensiveis. Mas, em harmonia com as observações do ilustre ambientalista Arivelto – dando o exemplo do fumante – devemos dizer que o povo ainda não se deu conta do grande perigo ambiental. Da mema forma que o fumante, que só deixa de fumar quando o médico lhe diz que não há mais cura, também o povo só vai agir, pressionando os governos, quando a situação for tão evidente que também não tenha mais solução. Na trilha do seu pensamento, Alice, o povo teria que pressionar seus governos com atitudes contundentes, o que não ocorre. Atualmente, o povo quer é se divertir, participar de festas, futilidades, consumismo. É o momento exposto, como imagem, no filme italiano “Oito e Meio”. Atualmente, o povo vive na fantasia da vida, na realidade virtualizada pela mídia, no equívoco do conforto, no suicídio pelo não pensar.
    Um abraço. Falaremos noutra ocasião.

  • Antidio Teixeira disse:

    Alice:
    O que você sugere em seu comentário é o que pretendemos fazer; ou seja: oferecer aos internautas uma visão do todo ambiental desde seu começo, e como ele se desenvolveu até os nossos dias; destacando os erros cometidos pelas lideranças empresariais e governamentais. Deste modo, conscientizados dos mecanismos da evolução natural, eles poderão definir quais os melhores caminhos a seguir e indicá-los aos dirigentes dos povos. Espero que Deus ilumine minhas palavras para que sejam bem lidas e entendidas por todos.
    Atenciosamente,
    Antídio

  • Administrator disse:

    Caro Antídio:

    Este seu artigo, com o nosso consentimento, foi republicado hoje no site “Planeta Terra” (http://www.planetaterra.org.br/noticias/segunda.htm).

    Esta ONG tem mantido estreito relacionamento conosco, através do nosso fórum “Debatendo a Ecologia”, onde foi solicitada a permissão. Sugeri que fosse citado a fonte e a autoria e eles assim cumpriram. Provavelmente, serão mais um dos nossos aliados.

    Visite-os e veja lá o seu artigo!

Deixe uma resposta