Filósofos – Vieira, Antônio (Padre)

21/10/2007
by Administrator

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Padre Antônio Vieira
(Sacerdote jesuíta, orador e líder político no Brasil Colônia)
1608, Lisboa, Portugal
1697, Salvador (BA), Brasil

Antônio Vieira“Nem português, nem brasileiro; Vieira era inteiramente jesuíta,” já disse um autor. O pe. Antônio Vieira nasceu a 6 de fevereiro de 1608, em uma casa pobre na Rua do Cônego, em Lisboa, tendo sido um dos mais influentes homens de seu século em termos de política portuguesa. Seu pai servira a marinha e fora, por dois anos, escrivão da Inquisição portuguesa. Seu pai se mudou em 1609 para o Brasil, onde assumiu um cargo de escrivão em Salvador; em 1614 trouxe a família para o Brasil quando Antônio tinha 6 anos de idade. Antônio estudou na única escola de Salvador da época: a dos jesuítas. Consta que não era um bom aluno no começo, mas depois tornou-se brilhante. Juntou-se a Companhia de Jesus como noviço em maio de 1623.

Existem muitas lendas sobre Vieira, incluindo que na juventude sua genialidade lhe fora concedida por Nossa Senhora e que uma vez um anjo lhe indicou o caminho de volta à escola quando estava perdido. Quando em 1624 os holandeses invadiram a Bahia, Vieira se refugiou no interior, onde começaram seus impulsos missionários. Um ano depois tomou os votos de castidade, pobreza e obediência, abandonando o noviciado. Não partiu para a vida missionária, no entanto. Estudou muito além da teologia: lógica, física, metafísica, matemática e economia.

Em 1634, após ter sido professor de retórica em Olinda, se ordenou. Em 1638 já ensinava Teologia. Apesar de antes pensar-se que Vieira defendia a posse do Nordeste por Portugal, hoje sabe-se que ele preferia que Portugal o entregasse a Holanda apesar de seu famoso sermão em favor da posse (Portugal gastava 10 vezes mais com o Nordeste do que ganhava e a Holanda era um inimigo militar muito superior na época).

Em 1641 começou a carreira com diplomacia na conturbada Portugal do século XVII. Quando eclodiu uma disputa entre dominicanos (membros da inquisição) e jesuítas (catequistas), Vieira, defensor dos judeus, cai em desgraça, enfraquecido pela derrota de sua posição quanto à questão Nordeste. Em 1644 ele deixa Portugal como embaixador (seu pai, que antes vivia pobre, é nomeado pensionista real) para negociar com a Holanda a devolução do Nordeste, com grau de sucesso complexo numa ocasião da história de Portugal que quase acaba com Portugal como parte da Holanda. O povo de Portugal não gostava das pregações de Vieira em favor dos judeus e após estes tempos conturbados da política portuguesa ele acaba voltando ao Brasil, onze anos após voltar para a Europa. Fica no Nordeste algum tempo e volta para a Europa com a morte de D. João IV, tornando-se confessor da regente D. Luísa.

Quando chega a questão do sucessor de D. João, Vieira fica no lado perdedor e é desterrado para o Porto, enquanto os jesuítas têm seus privilégios removidos. A Inquisição chega a prendê-lo na época após não ter sucesso em censurá-lo. Novamente no lado mais fraco na época da deposição de D. Afonso IV, vai ao Vaticano após meses sem pregar. Encontra o papa à beira da morte e fica em Roma. Quando em 1671 nova expulsão dos judeus é feita, Vieira parte na defesa deles. Em 1675 ele é absolvido totalmente pela Inquisição. No começo de 1681 volta ao Brasil e volta a pregar. Suas obras começam a ser publicadas na Europa, onde são elogiadas até pela Inquisição. Já muito velho e doente, tem que espalhar circulares sobre sua saúde para manter em dia sua longa correspondência.

Em 1694 já não escreve do próprio punho. Em 10 de junho começa a agonia quando perde a voz e acabam-se seus discursos. Em 17 de junho de 1697 morre. Vieira tem uma obra complexa que exprime suas opiniões políticas, sendo não propriamente um escritor mas um orador. Além de seus Sermões existe o Clavis Prophetarum, seu livro de profecias que nunca acabou. Entre os sermões exitem dois que são os mais célebres: o Sermão da Quinta Dominga da Quaresma e o Sermão da Sexagésima. Vieira também tem uma classificação complexa quanto a nacionalidade: passou mais da metade de sua vida no Brasil, o próprio povo, quando ele caía em desgraça, chamava-o de “Judas do Brasil“; mas foi uma importante figura para Portugal na política interna e externa, para não falar na cultura.

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Fonte: e-biografias – www.e-biografias.net/biografias/antonio_vieira.php

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Comentários:

Vieira é mais escritor e personagem histórico-político-religioso, do que propriamente um filósofo, na acepção que se empresta a esta palavra. Quase toda a sua vida teve por palco o envolvimento com atividades religiosas e políticas. Mas pelo conjunto de suas obras, pela sua missão pacificadora e pelo conteúdo de seus sermões e escritos, especialmente os famosos “Sermões de Vieira”, impregnados de cunho filosófico, muitos consideram-no, também, como um “filósofo doutrinador e pacificador” (???), que também era escritor e religioso. A conferir.

Principais Obras:

Vieira possui extemsa obre, a maioria consolidada em seus diversos “sermões”, que formam uma coletânea. Mas existem também publicações esparsas e em folhetins, que omitimos aqui por poderem ser facilmente consultados na internet, caso haja interesse do leitor.

LISTA DAS OBRAS PUBLICADAS DE VIEIRA
 

VIEIRA, Antônio, S.J. (1608-1697):

EDIÇÃO PRÍNCIPE
Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: primeyra parte. Dedicada ao Principe, N.S.. Lisboa, Ioam da Costa, 1679, (v.1)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: segunda parte. Dedicada no panegírico da Rainha Santa ao Sereníssimo Nome da Princesa N.S.D. Isabel. Lisboa, Miguel Deslandes, 1682, (v.2)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: terceira parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1683, (v.3)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: quarta parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1685, (v.4)

Maria Rosa mystica: excellencias, poderes, e maravilhas do seu rosario, compendiadas em trinta sermoens asceticos, & panegyricos sobre os dous evangelhos desta solennidade novo & antigo; offerecidas a soberana magestade da mesma senhora pelo P. Antonio Vieira, da Companhia de Jesv da Província do Brasil, em comprimento com hum voto feito, & repetido em grandes perigos da vida, de que por sua immensa benignidade, & poderosissima intercessao sempre sahio livre. I parte, Lisboa, Miguel Deslandes, 1686, (v.9)

Maria Rosa mystica (…). Lisboa, Impressão Craesbeeckiana, 1687, (v.10)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Quinta parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1689. (v.5)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Sexta Parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1690 (v.6)
Palavra de Deos empenhada, e desempenhada: empenhada no Sermam das exequias da Rainha N. S. Dona Maria Francisca Isabel de Saboya; desempenhada no Sermam de acçam de graças/ pelo nascimento do Principe D. Joaõ primoge-/nito de SS. Magestades… Prégou hum, & outro o P. Antonio Vieyra…O primeyro. na Igreja da Misericordia da Bahia, em 11. de Setembro, … de 1684. O segundo na Cathedral da mesma cidade, em 16. de Dezembro, … de 1688. Lisboa, na officina de Miguel Deslandes, 1690 (v. 13) (*)
Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Septima parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1692 (v.7)
Xavier dormindo, e Xavier acordado: dormindo, em tres Orações panegyricas no triudo da sua festa, dedicadas aos tres principes que a Rainha Nossa Senhora confessa dever à intercessão do mesmo santo; acordado em doze Sermoens panegyricos, moraes, & Asceticos, os nove da sua novena, o decimo da sua canonização, o undecimo de seu patrocinio, author o Padre Antonio Vieyra da Companhia de Jesu, prègador de Sua Magestade. Oitava parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1694.(v.8)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Undecima parte, offerecida à serenissima Rainha da Grã-Bretanha. Lisboa, Miguel Deslandes, 1696.(v. 11)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Parte duodecima dedicada à purissima conceição da Virgem Maria senhora nossa. Lisboa, Miguel Deslandes, 1699. (v.12)
Sermoens, e varios discvrsos do Padre Antonio Vieyra da Companhia de Jesu , prégador de sua magestade. tomo XIV obra posthuma dedicada a’ purissima conceiçam da Virgem Maria Nossa Senhora. Lisboa: Valentim da costa deslandes, 1710.(*)

Sermões varios, e tratados, ainda naõ impressos , do grande padre Antonio Vieyra da Companhia de Jesus; offerecidos a’ Magestade Delrey D. Joaõ V. Nosso Senhor, pelo p. André de Barros da Companhia de Jesus. tomo XV. e de Vozes Saudosas tomo II. Lisboa: Manoel da Sylva, 1748 (*)

(*)Os volumes XIV e XV são póstumos e não foram organizados por Vieira, mas pelo jesuíta André de Barros, que contabilizou como volume XIII o Palavra de Deus empenhada.
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