Filósofos – Agostinho (Santo)

31/10/2007
by Administrator
Santo Agostinho
 

O mais célebre dos padres e doutor da Igreja, Santo Agostinho (354- 430), nasceu em Tagaste (Numídia), Norte de África, filho de pai pagão e mãe cristã, Santa Mónica. Foi por ela educado no Cristianismo, que abandonou na juventude. Estudou gramática e literatura latinas, foi professor de retórica, em Cartago, dos vinte e um aos vinte e nove anos. No decurso deste período aderiu à filosofia maniqueísta. Mais tarde, Agostinho polemizará com as suas próprias ideias a este respeito. Em Milão, o convívio com Santo Ambrósio fê-lo converter-se ao cristianismo (386). Recebeu o baptismo em 387. Nesta época, leu Plotino, na versão latina de Mário Victorino. Em 388 volta a África, e em 395 tornou-se bispo de Hipona. Morreu em 430, enquanto os vândalos sitiavam Hipona, e o Império Romano se destruía definitivamente.
Teólogo e filósofo, procurou conciliar o platonismo e o dogma da Igreja, a inteligência e a fé. É um dos expoentes do pensamento cristão. Agostinho pode ser considerado como o fundador da filosofia da religião. A sua defesa do cristianismo apresenta sempre o mesmo ponto de vista do homem: perdido para o pecado e salvo pela graça.
O seu método de reflexão sobre si, que descobre em nós «uma presença mais profunda que nós próprios», marcou a teologia e a filosofia ocidentais até ao existencialismo cristão, da nossa época (onde se reencontra os grandes temas do conhecimento fundado no amor, na memória, culminando na presença). O platonismo augustiniano dominará toda a filosofia medieval, quando emerge o outro grande pensador da cristandade, Tomás de Aquino.
O augustinismo opõe-se ao tomismo (de S. Tomás de Aquino), que procura encontrar Deus pela meditação da natureza e não pela meditação da interioridade do sujeito. O augustinismo deveria inspirar directamente o jansenismo, cujo tratado de base é o Augustinus.
Entre os seus escritos, destacam-se as obras contra o Maniqueísmo e o Pelagianismo, os grandes tratados Contra Académicos, De Genesi ad Litteran, A Cidade de Deus, o Tratado Sobre a Graça e o Tratado Sobre a Trindade. De realçar as suas célebres Confissões. (*)

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FONTE (matéria acima): Eurosophia – http://www.eurosophia.com/filosofia/filosofos

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Alguns Pensamentos de Sto. Agostinho:

  • Se dois amigos pedirem para você julgar uma disputa, não aceite, porque irá perder um amigo; por outro lado, se dois estranhos pedirem o mesmo, aceite, porque você irá ganhar um amigo.
  • Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos evangelhos em que você crê, mas em você.
  • Ter fé é acreditar naquilo que você não vê; a recompensa por essa fé é ver aquilo em que você acredita.
  • Dá-me asquilo que ordenas, ordena-me aquilo que queres.
  • A confissão das más ações é o primeiro passo para a prática das boas ações.
  • A medida do amor é não ter medida.
  • Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio.
  • A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indifnação nos ensina a não aceitar as coisas como estão;a coragem, a mudá-las. 

Fonte das citações:Wikiquote, a coletânea das citações livre (redirecionado de Agostinho de Hipona)

Outras biografias de filósofos: Consultar página "Biografias"

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3 Comentários

  • Maguilla disse:

    Muito importante este filósofo. Parece que é dele a frase: “Jamais acreditaria nos Evangelhos se a tanto não me obrigassem a autoridade e as obrigações da Igreja“. Foi um pensador lúcido e estudioso do cristianismo e muito respeitado.

    Alguém pode confirmar se é dele mesmo essa polêmica frase?

  • Administrator disse:

    Esta posição de Sto. Agostinho, em determinada fase da sua vida e quando já era bispo, mereceria um estudo à parte, tantas são as interpretações existentes. Mas que a declaração existiu, existiu. Eu mesmo já a li em algumas dezenas de referências em minhas pesquisas.

    Vou exemplificar com apenas 3 citações. Uma, a ser vista pela internet: “Eu não acreditaria nos Evangelhos, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja“. Fonte: Resumo dos Livros do Antigo Testamento – Editora Cleofas – Internet Site; a segunda, com o mesmo teor, é uma referência bibliográfica: O clássico “A Vida de Jesus“, do filósofo francês Ernest Renan (infelizmente não lembro a página) – Editora Martin Claret – Trad. Eliana Maria de A. Martins, 2004 e, a terceira, do livro “Jesus de Nazaré e a Crítica Histórica“, pág. 15, de Oscar Algarve – ed. Germinal, 1962, que está assim expressa: ” Eu verdadeiramente não acreditaria nos Evangelhos, se a tanto me não obrigasse a autoridade da Igreja ” (Santo Agostinho – Obras).

    Os escritos de Santo Agostinho, respeitabilíssimo pela própria Igreja, estão aí, comprovados e disponíveis para quem quiser ver e sobre eles não se lança qualquer suspeição. Já os evangelhos…

    Na minha modesta opinião, os Evangelhos não passam de uma coleção de lendas e mitos reunidos, do qual não se conhecem os originais e nem mesmo a autoria dos pretensos escritores foi possível comprovar. Afinal quem os escreveu? A Igreja sabe responder?

    Talvez isto tenha levado Santo Agostinho a proferir a sua famosa frase, embora crendo na existência de um Deus. O que ele não acreditava era no Cristo dos Evangelhos e nos milagres a ele atribuídos.

  • Regina disse:

    Gostaria que me ajudassem a identificar de onde vêm estas palavras de Santo Agostinho:
    “Acaso não devemos repreender e corrigir um irmão para impedir que caminhe tranquilamente para a morte? Pode acontecer como acontece frequentemente,que se entristeça com a repreensão,que resista e proteste,mas depois ,refletindo sozinho no silêncio,quando só Deus e ele estão presentes,evite fazer o que lhe foi repreendido justamente, odeie sua falta e ame seu irmão que é apenas inimigo dessa falta.”
    Obrigada a quem puder me ajudar.
    Regina.

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