Filósofos – Boff (Leonardo)

21/10/2007
by Administrator

Leonardo Boff

(Teólogo e filósofo brasileiro)

Leonardo Boff nasceu em 14 de dezembro de 1938 em Concórdia, Santa Catarina. É neto de imigrantes italianos, vindos para o Rio Grande do Sul no final do século XIX.
Fez seus estudos no primário e no secundário em Concórdia, em Rio Negro (Paraná) e em Agudos (São Paulo). Cursou Filosofia em Curitiba (Paraná) e Teologia em Petrópolis (Rio de Janeiro). Doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique (Alemanha), em 1970. Ingressou na Ordem dos Frades Menores (franciscanos) em 1959.

Durante 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis, junto aos franciscanos. Foi um dos criadores da Teologia da Libertação e sempre um ardoroso defensor da causa dos pobres e dos Direitos Humanos. Foi também professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa (Portugal), Salamanca (Espanha), Harvard (EUA), Basel (Suíça) e Heilderberg (Alemanha).

Édoutor honoris causa em Política pela universidade de Turim (Itália) e em Teologia pela universidade de Lund (Suíça), tendo ainda sido agraciado com vários prêmios no Brasil e no exterior, por causa de sua luta em favor dos Direitos Humanos e do oprimidos.

De 1970 a 1985, chefiou o editorial da Editora Vozes. Neste período, coordenou a publicação da coleção “Teologia e Libertação”, com 60 tomos, e a edição das obras completas de C. G. Jung. Foi também redator da Revista Eclesiástica Brasileira (1970-1984), da Revista de Cultura Vozes (1984-1992) e da Revista Internacional Concilium (1970-1995).

Em 1984, em razão de suas teses ligadas à Teologia da Libertação, apresentadas no livro “Igreja: Carisma e Poder“, foi submetido a um processo pela ex-Inquisição, em Roma. Em 1985, foi condenado a um ano de “silêncio obsequioso” e deposto de todas as suas funções. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano, a pena foi suspensa em 1986 e Leonardo Boff pode retomar suas atividades. Em 1992, sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma, renunciou às suas atividades de padre. Continuou como teólogo da libertação, escritor e assessor das comunidades eclesiais de base (CEB’s) e de movimentos sociais. Atualmente, a partir de 1993, é professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

É autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos.

Fonte: site http://fly.to/boff

Algumas de suas obras:

Ecologia – Grito da Terra, Grito dos Pobres.
Tentativa de uma leitura global da ecologia na perspectiva da teologia cristã. Articula uma teologia da libertação integral em que a Terra entra na opção pelos pobres como o Grande Pobre Oprimido.
Teologia do cativeiro e da libertação.
Ensaio de sistematização da teologia da libertação em diálogo com as ciências sociais, a filosofia e a luta dos oprimidos.
Igreja – Carisma e Poder.
Esse livro levou o autor a sentar na cadeirinha de Galileu Galilei com um processo judicial em Roma. Busca uma alternativa de poder na Igreja partindo do carisma e das comunidades eclesiais de base.
Nova Era: A civilização planetária.
Ensaio de reflexão sobre a nova fase da hominização rumo a uma única sociedade mundial e seus desafios para as tradições espirituais e às igrejas.
A Teologia da Libertação.
Balanço dos primeiros 25 anos desta teologia com suas ramificações na teologia negra, feminista, índia na América Latina, Asia e África.
Mística e Espiritualidade.
Junto com Frei Betto. Esforço de resgatar a mística e a espiritualidade para o quotidiano das pessoas.
Ecologia, Mundialização e Espiritualidade.
As questões que o processo de mundialização coloca para a preservação do Planeta, para as maiorias pobres do mundo e para a espiritualidade.
Brasas sob Cinzas.
Como os fatos cotidianos podem ressoar em nós e evocar a dimensão do sagrado e descobrir por detrás de tudo um fogo que sempre arde.
Ver livros no site fly.to
Fonte: site http://fly.to/boff

Palavras de L. Boff sobre a sua principal obra, a “Teologia da Libertação”

A Teologia da Libertação vive de duas paixões: paixão por Deus e paixão pelos pobres. O Deus bíblico é um Deus vivo que sempre escuta o grito dos que menos vida têm e intervém para apoiar suas lutas. Os pobres, quando conscientizados e organizados, têm força transformadora. A partir deles, vê-se claramente que os atuais sistemas sociais não permitem que as classes que vivem do trabalho realizem seus direitos básicos.

A libertação somente nasce quando os pobres se fazem sujeitos de sua transformação e quando outros aliados não-pobres fazem uma opção pelos pobres e por sua causa, que é gestar uma sociedade onde todos possam caber. Os pobres, hoje, sãos as grandes maiorias da humanidade, o que confere à Teologia da Libertação uma atualidade vigorosa.
De tempos em tempos, escreveremos aqui pequenos ensaios de reflexão espiritual e teológica sobre temas contemporâneos. O desafio é passar de uma visão apenas doutrinária para uma experiência espiritual em diálogo de aprendizagem e de mútuo enriquecimento com as tradições espirituais da humanidade. Trabalharemos dentro do paradigma holístico e ecológico, da religação de tudo com tudo e com a Suprema Comunhão.
Fonte: site http://fly.to/boff
Algumas de suas frases:
  • A partir de agora (referindo-se à globalização), não haverá tanto a história da Alemanha ou do Brasil, mas a história da humanidade unificada e globalizada, unida com a história da Terra” (in “Século XXI, Século da Espiritualidade?”)
  • A terra é um superorganismo vivo (*) que tem bilhões de anos de evolução e de história. A Terra é parte da história do Universo; a vida é parte da história da Terra e a vida humana é parte da história da vida (in “Século XXI, Século da Espiritualidade?”
Fonte: site http://fly.to/boff
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(*) Nota da Administração do Blog: Terra, um superorganismo “vivo”? Teria Boff conhecimento da Teoria de Gaia, de Lovelock, e estaria apoiando-a?
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Comentários da Administração do blog:

No Brasil, e principalmente aqui, há quem insista em não considerar Leonardo Boff como filósofo, mas tão-somente como um “teólogo” ou, quando muto, um “pensador”. Mas como, se ele tem doutorado em “Filosofia” e “Teologia”, pela Universidade de Munique, na Alemanha?

Nem mesmo a enciclopédia digital Wikipédia o classifica como filósofo, e sim, como “teólogo”. Também não figura nas listas dos filósofos brasileiros daquela enciclopédia. Mas é evidente que isso é um equívoco, tanto que a maioria das obras de Boff, traduzidas em várias línguas, e quase todas no exterior, classificam o autor como teólogo e/ou filósofo. Poderíamos dizer, então, que ele é um teólogo-filósofo, mas nunca que não é um filósofo porque, a par de seus pensamentos e escritos terem um cunho teológico, em todos vê-se claramente o cunho filosófico. E porque seria ele um professor de Filosofia, na conceituadíssima Universidade do Rio de janeiro, se não reconhecessem nele um autêntico filósofo, na realidade, talvez o mais importante filósofo brasileiro da atualidade?

Que há professores de Filosofia não filósofos, isto também é verdade. Mas tal não é o caso de Leonardo Boff, motivo de orgulho para todos os brasileiros mas, infelizmente, só reconhecido pela diminuta parcela culta da sociedade. Coisas do Brasil… Por isso, é tão famoso por aqui o dito popular: “Santo de casa não faz milagre“; por isso, muitos cientistas, filósofos, pensadores, escritores, pesquisadores e até estilistas, artistas e jogadores vão para o exterior.

Paradoxalmente, Marilena Chaui e Leandro Konder (sem nenhum demérito), figuram em “todas” as listas de filósofos brasileiros. Leonardo Boff nada fica a dever a outros importantes filósofos pátrios, como Miguel Reale, Plínio Salgado, Vicente Ferreira da Silva, Olavo de Carvalho, Vilém Flusser e Mário ferreira dos Santos. Muito pelo contrário, ombreia-se e até supera-os, em muitos aspectos. Todos esses nomes citados aqui, em maior ou menor grau, representam o pensamento filósofico no Brasil. Tirar Leonardo Boff dessa relação, além de injusto, é, no mínimo, uma falta de conhecimento e reconhecimento, a um dos mais importantes filósofos brasileiros da atualidade.

 


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