CARTILHA PARA OS DE POUCA VIVÊNCIA

23/02/2008
by mgomide3

Antes de iniciar o be-a-bá da vida para os de pouca vivência, tentaremos identificar quem são eles. Vou falar sobre você. Exatamente você, leitor.
Para mim, você não tem a menor importância; ainda mais que existem mais de seis bilhões de vocês. Eu, só existe um: sou eu mesmo. Sou a coisa mais importante do mundo. Você, para você mesmo, é também o ente natural mais importante que existe. Se você – que é o seu Eu – é a coisa mais valiosa para você mesmo, estou disposto a fazer algumas considerações sobre a sua própria pessoa, caro leitor.
Parece que o chamei de pouca vivência. Não foi exatamente isso que quis dizer. Afinal, todos nós ainda temos muito o que aprender. Só que alguns são menos ou mais vividos que outros. Ou, avançando e melhorando as considerações: alguns são mais informados e outros menos informados. Creio que assim dito está melhor.
Melhoramos os seus atributos, caro leitor, e os meus também. Agora, podemos começar com a primeira lição. Não se esqueça: você, para você mesmo, é a pessoa mais importante do mundo, porque você é o Eu da história.  Logo, procure aprender o que lhe vou ensinar.
1A. LIÇÃO:  Viver a vida é utilizar-se dos cinco sentidos, que todos já conhecem, e MAIS a ferramenta que está na cabeça e que tem o grande poder de pensar. Essa capacidade favorece as condições de vivência das pessoas que a utilizam. Somente você pode usar seu pensamento. Ele o guia e o protege. […]
Do mesmo modo como você usa os próprios olhos para enxergar as coisas, seus próprios ouvidos para ouvir os sons, seu próprio tato para sentir as realidades concretas, seu próprio nariz para perceber os cheiros e suas próprias papilas para distinguir sabores, também pode e deve usar o SEXTO sentido da mente, que tem poder para analisar e perceber coisas e não estão sujeitas às limitações dos mencionados cinco sentidos.
Para melhorar um pouco a sua independência, recomendo que passe a valer-se de sua própria cabeça, em vez de usar a dos outros. Pense com a sua, que merece muito mais confiança e que só vai funcionar em benefício de você, que é o dono dela. Tenha a certeza de que ela vai funcionar a favor de seu corpo e alma, porque a cabeça está presa ao corpo, e têm ambos o mesmo interesse, o mesmo empenho e o mesmo destino.  Ela não é tonta para aconselhar o corpo contra as suas próprias conveniências. Quando a cabeça não é usada é o corpo que padece.
Quando você, para tomar decisões, utiliza o pensamento produzido pela cabeça dos outros, ignorando a sua própria capacidade de análise, percepção e raciocínio, você estará agindo contra os seus próprios interesses. Ora, se você é o ente mais importante para você mesmo, proteja-se das vicissitudes da vida usando o que mais lhe convém. Não se deixe levar pela cabeça dos outros. Use a sua, que é de confiança e fiel como um cão.
2A. LIÇÃO: Quando alguém lhe diz ou sugere que deve aceitar algo ou agir de certo modo, lembre-se de que esse objetivo é a conveniência que está na cabeça dele, não na sua. Examine a questão segundo os ditames de sua consciência, seu raciocínio. Faça uma análise prolongada e minuciosa da situação que se lhe apresenta e tome uma decisão de acordo com as conclusões de sua própria autoria.
Quando alguém lhe diz como agir, esse alguém está querendo que você aja pelas idéias dele, isto é, seguindo os benefícios dele. Lembre-se disso. Aprenda a lição. Pense e aja de acordo com seus próprios interesses.
3A. LIÇÃO: Os pensamentos das outras pessoas são dirigidos para entrar dentro da sua consciência, através de seus olhos e ouvidos, para que a sua mente não funcione. Esses pensamentos alheios chovem de todas as direções. Vêm pelo rádio, pela televisão, pelo jornal, por discursos de políticos e religiosos, sempre buscando penetrar na sua cabeça e destruir a sua capacidade de pensar. Não tenha preguiça de pensar e use seu poder de raciocínio. Não é necessário ter instrução, basta ouvir sua própria razão. Instrução ajuda nesse trabalho, mas não é essencial. Lembre-se disso: defenda-se das invasões ao seu cérebro. Proteja-se, usando sua própria capacidade de pensar.
4A. LIÇÃO: Como se proteger? Adote a atitude de não acreditar em nada do que lhe digam, até que você mesmo analise, raciocine, ouça opiniões contrárias e conclua com sua própria mente, de modo isento e sem paixão. Obtenha informações racionais e não opiniões.
5A. LIÇÃO: Não tenha preguiça em valer-se de seu próprio raciocínio. Faça exercícios diários sobre qualquer assunto de sua vida ou de algum fato. Nunca aceite as conclusões alheias sem antes submetê-las ao seu próprio discernimento. Se você seguir as orientações acima, estará mais preparado para enfrentar os desafios da vida. Ficará mais forte e dominador das situações. Será o dono de seu próprio destino. Assim, você ficará mais independente nos primeiros dias, mais ainda nos seguintes, até que chegará um dia em que você não será tão “maria-vai-com-as-outras”; ou melhor, você será você.
6A. LIÇÃO: Para ficar esclarecido que você aprendeu as lições, comece não aceitando nada do que acima está escrito. Primeiro submeta as lições ao seu acurado exame cerebral, confronte-as com os acontecimentos cotidianos de sua vida, analise-as e tire suas próprias conclusões. Não tenha pressa; vá devagar.
Aprendendo as lições desta cartilha, você estará a salvo das armadilhas que os pensamentos dos outros lhe possam armar todos os dias. Defenda-se. Seja você mesmo.
 

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1 Comentário

  • Antidio Teixeira disse:

    Ao contemplar a Natureza como um todo, observamos que a vida evolui num processo seletivo demasiadamente rigoroso no qual prevalecem as oportunidades e aptidões. Isso faz com que raros exemplares de cada espécie estejam capacitados para conduzir a chama da olimpíada da vida: a reprodução; enquanto o restante da massa serve de apoio à evolução dos eleitos, seja como alimentos ou prestadores de serviços. Observemos uma frondosa mangueira que, no inverno, cobre-se com perfumado véu de flores brancas. São milhões de botões que se abrem à espera das abelhas portadoras do pólem fecundador. Muitas dezenas ou algumas poucas centenas delas são polinizadas e começam a desenvolver pequenos frutos enquanto que milhões de rejeitadas são lançadas ao chão e apodrecem para servir de nutrientes para outras plantas, ou mesmo para a árvore-mãe. Vem o primeiro temporal que completa o serviço de limpeza, não só das flores descartadas como, também de pequenos frutos imperfeitos e incapazes de resistir a força dos ventos, que irão enriquecer a massa de adubos para as safras seguintes. Vejam que a Natureza é inclemente para com os exemplares incapazes de cumprir a meta principal: a reprodução. No entanto, os frutos de melhor qualidade, são disputados, e transportados por consumidores animais ou humanos e seus mcaroços irão germinar novas mangueiras de boa qualidade em regiões distantes, sempre mais perto dos consumidores. Outras plantas podem ter diferentes comportamentos reprodutivos, porém, os mecanismos que vigoram são de aptidão e de oportunidade. Nas espécies animais, extendem-se semelhantes rituais seguindo os mesmos princípios. Entre os humanos, uma mulher em período fértil, normalmente recebe até mais de um bilhão de espermatozóides para desencadear uma corrida seletiva na qual, apenas um fará a fecundação do óvulo para gerar um ser com melhores qualidades para adaptação ao meio no qual viverá. Os demais, refugos, são absorvidos pelo organismo gestante. Os seres humanos são os mais evoluídos no sistema de vidas terrestres, únicos possuidores da capacidade de raciocinar. Ao nascer, eles vêm dotados, apenas desta capacidade que deverá ser desenvolvida, ao máximo, até o início de sua fase reprodutiva através de exercícios, muitas vezes dolorosos, ou orientados por mestres capacitados que indiquem as portas da compreensão universal. Infelizmente, se os avanços científicos e tecnológicos ofereceram muitas vantagens materiais para o mundo, elas inibiram o desenvolvimento intelectual pleno para a maioria pela exclusão de acesso aos conhecimentos à disposição das minorias. E estas desenvolveram sua inteligência dentro de moldes confeccionados por poderes políticos submissos ao sistema econômico dominante. Entendo que esta é a preocupação do ilustre articulista ao pregar aos leitores a procura dos seus próprios caminhos e, por eles, marcharem ao encontro de sua liberdade intelectual, com a qual poderá entender os fenômenos sociais e ambientais que os cercam.

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