DEBATA, DESVENDE E DIVULGUE

26/01/2008
by Antidio Teixeira

DEBATA, DESVENDE E DIVULGUE

(debatadesvendeedivulgue.com.blog)

Caro Leitor:

Agraciado por Ivo S.G. Reis, titular deste blog, com a incumbência de editar uma página do mesmo, pretendo tentar despertar a atenção de todos para a causa básica dos desajustes sócio-econômicos-ambientais que vêm se apresentando ultimamente num emaranhado de interpretações deturpadas por diversos interesses minoritários de alguns setores da humanidade. Em princípio, o que todos necessitam é acompanhar a seqüência de fenômenos ocorridos num passado remoto para que ENTENDAM os distúrbios atuais e ajam com serenidade a caminho da correção de erros históricos cometidos. […]Entender é bem diferente de saber o que disseram outras pessoas, quer tenha sido por palavras orais ou escritas, através de imprensa, do rádio ou da televisão que, por sua vez, leram ou ouviram de outras que, também, nada entendem sobre o assunto que divulgam. A compreensão deve esclarecer dúvidas e apagar os erros induzidos pelas paixões e crenças. Assim foi quando Fernão de Magalhães concluiu a viagem de circunavegação e comprovou que a Terra era esférica, sepultando assim a crença de outros formatos que a ela eram atribuídos; também, quando ficou provado que a Terra gira em torno do Sol; e não ao contrário como o poder de então afirmava e exigia que acreditassem. Só que, naquela época, as divergências de pensamentos pouca diferença fazia com relação ao modo de vida das pessoas e ao meio ambiente. Hoje, a situação é bem diferente. Nosso Planeta, com uma superpopulação em condições de vida extremamente desiguais, para manutenção de seu consumo básico exige uma gigantesca demanda de energia acrescida de outras tantas para atender a um consumo supérfluo cujas necessidades são plantada artificialmente pela mídia em nossas consciências; além disso, alimentamos guerras pela disputa de poder hegemônico e econômico para o que, a quase totalidade da energia disponibilizada é gerada por meios altamente poluentes, tais como as combustões de materiais fósseis e desintegrações nucleares. Assim, o fator tempo para se tomar decisões é de vital importância. Enquanto isso, os meios científicos, dependentes do sistema econômico vigente, fazem projeções para daqui a 100 anos o andamento de anomalias climáticas que já vêm sendo observadas há mais de trinta e crescendo ano para ano, enquanto alguns cientistas ainda criam dúvidas, se o aquecimento global que está ocorrendo em todo o mundo não é um processo cíclico natural. Acompanho esta anomalia desde a década de 1970, quando expressiva e brusca elevação dos preços do petróleo, alarmaram o mundo econômico e muitos congressos foram realizados em busca de alternativas menos onerosas para os combustíveis. Estudando as combustões, observei o seguinte fato que é óbvio: não há combustão sem a presença do comburente oxigênio. Em 1743, este elemento foi estudado e a sua participação na composição atmosférica avaliada em 21%, percentual que continua até hoje. Daí, a pergunta: de onde veio o oxigênio que, nestes últimos 250 anos, alimentou as fornalhas que produziram a Revolução Industrial, que acionou as termelétricas para geração de energia, que tem impulsionado automóveis, caminhões, trens, navios e aviões; que alimentou a queima da biomassa florestal desde aquela época, assim como a respiração dos seres animados, entre os quais, nos incluímos? – em contrapartida, lembremos que todo organismo, ao término de seu ciclo vital, ao se decompor, toma do meio ambiente a mesma quantidade de oxigênio que foi liberado na fotossíntese dos vegetais que contribuíram para formação de seu organismo. Então, dizer que as matas ainda existentes no mundo são responsáveis pela oxigenação atmosférica do planeta, é engodo publicitário.
Após longa contemplação racional, entendemos que o custo do progresso material que temos hoje à nossa disposição, foi a imensurável queima da camada de ozônio que nos oferecia maior proteção contra os raios ultravioletas após a sua conversão em oxigênio nas gélidas noites de invernos polares quando, nas elevadas camadas atmosféricas sobre os pólos, as temperaturas chegam abaixo de -112,5ºC, quando se dá a liquefação do ozônio, e logo a sua evaporação já como oxigênio para compensar o que foi consumido a mais do que o que foi produzido na Terra. Por isso que, sem perceber, nossos antepassados queimaram, e nós continuamos queimando, a gigantesca reserva do gás que dava super proteção sobre os pólos e, hoje, adelgaça o que resta do cobertor sobre as demais regiões do planeta, expondo-as às intempéries que estamos vendo e sentindo. Este processo, para ser solidamente entendido, exigirá do interessado certo grau de familiarização com as leis que regem a Natureza, especialmente com as forças centrífuga e centrípeta em situações especiais, como ocorre com a massa gasosa que envolve o nosso planeta. Também, uma ampla abertura intelectual que lhe permita flexionar as variações dentro do espaço físico universal e do tempo absoluto e relativo. Nada disso será “bicho de 7 cabeças” para quem tiver uma boa formação experimental em laboratório, embora haja uma deficiência crônica no nosso ensino, comprovada no final do ano passado em pesquisa do Ministério da Educação. Assim, a compreensão ampla dos fenômenos sócio-econômico-ambientais demandará tempo incerto de troca de informações que estarei disposto a debater com você. Mas, o tempo para a ação de estancamento é curto, pois, o desenvolvimento dos fenômenos climáticos caminha para uma progressão geométrica enquanto que, nós ambientalistas, concentramos nossas atenções para efeitos isolados, ignorando a causa primordial, quando já ficarão impossível detê-los. Assim sendo, proponho, numa primeira fase, expor de maneira clara o que está ocorrendo no meio ambiente terrestre hoje, como estão se desenvolvendo os fenômenos e suas conseqüências atuais; (b) que providências poderão ser tomadas de imediato pela sociedade a fim de desacelerar o processo degradatório e como revertê-lo posteriormente; (c) para consolidar a sua compreensão, poderemos fazer explanações posteriores sobre a causa fundamental do desequilíbrio e como ele se desenvolveu até o atual estágio. Vejamos:
1º) – O buraco na camada de ozônio sobre os pólos é uma realidade conhecida e incontestável; porém, o que é pouco divulgado é o adelgaçamento da mesma sobre o restante do planeta. Este fenômeno na fase atual, diretamente, pouco percebemos além das agressões à pele e aos olhos pelos raios ultravioletas. Porém, indiretamente, seus efeitos são nocivos aos frágeis seres vegetais e animais que dão início a nossa cadeia alimentar e que vem declinando sensivelmente e gerando conflitos na disputa entre países pobres e que logo envolverão os que forem ricos em alimentos. Os países situados acima do Trópico de Câncer e abaixo do de Capricórnio, muito sofrerão com verões cada vez mais quentes e invernos cada vez mais frios. No primeiro caso, o crescimento das demandas energéticas serão com refrigeração, ventilação, consumo de água e transportes para migração maciça populacional para regiões de climas menos agressivos. Já nos invernos, o aumento de consumo energético será determinado pela necessidade de aquecimento ambiental e prejuízos pela redução, ou inatividade industrial causados por acidentes em rodovias, interdição de ferrovias e aeroportos, rupturas de gasodutos, adutoras e tubulações distribuidoras de água por congelamento. Aumento de intensidade e de incidência de tornados, furacões e deslocamentos dos mesmos para regiões até então não sujeitas a tais intempéries, geram graves prejuízos por não estarem preparadas para enfrentá-los. O somatório dos prejuízos com essas mazelas, distribuídos na economia global, fará aumentar o número de excluídos aos direitos ao mínimo necessário para sua sobrevivência e o desespero os levará a uma cobrança violenta e irracional que acabará mergulhando o mundo na anarquia generalizada na qual as formas de vida terão valor “0”.
2º) – A causa fundamental de todos estes problemas sócio-econômico-ambientais de hoje é a mesma que criou e desenvolveu este progresso tecnológico que serve a uma parte da humanidade: é a queima da matéria fossilizada há milhões de anos para obtenção de calor com o qual se fundem metais para construírem navios, trens, automóveis e aviões; que calcina cimento para construção de pontes, viadutos, estradas e prédios; também aciona as termelétricas para geração de energia elétrica para os mais diversos fins, que impulsiona os veículos de transporte de pessoas e de cargas entre os mais distantes pontos da Terra. Isso porque, nenhum combustível, seja ele de origem fóssil ou da biomassa contemporânea e seus derivados, queima sem a parceria do comburente oxigênio cujos estudos de suas origens e reservas, parece não terem sido alvo de maior atenção do mundo científico dada a sua abundância na Natureza, sendo que as partes que mais nos interessa neste caso, são: as suas reservas em estado livre na atmosfera e o que ainda resta na forma de ozônio formando a camada protetora. A necessidade de crescimento contínuo do consumo remunerado para manter o sistema econômico, exige crescente consumo de energia. Isso porque, tudo que usamos ou que consumimos, não só consome grandes quantidades de energia na sua fabricação, condicionamento, conservação e transporte, assim como no funcionamento, (caso de máquinas, eletrodomésticos e veículos), e ainda na degradação dos restos, ao final de seus ciclos de utilização. Como cerca de 70% da energia consumida no mundo têm origem na combustão de material fossilizado e cujos efluentes não são recicláveis por processos economicamente viáveis, o acúmulo do que foi liberado para o meio ambiente em mais de dois séculos, deformaram a distribuição primitiva da cobertura atmosférica causando as graves alterações climáticas que estamos vendo e sentindo, com tendência para progressão geométrica, quando será impossível deter e reverter o processo. Também a energia nuclear, apresentada como alternativa viável, é mais um engodo publicitário para proteger interesses econômicos, pois seus resíduos radiativos estão sendo armazenados de forma provisória, uma vez que, até o momento, não se tem nenhuma tecnologia capaz de reciclá-los. E se não forem encontrados? Mais uma vez passaremos a bola para nossos herdeiros?
Pelo que foi dito e deve ter sido entendido é que o potencial de energia limpa e renovável que pode ser disponibilizada no planeta é muito inferior a que necessitamos para alimentar às necessidades essenciais da humanidade e mais as supérfluas das classes sociais mais abastadas e crescentes em todo o mundo. Portanto, continuar incentivando o desenvolvimento artificial alimentado com energia oriunda de fontes poluentes, será como condenar à extinção as gerações de amanhã em benefício das nossas extravagâncias de hoje. Será isso que pretendemos legar aos nossos filhos e netos? – o que fazer para estabilizar este processo degenerativo da Natureza? – é mais simples do que você imagina. Vejamos: evite o desperdício de todos os produtos e serviços essenciais à vida e dispense todos que forem supérfluos. Lembre-se de que o que não consome energia no uso, consome na fabricação, condicionamento, conservação ou transporte. Daí prá frente, você decide.

Caso haja interesse manifesto de conhecer e entender os caminhos que nos trouxeram a esta situação, levaremos os interessados a um mergulho a partir da formação do planeta no qual terão chance de interpretar de onde viemos e o que somos. O que seremos, dependerá das nossas atitudes, hoje.
Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 2.008

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10 Comentários

  • Administrator disse:

    Caro Antídio:

    Seu artigo é semelhante a um que nosso querido escritor-ambientalista, Maurício Gomide, publicou aqui mesmo neste blog (procure e leia).

    Comentá-lo é tarefa para “experts”, pois é demasiadamente técnico, uma verdadeira e esplêndida aula, que só os que têm o seu mesmo nível de conhecimento podem fazê-lo. Quantos existem no Brasil? Onde estão? Será que acessam Internet? Por isso, e infelizmente, é quase certo que poucas pessoas se atreverão a comentar, por falta de argumentos técnicos (espere e verá). Hoje em dia, as pessoas não querem quebrar a cabeça, pensar. Preferem amenidades; eu já fiz este teste. Coloquei em alguns fóruns perguntas importantes e técnicas e quase não obtive respostas. Quando postei uma perguntinha sem-vergonha sobre uma banalidade no terreno do relacionamento amoroso, choveram dezenas de respostas, em apenas 3 dias, sendo 18 apenas no primeiro dia.

    Mas voltando ao seu tema, aí seria de se perguntar: porque eu, um ambientalista menor, praticamente desconhecido, interessado por ecologia e um mero estudioso – apenas mediano – desses assuntos me atrevo a comentar? E respondo: primeiro, porque tenho a obrigação de fazê-lo, como administrador deste blog, cuja missão é exatamente a de trazer pessoas do seu nível para cá e provocá-las a se manifestar e debater; segundo, porque tenho de considerar que muitos dos nossos usuários são pessoas comuns, alguns sem alcance para entender esses assuntos em linguagem técnica, e que precisam de alguém que os decodifique para eles. Estes, só podem aprender assistindo as discussões e tendo, no meio, alguém que fale as duas línguas: a deles e a dos técnicos. Aí entro eu. Esta é a missão de todos os administradores de blogs que são ou pretendem ser sérios.

    Mas isso nem sempre é possível, porque temas há que excedem a capacidade de avaliação dos administradores. Quanto a mim, esforço-me. Não me interesso apenas por Ecologia, mas também por Literatura, Religião, Política e FILOSOFIA, a esta última e silenciosamente, tendo dedicado grande parte da minha existência, praticando o seu estudo e técnicas de raciocínio, até hoje. Com ela, tornei-me autodidata e aprendi, nesta ordem, a pesquisar, estudar, comparar, filtrar, raciocinar e CONCLUIR, no que também me ajudou o conhecimento de Inglês e noções de Francês, Italiano e Espanhol. Por exemplo: ninguém me ensinou a ser desenvolvedor de softwares(e transito muito bem aqui) ou webdesigner (como webdesigner, estou iniciando agora, e apanhando, como você viu). Conseqüentemente, permiti-me ser um pouco eclético, em algumas coisas que me interessam.

    E o que isso significa? Que quando não sou especializado em um assunto, mas tenho necessidade de conhecê-lo, estudo e aplico a ele as técnicas do raciocínio filosófico e da lógica matemática para, depois, concluir. Assim, e aliado ao meu senso de autocrítica,
    evito simplesmente repetir como um papagaio o que os outros dizem ou falar asneiras, opinar sobre o que não sei e submeter-me ao ridículo.

    Se eu, errada ou acertadamente, consigo firmar meu próprio ponto-de-vista, discuto. Caso contrário, não. Quando erro, erro na convicção equivocada de estar agindo certo.E acho que é assim que as pessoas deveriam proceder.

    Por isso, volto a dizer: dificilmente (espero que eu esteja enganado) este tópico terá muitos comentários. Sugiro que você faça uma síntese e o submeta ao nosso fórum, o Debatendo a Ecologia. Coloquei um pequeno anúncio dele recentemente no Google e o nº de usuários aumentou em cerca de 30%. Vou convidar pessoas especializadas dos meus outros grupos para responder a este tópico e eu mesmo voltarei a ele, assim que o tempo permitir.

    Tenho de voltar mesmo, porque preciso comentar sobre uma pequeníssima parte do seu artigo de que discordo e que precisa ser melhor esclarecida, não só para mim, mas para todos. Ah!, como é duro ser administrador de blogs e moderador de fóruns…

    Obrigado por essa matéria, digna de figurar em uma revista científica especializada e de ter avaliações críticas dos iguais, e não apenas de simples blogueiros como nós. Não cometa o mesmo erro do Maurício: sua excessiva modéstia impediu-o de divulgar convenientemente seu excelente livro. Faça-se ouvir, também, nos fóruns apropriados!  

    Esta é a verdade.

  • mgomide3 disse:

    Esclarecedora a exposição feita pelo ambientalista Antídio. Apresenta ele uma seqüência de razões que, salvo engano de minha parte, não há como serem contestadas, porque apoiadas em fatos e raciocínio lógico. A seqüência de argumentos não foi fabricada, mas conseqüência de amadurecida reflexão sobre o somatório de nosso habitat, aí considerados os recursos naturais e os equívocos da atual civilização. Equívocos gravíssimos, porque construídos sobre estruturas exclusivamente econômicas, vale dizer sobre bens materiais, relegando a espiritualidade.
    Ressaltamos sua clarividência quando afirma “….cobrança violenta e irracional que acabará mergulhando o mundo na anarquia generalizada na qual as formas de vida terão valor “0”. Isso é certo e corroborado em laboratório. Psicólogos efetuaram experiências com ratos em situação de reprodução livre em espaço e rações limitados. Quando atingiram grande população, alastrou-se generalizado estresse que redundou em verdadeira carnificina. Transportada tal situação para a sociedade humana, perguntamos: onde ficarão a ética, a lei, o amor? É bom frisar: a Natureza desconhece tais valores sociais.
    Na leitura do belo trabalho comentado, mentalizamos uma situação que ajuda a entender os argumentos: Imagine-se a população mundial reduzida instantaneamente para 50%. Nossa razão exclamaria: “que bom!”.
    Faço aqui um pedido aos ambientalistas de coração que nos lêem: exponham suas idéias nesta página e unam-se a nós.

  • SempreAlerta disse:

    Chiiiii… Parece que aqui o circo vai pegar fogo de novo.

    É bom mesmo que vocês debatam e se peguem bastante (no bom sentido), para que nós possamos aprender mais.

    Sempre tive dúvidas sobre esses assuntos e não consigo chegar a nenhuma conclusão> Quem sabe vocês ajudam?

  • Mr. Spock disse:

    Pelo que depreendi do escrito no artigo, o autor baseia os problemas sócio-econômico-ambientais atuais à queima de combustíveis com consequente consumo do oxigênio atmosférico, em resumo.

    Gostaria de debater algumas questões:
    1) A maior fonte produtora de oxigênio terrestre são as algas marinhas, as quais não foram levadas em conta pelo articulista. É sabido que essas algas vem sofrendo também com o processo de poluição dos oceanos, mas ainda não foi estabelecido em que grau;

    2) As alterações na camada de ozônio na Antártida ainda demandam muitos estudos para se determinar a causa. O “buraco” se comporta de maneira sazonal, hora aumentando, hora diminuindo. Nunca fiquei convencido da culpa dos CFCs na destruição da camada de ozônio, uma vez que a maior produção e utilização desse gás se dava no Hemisfério Norte, bem longe da Antásrtida, sem que existam correntes de ventos na alta atmosfera que o leve para lá. Da mesma forma, baseado na reação química de formação do ozônio, enquanto houver oxigênio e raios UV, haverá ozônio;

    3) A questão da influência humana no aquecimento global é fator de grande controvérsia na atualidade. Em meu blog venho desenvolvendo uma série intitulada “Aquecimento Global ou Guerra de Interesses?” que procura na Internet por dados científicos obtidos por instituições de pesquisas, capazes de comprovar (ou não) tal influência. O que encontrei até agora me faz crer que existem dados bem conflitantes sobre o assunto, assim como dados que demonstram que as alterações climáticas do planeta são um processo cíclico natural, dependente de vários fatores mas não tanto da ação humana;

    4) Concordo que a produção de energias baseada em combustão (fóssil ou não) é um processo que já deveria ter sido abandonado há algum tempo, dado que já existem tecnologias para substituí-lo. Porém, devido justamente a interesses econômicos, tais tecnologias não vem sendo desenvolvidas com a velocidade e qualidade necessária. Por exemplo, o uso da energia solar para gerar calor doméstico é totalmente incongruente pois só tem utilização viável em países com alta insolação (como o Brasil), justamente onde o aquecimento doméstico é desnecessário. Enquanto isso, pesquisas para se aprimorar as células fotovoltaicas estão em passo de tartaruga.

    Portanto, não creio que a substituição de matrizes energéticas seja uma decisão pessoal e doméstica. Não há muito sentido em uma família fazer um alto investimento para aquecer a água do banho com um aquecedor solar que só irá funcionar a contento nos meses de verão, quando não se toma banho quente! Da mesma forma, veículos queimando combustíveis “vegetais” podem ser tão poluentes quanto os que queimam petróleo. Ainda não se estudou o efeito da emissão de aldeídos por parte dos carros a etanol.

    Finalmente, a decisão de mudança de meios de geração de energia é sempre uma decisão de governos, baseada sempre em interesses econômicos, raramente em ambientais.

  • Administrator disse:

    Spock:

    Que grata surpresa ter mais um comentarista do seu nível aqui! Nossa pequena comunidade está tentando formar um núcleo de discussão sobre aasuntos relativos ao meio ambiente e sempre precisamos de novos debatedores, de qualquer nível, até mesmo os que pouco entendem do assunto, mas que enxergam e sentem os reflexos.

    Estou com você na questão do aquecimento global antropogênico (ainda não me convenci muito disto) e do uso da chamada energia limpa, esta, apenas porque ainda não é viável. Se fosse, seria totalmente favorável, é claro. Veja, aqui mesmo neste blog, a matéria “Uso da Energia Nuclear…Não Seria Hora de Reavaliar?”, onde mostro, dentro do artigo, um vídeo sobre isso.

    Aquele artigo causou muita polêmica e crítica contrária de alguns ambientalistas. Mas, do outro lado, há inúmeros cientistas e ambientalistas de renome que apóiam a volta ao uso da energia nuclear como energia limpa, tendo em vista que o fator “segurança” foi particamente resolvido, exceção apenas para o armazenamento do lixo atômico. E, aí sim, esta o pomo da discórdia, porque ainda não podemos afirmar que se tenha encontrado uma solução segura para isso.

    Obrigado pela presença. Informe o endereço do seu blog, para que o visitemos.

  • Mr. Spock:
    Agradeço a oportunidade com que você me premiou ao poder espargir um pouco da névoa que empana a questão ambiental. Acredito que as suas pertinentes perguntas têm respostas mais compreensíveis em artigos e comentários por mim escritos e enviados para este blog, razão porque é recomendável uma visita geral. Porém, na mesma ordem em que elas foram feitas, responderei: no primeiro item, para ficar mais compreensível, citarei um exemplo: algas, aguapé, gigogas (estas, comuns nas lagoas do Rio de Janeiro), entre outras variedades, são plantas aquáticas de rápido desenvolvimento quando encontram nutrientes orgânicos em abundância. Não recordo-me se li em algum lugar ou imaginei: uma fazenda de pecuária dispondo de uma central de geração de energia elétrica e sistema de aquecimento a gás metano, alimentados por aguapés, assim: os despejos de lavagem dos currais canalizados para uma lagoa. Enriquecida com estes nutrientes e boa insolação, a produção do vegetal se acelera com grande liberação de oxigênio; e a biomassa formada é levada para biodigestores que poderão ser enriquecido com esgotos de privadas. Aí, submetida a uma fermentação anaeróbica, separam-se a parte gasosa (metano), de nutrientes líquidos e sólidos. Para se queimar este metano, toma-se de volta o oxigênio que foi liberado pelo sistema, em vida. Assim equilibrado, deveria se o mecanismo energético terrestre, sem a queima de combustíveis fósseis. (Também as algas mortas, para se degradarem, se ulilizam da mesma quantidade de oxigênio que elas produziram quando em vida, assim, fechando o balanço ambiental.)
    2º) A explicação deste fenômeno esta bem esclarecida no meio do artigo analizado. Na época do aparecimento dos “buracos”, década de 1970, questionei, além de professores, também renomado menbro de uma Academia Internacional do Ozônio e o então Ministro de Ciência e Tecnologia sobre o fato dos fluorcarbonados serem liberados em muito maiores quantidades no Hemisfério Norte e os sucessivos “buracos” estarem vindo aparecer sobre o Pólo Sul, dúvida que, até hoje, persiste entre a maioria das pessoas. De todos, tive respostas inconsistentes, o que me levou a seguir esta pista, paralela a outra na qual os ditos “buracos” apareciam nos períodos de frio mais intenso, recompondo-se com a volta do calor. Aí, cheguei à conclusão que exponho no mesmo artigo. (Você não acha que trinta anos é demasiado tempo para que a ciência moderna, dotada dos mais sofisticados recursos tecnológicos, dê resposta concreta para um fenômeno tão evidente ou, pelo menos, provasse o contrário?)
    3º) – Sem dúvida, nosso planeta avança no espaço cósmico em semicírculos decrescentes.Períodos mais quentes alternando-se com outros mais frios, até glaciais.Tendo em vista a inclinação do eixo terrestre e a mobilidade da massa atmosférica sobre a superfície em busca de equilíbrio térmico e de densidade, há uma alternância de temperaturas. Quando há congelamento sobre os pólos, a região equatorial é superaquecida e vice-versa. Só que a evolução destes processos se desenvolvem em milhares de anos e não em apenas dois séculos, como está ocorrendo agora. Pela exposição que faço no artigo, é racional entender que o acúmulo de gases mais pesados emanados da combustão da matéria fossilizada, por não ser reciclável, acelerou o processo e, precocemente, desequilibrou a cobertura atmosférica sobre o planeta, e os distúrbios que vêm causando ao meio ambiente crescerão rapidamente, caminhando para uma progressão geométrica que ficará incontrolável.
    4º) – A obtenção de calor por combustão é insubstituível porque ela é natural. Quando a biomassa perece ela se decompõe por oxidação. É uma forma de combustão lenta em que o calor se dispersa, aos poucos, no meio ambiente durante longo tempo. Quando aceleramos estas combustões insuflando ar oxigenado, temos uma rápida liberação de calor e de gases poluentes. O que se discute é a utilização de combustíveis fósseis (hulha, petróleo e gás natural) que foram produzidos por massas florestais em períodos sucessivos e contínuos, durante muitos milhões de anos, sobre um mesmo espaço de solo. Assim sendo, a Terra não dispõe de espaço agricultável suficiente para reciclar, em curto espaço de tempo, os gases poluentes produzidos na queima de tais combustíveis, razão porque vêm se acumulando na atmosfera terrestre. Já, quando alguém derruba uma árvore e utiliza sua matéria como combustível, apesar dela poluir tanto quanto os combustíveis fósseis, ela deixa um espaço no solo para o plantio de uma nova árvore que irá reabsorver os poluentes liberados na queima de sua antecessora e acumular nova cota ce calor para futuras combustões. Porisso, produzem energia renovável.

    Quanto às novas tecnologias, a vivência e observações nos mostra que não poderá haver milagres sem que haja energia limpa e concentrada suficiente para realizá-lo. P/ex.: se o mundo contasse com fontes produzindo energia com tais qualificações e em abundância, dessalinisaria água dos mares e a bombearia para as montanhas para alimentar as nascentes do rios. Nosso planeta recebe, diariamente, fabulosa cota de energia solar. Só que muito dispersa e “é aí que o carro pega” porque, até hoje, não se encontrou nenhuma forma, economicamente viável, para acumular esta energia num processo tecnológico, para uso posterior. E, nenhum processo artificial tem custo que se aproxime daquele que nos oferece o mundo vegetal. Só que dará trabalho a seres humanos e animais o que é saudável para uma sociedade natural, e que não interessa ao sistema econômico predominante.
    Dificilmente será encontrada fórmula para sobrevivência da humanidade sem que haja ajustamento do consumo energético global à capacidade de captação e armazenamento do potencial energético recebido pelo planeta. E isso só será conseguido com a redução do consumo de supérfluos, de imediato, e da humanidade, gradativamente.
    Se as respostas não forem satisfatórias, estarei a disposição para esclarecimentos mais amplos.
    Atenciosamente,
    Antídio

  • mgomide3 disse:

    Meus amigos,

    Nessa questão de madeireiros, primeiramente devemos definir o que são madeireiros. Apaixonadamente, sentimentalmente, injustamente eu os chamei de assassinos. Mas foram assim classificados figurativamente. Serenamente, sob o comando da razão, são adequadamente chamados de madeireiros mesmo. Pois bem. Fazendo o bem ou o mal, eles estão apenas agindo dentro do entendimento cultural de que estão trabalhando, ganhando a vida, buscando recursos necessários à criação e educação de seus filhos. É a mesma atividade de quem trabalha na ação de matar bois no matadouro. A mesma do simples escriturário que faz a contabilidade na fábrica de caldo de galinha. Todos inseridos inconscientemente na cultura. Essa mesma cultura que se compõe da atividade econômica que cultua o deus Lucro.
    Da mesma forma, nós outros, pertencentes à estrutura econômica como intermediários ou consumidores estamos, inconscientemente, compactuando com aquelas atividades malditas. Quando um americano está construindo sua casa com mogno, está usando seu excesso de dinheiro para atender à sua vaidade e gosto. Com isso, ele está assegurando o emprego de muita gente, o que é benéfico para a grande desgraça.
    Deixando claro: não estamos defendendo nem acusando. Estamos tentando encontrar em diagnóstico, tentando identificar fatores que ajudam a destruir nossos recursos ambientais. Estamos apenas tentando fazer uma análise de pequena questão, mas inserida no todo, que é o desequilíbrio do ecossistema, ocasionado pela atividade desnaturada dos humanos. Desnaturada principalmente pelo excesso populacional e redução imensa do tempo de ação face ao tempo longo de regeneração planetária.
    Entendo que não importa a cor do dragão que está na porta da nossa caverna. Ele é o perigo. Está faltando uma consciência geral quanto ao objetivo de nossas preocupações. Agora mesmo estamos assistindo aos discursos contraditórios entre ministros sobre quem é culpado pelo desmatamento. O culpado imediato não interessa. Seria o mesmo que bombeiros, ante um incêndio, ficarem discutindo a causa do fogo invés de o combater. Muita coisa deixamos de desenvolver aqui, poupando espaço e deixando a cargo do leitor a incumbência de refletir e acrescentar ou contestar suas próprias conclusões.
    A questão de se acreditar ou não na degradação ambiental pelas ações humanas será comentada oportunamente.

  • Administrator disse:

    Meu caro Gomide:

    Quando o próprio Presidente da ´República (isto ocrreu esta semana) declara que não considera agricultores e pecuaristas como culpados do desmatamento na amazônia, o que se pode esperar em termos de atitudes governamentais para resolver o problema? Só falta ele liberar de vez o desmatamento e autorizar a instalação de usinas de álcool na Amazônia.

    Para mim, de todos os crimes ambientais, os dois mais revoltantes são o desmatamento e a poluição dos rios e dos mares. Depois, temos também, com quase igual importância, a pesca predadatória e o comércio e matança de animais em vias de extinção, além, é claro, da poluição atmosférica. São tantas coisas erradas, que chegamos a ficar repetitivos em denunciá-las, mas nem assim adianta.

    Não, é claro que não são apenas os madeireiros os responsáveis pelo desmatamento na Amazônia. Os pequenos agricultores (e principalmente estes) e os pecuaristas dão uma significativa parcela de contribuição para este flagelo, embora o nosso presidente não admita. Isso é o Brasil.

    Se cada país tem o governo que merece…

  • polyana disse:

    da pra falar mais sobre o assunto resumido assim fica melhor

  • Antidio Teixeira disse:

    Poly:
    O assunto em tela é de imensa abrangência e não pode ser descrito em poucas palavras; pois, apesar de não exigir profundos conhecimentos didáticos requer do interessado uma sensibilidade experimental e comparativa entre os fenômenos que ocorrem ao alcance de nossas vistas e de nosso tato com outros que só podem ser contemplados no painel da razão. Exemplo é a facilidade que temos de entender na infância que o Sol, que todos os dias aparece no Leste e desaparece no Oeste, gira em torno da Terra e a dificuldade que tivemos para elaborar um quadro mental em que a Terra é que gira em torno do Sol. O problema ambiental só pode ser plenamente entendido se contemplarmos a formação e a evolução do Planeta; as condições que propiciaram a criação da vida vegetativa seguida da animada. Não é dificil de entender o como e o porque, o problema é que é trabalhoso e exige tempo. Leia algumas matérias que tenho publicadas neste blog, levante dúvidas e, dentro de minhas limitações, explicarei o que for possível. Estou publicando um novo alerta à sociedade: ASSASINATOS GLOBAIS E SUICÍDIO COLETIVO. Leia-o e comente-o. Condiais abraços,
    Antídio

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